sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

OS INTOCÁVEIS (1987)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★  
Título Original: The Untouchables
Realização: Brian De Palma
Principais Atores: Kevin Costner, Sean Connery, Charles Martin Smith, Andy Garcia, Robert De Niro, Richard Bradford, Jack Kehoe, Brad Sullivan, Billy Drago, Patricia Clarkson

Crítica:

They pull a knife, you pull a gun.

O INIMIGO PÚBLICO

 He sends one of yours to the hospital, 
you send one of his to the morgue. That's the Chicago way!

Os Intocáveis afigura-se, pelo mérito da reconstituição histórica, como uma verosímil e fascinante viagem no tempo à corrupta Chicago dos anos 30 do século XX, quando - em plena Lei Seca - era despudoradamente manipulada e corrompida pelos mafiosos interesses de Al Capone; esse sim, aparentemente, o verdadeiro intocável, que fez fortuna por intermédio do tráfico ilegal de bebidas alcóolicas. 

Brian De Palma concretiza um glorioso e revigorante filme de gangsters e de luta contra o crime. A sua arte de filmar é notável e as cenas memoráveis multiplicam-se, assim como as personagens apaixonantes. O novato agente federal Eliot Ness (Kevin Costner), depois de humilhado pela imprensa após uma investida mal sucedida, reune pessoal de confiança para tentar caçar, de uma vez por todas, o mayor da cidade: um contabilista esperto e cómico q.b. (Charles Martin Smith), um velho e pragmático chui que há uma vida se conforma com as rondas de rua, Malone (memorável Sean Connery) e um polícia reservado, que dispara bem rápido embora descendente de italianos (Andy Garcia). Ficarão conhecidos como os intocáveis, por jamais cederam a chantagens e a subornos e por lutarem contra o sistema persistentemente. A ousada demanda terá, para muitos deles e como seria de esperar, um preço demasiado elevado, mas levará Capone a tribunal, finalmente. Capone é Robert De Niro, em mais uma daquelas suas extraordinárias performances. O argumento (por David Mamet, extremamente bem construído e doseado) permite-o brilhar, não bastasse o seu talento. Tem cenas e diálogos inesquecíveis: a abertura, enquanto é barbeado, o violento e compulsivo exercício do taco de beisebol, ou os excessos da palavra sempre que se exalta. Na verdade, De Niro tem grandes momentos sempre que aparece.

I want you to get this fuck where he breathes! I want you to find this nancy-boy Eliot Ness, I want him DEAD! I want his family DEAD! I want his house burned to the GROUND! I wanna go there in the middle of the night and I wanna PISS ON HIS ASHES!
Capone

Os cenários são essenciais para a recriação da atmosfera de outros tempos, engenhosamente enquadrados e fotografados (Stephen H. Burum). Muitos deles real locations, como a frente e o hall do hotel que hospedou o infame criminoso, os exteriores na cidade ou a escadaria da estação de comboios na qual assistimos - numa assumida homenagem à cena da escadaria de Odessa d'O Couraçado Potemkin, de Eisenstein - a uma das melhores cenas de todos os tempos: pela montagem (Gerald B. Greenberg, Bill Pankow), pelo slow motion, pela tragédia passível de se abismar, a qualquer instante, sobre aquele inocente bebé do carrinho (símbolo da pureza, no qual Ness revê o próprio filho) ou pela banda sonora, que colabora desde início com excecional encenação. A sonoridade de uma caixa de música, de corda, potencia a tensão necessária para o tiroteio incrível que se segue e que fecha a cena. As determinantes e sonantes composições musicais têm a assinatura de Ennio Morricone (que também musicou esse colossal filme de gangsters que é Era Uma Vez Na América, de Leone). Um dos temas deste magistral Os Intocáveis acaba por principiar aquele que será, no ano seguinte, o tema imortal de Cinema Paradiso. Perceberemos a semelhança, se estivermos minimamente com atenção. Outra das mais empolgantes cenas tem que ver com aquela câmera deambulante pelos corredores do apartamento de Malone, antes do seu sangrento assassinato. Simplesmente, brilhante. Grande momento de cinema. Ou a emboscada na ponte, no momento em que saímos do meio urbano e respiramos no campo, como num western, com direito a cavalgada e tudo. Nota final para o guarda-roupa (a cargo de Marilyn Vance, sendo que muitos dos modelos e figurinos foram desenhados por Giorgio Armani).

Os Intocáveis é ação pulsante, do início ao fim, que funciona como encantamento. Um portentoso clássico. Um triunfo de filme.

4 comentários:

  1. RUI FRANCISCO PEREIRA: A sério? Gostei bastante de múltiplos aspectos, dos actores à encenação e realização de Brian De Palma: há sequências memoráveis: o assalto à ponte, o assassinato de Malone ou o tiroteio nas escadas, com o carrinho de bebé. Já vi vários filmes do realizador e não gostei de nenhum como deste. Sem falar da banda sonora de Morricone, onde se ouve o principiar do grande tema de CINEMA PARAÍSO.

    Roberto Simões
    » CINEROAD «

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  2. Um belo filme de gangsters com um ótimo elenco, embora não chegue ao patamar de O PADRINHO ou ERA UMA VEZ NA AMÉRICA.

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  3. Sem me estender muito, porque não acho que haja muitas palavras para descrever essa filme: excelente, com uma das melhores cenas finais do cinema!
    Simples assim.

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