quarta-feira, 29 de julho de 2009

ANNIE HALL (1977)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Annie Hall
Realização: Woody Allen
Principais Actores: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Carol Kane, Paul Simon, Christopher Walken, Sigourney Weaver, Jeff Goldblum

Crítica:

MASTURBANDO O AMOR

Hey, don't knock masturbation! It's sex with someone I love.

Dotado de um argumento assaz estimulante que explora, com profundo sentido satírico, as relações amorosas, Annie Hall consegue ser muito mais do que um pedaço de boa escrita. É um grande exercício de representação: sobretudo do pensado e do imaginado, que geralmente não são explícitos, mas implícitos ou simplesmente narrados ou assumidos pela excelência das performances. Woody Allen fá-lo entremeando personagens do tempo diegético principal com cenas analépticas, recorrendo ao split screen (chegando mesmo a pôr as duas divisões do ecrã em diálogo), legendando diálogos através da pura e simples adulteração daquilo que é dito, dando voz ao subconsciente das personagens ou chegando mesmo a interromper a acção por meio de sórdidos e hilariantes momentos extradiegéticos. A comicidade e a grande confluência estética de Annie Hall chega mesmo sob a forma de uma sequência animada entre Alvy Singer e a rainha madrasta da Branca de Neve. Grande desempenho de Diane Keaton e de Woody Allen, ainda que a assumir a personagem que criou para si próprio: a de um marginalizado corroído pelo intelectualismo, sexualmente recalcado e socialmente deprimente e desinteressante, a não ser para psiquiatras ou admiradores da psiquiatria.

This guy goes to a psychiatrist and says, "Doc, uh, my brother's crazy; he thinks he's a chicken." And, uh, the doctor says, "Well, why don't you turn him in?" The guy says, "I would, but I need the eggs." Well, I guess that's pretty much now how I feel about relationships; y'know, they're totally irrational, and crazy, and absurd, and... but, uh, I guess we keep goin' through it because, uh, most of us... need the eggs.

Brilhante.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Iniciativas: AS 10 MELHORES REALIZAÇÕES DOS ANOS 00 (2000-2009)

O CINEROAD e o SPLIT SCREEN
apresentam
uma iniciativa conjunta para dar a conhecer, de acordo com os autores de ambos os blogs, as 10 melhores realizações dos anos 00 (2000-2009).
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Eis as 10 melhores e mais marcantes realizações dos anos 00, segundo o CINEROAD*:

1. O AVIADOR (2004), de Martin Scorsese. O Aviador é um exemplo perfeito de como transformar aquilo que poderia ser um mero biopic numa inspirada obra-de-arte. E que obra-de-arte. Um brilhante e meticuloso exercício de cinema. De puro cinema.


2. BABEL (2006), de Alejandro González Iñarritu. Uma realização brilhante e originalíssima, fria e crua. Uma obra-prima do cinema contemporâneo.


3. CIDADE DE DEUS (2002), de Fernando Meirelles. Intenso. Um retrato de violência genial e incrivelmente bem feito. A inquieta câmara de Meirelles é samba, um samba de captação de emoções: quase sempre imparável.


4. O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE (2001), de Jean-Pierre Jeunet. Da inocência e solidão, à imaginação e criatividade, à aventura e ao amor, Jean-Pierre Jeunet dá asas à sua mais criativa genialidade na concepção deste filme... perfeito. Também o seu Um Longo Domingo de Noivado é um marco incontornável destes anos 00.


5. THE FOUNTAIN - O ÚLTIMO CAPÍTULO (2006), de Darren Aronofsky. Extremamente poético, filosófico, deslumbrante. Uma experiência verdadeiramente assombrosa e orgásmica. Uma obra-prima perfeita. Um dos melhores filmes de sempre.


6. HAVERÁ SANGUE (2007), de Paul Thomas Anderson. Uma autêntica lição de cinema. De um virtuosismo clássico e redentor.


7. OLDBOY - VELHO AMIGO (2003), de Chan-Wook Park. Uma hipnótica e original experiência, de grande confluência estética.


8. ORGULHO & PRECONCEITO (2005), de Joe Wright. Um filme brilhante em todo o seu virtuosismo e delicadeza. E tão subtil...


9. O SENHOR DOS ANÉIS (2001, 2002, 2003), de Peter Jackson. O melhor filme de sempre. Nenhum outro se compara a O Senhor dos Anéis; seja em originalidade, seja em grandeza, seja em genialidade, seja em excelência. Depois da obra-prima, consumada em três partes do éter, o mundo da sétima arte nunca mais seria o mesmo...


10. UM SONHO ENCANTADO (2006), de Tarsem Singh. A perfeição existe. Visualmente espectacular e delírio orgíaco de cores e sensações, Um Sonho Encantado é a obra-prima perfeita. E a perfeição está lá, no todo e em cada uma das partes, em cada frame.

* De entre as obras por mim visualizadas com ano de produção entre 2000 e 2009. A disposição dos títulos foi feita por ordem alfabética (excluamos os artigos definidos e indefinidos) e não por ordem de preferência.

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Menções honrosas: A Viagem de Chihiro (2001), de Hayao Myiazaki; Mulholland Drive (2001), de David Lynch e O Novo Mundo (2005), de Terrence Malick.
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Visite/a já o SPLIT SCREEN, do Tiago Ramos, e consulte/a aquelas que são para ele as 10 melhores realizações dos anos 00 (2000-2009).

E para si/ti? Quais as 10 melhores realizações dos anos 00 (2000-2009)? Participe/a!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PARANOID PARK (2007)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Paranoid Park
Realização: Gus Van Sant
Principais Actores: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen, Jake Miller, Lauren McKinney, Scott Green

Crítica:

ADOLESCÊNCIA E MELANCOLIA

Paranoid Park é um grande exercício de cinema: desconstrói-se na forma e assemelha-se, ainda assim, tão curiosa e incrivelmente real. É um puzzle de fragmentos e um labirinto de sensações melancólicas, filmado pelo mestre da sensibilidade e versatilmente fotografado por Christopher Doyle. Sem estrelas na representação. Exceptuando um ou outro caso, o filme parece viver da constante desarmonia entre imagem e banda sonora; sinédoque da desarmonia interior da mente adolescente: se é certo que Paranoid Park avança na representação do grupo de pares, também é certo que submerge, por outro lado, no vácuo existencial daquele Alex. A cena do duche dá conta, aliás, de todo esse vazio interior, numa das muitas oscilações no ritmo, e é uma das cenas mais extraordinárias alguma vez filmadas por Gus Van Sant. Formalmente, o filme descende directamente daquele registo deambulatório de Elephant e, musicalmente, há ainda espaço para revisitar o tema Angeles de Elliott Smith. De resto, a obra de Gus Van Sant convoca-se a si mesma, num permanente e tão complexo jogo de espelhos entre os seus vários filmes. E só assim se completa.

domingo, 19 de julho de 2009

PLATOON - OS BRAVOS DO PELOTÃO (1986)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Platoon
Realização: Oliver Stone
Principais Actores: Charlie Sheen, Willem Dafoe, Tom Berenger, Forest Whitaker, Johnny Depp

Crítica: É possível que a recriação do Vietname se aproxime muito da realidade sobrevivida pelos soldados americanos, neste Platoon. E, desse prisma, compreendo a importância do filme enquanto fenómeno social e de homenagem. Mas, do ponto de vista artístico - que é aquele que aqui me interessa - o filme não é mais do que um filme acima da média, com uma prestação sentida de Willem Dafoe. É claro que o uso feito ao tema Adagio for Strings é magnífico. Porém, a sua reflexão filosófica restringe-se ao óbvio e peca por superficialidade. Falta-lhe uma profundidade dramática que tanto busca... mas que não chega a atingir em pleno. É bom, mas não é extraordinário.

EYES WIDE SHUT - DE OLHOS BEM FECHADOS (1999)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Eyes Wide Shut
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Tom Cruise, Nicole Kidman, Sydney Pollack

Crítica: Magnífico ensaio sobre o casamento - cujo sucesso passa, inevitavelmente, pela manipulação do ciúme como princípio essencial, natural e respeitosamente indizível. Haverá e deverá haver consciência mútua dos desejos do outro, mas há coisas que, simplesmente, não se dizem. Excelente desempenho de Nicole Kidman num filme absolutamente novo e repleto de maturidade na abordagem destas questões e às tantas enigmático pelo clássico suspense e espírito imprevisível de Kubrick. Um daqueles filmes, de grande encenação, que ganha valor e compreensão à medida que a nossa idade - e experiência - avança no tempo.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

AUGUST RUSH - O SOM DO CORAÇÃO (2007)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: August Rush
Realização: Kirsten Sheridan
Principais Actores: Freddie Highmore, Keri Russell, Jonathan Rhys Meyers, Robin Williams, Terrence Howard

Crítica: Belo e encantador. Kirten Sheridan herdou do pai, é evidente, a sensibilidade e a elegância de filmar e, sem dúvida, toda a magia que há nisso. Eis, com uma simplicidade comovente, um filme-fantasia sincero e de interpretações brilhantes e genuinas. Destaques maiores (e mais do que merecidos) para o prodigioso Freddie Highmore e para o aqui magnífico Jonathan Rhys Meyers. A fotografia tem a assinatura de John Mathieson e a tocante banda sonora, a de Mark Mancina. É mesmo caso para relembrar o que eu próprio disse noutras situações: que se calem os puristas que não percebem nada de delícias. E logo que delícia, esta.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

A IDADE DA INOCÊNCIA (1993)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Age of Innocence
Realização: Martin Scorsese
Principais Actores: Daniel Day-Lewis, Michelle Pfeiffer, Winona Ryder, Miriam Margolyes, Richard E. Grant, Jonathan Pryce, Robert Sean Leonard

Crítica: Que magnífica obra de arte. É como um romance realista, perfeitamente reproduzido pelas mãos de Martin Scorsese; um visceral banquete de sensações, brilhantemente recriado pelas mãos do mestre.
A Idade da Inocência é, pois, a crónica satírica mas sempre subtil da crise nos valores e bons costumes de uma família aristocrata em meados de 1900, Nova Iorque. E, em particular, de um homem: Newland Archer, que se verá dividido entre os convenções sociais e a paixão proibida. Eis um filme tecnicamente sublime e de um gosto claramente refinado: note-se a elegância na arte de filmar, o brio inigualável de Thelma Schoonmaker, a exuberância e pormenor dos cenários ou do guarda-roupa ou a beleza da fotografia que com as suas cores pinta autênticos quadros colectivos e que com a sua iluminação, sombras e nuances nos brinda com retratos intimistas e pessoais. Grandes desempenhos de Daniel Day-Lewis, Michelle Pfeifer e de Miriam Margolyes num filme... memorável.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

MUNIQUE (2005)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Munich
Realização: Steven Spielberg
Principais Actores: Eric Bana, Daniel Craig, Ciaran Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler, Geoffrey Rush, Ayelet Zurer, Michael Lonsdale, Mathieu Amalric

Crítica: Parafraseando as sábias palavras de Stanley Kubrick: «é realista, mas... não é interessante". Pelo menos não é «interessante» o suficiente para se afirmar como um filme maior. Munique é tecnicamente irrepreensível, da fotografia à reconstituição histórica, competente na banda sonora, mas expande durante a sua longa duração um argumento cuja necessidade de ser transposto para a tela não compreendo. É, inegavelmente, um filme bem feito. Porém, parece-me por demais oportuna a questão: «E daí?».

domingo, 12 de julho de 2009

NASCIDO PARA MATAR (1987)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Full Metal Jacket
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Matthew Modine, Vicent D'Onofrio, R. Lee Ermey, Adam Baldwin

Crítica:

DE HOMENS
A MONSTROS DE GUERRA

Um filme dividido em dois e sobre a dualidade do Homem. A primeira parte do filme passa-se na recruta e trata, satírica, hilariante e delirantemente, a transformação do Homem Comum num Homem-Capaz-de-Guerra. Que é como quem diz: a transformação dos ditos inúteis em monstros, em frios animais de guerra. A segunda parte trata, em tom belicista (os monstros são postos em acção), a dura e absurda realidade da guerra. O Homem é representado tanto como o born to kill, como o ser que, acima de todas as coisas, aspira a paz e não é senão um brinquedo manipulado pela autoridade moral que suplanta Deus com a maior arrogância.

A marcha final para a incerteza, entoando em alta voz a canção do Rato Mickey sobre um pano de fundo em chamas, dá conta dessas jovens e inocentes marionetas, vítimas irredutíveis do absurdo. O Joker de Mattew Modine é a sinédoque máxima desta representação simbólica e dualista - o fuzileiro usa tanto o capacete com a expressão born to kill como o amuleto ao peito com o símbolo da paz.

Assombrosos desempenhos de R. Lee Ermey (o boçal sargento, memorável) e de Vicent D'Onofrio (o recruta Pyle, às tantas tão assustador), excelente e perfeccionista realização de Stanley Kubrick, magnífica fotografia de Douglas Milsome (sobretudo na segunda parte) e destaque ainda para o inspirado argumento escrito a três mãos, a partir da obra de Gustav Hasford; magistral, no retrato.


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Nota especial para a infeliz escolha do título português, que perde tanto significado quando comparado com o título original.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

SHINING (1980)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: The Shining
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers

Crítica:

O LABIRINTO DO MEDO

Uma obra-prima assombrosa e arrepiante. Com uma encenação de génio, uma escolha de planos meticulosa e uma sublime arte de filmar, Shining é uma triunfo absoluto, extremamente bem feito. O elenco é excepcional: Jack Nicholson (impressionante, na sua personagem psicótica e de outro mundo), Shelley Duvall (transfigura-se sob a direcção obsessiva e opressiva de Stanley Kubrick) e o pequeno e bem escolhido Danny Lloyd. A banda sonora (Wendy Carlos) desempenha um papel fulcral na criação do suspense crescente e os criativos cenários e iluminação para todo aquele ambiente hipnótico e assustador. Detentor ainda de um magnífico trabalho de montagem, repleto de cenas marcantes e de uma imagística poderosíssima, eis, intenso, transcendente e iluminado pelo éter, um dos melhores filmes de sempre.

LARANJA MECÂNICA (1971)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: A Clockwork Orange
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, Adrienne Corri, Carl Duering, Paul Farrell, Clive Francis, Michael Glover, Michael Tarn, James Marcus, Aubrey Morris, Godfrey Quigley

Crítica:

GERAÇÃO TERROR

Uma obra sublime. É, em crescendo, tudo isto e tanto mais: prevertida, libidinosa, provocadora, controversa, insólita, religiosa, politica e socialmente satírica, hilariante. É a arte de filmar em todo o seu esplendor, com o selo autoral e inequívoco de Kubrick.

Por um lado, Laranja Mecânica é uma ambiciosa tese sobre a adolescência: a afirmação da independência, a crise e a violação de valores, o confronto geracional, o grupo de amigos e o líder autoritário (que não pensa, diz-se directamente inspirado por Deus) e a liberdade sexual decorrente do tabu e do recalcamento sexual. Por outro lado, Laranja Mecânica reflecte toda uma sociedade e não só um grupo etário: reflecte a pertinente questão da autoridade moral. Por poucas palavras: os jovens marginais são chamados à razão e são sujeitados à lavagem cerebral (ou à terapia de choque) pela autoridade moral, aquela mesma que é responsável por guerras e que, perigosamente, impõe os seus valores como verdades absolutas. Ou seja, que não pensa, mas que se diz directamente inspirada por Deus. Mais não digo, a respeito. Só digo que, por este modo, Kubrick aborda a questão genialmente.

Os cenários e a decoração, assim como o guarda-roupa, situam a acção num futuro perdido no tempo, com rara excelência e profundo sentido estético. Depois, a par da imagem, temos Beethoven, o tema Singin' in The Rain, ou tantos outros: usados magistralmente e como nunca, suscitando inspiração ou repulsa, à medida que o argumento mergulha nos mais fantasmagóricos meandros da moral humana. Excelentes interpretações (em especial do protagonista Malcolm McDowell), detentor de um brilhante trabalho de montagem e repleto ainda de cenas memoráveis, Laranja Mecânica resultou num clássico absoluto e num marco singular e irreverente na História do Cinema.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

2001: ODISSEIA NO ESPAÇO (1968)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: 2001: A Space Odyssey
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester

Crítica:

A INTEMPORAL HISTÓRIA DO HOMEM

De uma genialidade arrepiante e visualmente espectacular (note-se a sofisticação dos efeitos especiais ou a beleza hipnótica da fotografia), 2001: Odisseia no Espaço é, meritoriamente, uma das maiores obras-primas da História do Cinema.

A realização de Kubrick é uma assombrosa revolução estética, por meio da qual é alcançada a pureza da poesia, não em palavras, mas em imagens e em sons. E quando o autor prescinde do silêncio cósmico e do tão profético quanto alegórico-filosófico argumento (escrito a duas mãos entre Kubrick e Arthur C. Clarke) e recorre então à música, os temas de Richard Strauss (Also Sprach Zaratustra), Johann Strauss (An der schönen blauen Donau) e de Gyorgy Ligeti (Lux Aeterna e Requiem) eternizam-se na vastidão da imagem e do tempo. Os ângulos que a câmara de Kubrick escolhe para filmar são radicalmente perfeitos. O design dos cenários e dos elementos decorativos é vanguardista e profundamente inspirador.

2001: Odisseia no Espaço é, enfim, um autêntico universo paralelo, rico em significados, mistério e metafísica. Da evolução à inteligência artificial, é uma experiência artística ímpar e um exercício de reflexão derradeiramente importante. Se alguma vez houve Deus, este foi, certamente, o filme que mais se lhe aproximou.

CINEROAD ©2017 de Roberto Simões