sábado, 27 de fevereiro de 2010

MYSTERIOUS SKIN - PELE MISTERIOSA (2004)

PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL
Título Original: Mysterious Skin
Realização: Gregg Araki
Principais Actores: Joseph Gordon-Levitt, Brady Corbet, Elisabeth Shue, Michelle Trachtenberg, Bill Sage, Mary Lynn Rajskub

+
- A interpretação de Joseph Gordon-Levitt.
- O argumento bem construído, intenso e perturbante.

-
- A ausência evidente de preocupações estéticas maiores - tanto na fotografia e mise-en-scène como nas técnicas narrativas a que Araki recorre para filmar a história - o que, de forma clara, me faz pensar no pouco cinema-arte que há em Mysterious Skin.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

10 Breves Perguntas (9)

Flávio Gonçalves, autor do blogue O Sétimo Continente, aceitou o convite do CINEROAD para responder a mais um questionário desta 2ª Edição do 10 Breves Perguntas.

Eis as respostas:
1. O Melhor Filme desde 2000:
Elephant
2. A Banda-Sonora da Minha Vida:
Atonement
3. Um Amor de Infância:

Harry Potter and the Sorcerer's Stone
4. Um Filme de Animação:
The Lion King
5. Uma Comédia:
Love and Death
6. Filme-Fenómeno cujo Mediatismo não compreendo:
Twilight
7. Tantos detestam. Eu adoro:
The Holiday
8. Um elenco: Raging Bull
9. A Melhor Fotografia que conheço:

Days of Heaven / Gerry [ex aequo]
10. Já mudei de ideias sobre este filme:
2001: A Space Odyssey


Um muito obrigado, Flávio Gonçalves.

Compare as respostas dadas por todos os convidados até ao momento: AQUI

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ESTADO DE GUERRA (2009)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: The Hurt Locker
Realização: Kathryne Bingelow
Principais Actores: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Christian Camargo


+
- A competência com que é filmado.
- O slow motion, responsável por alguns dos takes mais memoráveis do filme.
- Outras cenas nucleares e magistrais como a do tiroteio e espera no deserto, sensivelmente a meio do filme.

-- O facto de não possuir uma história capaz de catapultar o filme para os lugares cimeiros dos maiores filmes de guerra.

UMA FAMÍLIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (2006)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: Little Miss Sunshine
Realização: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Principais Actores: Greg Kinnear, Toni Collette, Steve Carell, Abigail Breslin, Paul Dano, Alan Arkin

+
- Um elenco de grandes interpretações: Abigail Breslin, Alan Arkin, Steve Carell ou Toni Collette, em destaque.
- A espirituosa Banda Sonora.

-- Nada a destacar.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

DISTRITO 9 (2009)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: District 9
Realização: Neill Blomkamp
Principais Actores: Sharlto Copley, Jason Cope, John Sumner, Vanessa Haywood, Marian Hooman, David James, Robert Hobbs


+
- O argumento sobre temática extraterrestre:
bem construído e com a originalidade q.b., capaz de revigorar o género.
- A ousadia e competência da realização de Neill Blomkamp.
- A qualidade inegável dos efeitos especiais e das sequências de acção.
- A sensacional performance de Sharlto Copley.

-- Talvez a ausência de personagens secundárias marcantes.
- De resto, nada a destacar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CÓDIGO DESCONHECIDO (2000)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Code inconnu: Récit incomplet de divers voyages
Realização
: Michael Haneke

Principais Actores: Juliette Binoche, Luminita Gheorghiu, Helene Diarra, Sepp Bierbichler

Crítica:


UM MUNDO FRAGMENTADO


Sozinha? Lugar secreto? Bandido? Má consciência? Triste? Aprisionada? Quem quebra o enigma? Quem sabe, ao certo, por que caminhos avança a nossa civilização? Se a primeira cena deixa o mote, a última esbofeteia-nos com a sua frontalidade e simplicidade: uma criança deixa a sua mensagem, em linguagem gestual, e não entendemos nada. Nem um único gesto. É um código desconhecido para a maioria das pessoas, um pouco como aquele que se impôs na vida e no dia-a-dia das sociedades modernas. O mundo conhece a globalização e, quando estaríamos num momento histórico de união, erguem-se entre nós barreiras que, misteriosamente, nos separam. Estaremos condenados à incomunicabilidade?

Código Desconhecido, de Michael Haneke, confronta-nos com o nosso reflexo. E o resultado abala-nos a consciência. A Humanidade avança para a desumanização. É desse modo que estamos e é desse modo que somos. Não é perturbante? É claro que tudo aquilo é representação, é ficção. Aliás, Haneke não perde a oportunidade - uma vez mais - para desenvolver aquela que é uma das suas temáticas predilectas: a auto-consciência da ficção enquanto artifício. Neste filme, o cineasta serve-se mesmo da mise en abyme: note-se a cena em que a personagem Anne está perante a câmera e o realizador lhe exige que seja verdadeira - há um paralelo imediato com a relação Binoche-Haneke. A cena da piscina e do miúdo no 20º andar, por exemplo, é-nos apresentada como se fizesse parte da diegese do filme. Às tantas, todavia, percebemos que é uma cena de um filme dentro do filme de Haneke. O que é interessante perceber é como o filme é tão real, mesmo com ficção dentro da ficção e sabendo nós perfeitamente o domínio que pisamos.

O argumento desenvolve-se em fragmentos, separados entre si por cortes bruscos e inesperados. Um pouco como as relações que as pessoas desenvolvem no dia-a-dia, se é que lhes podemos chamar relações. Talvez contactos seja a palavra mais apropriada. Sobretudo nos meios urbanos, o que as pessoas têm entre si são contactos. Meros contactos de ocasião, fugazes e superficiais. Aliás, as pessoas evitam o contacto umas com as outras, mesmo sem saberem bem porquê. Falemos, a propósito, das cenas que se passam no metro, que sinedoquizam tão bem isto de que estou a falar. E todos sabem do que estou a falar. Todos nós já entrámos num metro. As regras de existência dentro de um desses fatídicos meios de transporte são ainda mais exigentes. Damos por elas implicitamente e seguimo-las escrupulosamente. Não podemos tocar em ninguém. Não podemos olhar directamente para ninguém. Temos que ignorar os cheiros. E os mendigos. Não podemos ceder o nosso lugar à velhinha que está ali em pé, porque nem sequer a vimos ainda. Temos que segurar firmemente a mala e proteger a carteira. Sabemos que podemos ser assaltados a qualquer momento. Não são estas as regras de existência dentro de um metro? São. Mas porque é que somos assim? Porque é que aceitamos estes códigos como se fossem princípios inquestionáveis? Porque é que não dizemos mais um bom dia, um boa tarde ou um boa noite, um obrigado ou um desculpe, porque é que não somos delicados com as pessoas? Que monstros estamos nós a ser - todos os dias - sem querer admitir que o somos? Os monstros são os outros? Tão depressa são os outros como somos nós! A cena da mendiga, logo a princípio, dá alento a esta tese. O preto repreende o miúdo porque foi mal-educado para a mendiga. O preto acaba na esquadra, a mendiga deportada para o seu país de origem e o miúdo acaba impune. Efeito borboleta, efeito caos, efeito perdição. Estamos todos interligados, mas ignoramo-lo. Constantemente. E, à medida que o tempo passa, entendemo-nos cada vez menos. Somos intolerantes aos costumes, tradições, religiões e atitudes. E, por fim, somos intolerantes connosco mesmos. Nem o simples, necessário e tão humano acto de chorar toleramos mais. Estaremos condenados à incomunicabilidade? Estamos, parece-me, condenados ao assumir de uma nova identidade. Mesmo que não nos identifiquemos mais com ela.

Sublimemente interpretado e orquestrado, eis, pois, um filme magnífico que é, em simultâneo, um ensaio sociológico e antropológico extremamente importante e absolutamente memorável.

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Nota especial para o subtítulo, em português Relato Incompleto de Diversas Viagens, que acaba por justificar e enquadrar o tema e o modelo narrativo do filme.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

TRANSAMERICA (2005)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: Transamerica
Realização: Duncan Tucker
Principais Actores: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Elizabeth Peña, Fionnula Flanagan, Burt Young, Carrie Preston, Graham Greene


+
A fabulosa interpretação de Felicity Huffman.

O argumento: põe-nos face à questão da transsexualidade com toda a naturalidade, recorrendo a um humor genuíno.

-O talento de Kevin Zegers, apesar de nunca prejudicar o todo, também nunca o beneficia, propriamente.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A TROCA (2008)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Changeling
Realização
: Clint Eastwood

Principais Actores: Angelina Jolie, John Malkovich, Jeffrey Donovan, Michael Kelly, Colm Feore, Jason Butler Harner, Amy Ryan

Crítica:

ESPERANÇA

É tudo sobre esperança: esperança de encontrar o filho
, esperança de acabar com a corrupção e com os cruéis interesses das instituições públicas, esperança que se faça justiça e que se diga a verdade, esperança de conseguir seguir com a vida em frente. Que me lembre, poucos foram os filmes que, até à data, abordaram o tema com tamanha profundidade.

Angelina Jolie tem uma performance absolutamente arrebatadora neste poderoso, revoltante e comovente drama, magnificamente fotografado (Tom Stern) e tecnicamente irrepreensível. No elenco, destaque ainda para o notável desempenho de John Malkovich, como secundário. O argumento, da autoria de J. Michael Straczynski, está muito bem escrito, é satírico quanto baste e flui com uma intensidade crescente; revela uma história que, não soubessemos nós ter acontecido na realidade, consideraríamos um tanto ou quanto forçada. Porém, a realidade é, por tantas vezes, tão mais inacreditável e absurda do que a ficção. E isso é que é, verdadeiramente, assustador.

A Troca não é senão o drama na sua melhor forma, realizado por Clint Eastwood, um dos maiores mestres do género. Tão bem feito que não me admiraria nada se, daqui a uns anos, se impusesse como um clássico absoluto.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O LEITOR (2008)


PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL

Título Original: The Reader
Realização: Stephen Daldry
Principais Actores: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross, Bruno Ganz, Lena Olin


+
O elenco: Kate Winslet, David Cross, Bruno Ganz, Ralph Fiennes ou Lena Olin.

Stephen Daldry revela-se, uma vez mais, magistral na direcção de actores.

-A falta de inspiração na concepção do projecto, o que justifica a ausência de categorias a destacar; com excepção do elenco.
CINEROAD ©2017 de Roberto Simões