segunda-feira, 30 de maio de 2011

O REI LEÃO (1994)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Lion King
Realização: Roger Allers e Rob Minkoff
Filme de Animação


Crítica:

HAKUNA MATATA
E O CICLO DA VIDA

Nants ingonyama bagithi baba... Sithi uhhmm ingonyama. Um reino de vida abre, na glória do amanhecer, uma das mais poderosas e emocionantes histórias da Disney e de toda a história do cinema de animação: girafas, elefantes, zebras, macacos, rinocerontes, chitas, antílopes e aves exóticas, a diversidade da savana, da fauna e da flora, cascatas deslumbrantes, montes nevados, extensas pradarias, a magnificência do sol e dos céus, a majestade da Natureza, o fulgor pulsante de África. Todos se encaminham para o rochedo real: no cimo do trono imponente, Mufasa, o Rei da Selva. Rafiki, o místico babuíno, eleva o primogénito ao infinito e anuncia: Simba, o próximo Rei Leão: A king's time as ruler rises and falls like the sun. One day, Simba, the sun will set on my time here, and will rise with you as the new king.

Anos passados, aliciado por Scar (o tio invejoso, cruel e traidor) e escapando à supervisão de Zazu (o mordomo abelhudo, ou o Sr. Bico de Bananas, como gosta de lhe chamar) Simba distancia-se do reino, para lá do planalto e na fronteira a norte, entrando no assustador, arrepiante e proibido Cemitério dos Elefantes. Faz-se acompanhar por Nala, achando-se a vedeta maior, I Just Can't Wait to Be King, I laugh in the face of danger, mas a aventura dá mesmo lugar ao perigo, rapidamente: as hienas, fedorentas, estúpidas e sarnentas, encurralam-nos aos dois, perpetuando os seus risos intermináveis pela imensidão do ermo. Tremenda irresponsabilidade, desobedecer ao pai e comprometer, assim, a sua vida e a da amiga. Ainda que Musafa apareça e solucione os sarilhos das crias, virá o dia em que a tragédia se abaterá sobre a família, irremediavelmente. Scar preparará uma cilada fatal, de modo a aniquilar o irmão e o sobrinho e a assumir finalmente o trono.

A eloquência do argumento (Irene Mecchi, Jonathan Roberts e Linda Woolverton) conflui perfeitamente a comédia, o drama, a tragédia, conferindo à narrativa uma graça refrescante, um sentimento forte e redentor e uma sumptuosidade bíblica e shakesperiana; afinal, a história de Simba encontrou inspiração em Hamlet e Moisés e nos seus arquétipos icónicos, mitológicos e de tradição. A morte de Musafa, pai de Simba - profundamente marcante - está para as mais recentes gerações como a perda da mãe de Bambi para as gerações que, desde 1942, descobrem o esplendor eterno desse outro clássico. O Rei Leão impõe-se, pois, como uma obra de valores intemporais, como o amor, a responsabilidade, a morte, a adaptação e a família e ainda como uma importante ode à Natureza e ao equilíbrio fundamental de todas as coisas:

Mufasa: Everything you see exists together in a delicate balance. As king, you need to understand that balance and respect all the creatures, from the crawling ant to the leaping antelope.
Simba: But, Dad, don't we eat the antelope?
Mufasa: Yes, Simba, but let me explain. When we die, our bodies become the grass, and the antelope eat the grass. And so we are all connnected in the great Circle of Life.

Magistralmente realizado, O Rei Leão presenteia-nos, para além de tudo o mais, com uma das duplas mais hilariantes e memoráveis de sempre: Timon e Pumba, o primeiro um suricata fala-barato, o segundo um javali bem ventoso - absolutamente descomprometidos, vivem a vida segundo o lema hakuna matata, a frase da língua suaíli que significa sem problemas. Serão ambos os melhores amigos de Simba (aquando do seu exílio no desconhecido) e os mentores de um sensato leão adulto, consciente do equilíbrio pelo qual deverá zelar, da fugacidade da vida, (digna de ser aproveitada a cada momento com um sorriso) e do destino que deverá enfrentar e honrar.

Irradiando uma beleza transcendente e inconfundível (a excelência do traço e da pintura constitui, por si só, um trabalho monumental) e dotado de uma composição musical verdadeiramente assombrosa e poderosa, igualmente plena em ritmos quentes e divertidos (banda sonora de Hans Zimmer, temas de Elton John e letras de Tim Rice), O Rei Leão figurará, na sublimidade que lhe é de direito, entre os melhores Clássicos Disney de que há e haverá memória.

17 comentários:

  1. Um filme de infância e que sempre gosto de rever!
    Um verdadeiro clássico! É inesquecível!

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  2. Já sabes a minha opinião: extremamente sobrevalorizado.

    Abraço!

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  3. É, como é óbvio e no mínimo, uma obra maior. Não só no Cinema de animação (isso já está subentendido quando se fala do filme), mas no Cinema em geral.

    A minha nota corresponde ao teu MUITO BOM, no entanto, gostava imenso que lhe desses o EXCELENTE ;)

    Abraço

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  4. Um dos filmes da minha vida. Sem mais.

    E será relançado em 3D!

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  5. Também gostava imenso que lhe desses um excelente, ficávamos mais uma vez em plena sintonia, dado que é o meu filme de animação preferido.

    Aguardo ansiosamente pela crítica e correspondente pontuação, apesar de tudo acho que as cinco estrelas não lhe fugirão certo?! :P

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  6. Se me permitem (Roberto e Gustavo), gostaria só de dizer que, como fã incondicional do filme, acho uma decisão no mínimo infeliz e ridícula a do relançamento em 3D de O Rei Leão.

    Onde iremos parar com isto?...

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  7. É um filme extremamente bem executado e pensado do cinema animado. A sua dimensão e força tocam de tudo um pouco, coadunando a moral que a Disney já nos habituou com uma inovadora força política e heróica como vista só nos grandes clássico. É, sim, um filme com uma enorme poesia, retratando a passagem irredutível da inocência e o brutal contacto com a morte com exímia sensibilidade, procurando, nos coros místicos africanos e na cor da arte de um continente de abundância animal, atingir a transcendência do mistério do ciclo do tempo, da vida de todos os seres. É uma autêntica epopeia que navega pelos maximizados ideais de honra e justiça, que, a esta ligação espiritual com a Natureza, se liga, também, à moral de Shakespeare com o seu Hamlet, personificado por Simba. Há que saber ver nas entrelinhas, neste específico caso nas entreimagens, e saber perceber por que O Rei Leão é tão reconhecido. Há que ter a sensibilidade de alguém que se disponha a redescobrir o mundo, a morte, a aceitação da mesma e a vivência da vida em sociedade. Sim... belíssimo e intemporal. Fico contente que o tenhas visto.

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  8. Marco na minha história! Lembro de ter assistido no interior do Rio de Janeiro! Bom demais!

    www.cinemadetalhado.blogspot.com

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  9. CATARINA NORTE: Por acaso não foi um dos filmes da minha infância, mas é deveras impressionante. Verdadeiro clássico, mesmo.

    MARCELO PEREIRA: Sim, é sobrevalorizado na medida em que muitos o consideram, de longe, o melhor filme da Disney. Mas é um dos melhores, isso sem dúvida. E por aí compreendo e identifico-me com todos esses testemunhos de louvor.

    GUSTAVO: Um grande filme. Compreendo. Talvez tivesse marcado a minha infância se o tivesse visto naquele dia em que saí a meio da sessão por motivos que já não recordo.

    JORGE: As cinco estrelas jamais lhe poderiam faltar ;D

    JACKIE BROWN: Sim, uma obra maior, sem dúvida. Uma obra carismática e que marcou e marca uma era, uma arte e muitos de nós. Não lhe atribuo o EXCELENTE, mas o MUITO BOM serve-lhe perfeitamente.
    Quanto a mim, nem infeliz nem ridícula, a versão em 3D. Não sou fã da nova tecnologia, é certo, mas se querem fazer dinheiro com isso e se há público para isso, não vem nenhum mal ao mundo. O REI LEÃO, como o conhecemos, não vai deixar de existir nem será o 3D que vai mudar o que ele foi ou é.

    NEKAS: Não percas a oportunidade, assim que possível ;) Creio que vais gostar imenso.

    FLÁVIO GONÇALVES: Ora aí está um comentário excepcional ao filme! É isso mesmo, estamos totalmente de acordo.

    TIAGO BRITTO: Bom demais, mesmo. Bem-vindo ao CINEROAD.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  10. Grande crítica e excelente reflexão sobre a obra. Gostei bastante de a ler. :)
    Quanto à pontuação não esperava nada menos que as cinco estrelas, como já tinha dito. Gostaria mais se fosse o excelente, mas enfim é como dizes, excepcionalmente é uma questão mais de gosto que determina essa distinção. Acho que se tivesses visto na tua infância (como eu) teria certamente essa sobrevalorização pessoal :)
    Para mim tem, com certeza, e reconheço que possui um lugar muito especial na minha memória.

    Quanto ao filme, é excepcional, desde a brilhante história com as suas vertentes e géneros perfeitamente equilibrados e montados, até à banda sonora e realização. O que mais me fascina é a sua capacidade de repetidamente me fazer rir, emocionar e acima de tudo me divertir, sendo ao mesmo uma peça artística na fotografia, nas paisagens e nas sequências.
    Brilhante e único, como poucas vezes se vê no universo da animação e do cinema.
    abraço

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  11. JORGE: Muito obrigado pelo elogio. Estamos de facto de acordo e tenho-te a dizer que sim, que talvez - talvez - a eventualidade de o ter visto na infância valesse a sobrevalorização pessoal. Esses factores são de difícil isenção.
    Grande filme.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  12. Sem dúvida o filme que mais me marcou na infância (a par da Pocahontas)! Um clássico!

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  13. BLACKBERRY: Acho este um filme tremendo, mas POCAHONTAS para mim ainda é superior. Grandes clássicos, ambos. Definitivamente.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  14. Excelente, não via desde criança e fartei de chorar! Hehe

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  15. ANÓNIMO: É, sem dúvida, um filme deveras emocionante, pelo que compreendo perfeitamente!

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  16. Continua a ser a minha animação favorita desde a 1ª vez que o vi, no cinema (uns 8 ou 9 anos..). E aquela cena da morte de Mufasa é terrivelmente intensa. Talvez ainda tenha que explorar melhor as animações japonesas que ainda não conheço, para uma possível mudança de opinião :)

    Cumps

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CINEROAD ©2016 de Roberto Simões