Mostrar mensagens com a etiqueta 1930's. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1930's. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de abril de 2011

CLEÓPATRA (1934)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Cleopatra
Realização: Cecil B. DeMille

Principais Actores: Claudette Colbert, Warren William, Henry Wilcoxon, Joseph Schildkraut, Ian Keith, Gertrude Michael, C. Aubrey Smith, Irving Pichel, Arthur Hohl, Edwin Maxwell, Ian Maclaren, Eleanor Phelps, Leonard Mudie, Grace Durkin, Ferdinand Gottschalk, Claudia Dell, Harry Beresford, Jayne Regan, William Farnum

Crítica:
Together we could conquer the world.

Um guarda-roupa faustoso (Vicky Williams), desfilando por entre cenários grandiosos e imponentes (Roland Anderson, Hans Dreier), é sublimado pelo olhar ambicioso e perfeccionista de Cecil B. DeMille. Esta estética megalómana e refinada, de elevado esplendor visual (quão requintada é a fotografia de Victor Milner), é, aliás, uma das grandes marcas do realizador.

Claudette Colbert, a musa, por detrás de um olhar sedutor e enigmático, magnetiza o espectador numa performance verdadeiramente memorável. Henry Wilcoxon e Warren William destacam-se, no protagonismo dos seus papéis, da tragédia shakespeariana - a sombra de Shakespeare e do seu Júlio César foi inultrapassável, desde os tons do discurso e da proclamação à construção ou reconstrução episódica da narrativa, até certo ponto.

Entre intrigas e traições, o triunfo do amor. E, mais espectacular do que totalmente magistral, um épico absolutamente apaixonante.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O CORCUNDA DE NOTRE DAME (1939)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: The Hunchback of Notre Dame
Realização: William Dieterle
Principais Actores: Charles Laughton; Mauren O'Hara; Cedric Hardwicke; Thomas Mitchell; Edmond O'Brien; Harry Davenport; George Zucco; Alan Marshal

Breves considerações:

Um filme de interpretações memoráveis (Charles Laughton, Cedric Hardwicke, em especial destaque), com uma banda sonora fabulosa e cenários monumentais.
Na realização, na arte de filmar mais precisamente, não encontrei marcas de fenomenal mestria, mas o trabalho de Dieterle não compromete o filme, propriamente.
O argumento está muito bem contruído e é dotado de uma grande fluidez. Graças a ele, o filme torna-se uma experiência verdadeiramente vibrante e emocionante. Grande adaptação do romance de Dumas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A GRANDE ESPERANÇA (1939)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Young Mr. Lincoln
Realização: John Ford
Principais Actores: Henry Fonda, Alice Brady, Marjorie Weaver, Arleen Whelan, Eddie Collins, Pauline Moore, Richard Cromwell, Donald Meek, Judith Dickens, Eddie Quillan, Spencer Charters, Ward Bond

Crítica:

A RAZÃO E O CORAÇÃO

I may not know much of law (...),
but I know what's right and what's wrong.Abe Lincoln

Com o término dos festejos populares do 4 de Julho, a cidade de Springfield ferve em picardias políticas e amorosas, mas, sobretudo, em álcool e regozijo. Na clareira de um bosque e na sequência de uma desavença, dois irmãos brigam com um terceiro. Há uma arma. A aflição da disputa chama a mãe dos irmãos ao local e, perante o seu rosto consternado, ouve-se um disparo. A iluminação é escassa, o operador filma agora a cena num plano estático e distanciado. O fumo ascende às alturas, lentamente, brilhando a elegância da encenação. Os dois irmãos correm para os braços da mãe e um quarto indivíduo, de nome J. Palmer Cass (ou Jack Cass [leia-se Jack-ass], como haveria de ser parodiado no tribunal) aproxima-se da vítima, erguendo à claridade uma faca manchada de sangue.

Qual dos irmãos Clay foi o responsável, afinal, por tão repentina e precipitada morte? Tanto Matt como Adam recusam-se a avançar com um nome, dada a confusão da luta. Mas talvez a verdadeira razão resida na incapacidade moral e emocional de denunciar um irmão querido, condenando-o à mais assustadora das sentenças: o enforcamento. Testemunhas? O tal J. Palmer Cass, que assume ter assistido ao crime, mas que se mantém relutante na denúncia, e mãe dos irmãos: Alice Brady, numa intensa e memorável interpretação. Mas será o coração de uma mãe capaz de optar pela vida de um filho em detrimento da vida de um outro? Claro que não. O direito pode ser a voz da justiça, mas essa justiça (de/para uns) seria sempre uma tremenda injustiça para aquela mãe e para aquela família - para não falar, evidentemente, da crassa e possível injustiça que seria condenar aqueles dois irmãos que, à medida que as provas e argumentos se impuserem sobre a mesa, se poderão revelar inocentes perante a destreza da defesa. Aquilo que o argumento de Lamar Trotti - sempre muito fluído - desenvolve gradualmente, ao fim e ao cabo e iluminando o raciocínio, é a subordinação da lei à lei da família e de como o sistema per si pode cegar a verdadeira justiça. No filme, e como nas muitas obras de Ford, há um moralismo que se sobrepõe a qualquer livro, direito ou religião. Há uma verdade humana, algures entre a razão e o coração, essa sim, soberana. Estabelecer o equilíbrio entre ambas é que é difícil, mas o caminho da justiça dever-se-á sempre debater contra essa dificuldade, a fim de se concretizar a si mesma, plenamente.

A resolução e o desenlace do caso dão-se graças a Henry Fonda, num desempenho brilhante: enquanto advogado, Abe Lincoln representa e simboliza, simultaneamente, um modelo a seguir e uma crítica ao sistema judicial. O filme - sempre acompanhado por uma belíssima banda sonora - revisita a sua juventude, as suas paixões e os seus primeiros interesses políticos, até ao seu início de actividade na advocacia. A trama dos irmãos Clay acaba mesmo por ser o seu primeiro grande caso e serve de síntese para traçar a representação do seu carácter: um ser descontraído e bem humurado, de origens humildes e que se educou a si próprio. Foi como que um estudioso natural, desde cedo interessado no mundo e nas pessoas, que era capaz de passar horas de leitura sobre as árvores, no campo, de pernas para o ar, ou tardes de longos passeios à beira rio, que tanto adorava, repetindo frequentes visitas à campa da mãe, que sempre representou uma forte referência no seu crescimento pessoal. Sempre presente, a natureza. A natureza é a paisagem e o pano de fundo da juventude de Lincoln. Ford filma a natureza com um fascínio absoluto; dela, aliás, provém a maior parte do lirismo visual da obra.

Abe Lincoln é Abraham Lincoln, e o filme não faz senão ficcionalizar o início da idade adulta daquele daquele que se tornaria uma incontornável figura histórica: o décimo sexto presidente da América, a 4 de Março de 1861. Lincoln, o grande republicano, voz e mão de um grande humanismo, que lideraria o país atravessando uma gravíssima crise interna - a Guerra Civil Americana - e que poria fim a séculos de escravatura.

Efe Turner: Ain't you goin' back, Abe?
Abe Lincoln: No, I think I might go on a piece... maybe to the top of that hill.

O Battle Hymn of the Republic começa a soar, subtilmente, e cresce em máxima força. Surge o busto esculpido do presidente Abraham Lincoln e, dessa forma, encerra-se a homenagem, exacerbando o patriotismo. Entre a razão e o coração, por fim, concluindo... um grande homem. E um grande, grande filme.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

LUZES DA CIDADE (1931)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: City Lights
Realização
: Charles Chaplin

Principais Actores: Charles Chaplin, Virginia Cherrill, Florence Lee, Harry Myers, Al Ernest Garcia, Hank Mann

Crítica:

Can you see now?
Yes, I can see now.

A COMEDY ROMANCE IN PANTOMIME
OU UMA PÉROLA DE TERNURA E ETERNIDADE

Chapéu de côco, ao alto. Bigodinho discreto, esboçado sobre um sorriso de criança. Bengala giratória, jaqueta engravatada, sapatos exageradamente grandes... De tão icónica descrição bastaria que lhe vislumbrássemos a silhueta para que - imediatamente - identificássemos o maior palhaço de todos os tempos: Charlot, the tramp, a lendária personagem de Charles Chaplin, muda por natureza mas com a linguagem corporal mais extraordinária alguma vez vista em cinema: uma prodigiosa mímica de corpo e alma.

O que acontece, pois, quando... o palhaço encontra o amor? A resposta, ainda que revestida com a maior simplicidade, inscreve em si substância e contornos inequivocamente geniais... Luzes da Cidade é a história de um meio urbano em evolução e expansão, que se movimenta a alta velocidade e em segundo plano. No entanto, o foco do espectáculo está direccionado para o vagabundo, aquele que encontra uma deslumbrante florista, cega por infortúnio, e se apaixona perdidamente. Um mal-entendido faz com que, até ao final, seja tomado por um homem rico, capaz de a ajudar a superar as dificuldades do mal fadado destino. No mesmo dia, Charlot evita que um excêntrico milionário se suicide nos meandros da embrieguez. Ficam logo amigos, ele e o bêbedo, mas a nova amizade custar-lhe-ia a prisão, mais tarde. No entanto e apesar de tudo, o caricato protagonista nunca desfaz os seus equívocos. Primeiro, fazendo-se mais do que é, angaria com esforço o dinheiro suficiente para a renda e cirurgia da mulher-anjo. Depois, em farrapos e vergonha, procura-a sem saber, na verdade de uma rua cruel. Os episódios sucedem-se, plenos de um humor puro e inocente, longe de qualquer carácter obsceno: cenas como a da abertura (na qual o vagabundo atrapalha a inauguração da estátua), a da luta de boxe (de extraordinária encenação), ou a do prato de esparguete e serpentina - entre tantas, tantas outras - são divertidíssimas, completamente inesquecíveis. E os instantes da anagnorisis, em que a florista reconhece o miserável Charlot são, lágrimas aparte, de uma beleza tão... indescritível. Tão apaixonante. Luzes da Cidade concentra em si, por isso, toda uma série de peripécias hilariantes e comoventes, perfeitamente equilibradas entre a comédia e o pathos.

Apesar de ser ter sido produzido numa altura em que vingavam já os filmes sonoros, Chaplin insistiu no estilo único e fascinante do seu cinema mudo, que o público - até hoje - não parou de aplaudir. Chaplin chega mesmo a parodiar o cinema sonoro nesta incontornável obra: tanto com os sons grosseiros e indecifráveis que aparentam sair da boca daquela mulher da palestra como com assobios de um apito que, por mais que se tente, não se quer expulso da garganta do cómico. Destaque-se, por fim, a magnífica composição musical, também ela a cargo do versátil e completo artista, que emana, com assombrosa estranheza, um perfume nostálgico que vem e fica... e fica...

A fabulosa criação de Charles Chaplin não corresponde, evidentemente, à figura mais convencional e tradicional do palhaço. O certo é que Chaplin foi beber inspiração ao palhaço e que, pelo seu genial legado performativo, marcou e inspirou, de uma forma ou de outra, as talentosas gerações de palhaços que depois dele viriam a animar plateias inteiras. Aqui, em contra-cena com o aclamado talento de Chaplin, temos uma tão natural quanto radiosa Virginia Cherrill. E que bem que jogam os dois, um com o outro.

Enfim... um filme belíssimo. Permitam-me o trocadilho, mas Luzes da Cidade não é senão um mimo de filme. Absolutamente magistral. E essencial.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

E TUDO O VENTO LEVOU (1939)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Gone with the Wind
Realização: Victor Fleming
Principais Actores: Clark Gable, Thomas Mitchell, Vivien Leigh, Barbara O'Neil, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Evelyn Keyes, George Reeves, Ann Rutherford, Fred Crane, Hattie McDaniel, Oscar Polk, Butterfly McQueen

Crítica:

There was a land of Cavaliers and Cotton Fields called the Old South...
Here in this pretty world Gallantry took its last bow... 

Amor em Tempo de Guerra

Here was the last ever to be seen of Knights and their Ladies Fair, of Master and of Slave... Look for it only in books, for it is no more than a dream remembered. A Civilization gone with the wind...

O maior épico romântico de todos os tempos é, também e indiscutivelmente, um dos maiores e melhores filmes de sempre. E Tudo o Vento Levou... um feito absolutamente histórico e monumental, uma obra-prima profundamente bela e mágica, de gradiloquência romântica, com rasgo de génio e de aura imortal, eternizada por uma banda sonora carismática e poderosíssima (Max Steiner, genialmente inspirado), por interpretações magníficas e por uma paleta de cores verdadeiramente impressionante (Ernest Haller, Lee Garmes).

Ambição maior do produtor David O. Selznick e arrojada orquestração a várias mãos - imensamente talentosas: Victor Fleming (único realizador creditado, responsável por outra obra-prima incontornável do mesmo ano, O Feiticeiro de Oz), George Cukor e Sam Wood, entre outros, E Tudo o Vento Levou é a extraordinária adaptação do romance homónimo de Margaret Mitchell, que conta a história de Scarlett O'Hara (Vivien Leigh, num dos melhores desempenhos femininos de que há memória), uma Cinderela mimada, rica mas lindíssima, que adora seduzir todos os homens.

Scarlett é a mais velha de três irmãs, vive no paraíso de Tara, numa solarenga e perfumada fazenda de algodão, cheia de escravos e de jardins. Mammy, a hilariante e rezingona governanta negra (excepcional Hattie McDaniel), é quase como uma mãe para ela e Pork e Big Sam revelar-se-ão leais durante toda a vida. É por entre flores e àrvores que Scarlett passeia a sua juventude, qual Branca de Neve, radiante e feliz e embelezada por majestosos e deslumbrantes vestidos (o guarda-roupa é um trabalho verdadeiramente excelente e exuberante, desenhado e concretizado por Walter Plunkett).

É a heroína da história, é certo, mas pouco fica a dever ao seu cânone de personagem: para além de extremamente mimada, Scarlett é uma mulher provocadora, emancipada e caprichosa, interesseira, ardilosa e mentirosa sempre que necessário. Enquanto aos homens lhes interessava o brandy, os charutos, os negócios e os sonhos de vitória, às mulheres cabia-lhes o silêncio, a resignação, o dormir a sesta, as tertúlias e a casa. Mas Scarlett não é nenhuma dessas mulheres - Scarlett é uma mulher de armas, uma lutadora corajosa e empreendedora, capaz de desafiar as convenções. Veja-se, a propósito, a facilidade com que decide casar, em mera resposta ao noivado de Ashley com Melanie (Scarlett ama Ashley desde criança e sempre sonhara casar com ele), e a forma como ela depois assume a viuvez perante todos, escandalizando o meio. Quantas não são as vezes em que ela tem vontade de fugir? Imensas. Mas agarra-se sempre à terra, a Melanie e às promessas que fez, à paixão por Ashley... esforça-se sempre por encontrar esperanças que sustentem a sua força de viver. What a woman. Scarlett marca, aliás, a inversão do paradigma, quando as mulheres tiveram de arregaçar as mangas e fazer-se à vida e à subsistência, face à ausência dos homens no confronto. Um momento histórico na afirmação do papel social e familiar da mulher.

Depois há Rhett Butler (Clark Gable), um galante e bem humurado gentleman, que escuta uma desesperada declaração de amor de Scarlett a Ashley, e que a partir de então guarda um segredo do qual se aproveita sempre que se quer aproximar da jovem. Desde o início que a relação entre ambos se caracteriza pela provocação mútua - provocação essa que aumenta gradualmente ao longo do filme, assim como o amor entre eles. I don't think I will kiss you, although you need kissing, badly. That's what's wrong with you. You should be kissed and often, and by someone who knows how. O amor de Rhett é, todavia, desde cedo declarado. Scarlett, por sua vez, só se aperceberá do seu amor por ele bem mais tarde, quem sabe se não tarde de mais, o que faz desesperar a audiência pelo entendimento do par romântico.

Quando o amor chega, porém, o mundo deles acaba. A Guerra Civil bate-lhes à porta e Ashley e os outros homens partem para a refrega. Rhett, afortunado pela sua condição, riqueza e influências escapa ao chamamento. Scarlett está agora em Atlanta, longe de Tara e a cuidar de Melanie em vésperas de dar à luz. A cidade arde em chamas e o regresso a casa impõe-se: a agonia e o horror do escape ao vermelho infernal resulta numa das cenas mais extraordinárias de todo o filme.


A morte choveu dos céus, trovejaram canhões até que o silêncio caiu, por fim. Take a good look my dear. It's an historic moment you can tell your grandchildren about - how you watched the Old South fall one night. Contudo, Rhett não acompanhará a amada durante todo o percurso. Confrontado com a tragédia da nação, decide alistar-se no exército. Como reage Scarlett a tão inesperada decisão?

Scarlett O'Hara: Oh, Rhett! Please, don't go! You can't leave me! Please! I'll never forgive you!
Rhett Butler: I'm not asking you to forgive me. I'll never understand or forgive myself. And if a bullet gets me, so help me, I'll laugh at myself for being an idiot. There's one thing I do know... and that is that I love you, Scarlett. In spite of you and me and the whole silly world going to pieces around us, I love you. Because we're alike. Bad lots, both of us. Selfish and shrewd. But able to look things in the eyes as we call them by their right names.
Scarlett O'Hara: Don't hold me like that!
Rhett Butler: [ele envolve-a nos seus braços] Scarlett! Look at me! I've loved you more than I've ever loved any woman and I've waited for you longer than I've ever waited for any woman. [ele beija-lhe a testa]
Scarlett O'Hara: [ela vira a cara] Let me alone!
Rhett Butler: [ela força-a a olhá-lo nos olhos] Here's a soldier of the South who loves you, Scarlett. Wants to feel your arms around him, wants to carry the memory of your kisses into battle with him. Never mind about loving me, you're a woman sending a soldier to his death with a beautiful memory. Scarlett! Kiss me! Kiss me... once...

E beijam-se... no culminar de tão arrebatadora cena.

O beijo, apesar de tudo, não assegura um futuro feliz. Scarlett regressa a casa, pelo caminho defunto, com Prissy, Melanie e o recém-nascido... mas sem Rhett.

Scarlett O'Hara: Rhett, how could you do this to me, and why should you go now that, after it's all over and I need you, why? Why?
Rhett Butler: Why? Maybe it's because I've always had a weakness for lost causes, once they're really lost. Or maybe, maybe I'm ashamed of myself. Who knows?

Chegada a casa, a jovem apercebe-se de que a partida de Rhett foi apenas o prenúncio de um infortúnio maior. No auge da desgraça, depara-se com a mansão saqueada, a família arruinada, a mãe falecida e o pai enlouquecido. A terra, longe de qualquer abundância e tal e qual a sua alma, está completamente devastada. Bonds - diz-lhe o pai - They're all we've saived, all we have left. Bonds. Porém, Land is the only thing in the world worth workin' for, worth fightin' for, worth dyin' for, because it's the only thing that lasts. É esta força telúrica que a fará erguer-se das cinzas e re-erguer-se uma vez mais: As God is my witness, as God is my witness they're not going to lick me. I'm going to live through this and when it's all over, I'll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I'll never be hungry again.

Quando a segunda parte começa, logo após o entre-acto, a narração por escrito preenche novamente o ecrã. O tempo passa, magistralmente filmado e montado, a Guerra Civil conhece novos desenvolvimentos e nós esperamos ansiosamente que Scarlett reconstrua, pedra por pedra, o seu palácio. Como prometera, mentirá, roubará, enganará, matará. Tudo em nome da família, do amor, da terra. Da justiça e da esperança de um dia encontrar a felicidade. A cada elipse, uma tragédia... um segundo casamento, uma segunda viuvez, um terceiro casamento, mais uma farsa... Haverá, no fim de tudo, espaço para o verdadeiro amor? O amor que sente por Rhett mas do qual não se apercebe? Suportará Rhett, às tantas, tamanha indiferença, tamanha mágoa?

Scarlett O'Hara: What are you doing?
Rhett Butler: I'm leaving you, my dear. All you need now is a divorce and your dreams of Ashley can come true.
Scarlett O'Hara: Oh, no! No, you're wrong, terribly wrong! I don't want a divorce. Oh Rhett, but I knew tonight, when I... when I knew I loved you, I ran home to tell you, oh darling, darling!
Rhett Butler: Please don't go on with this, Leave us some dignity to remember out of our marriage. Spare us this last.
Scarlett O'Hara: This last? Oh Rhett, do listen to me, I must have loved you for years, only I was such a stupid fool, I didn't know it. Please believe me, you must care!
(...)
Scarlett O'Hara: Rhett... if you go, where shall I go, what shall I do?
Rhett Butler: Frankly, my dear, I don't give a damn.

Às vezes, pedir desculpa não basta para emendar o passado. Rhett desaparece no nevoeiro e a esperança de um final feliz reside agora e somente no amanhã...
Um filme eterno.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES (1937)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Snow White and the Seven Dwarfs
Realização: David Hand

Filme de Animação



Crítica:

O FRUTO PROIBIDO

Mais do que um fabuloso filme, uma extraordinária e imaculada obra-prima: feito genuina e esteticamente revolucionário, aventura por demais corajosa e empreendedora, diamante perfeitamente esculpido. Um conto imortal sobre inocência, pureza e amor.

As sequências musicais são magistralmente orquestradas, brincando com as imagens com criatividade e sintonia. E com a maior comicidade, pois claro. O filme está repleto de momentos hilariantes. Mas também de cenas de acção, emoção, tragédia... Branca de Neve e os Sete Anões leva-nos, com a maior naturalidade e com o encanto único dos seus desenhos, do mais descontido riso à mais sentida lágrima... E esse é o seu maior condão, por certo.

Assistir à pioneira viagem da Disney pelas longas-metragens de animação é, por isso, como enveredar num ritual de purificação. Antes de acontecer, uma longa-metragem em animação era vista como uma loucura. Por fim, o fruto proibido revelou-se muito apetecido. Sem dúvida: um dos melhores filmes de sempre.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O FEITICEIRO DE OZ (1939)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: The Wizard of Oz
Realização: Victor Fleming

Principais Actores: Judy Garland, Ray Bolger, Jack Haley, Bart Lahr, Frank Morgan, Billie Burke, Margaret Hamilton, Charley Grapewin


Crítica:
PARA LÁ DO ARCO-ÍRIS...

O mínimo que se poderá dizer de um realizador como Victor Fleming, que no mesmo ano estrearia ainda o monumental E Tudo o Vento Levou, é que 1939 foi o seu ano de sorte. Sorte ou profundo e corajoso talento, ou misto de ambos, o certo é que tanto o épico romântico como o fantástico e encantador O Feiticeiro de Oz sublimaram a arte ao mais alto nível, com rigoroso e arrojado sentido estético, e consagraram-se ambos como clássicos absolutos.

O Feiticeiro de Oz é pura magia musical, belíssimo em cada cena, inspirador em cada mensagem. Mais do que genuinamente magistral na direcção artística (note-se o primor dos cenários e da decoração), na caracterização ou no guarda-roupa é o triunfo inesquecível da criatividade de toda uma equipa. Nunca até então o universo de fantasia tinha sido transposto para a grande tela com tamanha eficácia, exceptuando, talvez, o caso de Branca de Neve e os Sete Anões, no campo da animação. Aliás, a influência do pioneiro clássico da Disney é até notória, tanto na musicalidade como na encenação, tanto na exuberância de cores como na inocência de um mundo de sonho. A banda sonora comporta algumas das mais belas canções de sempre, como Somewhere Over the Rainbow. E a transição do preto-e-branco (tons de sépia) para a cor resulta genialmente. Que golpada de mestre. Judy Garland (a adorável Dorothy dos sapatinhos vermelhos), Ray Bolger (o espantalho bailarino sem miolos), Jack Haley (o enferrujado Homem de Lata sem coração), Bert Lahr (o dengoso leão sem coragem), Margaret Hamilton (a esverdeada Bruxa Má), Billie Burke (a cintilante Bruxa do Norte), Clara Blandick e Charley Grapewin (os dedicados tios de Dorothy) ou mesmo Terry (o engraçadíssimo Toto, que era na realidade uma cadelinha)... todos eles se imortalizaram com a aura intemporal deste clássico.

Algures para lá do Arco-Íris, seguindo a Estrada dos Tijolos Amarelos até ao Palácio de Esmeralda, a viagem tem a paisagem do sonho. E o sonho é a maior aventura de todas. No final, porém... there's no place like home. Eis, pois, uma das maravilhas maiores da 7ª arte.


<br>


CINEROAD ©2020 de Roberto Simões