quinta-feira, 9 de setembro de 2010

TRÓIA de Wolfgang Petersen, segundo Rui Francisco Pereira

Agradecimento Especial:
Rui Francisco Pereira, Cinemajb

Aquele que poderia ter sido um épico inesquecível, falha redondamente na realização e no argumento. Falha no seu núcleo, falha na sua génese. E esta falha contamina todo o filme, como se de um vírus se tratasse, arruinando-o por completo. Wolfgang Petersen mostra falta de visão e óbvia incompetência atrás das câmaras, recorrendo e incorrendo em erros como o uso abusivo e descabido de zoom-in e slow-motion, planos absolutamente banais e até total falta de orientação nas batalhas.

O argumento de David Benioff iguala o nível de miserabilidade, começando por deturpar e manipular a história original, adaptando-a a um formato mais fácil e pseudo-dramático, com diálogos banais e pouco fluídos. A cereja no topo do bolo é mesmo o ridículo visual de Aquilles. Interpretado por um grande actor como Brad Pitt e... transformado num ídolo das adolescentes. Cabelos oleosos e puxados para trás, pele bronzeada, músculos definidos, peito sem pêlos... E com isto, Tróia perde definitivamente toda a sua credibilidade.

Brad Pitt, com tudo isto, cai no ridículo e traz-nos uma das piores interpretações da sua carreira. Quanto ao restante elenco, é, quase todo, igualmente aniquilado pela dupla Petersen-Benioff. Salvam-se Eric Bana, Brian Cox e Sean Bean.Os restantes valores de produção são, como seria de esperar para o orçamento em questão, de luxo.

Era com a Versão de Realizador que Wolfgang Petersen tinha a oportunidade para provar que o desastre não tinha sido culpa sua. Mas o que Petersen alcançou nesta sua segunda oportunidade foi o que se esperaria de um tarefeiro: um filme ligeiramente melhor. Os trinta minutos que Petersen adiciona a esta nova versão, não têm importância suficiente que justifique a sua inclusão. O filme em si ganha alguma riqueza, sem dúvida, mas a Wolfgang Petersen falta mesmo contenção. Note-se, por exemplo, a adição e maior explicitação das cenas de nudez e de cariz sexual. Mas haveria mesmo necessidade? Foi este o motivo do insucesso do filme? A não aparição dos seios de Diane Kruger? Por favor…

Tróia é, muito lamentavelmente e em qualquer versão, um falhanço.

12 comentários:

  1. Gostei muito do Eric Bana e da sua interpretaçãod e Heitor. é verdade que é um Heitor diferente do da Ilíada, mas isso não importa criou-se um grande personagem aqui.

    de resto o filme é dispensável.

    ResponderEliminar
  2. Eu acho sempre interessante estas abordagens em filme de histórias clássicas mas onde se lhes retira algo de importância e assim ver como desenvolvem na mesma o assunto em si. Aqui retiraram da Ilíada a parte dos deuses fazendo com que estes não participem, confinando apenas a presença do semi-deus. Eu gostei porque... talvez tenha gostos estragados. Até o tenho em DVD edição 2 discos (foi daquelas alturas em que se aproveitava as promos semanais da Blockbuster) e depois do que o Rui "JB" Pereira diz acerca da segunda versão de realizador fiquei triste. Faltam as tits da Kruger na minha edição, pá!!! Só de imaginar isso justifica um pouco mais a edição Dir.Cut... tenho de apanhar um DVDrip disto...eh, eh, eh!
    Contudo, ela é para mim a única coisa que não justifica a orientação da narrativa para a guerra sobre Troia. Tanta gaja melhor e fazer-se uma guerra por esta gajita? Eles bem que poderiam ter ido a Troia a raptar umas mais jeitosas em troca. Ora bem... depois o filme ficaria um Troy XXX...

    Xiii... que comentário tão foleiro fui deixar (a tecla delete não está a funcionar no momento). Roberto Simões, sorry!

    ResponderEliminar
  3. Por acaso não desgosto deste Tróia, muito embora tenho erros crassos e algo incompreensíveis. Acho que é acima de tudo bom entretenimento. A mim para esses efeitos está óptimo. É claro que na altura que o vi, não tinha a destreza e o conhecimento que tenho hoje, contentava-me com pouco e passavam-me os erros argumentativos ou de realização um pouco ao lado.

    E a ver bem, na minha opinião, é muito competente na fotografia, na reconstituição histórica, na cenografia e nas coreografias. As batalhas estão bem feitas, talvez precisavam de um pouco mais de inspiração. Mas enfim, tecnicamente competente, com interpretações conseguidas (sobretudo Eric Bana), e realização sem falhas consideráveis.

    Um bom filme, que poderei desconsiderá-lo mais com uma revisão recente apesar de tudo, segundo o que leio.

    abraço

    ResponderEliminar
  4. Obrigado pela publicação ;)

    Pensei que ias fazer uma crítica ao filme.

    Abraço

    ResponderEliminar
  5. Não me pareceu um filme mau de todo, até gostei de ver. Mas concordo que o filme abdica de alguma qualidade em prol do superherói, o "ídolo dos adolescentes".

    ResponderEliminar
  6. Arm,

    LOOOOL, já o disse antes: como cinéfilo desagradou-me, mas como homem, a DC é bem positiva nesse aspecto.
    E desculpa lá, mas a Diane Kruger é um mulherão. Pelo menos no Troy está muito bem aproveitada.


    Jorge,

    É evidente que o filme serve o entretenimento, mas não se pedia tão mais do que isso? ;)

    Eu quando o vi pela primeira vez, percebi logo que estava alguma coisa mal, mas não consegui sintetizar os defeitos.

    Apenas terei de discordar mesmo em relação à realização: desastrosa! :D


    Cumprimentos a todos ;)

    ResponderEliminar
  7. LOOT: Bana está bem, mas nem por isso a consigo destacar por aí além. O filme é praticamente dispensável, sim. Fica o desejo de uma boa adaptação da ILÍADA.

    ARM PAULO FERREIRA: Eu também podia ter eliminado o comentário, mas aconteceu-me a mesma avaria ;D Como disse no comentário anterior, fica o desejo de uma boa adaptação futura para a ILÍADA. Isto que aqui tivemos foi um esboço livre, muito livre.

    JORGE: Na reconstituição histórica? Neste caso não me fiaria muito nessa "reconstituição histórica"! ;D Sim, o filme é competente numa ou noutra coisa, assegura algum entretenimento, mas para quem conhece a ILÍADA, quem conhece o orçamento que eles tiveram e o elenco que eles tiveram, não há como não esperar mais. A começar, porventura, pela realização. Deviam ter posto outro homem à frente do projecto. E o argumento devia ser outro, claramente.

    JACKIE BROWN: De nada, obrigado eu. Inicialmente era para fazer a crítica, depois para tecer umas breves considerações e acabei por não escrever nada sobre o filme. Em vez disso, optei pel'OS DEZ MANDAMENTOS de Cecil B. DeMille. E acredita que valeu bem mais a pena ;) Mas também ficou o teu texto, e por meio dele o filme marcou presença nesta maratona de épicos, decorrida em Setembro de 2010.

    LUÍS: Vamos lá ver uma coisa, mau, mau também não é. Tem alguns consideráveis valores de produção.

    Já agora, para que conste: a minha classificação ao filme é RAZOÁVEL (***).

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

    ResponderEliminar
  8. Roberto este filme adapta mais que a íliada pois adapta a guerra toda que durou 10 anos enquanto a Ilíada aborda apenas 2 semanas da mesma.

    Claro que no filme estes 10 anos pareceram 10 dias :S

    ResponderEliminar
  9. Pois não conheço a ILÍADA. Mas para mim e na altura em que o vi os cenários foram credíveis.
    Tenho mesmo de o rever, não me pareceu assim tão mau.

    abraço

    ResponderEliminar
  10. LOOT: A ILÍADA aborda mais de 50 dias do último ano da longa guerra entre gregos e troianos, não são apenas 2 semanas. E, sejamos claros, TRÓIA não aborda 10 anos de guerra. O confronto de TRÓIA não leva o tempo necessário, sequer, para as personagens envelhecerem minimamente.

    JORGE: Mas se calhar devias ;) Recomendo-te vivamente: a tradução do professor Frederico Lourenço é das melhores coisas que, literariamente falando, te poderão alguma vez passar diante dos olhos.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

    ResponderEliminar
  11. Não sei ao certo os dias que são, até acho que não diz especificamente, mas são algumas semanas em comparação com 10 anos, ou seja, muito pouco. O filme aborda o início e o fim da guerra, no filme podem não se ter passado 10 anos mas aborda mais que a história do livro e era apenas isso que queria dizer que o filme não se trata apenas de uma adaptação da Ilíada vai buscar a parte do cavalo de tróia e a morte de aquiles.

    Já a ilíada refere-se apenas à parte sobre a Ira de Aquiles

    ResponderEliminar
  12. LOOT: Eu sei, sei. Estudei a obra na faculdade. É uma das minhas obras literárias favoritas.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

    ResponderEliminar

Comente e participe. O seu testemunho enriquece este encontro de opiniões.

Volte sempre e confira as respostas dadas aos seus comentários.

Obrigado.

CINEROAD ©2017 de Roberto Simões