sábado, 8 de janeiro de 2011

O FANTASMA DA ÓPERA (2004)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: The Phantom of the Opera
Realização: Joel Schumacher

Principais Actores: Gerard Butler, Emmy Rossum, Patrick Wilson, Alan Cumming, Minnie Driver, Miranda Richardson, Ciaran Hinds, Simon Callow, James Fleet, Victor McGuire, Jennifer Ellison

Crítica:

A BELA E O MONSTRO

Masquerade! Every face a different shade.
Masquerade! Look around, there's another mask behind you!

O Fantasma da Ópera, a versão cinematográfica do musical mais aplaudido de sempre, genialmente recriado por Andrew Lloyd Webber a partir do pequeno conto de Gaston Leroux, é uma obra de requintada beleza, de majestosos e imponentes cenários. Toda a direcção artística é exímia na exaltação da excelência (Anthony Pratt, Celia Bobak). É um desfile faustoso e luxuoso, de ricos, elegantes e opulentos figurinos (Alexandra Byrne). É como um postal ilustrado, esplendorosamente vivo a preto e branco ou a cores, magnificamente fotografado e iluminado pelo mestre John Mathieson. Os eruditos temas musicais, originais do compositor, emanam amor, ódio e tragédia, assim como dão conta, tão poeticamente, as melódicas letras de Charles Hart. No meio de tantas e tão graciosas qualidades e virtudes, pouco faltou para eternizar este O Fantasma da Ópera, de um candor mágico e profundamente romântico, como um verdadeiro e triunfal clássico absoluto.

Night-time sharpens, heightens each sensation...
Darkness stirs and wakes imagination...
Silently the senses abandon thier defences...

Slowly, gently night unfurls its splendour...
Grasp it, sense it - tremulous and tender...
Turn your face away from the garish light of day,
turn your thoughts away from cold, unfeeling light
and listen to the music of the night...

Close your eyes and surrender to your darkest dreams!
Purge your thoughts of the life you knew before!
Close your eyes, let your spirit start to soar!
And you'll live as you've never lived before...

Toca o macaquinho de corda a sua música triste e lembramos, imediatamente, a solidão daquela alma abandonada às atracções do circo, à humilhação da troça e do riso. O Filho do Diabo, vendiam-no. Condenado a uma existência fantasmagórica, o rapaz refugiou-se nos labirínticos e misteriosos calabouços do teatro parisiense, entre ratos, teias e esgotos. Cresceu um génio: um compositor, um arquitecto, um ilusionista, um louco. Anos mais tarde, o Fantasma (Gerard Butler) foi o mestre de Christine (Emmy Rossum), desde os tempos em que pequena ficou órfã e entregue à trupe residente de artistas. Ao escutar-lhe a voz paternal, Christine sempre o imaginou como um guia ou como a alma do pai, que jamais a teria abandonado.

Your/My spirit and my/your voice in one combined
The Phantom of the Opera is there...
Inside my/your mind...

A escuridão do Inferno alimentou um homem autoritário e caprichoso, possessivo e obsessivo nas suas ilusões de amor. A sua paixão por Christine não é igualmente correspondida e quando surge o novo patron da Opera, o jovem e atraente Vicomte Raoul de Chagny (Patrick Wilson), formula-se um triângulo amoroso que poderá conduzir o destino do teatro às mais trágicas consequências.

Past the point of no return
No going back now.

Pouco faltou para eternizar este O Fantasma da Ópera, de um candor mágico e profundamente romântico, como um verdadeiro e triunfal clássico absoluto, dizia inicialmente. Nem me refiro tanto à realização (é claro que um Scorsese na realização, por exemplo, faria toda a diferença). Penso que Joel Schumacher, intimamente aliado à visão de Lloyd Webber, esteve à altura do seu papel. Há sequências extremamente bem filmadas e conseguidas, como aquela primeira transição do preto e branco para a cor, em que o grandioso lustre retorna ao etéreo tecto do teatro e voltamos à fascinante Opera Populaire de 1870, ou aquela sonante e emocionante Music of the Night sobre o nevado telhado do edifício, antecedendo o primeiro beijo, ou aquele extraordinário e dourado Baile de Máscaras, que enche o olho e o ecrã de exuberância e espectáculo, ou mesmo aquele lirismo gótico da cena no cemitério.

Refiro-me, claro está, às escolhas do elenco. Para um musical funcionar em pleno, no apogeu da sua graça, não basta saber cantar lindamente. É preciso saber representar, por forma a conferir força, emotividade e, quando muito, autenticidade à narrativa. Neste O Fantasma da Ópera acontece que temos, numa mão, um elenco secundário extremamente convincente e apaixonante (Miranda Richardson, eterna conhecedora dos segredos do fantasma, Ciarán Hinds e Simon Callow, como a nova dupla de proprietários do teatro, Kevin McNally como técnico alcoolizado e sobretudo a inesquecível Minnie Driver como a hilariante e tempestiva prima dona La Carlotta; curiosamente, a única que não cantou verdadeiramente no filme) e, noutra, um elenco principal impensável: Patrick Wilson não está brilhante, mas ainda assim representa, agora Gerard Butler e Emmy Rossum... Emmy Rossum, quando canta, esquece-se de representar, simplesmente. Pedia-se mais do que uma voz e de que um rosto angelicais. E Butler pouco mais ou menos, rasgando as melodias com agressividade, perturbando a sublime harmonia das composições de Webber. Que escolhas lamentáveis, que pena. Tivesse o casting encontrado o casal ideal e que extraordinário filme teria sido este O Fantasma da Ópera. Ainda assim, que musical deslumbrante.

Masquerade... paper faces on parade. Masquerade...

hide your face, so the world will never find you...

9 comentários:

  1. É mesmo um belo filme.

    Acredito que realmente erraram nas escolhas do triângulo amoroso. Não sei exatamente quem traz o elemento estranho para o trio, mas algo não funciona. Não é orgânico.

    Uma pena.
    Mesmo assim, um filme lindo de um músical eterno.

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  2. Interessante o teu comentário. Lembro-me de, na época, alguém comentar que tinha sido um erro lamentável terem-se esquecido da actriz principal nas nomeações para os óscares. Mas realmente o trio não está muito orgânico, falha ali qualquer coisa

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  3. TRIANA: Sim, belíssimo. Quanto ao trio, falhou Rossum e Butler. Representam tão pouco!

    CLÁUDIA GAMEIRO: Da actriz principal para os Óscares? ;D Para os Óscares ou para os Razzies? ;D Quem é que disse uma coisa dessas...

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  4. É bom e tal, mas poderia ter sido bem mais. Pena que o diretor seja tão irregular.

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  5. WALLY: Lá nisso tens razão, Schumacher é irregular e raras vezes muito mais do que competente, na minha opinião.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  6. Musicalmente e tecnicamente arrebatador. Mas o diretor é medíocre e consegue limitar o material.

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  7. WALLY: Não sei se será propriamente medíocre, mas lá que o limitou, sem dúvida. Assim como a representação dos protagonistas.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD – A Estrada do Cinema «

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  8. Eu enfim, não sou nem pouco mais ou menos entendida nestas matérias, sou só uma apaixonada pelo cinema, mas eu amei este filme, óbvio que não merece nem pouco mais ou menos uma nota altissima, mas daria um 7 em 10.
    Não creio que Rossum realmente fosse muito bem escolhida, mas gostei da agressividade de Butler como Fantasma - para te ser sincera gostei muito menos do Patrick Wilson, que não me convenceu nem um pouco.
    A banda sonora como é óbvio é mesmo muitissimo boa.
    Ainda em relação aos actores, na altura surpreendi-me com Driver, que está magnifica como prima dona ;)
    Beijocas

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  9. Eu achei o filme perfeito,a escolha do elenco,o figurino, a voz dos atores, tudo absolutamente perfeito!

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CINEROAD ©2016 de Roberto Simões