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Título Original: IrréversibleRealização: Gaspar Noé
Principais Actores: Monica Bellucci, Vincent Cassel, Albert Dupontel, Jo Prestia, Philippe Nahon, Stéphane Drouot, Jean-Louis Costes, Michel Gondoin, Mourad Khima
Crítica:
Chocante e atordoante, incómodo e inconveniente, maculado e doentio, desiludido, sem esperança. Irreversível é assim: uma experiência ultra-sensorial que nos prende por inteiro e que nos transporta, sob uma cadência hipnótica, do mais inquietante dos pesadelos ao absoluto apaziguamento existencial.
Do fim para o princípio, a desconstrução da narrativa e das personagens não só surpreende como se revela um autêntico processo de reconstrução, por meio do qual nos apercebemos da forma implacável e aleatória de como o caos escreve os nossos destinos. Há duas sequências absolutamente brilhantes: a descida infernal, de atmosfera nevrótica, repugnante e violenta, ao antro da perversão homossexual (note-se o requinte intencional: a combinação perfeita de planos rodopiantes com a repetição obsessiva de sons baixos e graves, de frequência de 28 Hz, de modo a provocar o sentimento de náusea e tontura no próprio espectador) e a dolorosa, brutal e revoltante violação no túnel vermelho (plano estático, ângulo de irrepreensível enquadramento).
Inspiradamente iluminado, fotografado e montado e genialmente realizado (Gaspar Noé transforma uma simples história de vingança numa original, revigorante e marcante obra de arte, desconfortavelmente sublime), Irreversível conta ainda com fortíssimos desempenhos, imbuídos no poder soberano da narrativa: Vicent Cassel, Monica Bellucci e Albert Dupontel. O trio protagoniza, frontalmente e sem tabus, esta tão interessante quão curiosa abordagem sobre o amor e a sexualidade.
No final, perturbados pela crueldade do futuro e pela viagem que assumímos, somos levados para um salto no infinito, pela inspiração assumida de Kubrick e de Beethoven. A imagem cede ao turbilhão de emoções, desvanece no branco e perde-se na confluência de sons e de luzes estroboscópicas. A nossa consciência eleva-se, então, ao éter da arte. O tempo destrói tudo, inevitavelmente, irreversivelmente. Não valerá a pena, ainda assim, este nosso intervalo no curso eterno da transcendência?

O FIM E O COMEÇO
Le temps détruit tout.
Chocante e atordoante, incómodo e inconveniente, maculado e doentio, desiludido, sem esperança. Irreversível é assim: uma experiência ultra-sensorial que nos prende por inteiro e que nos transporta, sob uma cadência hipnótica, do mais inquietante dos pesadelos ao absoluto apaziguamento existencial.
Do fim para o princípio, a desconstrução da narrativa e das personagens não só surpreende como se revela um autêntico processo de reconstrução, por meio do qual nos apercebemos da forma implacável e aleatória de como o caos escreve os nossos destinos. Há duas sequências absolutamente brilhantes: a descida infernal, de atmosfera nevrótica, repugnante e violenta, ao antro da perversão homossexual (note-se o requinte intencional: a combinação perfeita de planos rodopiantes com a repetição obsessiva de sons baixos e graves, de frequência de 28 Hz, de modo a provocar o sentimento de náusea e tontura no próprio espectador) e a dolorosa, brutal e revoltante violação no túnel vermelho (plano estático, ângulo de irrepreensível enquadramento).
Inspiradamente iluminado, fotografado e montado e genialmente realizado (Gaspar Noé transforma uma simples história de vingança numa original, revigorante e marcante obra de arte, desconfortavelmente sublime), Irreversível conta ainda com fortíssimos desempenhos, imbuídos no poder soberano da narrativa: Vicent Cassel, Monica Bellucci e Albert Dupontel. O trio protagoniza, frontalmente e sem tabus, esta tão interessante quão curiosa abordagem sobre o amor e a sexualidade.
No final, perturbados pela crueldade do futuro e pela viagem que assumímos, somos levados para um salto no infinito, pela inspiração assumida de Kubrick e de Beethoven. A imagem cede ao turbilhão de emoções, desvanece no branco e perde-se na confluência de sons e de luzes estroboscópicas. A nossa consciência eleva-se, então, ao éter da arte. O tempo destrói tudo, inevitavelmente, irreversivelmente. Não valerá a pena, ainda assim, este nosso intervalo no curso eterno da transcendência?

