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domingo, 21 de janeiro de 2018

INVENCÍVEL (2014)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★
Título Original: Unbroken
Realização: Angelina Jolie
Principais Actores: Jack O'Connell, Domhnall Gleeson, Finn Wittrock, Miyavi, Garrett Hedlund, Jai Courtney, Maddalena Ischiale, Vincenzo Amato, Alex Russell, C.J. Valleroy

Crítica:

O PRISIONEIRO RESILIENTE

 If you can take it, you can make it.

Invencível foi um dos melhores filmes de 2014. Angelina Jolie entrega-nos um trabalho de realização absolutamente seguro e surpreendente, capaz de desfazer qualquer dúvida sobre o seu talento artístico. Não deve ser fácil ser mulher num mundo de homens (refiro-me à indústria cinematográfica mas podia estender-me, facilmente, a outros horizontes), filha do actor Jon Voight, ainda para mais sendo considerada uma das mulheres mais bonitas - e por isso mais invejadas - do planeta, então casada com a igualmente super-estrela Brad Pitt, relação que alimentava os tablóides do social, diariamente, por todo o globo. Mas Invencível não é sobre Angelina Jolie, a celebridade. É preciso abraçar o filme livre de preconceitos. Quando muito será sobre a sua visão da história e sobre a forma como decidiu abordá-la, na mesma medida em que qualquer filme reflete a alma do seu criador, do seu autor. Invencível está mais próximo de David Lean ou de Steven Spielberg do que qualquer filme meramente competente e sem assinatura, realizado pelo capricho de uma actriz ególatra ou bacoca. E isto é dizer muito a respeito da qualidade de Invencível.

O biopic abre nos céus, sob o olhar poético de Roger Deakins: o take é aberto e de uma beleza paradisíaca e redentora. Todavia, Jolie não tardará a condenar os seus rapazes e o espectador à claustrofobia do B-24, quando as alturas se encherem de estrondos, de balas e de morte. A brilhante sonoplastia conferir-lhe-á uma ferocidade por demais realista. Eis, então, o mote: uma geração de bravos homens é entregue ao inferno, tão longe da pátria que juraram defender. Ali, no fim do mundo, a luta pela sobrevivência faz-se de improviso, ao sabor dos acontecimentos, à medida do que é possível. Os limites - físicos, psíquicos, espirituais - são postos à prova e a superação acontece. Homens comuns tornam-se maiores, capazes das atitudes mais nobres e inspiradoras, e também menores, capazes das maiores e mais desprezíveis atrocidades. Louie Zamperini (fabuloso Jack O'Connell) poderia ter sido simplesmente mais um ser humano, em nada extraordinário, porventura até entregue ao álcool e aos caminhos menos virtuosos, como apresenta o argumento dos irmãos Coen (e companhia, a partir do livro de Laura Hillenbrand) na primeira analepse. Encorajado pelo irmão Pete, o jovem ganha auto-confiança, torna-se um atleta e a destreza levá-lo-á às Olimpíadas de Berlim de 1936 e ao reconhecimento internacional. Longe estaria de imaginar que o seu verdadeiro desafio ainda estaria por chegar: escapar a tiroteios, enfrentar a morte dos companheiros mais próximos, sobreviver à queda do bombardeiro em pleno oceano, resistir, à deriva, a semanas e semanas de insolações, fome e sede em pleno Pacífico e depois, como se tudo isso já não bastasse, a meses e meses de torturas e trabalhos pesados nos campos de prisioneiros japoneses. Não gosto do título Invencível porque sugere uma natureza poética para a história de superação de Louie. Esta história é tudo menos poética. É absolutamente cruel. A resiliência do sobrevivente, somente alimentada de esperança (de voltar para casa e para os seus ou inclusive de fazer justiça pelas próprias mãos, caso a oportunidade surgisse), não é heróica, é simplesmente humana e esmagadoramente desarmante, por isso. A moment of pain is worth a lifetime of glory. You remember that. O conselho é do irmão, na despedida para a guerra, e certamente que terá ecoado na mente de Louie durante as mais terríveis adversidades.

A narrativa flui progressivamente tensa, apesar dos avanços e recuos. Miyavi, com o seu Pássaro, tem uma estreia impressionante. O seu general, para lá de sádico e abusivo, é monstruoso. O underacting do actor, naquele seu tom suave e olhar doentio, causa calafrios e revolta. O seu confronto com Louie, no terceiro e último acto do filme, revitaliza o drama  humano e eleva-o a uma dimensão excepcional, assustadoramente trágica. Tememos o pior, a cada murro ou chibatada. A cada olhar. É mais uma das pérolas do notável casting, no qual se incluem o egrégio Domhnall Gleeson e o carismático Garrett Hedlund.

Por tudo isto, é de esperar o melhor de Angeline Jolie enquanto cineasta, doravante.

quarta-feira, 15 de março de 2017

GRAVIDADE (2013)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★ 
Título Original: Gravity
Realização: Alfonso Cuarón
Principais Actores: Sandra Bullock, George Clooney

Crítica:

SOZINHA NO ESPAÇO 

 It'll be one hell of a ride. 

Ainda o Homem não tinha pisado a lua e já o cinema explorava o espaço. Gerações de miúdos cresceram desde então, sonhando tornar-se astronautas. Depois de Gravidade, dificilmente acontecerá o mesmo.

Alfonso Cuarón concretiza uma experiência sem precedentes, bem mais agoniante do que a proporcionada por muitos filmes de terror. Uma vertiginosa e imparável montanha-russa - tanto para as personagens como para os espectadores. Abalroados por uma tempestade de destroços, somos brutalmente impelidos, sem termos onde nos agarrar. Rodamos incessantemente, ao sabor do impacto e do vento espacial, sem qualquer referência do que está em cima e do que está em baixo: no espaço, isso é indiferente. A câmera acompanha-nos em reviravoltas de 360º que não conseguimos controlar. Precipita-se, descompassada, a respiração no interior do capacete, queimando o oxigénio essencial. Na luta contra o tempo, apodera-se o desnorte, confundem-se a luz e a escuridão. Os takes demoram-se e, a cada respirar, as coisas tendem a agravar-se sempre, como se ainda fosse possível piorarem. Tudo isto, juntamente com a estranheza da sonoplastia, causa-nos náuseas. Imploramos por um alívio, mas poucos serão os instantes minimamente agradáveis ao longo dos noventa minutos de duração. Cuarón deixa-nos à deriva no espaço, lutando pela sobrevivência, desafiando os nossos sentidos e a nossa força. I hate space! desabafa ao vazio e ao grande silêncio, às tantas, a cosmonauta de Bullock, Ryan Stone. E como nos revemos nas suas palavras. In space no one can hear you scream, já dizia a tagline de Alien, e tinha toda a razão. No entanto e paradoxalmente, como sabe bem voltar ao filme, de quando em vez, e ao seu puro magnetismo. Ao filme, entenda-se - não ao espaço.

Mas o paradoxo continua: mergulhados na imensidão, sentimo-nos tão ínfimos e insignificantes como se estivéssemos prestes a ser devorados, num piscar de olhos. O batimento cardíaco acelera, aquece-nos o sangue, um pouco por todo o corpo. Cresce uma sensação fóbica que se nos apodera e nos conduz ao pânico. Ao mesmo tempo e perante o espaço aberto, sentimo-nos confinados, enclausurados, sufocados... Somos um estranho fora do nosso meio natural, como que abandonados nas profundezas do oceano mas na escala da infinitude. O 3D - e como sou céptico da sua utilidade - possibilita, neste caso, um nível de imersão absolutamente incrível e estonteante. Facto que seria impossível, é claro, sem a determinante credibilidade dos efeitos digitais, que são 80% do filme. A maior parte do tempo nem damos por eles, a não ser que pensemos na impossibilidade de rodar o filme, efectivamente, no espaço. De resto estamos no espaço, presos aos malabarismos da câmera, ao esplendor visual e ao intimismo da situação, tão fisica e exigentemente interpretada por Sandra Bullock. George Clooney está lá para a contracena, está bem, mas podia lá estar outro qualquer. Mas tornando ao triunfo tecnológico: a equipa de Tim Webber, ao fim e ao cabo, acaba por ser o pintor de serviço, preenchendo a maior parte dos quadros com apuro estético e científico, seja noite ou seja dia no planeta de fundo: o planeta Terra. A própria NASA foi consultora científica do filme. Aliado está o - tão difícil de imaginar - trabalho de fotografia de Emmanuel Lubezki, na preparação prévia dos enquadramentos e dos jogos de câmera e do pormenorizado tratamento da iluminação, que conjugada com os efeitos visuais tão decisivamente potenciou o realismo de toda a experiência. Foram quatro anos e meio de trabalho de equipa e de muita dedicação para atingir os resultados pretendidos.

O argumento relativamente simples de Gravidade é daqueles que, nas mãos de outro realizador, resultaria num filme de sobrevivência banalíssimo. A câmera, o olhar visionário, a permanente alternância entre o prisma mais panorâmico e a proximidade do close-up, a atenção dada à performance de Bullock, os simbolismos... todos estes ingredientes se mostram imprescindíveis para a singularidade da proposta, que tão poucas cedências aparenta fazer às condicionantes científicas e gravitacionais. Na órbita da Terra e com gravidade zero ou microgravidade, com mudanças drásticas de temperatura e com o perigo iminente de uma desacoplagem mal sucedida, de um incêncio fatal ou de um afastamento involuntário e irreversível... Gravidade é um feito e tanto. Se por acaso, em algum momento, viermos a respirar de alívio, até pensamos que é mentira, tal foi o pesadelo. Na história de Stone (provavelmente simbólico, o nome) fica exposta e representada toda a fragilidade humana e, simultaneamente, toda a misteriosa força e instinto de sobrevivência que nos leva a lutar na solidão quando já estamos, aparentemente, condenados - como se fosse possível o renascimento (metáfora à qual, aliás, Cuarón não resiste, desde a simulação da posição fetal ao acto da personagem, às tantas, reaprender a andar).

Por tudo isto, Gravidade tem lugar assegurado entre os maiores clássicos da ficção científica.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O RENASCIDO (2015)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★ 
Título Original: The Revenant
Realização: Alejandro Gonzalez Iñárritu
Principais Actores: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Will Poulter, Forrest Goodluck, Arthur RedCloud, Duane Howard, Melaw Nakehk'o, Grace Dove, Paul Anderson, Kristoffer Joner, Joshua Burge, Fabrice Adde, Christopher Rosamond, Robert Moloney, Lukas Haas

Crítica:

A ÉPICA SOBREVIVÊNCIA
OU A VINGANÇA DE UM ESPÍRITO SELVAGEM


 Nous sommes tous sauvages.

Por mais filmes e anos que passem, o cinema procurará sempre identificar-se com o espectador e fazê-lo sentir emoções, despertando pensamentos e possibilitando experiências. Esta é a sua verdadeira essência e a da arte e do cinema enquanto expressão artística. A partilha faz-se entre o artista e o receptor por meio do objecto artístico, fílmico neste caso. E se falamos de arte e do seu entendimento, compreenderemos toda uma dimensão sensorial - invisível, impalpável - que é alimento do espírito, que o estremece e o mantém vivo; o que não raras vezes esquecemos na nossa existência mundana. A discussão do que é ou não arte jamais estancaria, no entanto parece-me peremptório defini-la como tal: algo que alimenta o espírito. Como identificar, então, que estamos perante um objecto artístico? Quando a respiração de um personagem se confunde com a cadência da acção, percebemos que um filme está impregnado de alma. Quando as imagens que vemos, representadas, nos fazem contrair os músculos e sentir, tão fisicamente, a sua angústia e dor, sabemo-lo brutal. Quando a sua música transborda, nos penetra por todos os poros da pele e nos ressoa no íntimo, dizemo-lo visceral. E quando a beleza da natureza captada nos diminui e nos reposiciona perante a pureza original, realmente importante, rendemo-nos à transcendência. No seu diálogo com o espectador, O Renascido revela-se um filme impregnado de alma, absolutamente brutal, visceral e transcendente. Um imersivo e poético pedaço de arte, que tão profundamente nos devasta como excelsamente nos purifica. Em primeira ou última instância, a verdade de cada um não nunca será a verdade de todos e a experiência de assistir a um filme será sempre algo inevitavelmente pessoal e subjectivo. Não obstante, considero uma loucura e um absurdo ignorar um filme como este. Cessarei a avaliação emocional, mais abstracta e passional - mas nunca menos importante - e dissertarei abaixo sobre a interpretação, as influências e os tantos méritos do filme.

Confluem, claramente, as influências, assumidas, de Malick e Tarkovsky. De Malick a contemplação e a divinização da natureza, por meio da assombrosa e genial fotografia de Emmanuel Lubezki, comum em Malick e a Iñárritu. Notem-se as reminiscências d'O Novo Mundo ou d'A Árvore da Vida, a título de exemplo, no esplendor dos elementos naturais captados, sempre a luz natural, na singularidade dos enquadramentos. Lá está o sol malickiano, raiado no seu affair com a câmera, as árvores e as folhas e as nuvens e o céu. A natureza comunica também pela sinfonia de sons: o vento que sopra, a água que escorre, o fogo que arde e as fagulhas que ascendem na noite, os animais que cantam no seu coro diversificado. Está lá o voiceover sussurrante, a dimensão interior e onírica e a imagética surrealista, que Malick tão bem explorou numa linguagem própria e, pelos vistos, canónica. Assim flui uma meditação sobre o Bem e o Mal, a extracção dos recursos e o carácter, sempre soberano, da criação. Contudo, enquanto em Malick a natureza é digna de adoração e redenção, sinónimo de pureza e júbilo, em O Renascido é digna de respeito e reverência, pois tem o poder de criar mas simultaneamente o poder de destruir. A água pode dar de beber e murmurar de encontro à vida, como no plano de abertura, como pode ferir e ferozmente gritar, como a dada cena em que Hugh Glass se vê levado pelas quedas-de-água, fustigado pela força da corrente, podendo ou não levá-lo à morte. Em Iñárritu, portanto, a natureza é tanto uma dádiva abençoada como um obstáculo severo, uma entidade que tanto dá como tira, num permanente duelo de forças antagónicas que decidirão a sobrevivência do protagonista. Iñárritu serve-se do lirismo de Malick e mergulha-o na crueza do realismo, um realismo obsessivo e assumido por uma câmera, qual deus, omnipresente e omnipotente. Há planos demorados, sem cortes, em que somos completamente transportados para o cerne da acção ou para o coração das trevas. A respiração embacia as lentes, que também se molham de água ou salpicam de sangue. E há tomadas de 360º, então, que nos tiram o fôlego e que nos alheiam totalmente da experiência de assistir ao filme. Não há tela ou ecrã, personagens e espectadores partilham o mesmo espaço, tal é o nível de imersão. Nós estamos lá, naquele ambiente inóspito, gelado e rigoroso, regidos por instintos primitivos de predador e presa - ou comemos ou somos comidos. Nesse aspecto, John Fitzgerald (brilhante interpretação de Tom Hardy) tinha toda a razão: se, perdidos na natureza, estivermos esfomeados e virmos um esquilo, encontrámos deus, encontrámos a religião - ele será a nossa salvação.

Também o eco de Tarkovsky se esbate e perpetua n'O Renascido, em alguma da sua imagética simbólica e mística e em alguns dos seus planos. São declarados piscares-de-olhos: o pássaro que se solta das vestes e peito da indígena mulher de Glass, em sinal de libertação e ascensão do espírito, como os pássaros que voam da imagem da Nossa Senhora em Nostalgia. A velha índia de farnel ao colo entre os destroços da tribo como o velho de galo ao colo entre as ruínas da guerra de A Infância de Ivan. A igreja a céu aberto e os frescos como os de Andrei Rubliov ou a levitação da mulher como em O Espelho. São puras homenagens e dedicatórias, de mestre para mestre - até para imitar é preciso arte - a arte é imitação - e quem imita melhor é artista maior. A imitação e a superação são a grande e inevitável angústia da influência, já o dizia Harold Bloom, na obra com o mesmo nome. Só quem as ousa poderá elevar-se, procurando encontrar, no caminho, um lugar próprio e único.

Inárritu não estagna. De Babel a Birdman e agora a'O Renascido, a sua obra reinventa-se, aprimora-se, arrisca e flui por novos afluentes, novas direcções. Agora chega ao western, reformulando-o. Quase nos esquecemos que é um western, na verdade, pela abordagem, mas é: pela época, pelo espaço, pelo contexto - aqui temos, uma vez mais, o homem branco versus índios, na desmedida sede de fortuna. Dá-se o confronto entre a pólvora e as flechas, entre duas formas tão diferentes ver o mundo e de se relacionar com ele. Quem são os maus? Os tropas que dizimam aldeias inteiras, a mando de superiores políticos? Os caçadores de peles que disparam contra os cavalgantes peles-vermelhas em defesa das suas cargas e vidas? Os índios Pawnee que vêem as suas terras invadidas, a sua fauna assolada? Os índios Arikara, prontos a arrancar um escalpe, a quem familiares foram mortos e sequestrados? Os franceses, que mantêm a cativa a nativa Powaqa, para seu bel-proveito? A ursa (esse incrível e monstruoso feito digital, pleno de realismo), que, protegendo as suas crias, tão violentamente ataca Glass, desferindo-lhe golpe atrás de golpe, ferida atrás de ferida, rasgando-lhe a carne, quebrando-lhe o osso e sangrando-lhe a alma? Fitzgerald, esse canalha amoral e desprezível, racista e ignorante, capaz de matar ou enterrar alguém vivo em nome do dinheiro e para salvar a sua pele antes que o inverno o martirize? Glass, quase morto, que empreende uma épica luta pela sobrevivência em nome da vingança do filho assassinado? Se todos eles forem os maus, quem são os bons? A aposta falhará claramente se se avançar com inclinações maniqueístas. Todas as personagens, individuais ou colectivas, têm as suas motivações e, perante as duras circunstâncias, todas são humanas - com toda a ambiguidade que isso significa. Todas, de alguma forma, sobrevivem umas às outras e todas sobrevivem às extremas condições da paisagem. Daí a importância da respiração neste filme. As long as you can still grab a breath, you fight. E enquanto cada um lutar, viverá. You breathe... keep breathing. Acredito seriamente que Glass teria morrido se não lhe tivessem morto o filho. A vingança será a faísca que lhe reacenderá a vida, alimentando-lhe o espírito e conferindo-lhe uma força inesperada. Quando Glass se recolhe nu e na posição fetal no ventre do cavalo, procurando abrigo, e de lá desperta, percebemos o símbolo. Glass renasceu do impossível para, enfrentando todas as contrariedades, fazer o possível. Pela memória do filho. Isto é profundamente comovedor... O seu caminho é uma viagem espiritual, acompanhando-o a natureza enquanto entidade transfiguradora. Mas também de aprendizagem e sabedoria - e aí a personagem de Hikuc (Arthur RedCloud), nativo xamã que às tantas encontra entre a carcaça de um bisonte, tem um papel determinante. Também ele um solitário a quem a família foi assassinada, é ele que às tantas profere a frase do filme: a vingança está nas mãos do criador. O grande ensinamento ecoará no final da obra, quando Glass se vir a braços, machado e faca com o grande vilão - a cena será, toda ela, de uma encenação implacável -, manchando de vermelho e ódio a brancura da neve pura, numa sangrenta porradaria que lhe exige o ritual selvagem, necessário para a catarse.

Vamos falar de Leonardo DiCaprio? Poucos actores terão o privilégio de construir uma carreira assente em personagens tão marcantes, filme após filme, como DiCaprio, é certo. Não vale a pena destacar papéis, todos são dignos de nota e todos são um sucesso, absolutamente extraordinários, assim como os filmes e os realizadores que os permitiram, desde Gangues de Nova Iorque. Um bom e influente agente? Indiscutivelmente. Mas sejamos francos: que talento, que carisma. Em O Renascido, DiCaprio tem o seu papel com menos falas, mas com a sua interpretação mais física, mais intensa e mais profunda. Nos seus olhos e expressões espelha-se um sofrimento inimaginável - e esse sofrimento, por mais imersos que estejamos no filme e nunca por desmérito do actor, é impossível de o sentirmos na sua plenitude; a não ser, acredito, que já tenhamos passado por uma situação equiparável.

Iñárritu sabe como potenciar uma obra-prima. Sabe que o todo é a soma das partes e que, se todas as partes brilharem, o todo será mais reluzente. A equipa de produção dividiu-se entre o Canadá e a Argentina, ao sabor das condições atmosféricas, nem sempre favoráveis. Os técnicos e artistas passaram por dificuldades que jamais sentiriam na comodidade de um estúdio ou em frente a um computador, desenvolvendo paisagens e horizontes artificiais a perder de vista. Ganhou-se em verdade, e essa verdade respira-se a cada frame. Hollywood também caminha na verdade. Do design de produção de Jack Fisk à restante direcção artística, do guarda-roupa de Jacqueline West à excelente caracterização, todos se superam ao mais alto nível. As desoladoras, arrepiantes e fantasmagóricas composições musicais de Carsten Nicolai e Ryuichi Sakamoto, que tão bem acompanham a demanda de Glass, emocionam-nos no flagelo, assim como uma calorosa fogueira numa noite de inverno. O elenco tem, deste modo, todo a dedicação e primor envolventes para sublimar o projecto, entregando-se a prestações ímpares: ainda Domhnall Gleeson, Will Poulter e Duane Howard. Somando as partes, Iñárritu supera-se em inspiração, maravilhando-nos, arrebatando-nos. Se o mundo alguma vez acabar assim que terminar de assistir a'O Renascido, morrerei pleno. É por filmes como este que o cinema vale a pena. Trata-se, seguramente, de uma das mais incontornáveis obras-primas deste início de século.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O TÚMULO DOS PIRILAMPOS (1988)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★  
Título Original: Hotaru no haka
Realização: Isao Takahata

Filme de Animação

Crítica:

O REFLEXO DA GUERRA

 Porque é que os pirilampos morrem tão cedo?

As consequências da guerra são profundamente trágicas e desoladoras - afirmá-lo chega a ser constrangedor para alguém que - como eu - só sabe da guerra o que viu no cinema, do que dela ouviu falar aqui e ali. Quem nunca a sentiu na pele e na alma é, certamente, alguém mais feliz, que deverá dar valor ao tempo e às circunstâncias privilegiadas em que vive. Pergunto-me, em consciência, quantos filmes terão o poder de nos desarmar e de nos confrontar com a dura e cruel realidade da guerra com a eficácia e a carga dramática deste comovente O Túmulo dos Pirilampos, de Isao Takahata. Não deixa de ser curioso que seja uma animação, quase servida de um neo-realismo improvável, a consegui-lo tão veementemente. 

Talvez por ser uma animação, precisamente, O Túmulo dos Pirilampos apele mais à inocência e à criança que houve em nós e nos convoque a memória e a nostalgia dos anos passados. Lembramos - até por mérito da banda sonora de Michio Mamiya, sempre tão sonante e envolvente - os tempos passados com a nossa irmã ou com o nosso irmão, mais novo ou mais velho. Recordamos aquele sentimento de proteção ou de responsabilidade para com ela ou ele, as horas em que brincámos juntos, que corremos livremente pela praia, um atrás do outro. Por isso, identificamo-nos plenamente com os protagonistas: Seita (um pré-adolescente obrigado a crescer pela força dos acontecimentos) e Setsuko (a pequena desprotegida).

Os bombardeamentos aéreos dos americanos, durante a Segunda Guerra Mundial, enchem o céu de chamas e impõem, em terra, um cenário de miséria e destruição. O pai de ambos está ausente na Marinha (não chegando a responder-lhes às cartas nem por uma vez) e a mãe é brutalmente ferida durante um ataque. Quando acaba por falecer, não resistindo aos ferimentos, os dois irmãos, quais órfãos, são recolhidos por uma tia que os despreza, que lhes vende os bens da mãe e que lhes fica com uma considerável parte do arroz, negando-lhes mais tarde a refeição (uma vez que não trabalham e que, sendo assim, não colaboram para o pagamento das despesas). O egoísmo e a maldade da tia são de tal modo hediondos que chegará a contar à pequena Setsuko - como viremos a descobrir mais tarde - que a mãe morreu, apesar de ter garantido a Seita que a pouparia, para já, ao desgosto. Certo dia, para proteção de ambos e para felicidade da tia, Seita decide-se a partir com a irmã, sem destino determinado, sem sítio para pernoitarem. Acabam por arranjar um abrigo e, a história que se segue, é uma história de dificílima sobrevivência. Do esforço do irmão para divertir a pequenina (já que a seriedade dos acontecimentos lhe retirou o direito de brincar, ao menos que não o retire à irmã), de comprar e de mais tarde roubar escassos alimentos para alimentá-la (a fome e a desidratação acabarão por adoecê-la). A irmã é sempre a prioridade, a coisa mais importante da sua vida e do seu coração. Tudo aquilo que Seita faz por ela, fá-lo porque a ama mais do que a todas as coisas e porque sente que é essa a sua obrigação, de zelar por ela, para que os pais, estejam onde estiveram, fiquem orgulhosos e radiantes com o seu desempenho. De um dia para o outro, Seita torna-se um pai e o desafio é extremo e demasiado para um miúdo da sua idade. Bem que tem esperança durante todo o filme, mas é vencido pela desgraça. Inocentes crianças, que não mereciam tal infortúnio. A situação agrava-se, só se têm a eles e ninguém os ajudará, até porque em tempo de guerra todos precisam de ajuda. A perda e o sofrimento dos inocentes é infame. O desfecho, depreendemos pela abertura, será o mais trágico - muito mais do que fazer o enterro a pirilampos não mais luminosos.

Em termos de virtuosismo da animação, Isao Takahata não chega à qualidade artística e poética do mestre Hayao Myiazaki, é certo. Veja-se que, no mesmo ano, Myiazaki deslumbrava o mundo com o seu maravilhoso e infantil O Meu Vizinho Totoro. Contudo, aquilo que Takahata atinge neste assombroso filme foi coisa que nenhum filme de Myiazaki jamais tentou alcançar, porque são artistas diferentes e a visão deste O Túmulo dos Pirilampos é  singular. Aqui, a animação não é mais a mágica, fantástica e enternecedora animação para crianças, lírica muitas vezes, como é característica dos estúdios Ghibli. É, com uma clarividência notável e assustadora, uma representação da guerra (e das suas consequências) muito mais real e humana do que a de muitas obras cinematográficas até então filmadas em live action. Há sangue, morte e dor em O Túmulo dos Pirilampos, pela experiência e olhar de duas crianças... é, verdadeiramente, a representação plena do fim da inocência. E é tão lúgubre, naturalmente, sem qualquer possibilidade de um final feliz.

Compreende-se, pois, porque O Túmulo dos Pirilampos marcou a história da animação e o coração de muitos espetadores. A sua narrativa, a partir do romance de Akiyuki Nosaka, é a força e a verdade do filme, tanto mais do que os seus méritos visuais. A quem é que, às tantas, o simples acto de chamar pelo irmão, repetidamente - Seita! Seita! Seita! -, não parte o coração? Filme tremendo.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

RESCUE DAWN - ESPÍRITO INDOMÁVEL (2006)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Rescue Dawn
Realização: Werner Herzog
Principais Actores: Christian Bale, Jeremy Davies, Steve Zahn, Zach Grenier, Craig Gellis, Marshall Bell, François Chau, Pat Healydlund

Crítica:

SOBREVIVÊNCIA NA SELVA

The jungle is the prison.

Werner Herzog filma magistralmente a selva, sabemo-lo desde Aguirre, O Aventureiro, de 72. Os primeiros minutos de Rescue Dawn - Espírito Indomável nem auguram um filme excecional, mas é preciso que o avião de Bale se despenhe nos confins do Laos para que o drama (com contornos de aventura realista) se inicie e o filme revele os seus méritos artísticos, que os tem e são absolutamente notáveis.

Há que mencionar, antes de mais, que Herzog filma uma história verídica, que já havia documentado anteriormente em Little Dieter Needs to Fly; uma clássica e inspiradora história de sobrevivência com as potencialidades d'O Náufrago, de Zemeckis. Feito prisioneiro pelos guerrilheiros locais, a primeira parte da obra é sobre a sua luta pela liberdade; face à dureza e à impossibilidade das circunstâncias, Dieter conserva um otimismo obstinado e bem-humorado, absolutamente inesperado mas intrínseco ao seu carácter, que motivará os seus companheiros - do campo de guerra para onde é levado e no qual será torturado - para a esperança e para a ação, acabando por liderá-los para o escape. Plausíveis, intensos e fabulosos, os desempenhos de Christian Bale (mais um papel física e psicologicamente bastante duro e exigente, que o ator supera com uma coragem e uma entrega fora de série; estamos lembrados desse extremo que se atingiu em O Maquinista), Steve Zahn (tão verdadeiro na sua aparente apatia, como se de um fantasma deambulante se tratasse, consumido pelo medo; um ator que até então me passara completamente despercebido) ou Jeremy Davies (para mim um eterno e inesquecível secundário desse colossal filme de guerra que será sempre O Resgate do Soldado Ryan, de Spielberg). Os desempenhos são comoventes.

Quando se concretiza a planeada fuga, a selva torna-se a prisão já anteriormente anunciada pelo Gene de Davies, uma personagem muito mais impiedosa do que qualquer um dos capangas mal-encarados do Pathet Lao, um lugar onde os limites que se julgavam até então ultrapassados exceder-se-ão radicalmente, para lá da força humana, para lá do que alguma vez imaginaram possível. A luta pela liberdade dá então lugar à luta pela sobrevivência; a experiência será terrífica e profundamente marcante. Às tantas, Dieter e o distante Duane de Zahn vêem-se a partilhar o protagonismo do segundo acto com a selva. A contracena é por demais desigual. É por isso que o otimismo de Dieter acaba por ceder e se esvai na lama, como que abalroado pelo desmoronamento que as chuvas torrenciais, a dado instante e literalmente, provocam.

A fotografia naturalista de Peter Zeitlinger e os sons da natureza reproduzidos captam toda a exuberância e a humidade daquela paisagem verdejante, desconhecida e quase impenetrável, que envolve o aldeamento de palhotas de bambu e que nos envolve também a nós, espetadores, magnetizando-nos. O espirituoso trabalho de câmera quase que nos coloca naquele hipnotizante e ameaçador ambiente selvagem, quais personagens. Quase sentimos os cheiros e as temperaturas. Quase. Esta é uma indelével proeza: a autenticidade atinge tal nível que nos permite fazer parte da viagem emocional das personagens. A fluída banda sonora de Klaus Badelt conduz-nos e induz-nos para essa viagem.

A admiração que tenho pelo filme é clara; o que não me impede de salientar, todavia, que tinha potencial para atingir maior desenvoltura, formal ou dramática, assim tivesse uma abertura e um desfecho melhor trabalhados, enquadrados e filmados. Ainda assim, é um bom filme, com muito para se apreciar prazerosamente.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O NÁUFRAGO (2000)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Cast Away
Realização: Robert Zemeckis
Principais Actores: Tom Hanks, Helen Hunt, Nick Searcy, Leonid Citer, David Allen Brooks, Semion Suradikov, Paul Sanchez

Crítica:

O SOBREVIVENTE

We live and we die by time. 
And we must not commit the sin of losing our track on time.

Quando Eurico de Barros disse «que há um filme a mais em Cast Away - O Náufrago, e que esse filme é o primeiro»*, não poderia estar mais de acordo. Há dois filmes neste O Náufrago: um que se completa com a abertura e com o final da obra e outro que consiste no seu meio. E este do meio é verdadeiramente sublime, desde o desempenho impressionante e transfigurador de Tom Hanks (a entrega do ator é total) a aspectos mais técnicos como o som, a fotografia ou a realização. Fosse só o filme este âmago inspirado e profundamente inspirador, que conta uma extraordinária história de sobrevivência, e atribuir-lhe-ia as cinco estrelas sem pestanejar; porque lhe são inteiramente merecidas e tem qualidade para se afirmar como um clássico absoluto. Porém, o restante filme, ainda que interessante e com uma prestação sentida de Helen Hunt, identifica-se facilmente como uma daquelas convencionais e sentimentais comédias americanas, sem especial mise-en-scène ou singularidade. Impõe-se, portanto, a questão: qual a necessidade?

Segue a reflexão: a necessidade do contraponto, para uma maior humanização da personagem e para o triunfo da mensagem junto da nossa consciência. Chuck Noland não é senão um ser humano comum, porventura igual a muitos dos espetadores: escravo do trabalho, de um sistema capitalista que nos conometra a respiração, e de uma civilização ocidental, que nos cega para o real sentido da vida e das coisas, para o que é verdadeiramente essencial e importante: o tempo para amar e ser amado, para construir uma família, para a realização pessoal. Não é por acaso que Chuck trabalha na FedEx, passe um de muitos casos de product placement, estabelecendo uma relação irónica com a estadia na ilha deserta. O dia-a-dia na distribuidora, a pressão, o stress, a viagem por todo o globo, o ritmo imparável, o verdadeiro consumo da existência, passando o tempo sem que se note. Quando a tempestade assola aquele fatídico avião e a tragédia se abate sobre o oceano, a morte bate à porta: e, se vier para ficar, todo o tempo gasto em prol da profissão foi tempo perdido, que jamais voltará. A possibilidade e a oportunidade de uma vida terá sido desperdiçada, sem que se tivessem alimentado raízes ou criado frutos; que é como quem diz: significados. Nesse momento, Zemeckis bate à porta do espetador: não como a morte, mas como mensageiro ou arauto: caro espetador, ainda vai a tempo de mudar a sua vida.

Encarando a reflexão e esta necessidade, compreendemos melhor a razão de ser do filme na civilização, em todos os seus contornos dramáticos, ainda que não a aceitemos totalmente. Podemos criar alguma ligação emocional com a sequência do regresso a casa (embora soe a anticlimático, a demasiado), mas seria preferível e mais enriquecedor deixar o final em aberto. Zemeckis e o argumentista William Broyles Jr. poderiam ter optado por deixar o ator à deriva ou partir para os créditos no momento em que o navio atravessa o frame em segundo plano. Mas enfim: qualquer filme é aquilo que é e não aquilo que gostaríamos que fosse. O Náufrago abre e fecha em círculo, numa encruzilhada - literalmente falando. Nunca sabemos aonde as nossas escolhas nos levam, percebemos o símbolo, e a escolha dos autores foi esta. Para todos os efeitos, o certo é que O Náufrago é um daqueles filmes aos quais retorno, de par em par de anos, e, a cada visualização, é como se tivesse o poder de me reposicionar perante a vida. A experiência de Chuck na ilha paradisíaca - que se tornará, durante anos, a ilha da solidão - remete-nos para a essência do ser humano no seu estado mais puro e primitivo e revela-nos aquilo que, porventura, esquecemos no nosso ocupado dia-a-dia. Ei-lo a (sobre)viver com a ajuda da imaginação, das memórias e da esperança, numa autêntica transformação física e psicológica. A escapar ao infortúnio, sabemo-lo, nunca mais será o mesmo.

Do imaginário de Robison Crusoé, o filme de Zemeckis invoca-nos as melhores recordações. A relação que estabelece com a bola de voleibol Wilson, qual Sexta-Feira, salva-lhe a vida, pela amizade e comunicação; caso contrário, o cerne do filme seria silêncio, vento e mar e pouco mais. Sem diálogos, sem música. A ação é deveras marcante e o nosso interesse jamais esmorece, tal é o fascínio com que o projeto é encenado, filmado e interpretado: um só ator, na posse plena do seu talento, na procura de um abrigo, de um navio no horizonte, de uma fagulha que desperte uma fogueira quente, que o proteja do frio. Contar os dias, as horas ou tentar esquecer o tempo... é tudo uma reaprendizagem, como se tivesse nascido novamente, noutra condição. A sonante música de Alan Silvestri, quando se ouve e sente, desvanece a desolação numa desejada sensação de conforto.

Não obstante e indubitavelmente, a força do filme está no homem e na ilha, na visceral e memorável performance de Tom Hanks.

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domingo, 7 de setembro de 2008

TITANIC (1997)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Titanic
Realização: James Cameron

Principais Actores: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Gloria Stuart, Bill Paxton, Bernard Hill, David Warner, Victor Garber, Jonathan Hyde, Suzy Amis

Crítica: É... uma obra-prima. Nunca filme algum conseguiu transportar para a grande tela mágica o infindável poder do amor (o amor-paixão), capaz de ultrapassar todas as barreiras e até a própria imensidão da morte, como este filme. Titanic é uma obra colossal, um feito espectacular e sem igual. Resultado da reunião de ingredientes perfeitos, temos em Titanic um elenco com performances extraordinárias, a começar pelos eternos Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que se imortalizaram com este navio de sonho e tragédia. Tecnicamente irrepreensível, seja dos cenários à fotografia ou do guarda-roupa à banda sonora, o filme revolucionou toda a história dos efeitos especiais. A realização e argumento, a cargo de James Cameron, aliam-se genialmente. Titanic é um triunfo sem precedentes, emocionante em cada lágrima que não conseguimos ou não queremos conter.

CINEROAD ©2019 de Roberto Simões