terça-feira, 7 de setembro de 2010

ROBIN HOOD de Ridley Scott, segundo Tiago Ramos

Agradecimento Especial:
Tiago Ramos, Split Screen

Aquilo que Ridley Scott nos traz, apesar da ideia interessante, não é mais que um épico frouxo e morno, vítima de uma certa falta de ambição em tornar o projecto potencialmente mais aliciante.

Robin Hood poderia ser a prequela bem sucedida de um dos mitos mais conhecidos de sempre. Este Robin dos Bosques, este guerreiro encapuçado que conhecemos, não é ainda o herói dos mais desfavorecidos, que rouba aos ricos para dar aos pobres. Não é ainda o mito que o tornou popular. É apenas um guerreiro, regressado das Cruzadas, ansioso por descobrir as suas origens e com alguns dos tiques de justiceiro. Ridley Scott abandona as ideias em focar o filme em Nottingham e no domínio do seu xerife e volta as suas atenções para o óbvio: a origem de Robin Hood. Por consequência temos um argumento desinteressante em grande parte do tempo e descurando as personagens secundárias, como Ricardo Coração de Leão e outras. Russel Crowe não tem o carisma necessário para interpretar tal personagem, actua em piloto automático grande parte do tempo e nem a forma física abona a seu favor. Por outro lado, temos uma Cate Blanchett a interpretar uma das personagens mais interessantes e melhor compostas do filme: Lady Marion. A que conhecemos aqui é uma mulher corajosa, feminista, autónoma e independente. É ela que segura grande parte do filme e é precisamente quando se foca nesta personagem que o épico atinge novos contornos. Max von Sydow e Mark Strong complementam o elenco com os seus desempenhos competentes. Robin Hood cumpre a sua função. A reconstituição histórica, desde o guarda-roupa, aos cenários, ao som e à fotografia, atinge um grande nível de competência que lhe poderá garantir algumas nomeações (quem sabe prémios), na próxima temporada. Porém, como ponto negativo existem algumas soluções questionáveis como a contextualização história inicial, altamente cliché, evocando a época medieval, bem como o uso dos close-ups e slow-motions.

Robin Hood apenas não é a desgraça que poderíamos pensar, porque cumpre a sua função de blockbuster de entretenimento e que certamente irá agradar às massas. Mas da ideia e de Ridley Scott esperava-se mais. Muito mais.

7 comentários:

  1. Gostei da abordagem, bem feita. Concordo em quase tudo, e talvez encontre, com essas qualidades técnicas bem acima da média, mais razões para gostar da película do que a maioria. Um produto agradável acima de tudo.

    abraço

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  2. Identifico-me mais com a visão do Tiago do que com a tua, Roberto.

    Foi uma decepção este filme e o único de Scott que não considero, pelo menos, um bom filme.

    Abraço

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  3. JORGE: Também concordo com praticamente a totalidade do texto do Tiago Ramos. Só não percebo qual a intenção de chamar a este filme de Robin Hood ou, vá, de fazer um épico sobre a personagem. É que o filme de Robin Hood tem pouco. É forçado. A não ser que hajam sequelas por aí à vista, mas não me cheira.

    JACKIE BROWN: Eu próprio admito que poderá ser dos filmes inferiores de Scott. Ainda assim, vejo nele um filme acima da média, pelo que não lhe poderei atribuir 3 estrelas. E às vezes, curadas as decepções, olhamos para os filmes com um novo olhar. Talvez venhas um dia a mudar a tua drástica opinião a propósito do filme.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  4. Por acaso não me causa tanta impressão o nome do filme. É verdade que tem pouco da lenda conhecida do famoso Robin dos Bosques. Mas eu vejo-o como um prequela ou um Robin Hood Begins, à semelhença de um Batman de Nolan que lhe dá um sentido mais realista, mais humano, que foge um pouco ao mito. Há outros exemplos na história do cinema a fazerem o mesmo.

    É uma liberdade que existe, e que a ser bem feita não me parece mal. Ainda que compreenda quem lhe pareça. E a mim até me cheira a mais Robins para o futuro...mas destas coisas nunca ninguém poderá ter certezas.

    abraço

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  5. JORGE: A mim ficou-me mais a ideia que o que Ridley Scott queria, era fazer um épico e que por acaso recriar Robin Hood lhe soou bem.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  6. Pois não fiquei com essa sensação. Se foi essa a ideia de Scott, então estou mesmo de acordo contigo e com o Tiago - não tem cabimento a readaptação, como acabou por ficar.

    abraço

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  7. A ideia inicial era até fazer um épico sobre o Xerife de Nottingham. O filme era para se chamar "Nottingham"... depois assim à última mudaram tudo!

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