domingo, 2 de janeiro de 2011

CLUBE DE COMBATE (1999)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Fight Club
Realização: David Fincher
Principais Actores: Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter, Meat Loaf, Zach Grenier, Richmond Arquette, David Andrews, George Maguire, Jared Leto

Crítica:


O GRITO DA REVOLUÇÃO

If you died right now,
how would you feel about your life?


Que se fodam, a primeira e a segunda regras do Clube de Combate. Há filmes que, apesar da sua natureza puramente artística, são capazes de mudar mentalidades, radicalmente. Abre-se a polémica e a vertigem, provenientes da mais assustadora consciência social... Profundamente electrizante e irreverente, desconcertante e provocadora, esta incendiária obra-prima de David Fincher não é senão o seu mais genial e original mind game. O escárnio da vergonha do ser humano, acomodado numa sociedade consumista, escravizado pelo lobby capitalista, perdido numa existência hipócrita, vazia e sem sentido... a verdade escarrapachada na cara do espectador - apetece-me dizer na fronha do espectador -, com a maior frontalidade, com a mais rasgada ironia. Poucos retratos sociais poderão soar mais autênticos. Se, ao assistir ao filme, sentir o mais revoltante arrepio na espinha a estremecer-lhe a pele, quem sabe se por mais de uma vez, talvez esteja na hora de fazer qualquer coisa pela sua vida. Qualquer coisa mais visceral do que estar sentado a assistir a um filme, por mais genial que seja.

People are always asking me if I know Tyler Durden. A ousadia da obra começa logo, aquando do genérico da abertura. Stealing Fat, The Dust Brothers. David Fincher revela-se mestre na execução dos vcm's, os travellings outrora impossíveis e desde há uns anos possíveis graças às infinitas potencialidades do digital. A câmera move-se que nem um eléctrodo da mente humana, por um atribulado circuito de moléculas e energias, até que a mesma transcende os tecidos cutâneos e, entre gotas de nervos e suores, desliza pelo cano negro de uma arma.

Three minutes. This is it - ground zero.
Would you like to say a few words to mark the occasion?
Tyler Durden

É noite. O protagonista/narrador está petrificado numa cadeira, no cimo de um prédio de iluminação soturna, com uma ameaçadora pistola enfiada na boca. A narrativa inicia-se pelo final. Por isso, tornaremos mais tarde a este momento. Até soar The Pixies, com o simbólico tema Where is My Mind, os avanços e recuos de um dos mais engenhosos argumentos de que há memória (excelente adaptação de Jim Uhls, a partir do romance homónimo de Chuck Palahniuk) suceder-se-ão. O humor negro e corrosivo inicia-se nas visitas aos grupos de auto-ajuda, onde absolutos frustrados como o protagonista sem nome - brilhantemente interpretado por Edward Norton - procuram um qualquer conforto, longe das suas angústias. A personagem vive sozinho num apartamento, trabalha numa influente companhia de seguros e sofre de insónias não só desesperantes como preocupantes. Não dorme há dias. Like so many others, ele tornou-se um escravo do Ikea nesting instinct.

I had it all. Even the glass dishes with tiny bubbles and imperfections, proof they were crafted by the honest, simple, hard-working indigenous peoples of... wherever.
Narrador

Ainda sobre a marca Ikea, um dinâmico e sugestivo catálogo chega a preencher um take da sequência. A crítica ao consumismo faz-se ainda pela nomeação de outras marcas sonantes e sedutoras, que com o tempo ritualizaram e uniformizaram os nossos costumes e os nossos desejos, aprisionando-nos numa repetição de vícios: Starbucks, Calvin Klein, DKNY, Ax, Good Year, Cadillac, etc.

Tyler Durden: We're consumers. We are by-products of a lifestyle obsession. Murder, crime, poverty, these things don't concern me. What concerns me are celebrity magazines, television with 500 channels, some guy's name on my underwear. Rogaine, Viagra, Olestra.
Narrador: Martha Stewart.
Tyler Durden: Fuck Martha Stewart. Martha's polishing the brass on the Titanic. It's all going down, man. So fuck off with your sofa units and Strinne green stripe patterns.

Tudo isto, para chegar a uma conclusão tremendamente lúcida: The things you own end up owning you. Contraditório e revelador é o que Tyler faz após proferir tamanha máxima: acende um cigarro e cede ao vício. Repito: revelador. Aquilo que o aparentemente fortuito encontro com Tyler Durden (uma das melhores personagens da História do Cinema, prodigiosa e inspiradamente interpretada por Brad Pitt) proporcionará à nossa personagem principal não será senão o caminho da iluminação, o murro no estômago - literal inclusivé - que o despertará para uma vida de prazer e de realização pessoal, alienada das castrantes organizações do sistema. Procurar a emoção, o choro e a catarse nos grupos de entre-ajuda, sejam eles de tuberculose, de doenças renais ou do cancro da pele, não poderá ser a solução, sobretudo quando não há qualquer resquício de doença física, a não ser as terríveis olheiras que reflectem as doenças da alma.

Every evening I died,
and every evening I was born again, resurrected.

Narrador

A terapia não pode passar pelo fingimento, claramente. É numa dessas cada vez mais comuns sessões, seguidas que nem seitas religiosas pelos angustiados, que o narrador conhece Marla Singer (assombroso, o underacting de Helena Bonham Carter), aquele cadáver pálido e magricela, chaminé ambulante, que devora cigarros uns atrás dos outros sem jamais os terminar e que encara de forma perfeitamente natural as suas recorrentes visitas ao grupo de cancro nos testículos.

This chick Marla Singer did not have testicular cancer. She was a liar. She had no diseases at all. I had seen her at Free and Clear, my blood parasite group Thursdays. Then at Hope, my bi-monthly sickle cell circle. And again at Seize the Day, my tuberculous Friday night. Marla... the big tourist. Her lie reflected my lie. Suddenly, I felt nothing. I couldn't cry, so once again I couldn't sleep.
Narrador

Sem qualquer réstea de esperança e completamente consumida pela neurose, Marla limita-se a aguardar pela morte; note-se a forma despreocupada e fantasmagórica com que atravessa a estrada, fazendo com que os carros travem e apitem, repetidamente.

Marla's philosophy of life is that she might die at any moment.
The tragedy, she said, was that she didn't.
Narrador

Desolado, as insónias intensificam-se. Nem o conforto das grandes mamas de Bob, companheiro de sessões, lhe trariam mais conforto. Desta feita e das poucas e fugazes vezes em que adormece, a personagem de Norton começa a sonhar com o colapso de um avião, que cederia ao infortúnio numa das muitas viagens profissionais que marcam a sua agenda. É precisamente num avião que encontra, pela primeira vez, o fashion e sorridente Tyler Durden (elegantes, os figurinos de Michael Kaplan) que, por coincidência ou não, tem uma mala igual à sua: Tyler, you are by far the most interesting single-serving friend I've ever met... see I have this thing: everything on a plane is single-serving...


I make and sell soap (...) the yardstick of civilization. (...) Did you know that if you mix equal parts of gasoline and frozen orange juice concentrate you can make napalm? (...) One could make all kinds of explosives, using simple household items. (...) Now a question of etiquette -anuncia, levantando-se - as I pass, do I give you the ass or the crotch...?
Tyler Durden

Respondendo à questão, diria que o rabo ou a braguilha varia consoante os nossos interesses, ou consoante as presenças. Note-se como Tyler vira o rabo ao parceiro de conversa e, logo de seguida, dá a braguilha à hospedeira de bordo. Não dispersando, foquemo-nos no importante: o sabão. Nunca lhe passaria pela cabeça, à personagem de Norton, que o sabão lhe rebentasse um dia com o apartamento, acabando definitivamente com a sua illusion of safety. E a explosão da fracção - How embarrassing... a house full of condiments and no food -, distinta e autenticamente recriada pelos efeitos digitais, em mais um notável travelling virtual, assume-se como um verdadeiro momento de viragem na percurso pessoal do narrador, sinédoque do homem comum. Sem nada possuir e sem nada mais que o possua, está pronto para recomeçar. A amizade com Tyler pode mesmo suscitar o recomeço que sempre quis; a não ser que, inesperadamente, o novo trilho faça um desvio alucinante. Quando se reencontra com Tyler, eterno terrorista da indústria alimentar, no mítico Lou's Tavern, e o confronta com a notícia do trágico incidente, a primeira coisa que ouve da sábia boca do fabricante de sabão é, descontraidamente: It could be worse. A woman could cut off your penis while you're sleeping and toss it out the window of a moving car. À saída do pub, dá-se a primeira luta e, depois dela, a vida do nosso protagonista nunca mais seria a mesma.

Warning: If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all that claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think every thing you're supposed to think? Buy what you're told to want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you don't claim your humanity you will become a statistic. You have been warned.
Tyler Durden

Muito se tem especulado sobre a violência e sobre o seu significado num filme como Clube de Combate. E como a verdadeira essência da história, ao que parece, não foi descoberta por todos, a especulação terá continuidade. Será violência gratuita, a que a obra de Fincher promove? Incitará e inspirará o filme à desordem, à anarquia e ao caos? Longe de ser uma resposta politicamente correcta, é claro que Clube de Combate jamais o faria. A ironia impera e na misinterpretation residirá a problemática da influência, no que à incitação à violência diz respeito; num factor externo, portanto. Há arte e arte, mas a arte de Clube de Combate é a da sensibilização do espírito. É essa é a mudança de mentalidade que o filme sugere e encoraja.

Welcome to Fight Club. The first rule of Fight Club is: you do not talk about Fight Club. The second rule of Fight Club is: you DO NOT talk about Fight Club! Third rule of Fight Club: if someone yells "stop!", goes limp, or taps out, the fight is over. Fourth rule: only two guys to a fight. Fifth rule: one fight at a time, fellas. Sixth rule: the fights are bare knuckle. No shirt, no shoes, no weapons. Seventh rule: fights will go on as long as they have to. And the eighth and final rule: if this is your first time at Fight Club, you have to fight.
Tyler Durden

A violência em Clube de Combate é, claramente, um recurso de estilo. Uma metáfora da luta interior necessária para ser diferente e genuíno numa sociedade de padrões, de modelos standardizados. A luta para sermos nós próprios, com os nossos sonhos de futuro. O Clube de Combate é todo um processo de desintoxicação e de regresso às origens, ao essencial. Tyler Durden é a voz de uma consciência superior, que tenta despertar-nos da nossa inércia. Só de olhos abertos e bem conscientes poderemos ter hipóteses, um dia, de sermos realmente felizes.

You're not your job. You're not how much money you have in the bank. You're not the car you drive. You're not the contents of your wallet. You're not your fucking khakis. You're the all-singing, all-dancing crap of the world.
Tyler Durden

Nem Deus escapa à feroz crítica existencial do revolucionário:

Our fathers were our models for God. If our fathers bailed, what does that tell you about God? (...) Listen to me! You have to consider the possibility that God does not like you. He never wanted you. In all probability, he hates you. (...) We don't need him!
Tyler Durden

As lutas de ambos começam a atrair outros tantos malogrados e, rapidamente, o Clube é fundado. Até Bob chega a trocar os grupos de auto-ajuda pelas lutas do submundo. É como se pela violência se expiassem a agonia e o desespero do dia-a-dia; fenómeno, aliás, sobejamente estudado pela Sociologia. A violência atrai multidões, assim como as disputas masculinas por meio das quais se destilam hormonas reprimidas.

You are not special. You are not a beautiful or unique snowflake. You're the same decaying organic matter as everything else.
Tyler Durden

Quando o narrador vai viver para a mansão abandonada, juntamente com Tyler, aprenderá o que é viver longe - bem longe - do conforto. A arrojada direcção artística (Alex McDowell, Chris Gorak e Jay Hart), aliás, tem um papel fundamental na concepção daquele cenário decadente, sujo e podre. E, se ainda dúvidas houvesse, o trabalho de iluminação mostra-se determinante na criação daquela atmosfera tensa, misteriosa e imprevisível. A fotografia de Jeff Cronenweth assume-se verdadeiramente espantosa e versátil, enfantizando toda a linguagem visual da mise-en-scène. Quando Marla entra de novo em cena e se cruza no destino de Tyler, tomara ao nosso protagonista que a casa se abafasse em surdina. A gritaria insuportável da fornicação selvagem estremecerá todas as paredes e tectos. A cena de sexo, que tão distorcidamente povoa o imaginário onírico do narrador, chega-nos de forma erótica e surreal, embelezada pelas cadências da montagem (extraordinários, a destreza e o talento de James Haygood).

Às tantas, a organização do Clube de Combate sofre significativas modificações. A ideologia ganha novos e perturbadores contornos e a vertigem adensa-se:

Man, I see in fight club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. God damn it, an entire generation pumping gas, waiting tables; slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'd all be millionaires, and movie gods, and rock stars. But we won't. And we're slowly learning that fact. And we're very, very pissed off.
Tyler Durden

O sorriso de Tyler dá lugar a um riso doentio. Os membros do Clube levam homework: a nova missão é recrutar novos membros. Tyler pensa formar um exército. O Clube de Combate dará lugar ao Projecto-Destruição. Como? Start a fight. Norton chega-se a espancar a si próprio em frente ao patrão, numa cena memorável. A metáfora da violência conhece, pois, um volte-face: o perigo de uma ideologia levada ao extremo, quando a manipulação e a lavagem cerebral transcendem as liberdades individuais e põem em causa a ordem; quaisquer analogias histórico-políticas não serão, certamente, meras coincidências. Lembro, a propósito, a explosão da loja de informática, o vandalismo dos automóveis da via pública ou o incêndio daquele enorme prédio, com aquele esverdeado smile como assinatura, e a que a televisão reporta. Ou, por exemplo, o assalto à loja de conveniência, propriedade do jovem de olhos em bico, o qual Tyler ameaça matar se não se tornar, em seis semanas, o veterinário que sempre sonhou ser e do qual se despede, com a maior graça: run, Forrest, run! Assim nascem os monstros. A violência surge-nos então associada ao crime e o crime surge-nos como responsabilidade da própria sociedade.

Quando o carro em que viajam Tyler, o narrador e outros dois membros do Clube se despista - e que na traseira ostenta um autocolante dizendo recycle your animals, quem sabe se por abastecimento insuficiente das gorduras das habituais clínicas de cirurgia estética - o nosso protagonista finalmente - e após tanto tempo - dorme e descansa. E, quando acorda, Tyler desapareceu. Desapareceu sem deixar rasto. Está tudo muito confuso na mente do narrador e as peças do puzzle não encaixam. Corre mundo, em busca de respostas, mas o cenário mostra-se ambíguo e inconclusivo. Deja vu - all over again. As dúvidas assumem a acção: Tyler parece nunca ter existido. Terá executado a fuga perfeita, nas vésperas de pôr em prática o Projecto-Destruição, que acabará com todo o sistema de cartões de crédito, extinguindo a dívida e propiciando o começo de um novo sistema social? Ou terá sido uma alucinação, provocada pela acumulação de insónias? Sofrerá, talvez, do síndrome de personalidade múltipla? Ou terá simplesmente enlouquecido, tendo nós, espectadores, sido manipulados pela sua exímia retórica?

It's called a changeover.
The movie goes on, and nobody in the audience has any idea.
Narrador

O narrador telefona imediatamente a Marla, perguntando-lhe se alguma vez fizeram sexo:

You fuck me, then snub me. You love me, you hate me. You show me your sensitive side, then you turn into a total asshole! Is that a pretty accurate description of our relationship, Tyler?

Eis a resposta. Marla sabe demasiado. Por isso, Tyler pretende exterminá-la, mas o nosso alucinado protagonista fará de tudo para salvá-la, a ela e a todos quantos puder, impedindo o sucesso do projecto secreto, já em marcha. O tempo urge; contudo, não passará a única salvação pelo próprio suicídio do protagonista? O final eleva a complexidade do argumento ao rubro, pisando mais do que nunca os domínios da metaficção (afinal, é pouco verosímil que o narrador não faleça perante o disparo da bala. Trate-se, o narrador, de uma criação ficcional consciente da sua ficcionalidade). Clube de Combate assume-se, pois, como a expressão máxima do chamado mindfuck movie e o confronto final acaba por acontecer nas nossas cabeças. Assistir a Tyler - Tyler? - e Marla, de mãos dadas, no cimo daquele prédio de iluminação soturna, enquanto as explosões se sucedem lá fora, é qualquer coisa de arrebatador.

You met me at a very strange time in my life.

Um final esperançoso naquele que é, definitivamente, um filme incontornável na História do Cinema.

...Where is your mind?

_______________________________________________
No final dos finais, como se já não bastasse de irreverência e de provocação, aparece-nos uma daquelas imagens-flash que muitos poderão ignorar, mas que está efectivamente lá. Surge-nos, como que entre-cortado por acaso e durante fracções de segundo... um volumoso... pénis. A nice big cock... É o cúmulo do atrevimento, não? :D

25 comentários:

  1. Filme da minha vida. Creio que está tudo dito.

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  2. Eis um filme que muito admiram pelos comentários nele imbuidos, mas que não entendi direito quando vi. Ainda não percebi sua complexidade.

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  3. No seu todo, está longe de ser uma obra-prima, infelizmente.

    Clube de Combate é um filme divido em três: uma parte medíocre, outra parte mediana e uma parte genial.

    Abraço ;)

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  4. FIFECO: Também um dos filmes da minha ;) Está tudo disto, sim.

    GUSTAVO H.R.: Talvez uma segunda visualização seja bem-vinda, não? ;)

    JACKIE BROWN: Não concordo nada. Nada. É um todo genial e uma enormíssima obra-prima.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  5. Bem este é daqueles que está no meu TOP 3, para mim nem a palavra Obra-Prima chega para descrever este filmaço... as ideias, as criticas nuas e cruas à sociedade... este é daqueles filmes quer se goste dele quer não, muda sempre a forma de pensar do espectador.

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  6. LUÍS SILVA: E foi precisamente um dos filmes que mais mudou a minha vida. Uma obra de arte genial, que também tem lugar no meu top dos tops. Mais um preferido em comum, entre nós os dois.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  7. Crítica muito bem escrita.. Também adorei um filme, se bem que penso que existem alguns erros..
    (spoilers):

    não entendo, quando o narrador pergunta ao Angel face :- Onde está o Tyler? e o Angel face responde:-A 1ª regra do projecto destruição é que não se pode falar do projecto..
    Não percebi se aquela conversa foi imaginação, pois se foi real, não fez sentido a resposta do angel face, visto que o narrador e tyler são a mesma pessoa.

    Também quando o narrador procura tyler, e pergunta a um empregado, e este responde:- não sei. Quem me dera poder ajudá-lo, senhor (e pisca o olho).. é porque sabia quem ele era, logo, deu também uma resposta parva..

    Alguém me pode responder?

    abraço

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  8. MIGUEL PINTO: Foi o "narrador" enquanto Tyler que convenceu todos os membros do Projecto-Destruição a não falar do projecto e a não falar de Tyler Durden. Por isso é que, aos poucos, os planos do Projecto se fecham à personagem de Norton. Foi também uma forma de proteger o projecto: Tyler era inteligente e sabia que se o "narrador" descobrisse a totalidade dos planos talvez caísse em si pusesse a concretização do Projecto em risco. Não nos esqueçamos, por exemplo, que o próprio Tyler pretende exterminar Marla, mais tarde, quando é óbvio que a fumadora sabe demais.

    Quando o empregado pisca o olho ao "narrador" pisca-o também ao espectador. A personagem já conhece o "narrador" quando ele assumia a personalidade de Tyler Durden. E sabe perfeitamente que o não pode falar de Tyler nem do projecto. Por isso é que lhe pisca o olho, do género "ah, lá 'tas tu com as tuas coisas, sabes bem que és o Tyler".

    Obra-prima absoluta.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD – A Estrada do Cinema «

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  9. Grande filme, sem qualquer dúvida.
    Penso no entanto que este texto é contra-producente, devido à sua longuissima extensão. Eu não tive paciência de o ler na íntegra, mas o defeito será meu. No entanto, julgo que a "crítica" de um filme não se deverá confundir com literatura (ou então escreve-se um livro) mas sim ressalvar o que de interessante um filme tem para nos oferecer e nesse sentido levar a ver o filme quem nunca o fez. E para isso não são precisas tantas palavras.
    Atenção, Roberto, que isto é apenas um comentário dado de boa fé e que pretende ser construtivo. Por favor não o interpretes de outro modo, como por vezes costumas fazer.

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  10. "Obra-prima" e "Genial", qualificam bem o que acho do filme. Aliás, sua crítica está estupenda. Talvez a melhor e mais completa que já li.

    ABraços e Parabéns!!

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  11. NOWHEREMAN: De modo algum ;) Tenho perfeita consciência de que muitos não a lerão na íntegra, da mesma forma que eu não o faria se a visse porventura num outro blogue. Ler críticas com este nível de análise e de extensão tem esse inconveniente. Exige disponibilidade e pré-disposição. Contudo, não é questão que me preocupe especialmente. Somos livres de procurar e de optar por aquilo que queremos ler. Por um lado, continuo a escrever em primeiro lugar para mim, por prazer e por realização pessoal. Por outro lado, escrevo outro tipo de textos e publico artigos de outra natureza, há de tudo para todos os gostos. Para quem não a quiser ler basta ler um ou outro parágrafo ou, no mínimo, constatar a minha pontuação para conhecer a minha opinião.

    Faço crítica e faço análise e não há medidas certas tanto para uma como para outra. Aquilo que pretendia jamais se faria em 2 ou 3 parágrafos. No CINEROAD já pratiquei, outrora, críticas cujo objectivo era a síntese. Este não foi o caso e não quer com isso dizer que tenha a dita "palha". Sei muito bem como doseei os meus parágrafos e o meu discurso.

    Por outro lado, e para quem estudou um pouco não de arte mas de crítica à arte, sabe que há várias escolas, vários caminhos a seguir. Costumo ser versátil. Pessoalmente, gosto muito da crítica que se aproxima da literatura, porque a crítica pode ser uma arte. E por aí encaro a tua crítica como um elogio. Em tempos tive quem me dissesse que Oscar Wilde teve uma clara influência na minha perspectiva crítica. Penso que sim. Recomendo, a propósito, o diálogo ensaísto do autor de DORIAN GRAY, denominado THE CRITIC AS ARTIST.

    Em todo o caso, e em jeito de graçola, tenho uma boa citação para ti:
    "Warning: If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? "

    RAFHAEL VAZ: Sim, penso que qualificam perfeitamente este filmalhão ;) Obrigado pelo elogio.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  12. Esta é daquelas críticas proibidas para quem não viu o filme :P

    Gosto sempre de ler sobre FIght Club e de falar sobre ele é também um dos meus favoritos de sempre.

    No final do teu texto querias mesmo dizer Tyler e Marla de mãos dadas?

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  13. LOOT: A maioria das minhas críticas serão nesse caso proibidas, uma vez que junto à crítica a análise e a reflexão sobre a obra em questão. Mas costumo dizer que as minhas críticas são para leituras a fazer depois de assistir aos filmes. Analisar um filme sem falar de um ou de outro spoiler é não só inevitável como impossível.

    Por descargo de consciência, não me venham acusar de ser eticamente reprovável, rezam as Condições Gerais o seguinte:

    I.1.3. Todas as críticas poderão incluir análises mais detalhadas das obras, assim como eventuais spoilers.

    Ainda assim, não sou conclusivo em relação aos aspectos mais reveladores da trama de CLUBE DE COMBATE.

    Quanto à observação final, queria mesmo dizer Tyler. Quem senão Tyler dá as mãos a Marla, não é mesmo? ;)

    Agradeço o comentário ;)

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  14. Um dos filmes de topo da minha vida. Enough said... :)

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  15. Ah ah, é à patrão o início da crítica. Enfim, percebe-se que é um filme que te diz muito, e admiro o rigor da análise (embora por vezes seja algo maçuda).

    Já sabes a minha opinião, mas devo dizer que é um filme que, durante um certo intervalo de tempo, me conquista por completo.

    Abraço

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  16. CARLOS: Também um dos filmes da minha vida ;)

    RUI FRANCISCO PEREIRA: O início é em homenagem ao filme. Sim, é um filme que me diz muito e que nos diz muito, estejamos nós preparados para entendê-lo. Como sabes, sou da opinião de que não atingiste o âmago e a essência da obra. Quanto ao facto de a crítica te ser maçuda, por vezes, tenho a dizer que tolero inteiramente os teus bocejos ;D

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  17. If you died right now,
    how would you feel about your life?

    Esta é uma frase em que todos nós devíamos reflectir de vez em quando.

    Mas como esta existem algumas mais. Uma obra obrigatória. Um dos melhores filmes de sempre.

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  18. gostei muito da crítica. das melhores que já por aqui li. quanto ao filme, sim, enorme e inspirador.

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  19. RICARDO VIEIRA: Procurei suscitar a reflexão, com a crítica. Penso que dizes tudo nas tuas últimas duas frases, as quais subscrevo inteiramente.

    J...: Obrigado ;) Profundamente inspirador, deste pedaço de genialidade assinado por Fincher.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  20. Este sim, Roberto, um dos melhores realizadores dos anos 90. Ainda há dias revi o tão injustiçado "Alien 3" por causa da caixa blu-ray que me chegou e onde já se pressente o clima que três anos depois iria fazer do "Seven" um marco do Thriller. Gostei também muito do "The Game", bem como deste "Fight Club", claro. Já o "Panic Room" e o "Zodiac" são obras um pouco dadas ao facilitismo mas o "Benjamin Button" iria redimi-lo, se bem que num género completamente diferente. Já esta "Rede Social", não me tem suscitado grande interesse para a ver.
    Quanto a este teu texto é verdade que é longo como o caraças e eventualmente não captará novos "clientes" para o filme. Mas compreendo que não será esse o teu objectivo, escreves sobretudo porque tal te dá prazer e nesse aspecto terás toda a razão.

    Abraço
    O Rato Cinéfilo

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  21. RATO: Ainda não vi o ALIEN 3, já li maravilhas sobre essa caixa ;) Fincher foi mesmo um dos realizadores mais marcantes da década de 90. Também gosto imenso d'O JOGO, tão poucas vezes referido e injustamente. Também não tenho especial curiosidade em relação à REDE e também considero o BENJAMIN BUTTON um caso à parte.

    Sim, o meu texto é relativamente longo, tendo em conta aquilo que habitualmente se faz na blogosfera. Ser longo ou curto, pouco dirá relativamente à sua qualidade, como é óbvio. Isso aplica-se aos textos, aos filmes e a tudo um pouco. Estou consciente de que executei um pedaço de boa escrita, numa construção com cabeça, tronco e membros e, sobretudo, com substância, o que nem sempre acontece no que se faz por aí - o teu blogue é claramente uma excepção.

    Há autores para quem tecer uma crítica é só dizer que se gostou ou que não se gostou. Há outros para os quais uma crítica é parafrasear a sinopse. Outros há para os quais uma crítica é enumerar os vários prémios e galardões que o filme arrecadou. Não é esse o meu entendimento do que é fazer uma crítica. É claro que é possível concretizar aquilo que defendo e com menos metros; já o fiz, hei-de voltar a fazê-lo e creio que o faço razoavelmente bem. Há filmes, todavia, que pela minha admiração por eles, pelas leituras que me permitem davam para escrever um livro.

    Não assinei contrato em lado nenhum ou não fiz promessa a nenhum leitor que apenas escreveria críticas relativamente curtas e de leitura pouco exigente. Às vezes, sou exigente comigo e sou exigente para com os leitores. Mas ser exigente neste caso significa ir mais longe, fazer diferente, aprofundar conhecimentos. Nem todos os leitores estão predispostos a isso. Compreendo. Aceito perfeitamente. Mas perfeitamente mesmo. Não escrevo para agradar a ninguém, na esperança que me congratulem, nem para encher a caixa de comentários por si só. O que me interessa é o cinema. Falar de cinema. Nem por um instante ao longo da minha crítica caí em repetições ou em raciocínios ilógicos, despropositados ou sem fundamento.

    Escrevo porque me dá prazer e porque acredito que haja quem partilhe a minha paixão com a mesma intensidade, partindo à descoberta de uma análise mais exigente. E, mesmo assim, fica sempre tanto por dizer.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  22. O detalhe do pénis não é inédito - Bergman fê-lo com "Persona" e Fincher aproveitou-se disso, dando-lhe uma explicação que se dispensava. A questão da identidade está muito melhor tratada lá do que no "Clube". São opiniões.

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  23. Acho, e isto é uma opinião pessoal, que quando um blogger só escreve a pensar no que os seus eventuais leitores vão achar do texto, deverá repensar se deve continuar a escrever. Irá começar a criar pressões e os seus textos irão ficar cada vez mais "artificiais".
    Em primeiro lugar devemos escrever para nós, sem pensar se vamos agradar a quem lê. Se depois formos agradando, melhor ainda...

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  24. Aliás, e prosseguindo ali o comentário do Flávio, o Fight Club é um remake do Persona. O Brad Pitt é a enfermeira, eheh
    Gosto muito mais do Persona! É mais profundo, talvez, não sei..

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  25. FLÁVIO GONÇALVES e JOÃO PALHARES: Conto escrever a crítica ao PERSONA nos próximos tempos.

    Cumps.
    Roberto Simões
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