segunda-feira, 27 de abril de 2009

GERRY (2002)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Gerry
Realização: Gus Van Sant

Principais Actores: Matt Damon, Casey Affleck

Crítica: Numa palavra: sublime. No início, aparentemente ao acaso, e depois absolutamente perdidos no deserto, quiçá à procura deles próprios, acabam numa busca incessante de vida e de sentido. Gerry é uma experiência metafísica tão impressionante quanto incisiva... sobre a morte, sobre o sofrimento e sobre a agonia da sobrevivência numa situação-limite. Neste caso, a derradeira sobrevivência de dois jovens num deserto visualmente arrebatador. Muitas são as ambiciosas cenas, memoráveis, desta meticulosa e assombrosa obra de Gus Van Sant, cuja a magnífica fotografia de Harris Savides é um verdadeiro oásis cristalino. E da imagem e dos sons vive esta obra deveras fascinante, minimizando a importância dos diálogos face à dureza da existência. Os lúgubres e escassos temas de Arvo Pärt ressoam-nos na memória até às últimas cenas; cenas sofridas, que dão conta de uma realidade humana angustiante, nua e desoladora. A paisagem natural, essa, mantém-se eterna e fatalmente encantadora.

domingo, 26 de abril de 2009

LAST DAYS - ÚLTIMOS DIAS (2005)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Last Days
Realização: Gus Van Sant

Principais Actores: Michael Pitt, Lukas Haas, Asia Argento, Scott Green, Nicole Vicius

Crítica: Belo e espontâneo poema de sons e de imagens, Last Days - Últimos Dias canta a alienação do indivíduo sobre o fundo imaculado da Natureza. Canta a solidão do ser humano, decorrente da sua perdição existencial. Num exercício de estilo impressionante e introspectivo, de grande contenção e de uma obsessiva contemplação, Gus Van Sant irradia sensibilidade e mestria, num ritmo muito peculiar. Com um excelente Michael Pitt no agoniado papel principal e sob um efeito hipnótico e imerso em metafísica, o filme dispensa diálogos maiores e empenha-se no retrato cru dessa solidão: as personagens não são senão fantasmas, à deriva num Jardim de Morte, onde impera um grande vazio existencial perfeitamente visível e audível. Eis, derradeiro, o Purgatório das Almas Perdidas.

Que obra de arte sublime.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Grandes Cenas (4) - BELEZA AMERICANA (1999)

Leia a crítica e debata o filme na sua ficha, clicando aqui.

MATRIX (1999)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
Título Original: Matrix
Realização: Andy Wachowski e Lana Wachowski
Principais Actores: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Gloria Foster, Joe Pantoliano, Marcus Chong, Julian Arahanga, Matt Doran, Belinda McClory, Anthony Ray Parker

Crítica: A obra-prima dos irmãos Wachowski é genial e visionária, um feito espectacular e revolucionário. O argumento é labiríntico em todas as suas questões filosóficas, essenciais ao auto-conhecimento do ser humano. É ofuscante na procura, sequoso de Verdade. E resplandecente na resposta... Welcome to the real world. Poderia ser considerado, apenas, como um quebra-cabeças enorme, visualmente estimulante e inovador nos efeitos especiais. Mas é muito mais do que isso. Aparte um trabalho tecnica e esteticamente irrepreensível, o universo de Matrix é um ambicioso e vertigionoso triunfo de originalidade, muito embora não se iniba de convocar as mais variadas influências e referências. Repleto de acção, é ao mesmo tempo um testemunho negro e sombrio de grande angústia existencial, inquiridor activo da inteligência artificial e dos prodigiosos e crescentes avanços desta era tecnológica. Crítico cru da massiva destruição da Natureza pelo Homem, procura saber, afinal, qual o lugar do Homem no meio disto tudo. Acima de tudo, Matrix é uma grande obra de ficção científica, uma grande obra de arte: cinema... em grande.

I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species and I realized that you're not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment but you humans do not. You move to an area and you multiply and multiply until every natural resource is consumed and the only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. Do you know what it is? A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet. You're a plague and we are the cure.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

As Crónicas de Calcifer (3) - O Oráculo de UM SONHO ENCANTADO

Conhecem-me por filósofo. Desconhecem-me como astrólogo. Hoje é o dia em que conhecerão, pois, outros lados da minha viva e rebelde chama! Pois é, caros amigos... Hoje vou falar-vos de THE FALL ou de UM SONHO ENCANTADO. Mas de uma perspectiva nunca dantes falada. Sabe-se já que levou 4 anos a ser filmada, esta obra, e em 18 países ou mais. Tarsem é o realizador, sabe-se também. Sabe-se que o seu ano de produção é 2006, que estreou nos United States em Maio de 2008 e quem em Portugal... nunca chegou a estrear. Não há problema!!! Há os DVDs e os Blu-Rays! Ah pois, já me esquecia... só sairam por cá em edições de aluguer. Não há data para serem lançados no mercado, na venda ao público. Ah ah ah, eu vi o filme! eu vi o filme!

Não corram para os clubes de vídeo, o filme não vale nada. Tem umas imagens razoáveis, uma história simples. Mas, no geral, é fraquíssimo. Aliás, não havia de ser por acaso que aquele David Fincher se havia de associar ao projecto.

Vamos lá falar a verdade. Vamos lá ler as estrelas e lançar na mesa as cartas do destino:
Amigos, NUNCA SE VIU NADA ASSIM. THE FALL ou UM SONHO ENCANTADO é uma obra-prima genial e perfeita. É um daqueles feitos concretizados por génios, por homens, uma vez em muito tempo. THE FALL é mais do que um marco na história do cinema. É um marco na história da arte. Desde que há Homem. Chamem-me profeta, chamem-me mentiroso! Calcifer, a Faísca da Rebelião dos Aldrabões! Estão a ver um FIGHT CLUB? um THE FOUNTAIN? Aqueles filmes do éter, que só o Tempo os trará aos olhos do mundo? Pois bem, THE FALL é um desses filmes. É, numa palavra, perfeito. É um dos melhores filmes de sempre, no mais imperioso sentido da expressão, a constar obrigatoriamente nesses mesmos tops mundiais dos melhores filmes de todos os tempos.

Alguém disse que THE FALL é excelente, mas que tem uma história simples? Foi por que se deslumbraram pela excelente fotografia, pelo excelente guarda-roupa, pelos excelentes cenários e decorações. THE FALL é perfeito na banda sonora, nos efeitos especiais, no som, na encenação, nos desempenhos dos elenco e na realização. É perfeito! Não há volta a dar, Tarsem é um génio. Um nome que, assim que descoberto, constará em todos os manuais como um realizador genial, criador de uma obra especial, única, e sublime. Uma obra rara. Digo-vos, amigos, encontrarem-se com uma obra como THE FALL é a oportunidade de uma vida, uma experiência raríssima. Ver THE FALL é viver a perfeição de UM SONHO ENCANTADO.

E porquê? Porque THE FALL é isso tudo, até uma sublime homenagem ao cinema, só que não tem uma história simples. É o poema maior, na palavra, na imagem e no som. Todos eles se aliam na criação da alegoria suprema. É ESSE O TRUQUE: THE FALL é um filme alegórico. Se dizem que THE FALL tem uma história simples, poderão referir-se aos sermões de António Vieira como histórias simples. Amigos, não! Tudo o que está no filme é um símbolo, esconde A outra história. Cada palavra ou imagem é a chave para o outro campo de significação. Aquele que não está perante os nossos olhos, claramente. Ou pensam que o outro se chama Darwin por acaso? e que só há acasos? UM SONHO ENCANTADO é a História do Homem, a Odisseia do Homem, a Evolução do Homem, a Evolução da Sua Sociedade, no caminho para a derradeira Queda, a que estamos todos sujeitos: a Morte.

Não me esqueço e a minha força até que se alenta quando recordo:
Roy Walker: What's that?
Alexandria: Food.
Querem crítica maior à Religião? Vão dizer que a pobre Alexandria atirava laranjas aos padres por acaso.
E vão dizer que Otta Benga não é a sinédoque de toda a escravatura e símbolo da sua abolição e liberdade? Mystic, sinédoque das civilizações indígenas destruídas pelos descobridores (arda a árvore como símbolo dessa destruição.)? Ou o «explosive expert» sinédoque da guerra? O governador Odious tem esse nome por acaso? Esquecem-se que os heróis, sinédoques dos mais variados sentimentos humanos e seres humanos no tempo, vivem isolados até que as ideias de Darwin os libertam desse isolamento? Não reconhecerão as tantas, tantas e brilhantes metáforas desta belíssima e magnífica obra de Tarsem?

Digo, repito e direi as vezes que serão necessárias: É perfeito! É o filme de uma vida. Obrigado, Tarsem. Graças a ti, vivo agora entusiasmadamente. Deixa, não te preocupes, eles decobrirão a tua façanha. Venha o Tempo. E eu volterei com ele.

Para quem queira saber mais sobre Tarsem, este extraordinário homem, recomendo www.tarsem.org e... maravilhem-se!

AS CRÓNICAS DE CALIFER. A ironia, a sátira, o humor.
Nota: o conteúdo destas «Crónicas de Calcifer» não expressa, necessariamente, as opiniões e interesses do autor deste blog.

CINEROAD ©2017 de Roberto Simões