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quarta-feira, 9 de junho de 2010

O PADRINHO (1972)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Godfather
Realização: Francis Ford Coppola
Principais Actores: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire, Al Lettieri, Sterling Hayden, John Cazale, Richard S. Castellano

Crítica:

CRÓNICAS DE CRIME E FAMÍLIA

A man who doesn't spend time with his family
can never be a real man.

O Padrinho é muito mais do que uma história sobre gangsters e máfia, a partir da obra literária de Mario Puzo. Francis Ford Coppola, magistral na arte de filmar e dotado de um inspirado virtuosismo clássico, serve-se da organização e das intrigas da sociedade do crime para conceber uma verdadeira epopeia sobre a família e sobre a evolução dos valores familiares ao longo do século XX. Aliás, O Padrinho será, porventura, a primeira grande crónica cinematográfica do século XX sobre a família do próprio século XX. É uma espécie de auto-análise; um exercício que o tempo veio a comprovar como extraordinário.

Marlon Brando, num dos grandes papéis da sua carreira, veio eternizar as figuras do patriarca e do padrinho: hoje quase inexistentes nas sociedades ocidentais; sobretudo quando tendo em conta a expressividade e relevância que tinham outrora. A ruína da figura patriarcal (também a do casamento enquanto instituição) anunciou a decadência e o fim da família como rede organizada, com espírito de entre-ajuda, união e coesão... Com a queda dos últimos alicerces e tradições familiares, o ser humano cai no individualismo e no alheamento identitário, carente de raízes. Este facto sinedoquiza, de forma metadiegética - tanto no primeiro como nos seguintes capítulos da saga - a própria evolução da família Corleone.

A banda sonora tornou-se um autêntico ícone da saga, assim como a rosa ao peito e aquele ambiente de respeito e consideração do escritório. O Padrinho enche-se, da abertura ao desfecho, de cenas memoráveis: a chocante cena da cabeça do cavalo ou a morte de Don no jardim, depois de brincar com o futuro da família, são absolutamente magníficas. Grande, grande filme.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O PADRINHO - PARTE III (1990)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: The Godfather - Part III
Realização: Francis Ford Coppola
Principais Actores: Al Pacino, Diane Keaton, Talia Shire, Andy Garcia, Eli Wallach, Joe Mantegna, George Hamilton, Bridget Fonda, Sofia Coppola, Raf Vallone, Franc D`Ambrosio, Donal Donnelly, Richard Bright, Helmut Berger

Crítica: O terceiro episódio da trilogia perde um pouco o brio de outros tempos, mas faz todo o sentido: a saga familiar dos Corleone pedia um desfecho, como que encerrando o ciclo geracional e evolutivo de Michael. A evolução dos valores da própria máfia está também perfeitamente retratada, ainda que as questões familiares dominem. O argumento é, agora, não fechado sobre si mesmo como inicialmente, mas aberto e introspectivo, deixando-nos perceber com maior facilidade os complôs e artimanhas dos estrategas. A máfia chega mesmo, neste capítulo, à Igreja e aos puritanos da suposta boa fé. E, com ela, o sabor a sátira da realização de Coppola, que nos oferece, literalmente, um final operático e grandioso para as suas personagens. Salve-se o final inspiradíssimo. Al Pacino está brilhante. A sua personagem está diferente, o que seria ficcionalmente esperado, mas, desta vez, benificiou (e muito) com a experiência do actor.

O PADRINHO - PARTE II (1974)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Godfather - Part II
Realização: Francis Ford Coppola
Principais Actores: Al Pacino, Robert DeNiro, Robert Duvall, Diane Keaton, Talia Shire, Lee Strasberg, John Cazale, G.D. Spradlin, Michael V. Gazzo, Richard Bright, Gastone Moschin, Tom Rosqui, Bruno Kirby

Crítica:

CRÓNICAS DE CRIME E FAMÍLIA
 A DOIS TEMPOS

Sublime. Mais do que uma obra-prima sobre o crime, é uma obra-prima sobre a família, um drama intenso e em parte alegórico, de uma dimensão operática, que nos diz tanto sobre nós mesmos e sobre a forma de como nos relacionamos com os nossos. Esta segunda parte da saga é... verdadeiramente esplendorosa.

A realização é de uma mestria excepcional: recordo cenas como a do assassinato de Don Fanucci... mas que encenação! Há tantas cenas eternas... O jogo de espelhos entre os dois tempos narrativos resulta paralelamente perfeito. A inesquecível banda sonora de Nino Rota transporta-nos, completamente rendidos ao argumento (agora com outro fôlego, tão mais inspirado), para muito além dos créditos finais. O cuidado na recriação é digno da maior distinção: notem-se os cenários e a decoração. A fotografia e a montagem estão magníficas. E Robert De Niro está ao mais alto nível, à frente de um elenco formidável.

O Padrinho - Parte II é, por tudo isto e tanto mais, não só o melhor capítulo da trilogia como um marco incontornável da história do cinema.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões