10 de Fevereiro de 2010
9 de Fevereiro de 2010
10 Breves Perguntas (7)
Tiago Ramos, o autor do blogue Split Screen, aceitou o convite do CINEROAD para responder a mais um questionário desta 2ª Edição do 10 Breves Perguntas.Eis as respostas:
1. O Melhor Filme desde 2000:
21 Grams
2. A Banda-Sonora da Minha Vida:
Blindness
3. Um Amor de Infância: The Lion King4. Um Filme de Animação: Coraline
5. Uma Comédia: (500) Days of Summer
6. Filme-Fenómeno cujo Mediatismo não compreendo:
Slumdog Millionaire
7. Tantos detestam. Eu adoro: Push
8. Um elenco: Inglourious Basterds
9. A Melhor Fotografia que conheço:
The Limits of Control
10. Já mudei de ideias sobre este filme: Kill Bill (Vol. 1 e Vol. 2)
Um muito obrigado, Tiago Ramos.
Compare as respostas dadas por todos os convidados até ao momento: AQUI
MALA NOCHE (1985)
**
Título Original: Mala NocheRealização: Gus Van Sant
Principais Actores: Tim Streeter, Doug Cooeyate, Ray Monge, Nyla McCarthy
Crítica: Gosto de ver a obra de Gus Van Sant como um puzzle, no qual todas as peças dialogam entre si. No todo, há harmonia, há uma Verdade qualquer que nos transcende. Todavia, Mala Noche deixa muito a desejar... e nem sequer encaixa muito bem no todo.
Vêem-se nele os traços característicos de toda a filmografia do autor: a estrada, a adolescência, a homossexualidade, os alienados... mas a realização é incipiente e perde-se entre os cortes permanentes da montagem e a falta de coerência e fluidez do argumento. Como se isso não bastasse, não há drama, não há intensidade - nem mesmo quando os acontecimentos trágicos acontecem (que há luz da forma como são tratados se revelam tudo menos "trágicos").
Na verdade, pouco há, digno de destaque. Vale apenas pela curiosidade em descobrir o nascimento artístico de um dos maiores realizadores da actualidade.

Vêem-se nele os traços característicos de toda a filmografia do autor: a estrada, a adolescência, a homossexualidade, os alienados... mas a realização é incipiente e perde-se entre os cortes permanentes da montagem e a falta de coerência e fluidez do argumento. Como se isso não bastasse, não há drama, não há intensidade - nem mesmo quando os acontecimentos trágicos acontecem (que há luz da forma como são tratados se revelam tudo menos "trágicos").
Na verdade, pouco há, digno de destaque. Vale apenas pela curiosidade em descobrir o nascimento artístico de um dos maiores realizadores da actualidade.

8 de Fevereiro de 2010
7 de Fevereiro de 2010
A.I. - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001)
*****
Título Original: Artificial Intelligence: AI Realização: Steven Spielberg
Principais Actores: Haley Joel Osment, Jude Law, Frances O'Connor, Sam Robards, William Hurt, Brandan Gleeson
Crítica:
Se a arte é vida, A.I. - Inteligência Artificial toca a imortalidade. Não só é, na minha opinião, a obra mais íntima, negra e genial de Steven Spielberg - o projecto original arquitectava-se nos incomensuráveis confins criativos de Kubrick - como a mais incompreendida. Trata-se de uma criação visionária, para lá das fronteiras do sonho e do imaginário, numa dimensão sem tempo, visualmente fascinante e surpreendente a cada respirar.
Já em 2001: Odisseia no Espaço Stanley Kubrick abordara a questão da Inteligência Artificial, com o seu mítico robot Hal 9000. A partir do conto Supertoys Last All Summer Long, de Brian Aldiss, tanto Kubrick como Ian Watson e como, finalmente, Steven Spielberg desenvolveram a história do menino-robot que sonha e é capaz de amar eternamente.
Na verdade, to create an artificial being has been the dream of man since the birth of science. E a ciência não só nos ajuda a desvendar os mistérios do universo - dentro das lógicas que nós próprios construimos - como nos permite assumir um poder divino, o poder de criar.
As infinitas possibilidades da tecnologia e dos seus avanços desafiam, por isso, toda a nossa identidade, confrontando-nos com questões éticas, morais, filosóficas e derradeiramente ontológicas. O que é ser um humano? O que é ser uma máquina? Até onde uma máquina é só uma máquina? Quais as implicações de nos afeiçoarmos a uma máquina como se de um ser humano se tratasse? Poderá um robot substituir um ser humano? Poderá ele minimizar ou apaziguar a dor da perda, quando somos confrontados com a morte, o nosso pior medo? Até que horizontes emocionais se estabelecerão os vínculos de uma relação homem-máquina? Poderá um robot sentir com Verdade? Poderá uma máquina ter auto-consciência? Até que ponto entenderemos um ser como artificial (meca) ou natural (orga)? Poderá um dia haver uma sociedade de máquinas, sem humanos? Poderão eles atingir a vida eterna e superar, desse modo, a morte? De qualquer das formas, qual será o sentido da vida para um robot?
A.I. - Inteligência Artificial é daquelas obras que se transcende a si própria enquanto género. É melodramática, sobrenatural, futurista, fantástica, profética... e sedutoramente enigmática. Que nem a assombrosa banda sonora de John Williams. Nos seus ambientes e atmosferas reencontramos Blade Runner - Perigo Iminente. Mas o que Spielberg nos proporciona é um mergulho vertigionoso e quase extra-sensorial, extremamente original e ambicioso, capaz de desafiar todos os limites do pensamento. É uma projecção aterrorizante, profunda como os segredos do oceano, onde flutuam questões e incertezas que nos perturbam a existência. Haley Joel Osment (o menino prodígio de O Sexto Sentido) tem uma performance assustadora. Frances O'Connor e Jude Law completam o elenco principal que irradia excelência. Spielberg é não só um exímio contador de histórias como também um grande director de actores - ambos os factos ficam, uma vez mais, claramente comprovados. A direcção artística é simplesmente extraordinária. Os efeitos especiais são de uma concepção incrível e Janusz Kaminski capta a essência do impossível com assaz perfeição. É inegável: A.I. - Inteligência Artificial é uma belíssima obra-prima.
No mínimo, e enquanto cinema, A.I. será - sempre - uma aventura incrível, absolutamente absorvente e inesquecível. Viver aquele final - onde a poesia ganha forma na mais pura quimera - é como pisar, quiçá pela primeira vez, aquele inatingível lugar where dreams are born. Clássico absoluto.

Crítica:
ERA UMA VEZ...
Human beings have created a million explanations of the meaning of life - in art, in poetry, and mathematical formulas. Certainly human beings must be the key to the meaning of existence.
Se a arte é vida, A.I. - Inteligência Artificial toca a imortalidade. Não só é, na minha opinião, a obra mais íntima, negra e genial de Steven Spielberg - o projecto original arquitectava-se nos incomensuráveis confins criativos de Kubrick - como a mais incompreendida. Trata-se de uma criação visionária, para lá das fronteiras do sonho e do imaginário, numa dimensão sem tempo, visualmente fascinante e surpreendente a cada respirar.
Já em 2001: Odisseia no Espaço Stanley Kubrick abordara a questão da Inteligência Artificial, com o seu mítico robot Hal 9000. A partir do conto Supertoys Last All Summer Long, de Brian Aldiss, tanto Kubrick como Ian Watson e como, finalmente, Steven Spielberg desenvolveram a história do menino-robot que sonha e é capaz de amar eternamente.
Na verdade, to create an artificial being has been the dream of man since the birth of science. E a ciência não só nos ajuda a desvendar os mistérios do universo - dentro das lógicas que nós próprios construimos - como nos permite assumir um poder divino, o poder de criar.
Cientista: It occurs to me with all this animus existing against Mechas today it isn't just a question of creating a robot that can love. Isn't the real conundrum, can you get a human to love them back?
Professor Hobby: Ours will be a perfect child caught in a freezeframe. Always loving, never ill, never changing. With all the childless couples yearning in vain for a license our Mecha will not only open up a new market but fill a great human need.
Cientista: But you haven't answered my question. If a robot could genuinely love a person what responsibility does that person hold toward that Mecha in return? It's a moral question, isn't it?
Professor Hobby: The oldest one of all. But in the beginning, didn't God create Adam to love him?
Professor Hobby: Ours will be a perfect child caught in a freezeframe. Always loving, never ill, never changing. With all the childless couples yearning in vain for a license our Mecha will not only open up a new market but fill a great human need.
Cientista: But you haven't answered my question. If a robot could genuinely love a person what responsibility does that person hold toward that Mecha in return? It's a moral question, isn't it?
Professor Hobby: The oldest one of all. But in the beginning, didn't God create Adam to love him?
As infinitas possibilidades da tecnologia e dos seus avanços desafiam, por isso, toda a nossa identidade, confrontando-nos com questões éticas, morais, filosóficas e derradeiramente ontológicas. O que é ser um humano? O que é ser uma máquina? Até onde uma máquina é só uma máquina? Quais as implicações de nos afeiçoarmos a uma máquina como se de um ser humano se tratasse? Poderá um robot substituir um ser humano? Poderá ele minimizar ou apaziguar a dor da perda, quando somos confrontados com a morte, o nosso pior medo? Até que horizontes emocionais se estabelecerão os vínculos de uma relação homem-máquina? Poderá um robot sentir com Verdade? Poderá uma máquina ter auto-consciência? Até que ponto entenderemos um ser como artificial (meca) ou natural (orga)? Poderá um dia haver uma sociedade de máquinas, sem humanos? Poderão eles atingir a vida eterna e superar, desse modo, a morte? De qualquer das formas, qual será o sentido da vida para um robot?
A.I. - Inteligência Artificial é daquelas obras que se transcende a si própria enquanto género. É melodramática, sobrenatural, futurista, fantástica, profética... e sedutoramente enigmática. Que nem a assombrosa banda sonora de John Williams. Nos seus ambientes e atmosferas reencontramos Blade Runner - Perigo Iminente. Mas o que Spielberg nos proporciona é um mergulho vertigionoso e quase extra-sensorial, extremamente original e ambicioso, capaz de desafiar todos os limites do pensamento. É uma projecção aterrorizante, profunda como os segredos do oceano, onde flutuam questões e incertezas que nos perturbam a existência. Haley Joel Osment (o menino prodígio de O Sexto Sentido) tem uma performance assustadora. Frances O'Connor e Jude Law completam o elenco principal que irradia excelência. Spielberg é não só um exímio contador de histórias como também um grande director de actores - ambos os factos ficam, uma vez mais, claramente comprovados. A direcção artística é simplesmente extraordinária. Os efeitos especiais são de uma concepção incrível e Janusz Kaminski capta a essência do impossível com assaz perfeição. É inegável: A.I. - Inteligência Artificial é uma belíssima obra-prima.
No mínimo, e enquanto cinema, A.I. será - sempre - uma aventura incrível, absolutamente absorvente e inesquecível. Viver aquele final - onde a poesia ganha forma na mais pura quimera - é como pisar, quiçá pela primeira vez, aquele inatingível lugar where dreams are born. Clássico absoluto.

6 de Fevereiro de 2010
10 Breves Perguntas (6)
Marcelo Pereira ou Jackson, o autor do blogue seeSAWseen, aceitou o convite do CINEROAD para responder a mais um questionário desta 2ª Edição do 10 Breves Perguntas.Eis as respostas:
1. O Melhor Filme desde 2000:
Mysterious Skin / Le Fabuleux Destin d'Amélie
2. A Banda-Sonora da Minha Vida:
Harry Potter (os primeiros cinco filmes, no geral) / Across The Universe / Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street / Chicago
3. Um Amor de Infância: 101 Dalmatians (1996)4. Um Filme de Animação: The Prince of Egipt
5. Uma Comédia: Vicky Cristina Barcelona
6. Filme-Fenómeno cujo Mediatismo não compreendo:
Pulp Fiction
7. Tantos detestam. Eu adoro: Blindness
8. Um elenco: Notes on a Scandal
9. A Melhor Fotografia que conheço:
Le Scaphandre et le Papillon
10. Já mudei de ideias sobre este filme: Lost in Translation
Um muito obrigado, Marcelo Pereira.
Compare as respostas dadas por todos os convidados até ao momento: AQUI
ESCAFANDRO E A BORBOLETA, O (2007)
****
Título Original: Le Scaphandre et le PapillonRealização: Julian Schnabel
Principais Actores: Mathieu Amalric, Emmanuelle Seigner, Marie-Josée Croze, Max von Sydow, Emma de Caunes
Crítica:
A ETERNA REPETIÇÃO
Quando o corpo aprisiona, só a imaginação liberta. As imagens do escafandro e da borboleta são, por isso, as metáforas perfeitas para a condição castradora em que Jean-Dominique Bauby se vê, inesperadamente. Muita da poesia da obra nasce dessas poderosíssimas imagens. Aparte a poesia, o filme confronta-nos com uma realidade assustadora, de forma íntima e profundamente tocante.
O filme começa com o despertar, o primeiro olhar, após semanas de coma. Da absoluta paralisia escapou um olho e a actividade cerebral, que lhe sustenta o organismo, a sofrida comunicação interior, a limitada comunicação exterior e, afinal, a vida. Se há dom que a obra tem é o de nos pôr no interior da mente do paciente e fazer com que sejamos os espectadores do filme e, noutra dimensão, os espectadores de um só olho, moribundos entre as visitas do hospital. Nós somos a câmera. Tudo aquilo que ela capta é não só o filme como a nossa realidade exterior, como se assumíssemos aquela personagem presa à cama.
A condenação de Jean-Baptiste é evidente. Um derrame pode ter inúmeras causas identificáveis; o certo é que tantas vezes atinge as pessoas sem dar indícios claros e capazes de suscitar uma prevenção à altura. A intensidade das consequências varia de caso para caso. Jean-Dominique desenvolveu a síndrome do encarceramento, rara e psicologicamente torturante. A recuperação passaria por um milagre, apenas. E, à escala humana, estamos limitados às nossas possibilidades. Como enfrenta um homem a vida neste estado? Se é que se pode dizer enfrenta... Não admira que o ex-editor da Elle queira a morte... Aliás, o filme se tivesse cheiro seria certamente esse lúgubre odor que habita as alas do adeus. Jean-Baptiste sabe que jamais tocará os cabelos dos filhos, as pernas de uma mulher, a vida em toda a sua fascinante acepção. A sua existência resume-se agora à eterna repetição diária, enquanto espera pelo fim.
A montagem do filme (Juliette Welfling) é em tudo prodigiosa e constitui uma das maiores qualidades da obra. Julian Schnabel filma com assaz sensibilidade, mas creio que lhe falta alguma maturidade e sobriedade. De qualquer forma, era difícil escapar às limitações dramáticas do argumento de Ronald Harwood. Não por culpa do argumento, que é excelente, mas pela história em si... é comovedora, mas, em cinema como na Verdade, um tanto ou quanto maçuda. Não creio, como tantos, que estamos perante uma obra-prima. Mas perante um brilhante exercício, de méritos inegáveis, estamos com certeza.
O filme começa com o despertar, o primeiro olhar, após semanas de coma. Da absoluta paralisia escapou um olho e a actividade cerebral, que lhe sustenta o organismo, a sofrida comunicação interior, a limitada comunicação exterior e, afinal, a vida. Se há dom que a obra tem é o de nos pôr no interior da mente do paciente e fazer com que sejamos os espectadores do filme e, noutra dimensão, os espectadores de um só olho, moribundos entre as visitas do hospital. Nós somos a câmera. Tudo aquilo que ela capta é não só o filme como a nossa realidade exterior, como se assumíssemos aquela personagem presa à cama.
A condenação de Jean-Baptiste é evidente. Um derrame pode ter inúmeras causas identificáveis; o certo é que tantas vezes atinge as pessoas sem dar indícios claros e capazes de suscitar uma prevenção à altura. A intensidade das consequências varia de caso para caso. Jean-Dominique desenvolveu a síndrome do encarceramento, rara e psicologicamente torturante. A recuperação passaria por um milagre, apenas. E, à escala humana, estamos limitados às nossas possibilidades. Como enfrenta um homem a vida neste estado? Se é que se pode dizer enfrenta... Não admira que o ex-editor da Elle queira a morte... Aliás, o filme se tivesse cheiro seria certamente esse lúgubre odor que habita as alas do adeus. Jean-Baptiste sabe que jamais tocará os cabelos dos filhos, as pernas de uma mulher, a vida em toda a sua fascinante acepção. A sua existência resume-se agora à eterna repetição diária, enquanto espera pelo fim.
A montagem do filme (Juliette Welfling) é em tudo prodigiosa e constitui uma das maiores qualidades da obra. Julian Schnabel filma com assaz sensibilidade, mas creio que lhe falta alguma maturidade e sobriedade. De qualquer forma, era difícil escapar às limitações dramáticas do argumento de Ronald Harwood. Não por culpa do argumento, que é excelente, mas pela história em si... é comovedora, mas, em cinema como na Verdade, um tanto ou quanto maçuda. Não creio, como tantos, que estamos perante uma obra-prima. Mas perante um brilhante exercício, de méritos inegáveis, estamos com certeza.
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