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terça-feira, 15 de junho de 2010

CHICAGO (2002)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Chicago
Realização: Rob Marshall

Principais Actores: Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones, Richard Gere, John C. Reilly, Queen Latifah, Chita Rivera, Taye Diggs, Lucy Liu


Crítica:

ALL THAT JAZZ !

Five, six, seven, eight! Crime, fama, espectáculo. Luz, som, acção! Ladies and gentlemen... the Onyx Club is proud to present... um autêntico e prodigioso êxtase de charme: um musical contagiante e vibrante, pleno de sensualidade, brilho e delírio, um pedaço de entretenimento faustoso, exuberante e extremamente divertido: Chicago! Da Broadway para o cinema, flui o jazz, o tango e uma sensacional miscelânea de estilos e ritmos, coreografados com toda a emoção e a lembrar o melhor de Bob Fosse, naquele que já se tornou um dos mais recentes clássicos do musical hollywoodiano.

Rob Marshall é o artista maior por detrás desta adaptação: o universo feminino de ambição, inveja, corrupção e farsa, partilhado por Roxie Hart, Velma Kelly e pelas criminosas do estabelecimento prisional de Chicago, sobe à ribalta, de novo e com todo o vigor. O protagonismo recai sobre Roxie (Renée Zellweger, num grande desempenho), a loira sem escrúpulos que sonhava tornar-se uma estrela. Para consegui-lo, vai para a cama com o influente Fred Casely. Os fins justificavam os meios. Contudo, quando se apercebe de que Fred a usava apenas para efeitos sexuais - You're a two-bit talent with skinny legs -, mata-o por impulso e sem pensar duas vezes: It was a murder, but not a crime! Coitado, coitado só mesmo o marido: humilde, bondoso e, acima de tudo, ingénuo, Amos Hart ainda mente à polícia, manipulado por ela e com fim a protegê-la. Interpretado por John C. Reilly, Amos virá ainda a progonizar mais tarde - na perfeição e absolutamente arrebatador - um dos mais intensos e dramáticos números musicais de toda a obra - pessoalmente, o meu preferido: Mr. Cellophane:

Cellophane, Mister Cellophane
Should have been my name
Mister Cellophane
Cause you can look right through me

Walk right by me
And never know I'm there.

Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones, numa entrega total ao papel) não é senão o ídolo de muitas rapariguinhas - Roxie Hart incluída, pois claro. Porém, Velma Kelly é uma estrela decadente. A traição e a sede de protagonismo levaram-na a matar a irmã, pondo fim à dupla de sucesso The Kelly Sisters. Quis o destino que se encontrassem, ela e Roxie, na prisão... sob o olhar da matrona Mama Morton - uma espécie de arranja-tudo capaz de subverter as leis do internato ao sabor do lucro próprio. Queen Latifah assume o papel dessa poderosíssima e engraçadíssima mulher, abonada pelo luxo e pela excelência do guarda-roupa de Colleen Atwood na sua intervenção musical:

There's a lot of favors
I'm prepared to do
You do one for Mama
She'll do one for you

(...) So what's the one conclusion
I can bring this number to?
When you're good to Mama...
Mama's good to you!

Pop! As gotas. Six! Os passos. Squish! O soar dos dedos. Uh-uh... o fósforo... Cicero! A música... Lipschitz! Os sons começam - quase sem que os notemos - e passam a repetir-se, a intensificar-se... a imaginação desperta e o musical começa. O encanto e sedução de uma cena como Cell Block Tango, ou O Tango das Assassinas, como gosto de chamar-lhe, são completamente inesgotáveis: Pop! Six! Squish! Uh-uh... Cicero! Lipschitz! A sequência, circular na sua estrutura, é um confessionário aberto, derradeiramente criativo. E se há coisa que não falta até ao fim da obra é criatividade: a apresentação do advogado Billy Flynn (corrupto, egoísta e sorridente, que nunca perdeu um caso e que não aceita nenhum caso por menos de 5000 dólares), por Richard Gere, a cena das marionetas, o enforcamento da inocente de leste ou o número final no show de estreia da mais recente e mediática dupla de artistas em Chicago.

Antes do sucesso e da concretização dos sonhos, o argumento de Bill Condon desemboca na barra dos tribunais - Flynn joga com a mentira e com os media a favor da absolvição das culpadas. As sessões do julgamento são hilariantes. As interpretações ficam ao rubro. Só a convencionalidade da história condiciona, a meu ver, a potencialidade do projecto para atingir a sublimidade.

Apesar disso, tudo o resto resulta triunfalmente. O arrojo de toda a produção, então, é surpreendente: os destaques vão para a direcção artística (John
Myhre e Gordon Sim) e para a fotografia (Dion Beebe). O trabalho de iluminação é absolutamente espantoso e notável, assim como a enérgica e imparável montagem de Martin Walsh ou a encenação teatral retumbante.

Dá gosto ver musicais assim. Espectacular!


Oh, I love my life...
And all... that... Jazz!


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões