terça-feira, 18 de janeiro de 2011

«AS INCONTESTÁVEIS» #11

obra-prima, s. f.
1. Obra primorosa, perfeita, das primeiras no seu género.
2. A melhor obra de um autor.

5 das Incontestáveis Obras-Primas
de Nuno Reis, autor no blogue Antestreia:O Despertar da Mente (2004), de Michel Gondry
Metropolis (1927), de Fritz Lang
Chamada Para a Morte (1954), de Alfred Hitchcock
Momentos de Glória (1981), de Hugh Hudson
Mr. Nobody (2009), de Jaco Van Dormael

5 das Incontestáveis Obras-Primas
de João Lameira, autor do blogue Numa Paragem do 28:
Hei yan quan (2006), de Ming-liang Tsai
O Grande Escândalo (1940), de Howard Hawks
À Flor do Mar (1986), de João César Monteiro
Bring Me the Head of Alfredo Garcia (1974), de Sam Peckinpah
French Cancan (1954), de Jean Renoir

Quem contesta?

13 comentários:

  1. Chamada para a Morte é filmaço. E um dos filmes mais subvalorizados do Hitchcock. Nunca vi o Mr. Nobody.

    His Girl Friday esteve quase para entrar na minha lista, mas optei por outro do Hawks ;) O filme do Peckinpah é também, na minha opinião um dos melhores filmes de sempre. O resto não vi.

    Dos que conheço, boas listas.

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  2. Não quero ser desmancha-prazeres, mas esta iniciativa já pouco tem a ver com obras-primas do cinema e muito menos incontestáveis. Tornou-se, isso sim, num mostruário de preferências pessoais. O que não tem nada de mal, só que contraria o espírito inicial da coisa. Ou melhor dizendo, daquilo que eu pressupunha ser tal espírito. Por isso, e infelizmente, a expressão "obra-prima" irá continuar a ser vulgarmente usada e banalizada. É pena.

    O Rato Cinéfilo

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  3. Mais duas listas completamente distintas. Na do Nuno apenas considero obra prima o Metropolis, de Fritz Lang, presença bastante comum na iniciativa. Das restantes, O Despertar da Mente é um dos meus filmes preferidos, mas não o considero incontestável. Já Momentos de Glória, é um filme (para mim) normal. Os outros dois, não vi.

    Na lista do João, apenas vi a do Tsai Ming-Liang e não apreciei por aí além. Mas reconheço que o cinema deste realizador é de uma sensibilidade fora do normal. As restantes pertencem a grandes nomes do Cinema, que infelizmente me faltam ver. Saúdo ver a presença do João César Monteiro. Como alguém disse quando comentou as minhas escolhas, já fazia falta.

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  4. Olá a todos,

    Quero primeiro deixar claro que das definições de obra-prima citadas pelo Roberto fui pela de "obra primorosa, perfeita, das primeiras no seu género". Acredito que certos realizadores têm bem mais do que uma obra-prima no seu currículo e facilmente conseguiria apontar outras para os que menciono. Outra coisa, apesar de ter perfeita consciência de que são escolhas pessoais (de outra forma, bastar-me-ia fazer um copy + paste da lista da Sight and Sound ou assim), estes não são os meus cinco filmes preferidos - alguns dos meus filmes preferidos são tudo menos obras-primas-, nem sequer são as minhas cinco obras-primas preferidas (faltam o "Rio Bravo" e "Les parapluies de Cherbourg" e "La règle du jeu" e por aí fora), lá está, para não sair uma lista parecida à da Sight and Sound. Contudo, qualquer um destes cinco filmes é uma obra-prima que eu seria incapaz de contestar.

    "Hei yan quan"/"I Don't Want to Sleep Alone" - Eu sei que este filme é uma obra-prima porque saí do cinema a pensar "este filme é uma obra-prima!". Tautologias à parte, "Hei yan quan" é um compêndio de composição, de planos longuíssimos onde não se passa nada e intui-se tudo, de montagem reveladora dos mais fundos sentimentos. Isto sem que a câmara se mexa quase, paralisada pela beleza da(s) história(s) de amor que filma. E, de repente, numa cena, a violência irrompe, e, no fim, o onirismo toma conta de tudo.

    "O Grande Escândalo"/"His Girl Friday" - Possivelmente a maior comédia de sempre. Nunca se falou tão rápido no cinema- não há Sorkin que apanhe estes tipos: parvoíces, crueldades, piadas, sarcasmos a 200 a hora filmados com uma justeza que parece banalidade, a marca de água de Hawks. O protagonista deve ser das personagens mais repelentes de sempre, mas, como é representado pelo Cary Grant, até é simpático. No fundo, "His Girl Friday" é a história de como um homem usa um homicídio para reconquistar a ex-mulher, ou de como um homem usa a ex-mulher para ter a melhor parangona, já não sei bem.

    "À Flor do Mar" - Neste filme de César Monteiro, não há Deus, nem o João de seu nome (a não ser numa breve passagem), há Algarves, praias, gelados, um casarão repousante, manjares deleitosos (ninguém filma comida como César Monteiro), terroristas náufragos, belas mulheres italianas, uma Teresa Villaverde adolescente e provocadora e uma fenomenal Manuela de Freitas a devorar tudo. Para alguns, será beleza a mais para pouco acinte. Para outros, para mim, "À Flor do Mar" é o mais belo filme português (a começar pelo título e a acabar no deslumbrante plano final).

    (continua)

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  5. (continuação)

    "Bring Me the Head of Alfredo Garcia" - O que dizer de um filme em que, a dado passo, o protagonista contracena com a cabeça de um morto? Para trás, fica um barman que aceita o pior trabalho do mundo, o deserto, a profanação de um cadáver, uma morte crudelíssima, outras mortes menos cruéis, a ternura e a violência indissociáveis. Para a frente, o massacre purificador. O que dizer de um actor que, a dado passo, contracena com a cabeça de um morto? Que Warren Oates é o melhor actor que já pisou esta terra.

    "French Cancan" - Se tivesse de indicar o melhor realizador do mundo, escolheria Jean Renoir. O que tem graça é que vi poucos filmes dele (pois, não tem muita graça), mas os que vi bastaram-me para reconhecer no francês uma elegância, uma inteligência e uma justeza incomuns (como ele só Max Ophüls, arrependo-me de não ter incluído um filme seu nesta lista). Em "French Cancan", Jean Gabin é um empresário teatral que se dedica a espectáculos da dança que o título do filme indica. Renoir filma os avanços e recuos da encenação e os avanços e recuos das diversas danças amorosas (outra encenação?) até ao culminante momento musical. Um hino à vida, como se costuma dizer.

    Das escolhas do Nuno que conheço só desaprovo os "Momentos de Glória", que, se a memória não me atraiçoa, é um pastelão musicado por Vangelis. Mas adoro o "Dial M for Murder", um dos meus Hitchcock preferidos.

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  6. Óptimas escolhas as do João. É óptimo ver o César Monteiro, o Peckinpah e o HAWKS, por aqui.. O His Girl Friday é de uma genialidade inabalável, e não, realmente não há Sorken que apanhe Hawks, Hecht e Lederer, eheh

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  7. A lista do Nuno é bastante curiosa, refere filmes na sua maioria ainda não falados por aqui, e coloca um Hitchcock poucas vezes aqui citado.

    O Despertar da Mente não é propriamente um filme que me enche as medidas, pelo menos na sua totalidade. É um belo ensaio sobre a memória, a esperança e o amor ainda assim. E bastante original diga-se. No entanto não o considero obra-prima. Dos restantes não vi nenhum sendo que o do Hitchcock estará para breve. É mesmo dos únicos que me faltam num lote dos melhores do realizador.

    Da lista do João não vi nenhum (o que me deixa frustrado no bom sentido, ao todo nas duas selecções só vi um). Tenho curiosidade em ver o do Peckinpah e o do Hawks pelo que estarão provavelmente para breve. Os outros também ficam como referências claro.

    abraço

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  8. É... só posso alinhar pela lista muito boa do Nuno Reis do Ante-cinema pois a outra desconheço tudo, o que não acontece com a 1ª lista (excepto com o Mr.Nobody).

    A destacar o Chamada para a Morte, 100% magnifico.
    A propósito, cheguei a ver este magnifico filme de Hitchcock no museu de Serralves (Porto) aquando do Porto'2001, numa sessão especial em 3D clássico (com os oculos clássicos com as duas cores) e sem legendas. Foi magnifico e potenciou realmente alguns momentos chave. A cena em que ela é atacada e espeta a tesoura, foi brilhante pois a mão parecia mesmo que estava no ar e ia pegar em alguém. Foi muito interessante a experiência do 3D clássico.

    Obs: Realmente concordo em parte com o que aludiu o Rato Cinéfilo, apesar de isto de se achar incontestável é sempre numa perspectiva pessoal de cada um. Pode ser obra-prima... ou não.
    Escolhas incontestáveis são todos aqueles filmes que qualquer um de qualquer estatuto social e cultural, conseguirá identificar como obras de referência absoluta. Sabemos que o povo tem má memória e se lembra do que é recente mas já houve aqui uma das listas que abordou em parte por esta visão e achei pertinente na iniciativa (a que tinha o Indiana Jones). O mesmo se aplicaria a filmes desde o Rambo ou Rocky, a E.T. ou Psico, aos 10 Mandamentos, Nosfeartu, ou qualquer do Chaplin, etc.
    Incontestável dá azo a muita interpretação e não sei também o que o Roberto terá dado a entender quando fez os convites.
    Mas isto sou eu a dizer coisas, e acho que digo demais...

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  9. Obrigado a todos pelos comentários!

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  10. Mais uma vez estas duas listas só vou pender para um dos lados devido ainda não ter visto qualquer filme de uma das listas.
    Não posso tecer nenhum comentario acerca da lista do João...
    Sobre a do Nuno:

    O Despertar da Mente - foi um daqueles filmes que não gostei nem um pouco, apesar de o ter comprado porque acho que merece ser revisto com outros olhos.
    Metropolis ja expliquei anteriormente que considero M o melhor de Lang.
    Momentos de Glória - muito bom, mas não o acho uma obra prima.
    Não vi Mr. Nobody nem Chamada Para a Morte.

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  11. Como normalmente opto por assistir a obras mais actuais, considero que ainda não tenho um profundo conhecimento de obras mais antigas portanto não tenho capacidade para criticar ou aprovar listas. No entanto não pude deixar de me surpreender com a inclusão de "Mr. Nobody" na lista do Nuno. Talvez não seja uma obra-prima do cinema desde os seus primórdios mas é sem dúvida uma obra-prima da actualidade pela competência técnica revelada (mesmo com baixo orçamento) mas essencialmente por possuir um tratamento original do argumento, algo pouco comum no cinema actual.

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  12. Achei que já tinha comentado aqui...

    O Metropolis foi para fazer publicidae à nova edição, o Eternal Sunshine porque para mim é o melhor filme da década. Os outros porque a minha ideia também foi fugir aos convencionais.

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  13. Gostei muito da ideia. Mas escolher uma obra-prima é complicado, há tantas!
    Eu escolheria:
    Luzes da Ribalta, Charlie Chaplin
    Humberto D, de De Sica
    Johnny Guitar do N. Ray
    O Leopardo de Visconti
    O Cinema Paradiso, Tornadore
    O Caçador do Cimino.
    É óbvio que aqui a idade conta.

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CINEROAD ©2016 de Roberto Simões