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sábado, 15 de janeiro de 2011

DOC'2 - A Montagem e A Sintaxe

A montagem é um recurso essencial, capaz de determinar a própria natureza de um objecto cinematográfico.
Na verdade, três modos distintos de montar um filme correspondem - respectivamente - a três diferentes concepções de cinema.

1. A Montagem Invisível e o Cinema da Ilusão da Realidade
É o chamado "cinema da transparência", no qual a montagem é subtil e esconde os procedimentos da filmagem, suaviza toda a artificialidade do objecto artístico, com a preocupação máxima da mimesis: simular uma realidade, falsear uma realidade por forma a facilitar a identificação do espectador com a representação, por forma a que o espectador entre no filme, viva o filme - é esse o seu objectivo.
É o tipo de montagem e o tipo de cinema mais praticado em Hollywood e em todo o mundo.
Ex. E Tudo o Vento Levou, Cinema Paraíso, Reino dos Céus,
A Vida é Bela, etc.

2. A Montagem Visível e o Cinema da Montagem Soberana
O sentido do filme provém da montagem, que não camufla o artifício mas sim assume o objecto como artifício, como construção. É precisamente o oposto da Montagem Invisível e do cinema que daí resulta.
Ex. O Homem da Câmera de Filmar, 21 Gramas, Código Desconhecido, O Mundo a Seus Pés, etc.

3. A Montagem Proibida e o Cinema do Plano-Sequência
Por forma a não fragmentar a realidade representada, alguns cineastas optam por não recorrer à montagem e por construir os chamados long taking, os planos-sequência. Dessa forma, garantem a continuidade da acção, a unidade espacio-temporal e a ausência maior de artifícios (exceptuando os artifícios de filmagem, imprescindíveis).
Ex. A Corda, Empire, A Arca Russa, Expiação (recurso parcial), etc.

Muitos filmes, hoje em dia, confluem os vários modos de montagem numa só obra. É o caso do filme de Joe Wright, acima citado.

quinta-feira, 18 de março de 2010

DOC'1 - Movimentos de Câmera

Movimento de chariot - Movimento de carácter expressivo ou conotativo, para a frente (reduz o campo de visão) ou para trás (amplia o campo de visão), em que a câmera se desloca sobre rodas ou calhas.
Ex.: 1º movimento na cena de abertura de Laranja Mecânica:



Panorâmica - Movimento de carácter descritivo ou denotativo, em que a câmera roda sobre o seu próprio eixo: na horizontal, vertical ou diagonal.
Ex.: 1º movimento do seguinte excerto de Danças com Lobos:


Zoom - Movimento não da câmera em si (como no movimento de chariot), mas por meio de uma variação focal, ao nível da lente. Há uma compressão do plano espacial (ou uma descompressão, aquando da inversão do processo).
Ex. : [zoom invertido] 1º movimento da seguinte cena de Barry Lyndon:



Efeito "Vertigo" - Movimento resultante da combinação entre zoom para a frente e deslocação mecânica da câmera para trás ou vice-versa. O efeito foi inventado por Hitchcock, para criar o efeito de vertigem.
Ex.: Movimento presenciado nos segundos 55 e 56 do próximo excerto de Vertigo - A Mulher Que Viveu Duas Vezes:


Travelling - Movimento resultante da combinação da panorâmica e do chariot. Traduz-se num movimento particularmente complexo.
Ex.: [travelling aéreo] Movimento da cena de abertura de Shining:



VCM - Virtual Camera Movement
- Movimento de travelling outrora impossível e agora possível graças às potencialidades do digital.
Ex.: Movimento da seguinte cena de Sala de Pânico:


Estética da Câmera na Mão - Deliberação estética, directamente relacionada com a representação do efeito de realismo, em que a câmera é transportada à mão na filmagem da cena. A imagem revelar-se-á trémula e oscilante.
Ex. Excerto da seguinte cena de O Resgate do Soldado Ryan:



Câmera Rotativa - Movimento não natural da câmera sobre o seu próprio eixo.
Ex. 1º movimento da seguinte cena de Medea:

CINEROAD ©2019 de Roberto Simões