sábado, 11 de setembro de 2010

OS NIBELUNGOS de Fritz Lang, segundo João Palhares

Agradecimento Especial:
João Palhares, Cine Resort

Fritz Lang e Thea von Harbou adaptaram a lenda dos Nibelungos, nos anos 20, para o grande ecrã. Lang com este díptico (já antes tinha feito Die Spinen e fez depois, o épico indiano), afirmou-se como o maior artesão do épico.

O filme demorou dois anos a ser finalizado e reflecte toda um rigor formal e temático, com tanto de épico como interior. É dividido em duas partes (A Morte de Siegfried e A Vingança de Kriemhild) e descreve, segundo Lang, quatro mundos, com diferentes condutas e ideais. Ora é o contraste entre estas duas partes e estes quatro mundos que motiva Lang e o permite trabalhar as escalas dos planos e fazer a transição do grande para o pequeno e do distante para o próximo, do épico para o mais íntimo, das massas para as personagens. O contraste permite-lhe, também, tecer considerações sobre a Alemanha sua contemporânea, uma Alemanha dividida e nas vésperas da subida e notoriedade do partido nazi. É, sim, um hino nacionalista (largamente financiado pela UFA), mas com uma ideologia e uma crença que só podiam ser de quem se preocupava social e politicamente, e Lang foi dos maiores sociólogos cinematográficos.

De resto, estão aqui os temas da aproximação do Mal e da sua propagação, como ente invisível, aqui culpa do mais nobre sentimento humano, o Amor. O de Kriemhild por Siegfried...

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