terça-feira, 7 de setembro de 2010

ROBIN HOOD (2010)

PONTUAÇÃO: BOM
★★★★
Título Original: Robin Hood
Realização: Ridley Scott
Principais Actores: Russell Crowe, Cate Blanchett, Mark Strong, William Hurt, Eileen Atkins, Kevin Durand, Scott Grimes, Max von Sydow, Matthew Macfadyen, Oscar Isaac, Mark Addy, Danny Huston

Crítica:

ATÉ QUE OS CORDEIROS
SE TORNEM LEÕES


Ninguém faz um épico como Ridley Scott. Vibrante, poético, estrondoso, visualmente sofisticado e tecnicamente arrojado, visceral na sua acção, envolvente no seu romance e com uma sincronia meticulosa e singular entre som, imagem e música. Robin Hood é tudo isso. A glorificação de um herói lendário, na hora do seu nascimento, solidificada por elevadíssimos valores de produção, onde as visões clássica e moderna de concretizar o género se aliam vitalmente. Já antes acontecera o mesmo com Gladiador, ou ainda melhor com Reino dos Céus. Ninguém faz, pois, um épico como Ridley Scott.

Brian Helgeland formula as origens do eterno fora-da-lei que rouba aos ricos para dar aos pobres. Se Reino dos Céus nos deixara com a partida de Ricardo para as cruzadas de Jerusalém, Robin Hood principia com o seu retorno, num empreendedor e derradeiro confronto contra Filipe de França. Robin Longstride é um simples mas irreverente arqueiro inglês que, em pleno século XIII, integra as hordes do rei Coração de Leão, aquando da sua morte. Safa-se por um triz de um mortal embaraço a que entretanto se sujeitara e regressa a Inglaterra, como arauto do infortúnio da coroa, sob um disfarce de esperteza e uma identidade falsa e com uma espada que o conduzirá tanto ao seu passado como ao seu futuro. De volta a Nottingham, a sua terra natal, tantos anos depois da partida para a refrega, encontra uma realidade cheia de mulheres e de órfãos, fustigada pela pobreza e pelas terras bravas, envelhecida pelo adeus da esperança e corrompida pelos gananciosos interesses do poder. Que nem o filósofo, seu pai, Robin sonha com a igualdade e com a justiça para todos e entre todos. In England, every man's home is his castle. Se todos fossem reis do seu próprio castelo, que nem Coração de Leão fora, o mundo seria certamente mais justo e igual.

If you're building for the future, you need to keep your foundations strong, laws of the land enslave the people to a king who demands loyalty but offers nothing in return, I've been to the South of France, Palestine and back, you build a kingdom the same way you build a cathedral from the ground up!

Qual é a mensagem de Robin Hood, afinal? Nunca desistir. Rise, and rise again. Until lambs become lions. Uma e outra vez, sempre que a sombra dos poderosos escurecer o caminho da luz, a flecha soltar-se-á e reivindicará a liberdade, a igualdade e a justiça. É este o prenúncio da lenda e o prólogo da história do eterno fora-da-lei que rouba aos ricos para dar aos pobres.

Agora, uma breve sequência de perguntas e respostas que, na simplicidade e clareza com que se apresentam, marcam um legado de uma qualidade inquestionável e irrepreensível. Fotografia? John Mathieson. Montagem? Pietro Scalia. Cenografia? Arthur Max. Restante direcção artística? John Kingm, David Allday, Ray Chan, Karen Wakefield e Sonja Klaus. Guarda-roupa? Janty Yates. Banda sonora? Marc Streitenfeld, magnífico. Excelente som e efeitos sonoros, excepcionais efeitos especiais. O espantoso casting completa o filme: Russell Crowe, Cate Blanchett, Mark Strong, Max von Sydow, William Hurt, Danny Huston.

Concluindo, Robin Hood é um filme majestoso. Só não é um feito extraordinário, verdadeiramente extraordinário, porque a história não dá para mais e porque há, desse modo, lugares comuns absolutamente indesejados e resoluções dramatúrgicas pouco originais. Mas enfim, que não se pense que estes são factores decisivos para arruinar a obra. O filme em si mesmo é um projecto que se arquitectou sólido e suficientemente consistente, com rasgos de uma beleza inebriante.

16 comentários:

  1. Muito bem sintetizado e completamente de acordo:)

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  2. Tecnicamente é bastante bom. Nada a dizer tirando opções duvidosas como excesso de close-ups e slow-motion. Mas para mim, é um épico frouxo e morno, vítima de uma certa falta de ambição em tornar o projecto potencialmente mais aliciante. Dou-lhe 3*, inflaccionadas pela interpretação de Cate Blanchett. Russel Crowe não tem o carisma necessário para interpretar tal personagem, actua em piloto automático grande parte do tempo e nem a forma física abona a seu favor.

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  3. Eu ainda nao vi o filme, mas nao será uma espécie de sequela de "Gladiador"??

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  4. CLÁUDIA GAMEIRO: Obrigado ;) Ainda bem que gostaste e fico contente que estejamos, uma vez mais, de acordo.

    TIAGO RAMOS: Esses excessos a que te referes são marcas imprescindíveis na arte de Ridley Scott: acrescentam uma complexidade de leitura e uma sofisticação na arte de filmar que, quanto a mim, só enriquece a obra. Quantos aos restantes tópicos do teu comentário, estou genericamente de acordo. Mas é um bom filme, quanto a mim.

    JOÃO BASTOS: Porque haveria de ser? Porventura se passa em Roma? Isso é, quanto a mim, um preconceito tão ridículo como aqueloutro de estar constantemente a comparar AVATAR com POCAHONTAS. Não, não é sequela alguma. Evidentemente.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  5. Eu não vi o filme, mas compreendo as palavras do João.
    Não se tratando, obviamente, de uma sequela de Gladiador, não deixa de ser menos verdade que o visual evoca muito o Gladiador.

    E quanto à comparaçãao do Avaplágio com Pocahontas, parece-me muito válida if you ask me ;)

    Abraço

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  6. Não consigo ser tão optimista como tu. Embora o tenha considerado um filme competente na componente "entretenimento", é inevitável deparar-me com a frustração e a sensação de vazio que se apoderou de mim no término da fita. Não gostei do humor nem do argumento algo desequilibrado. Em momentos, a fita torna-se um pouco aborrecida. Parece-me, de facto, mais longa do que deveria ter sido.

    Realço, isso sim, a qualidade de Scott enquanto realizador e enquanto visionário. São poucos que conseguem oferecer imagens de tanta beleza num filme que se assume como um blockbuster. Gosto da versatilidade demosntrada pelo realizador mas não consigo deixar de pensar que o filme fica muito aquém do potencial. Ademais, a interpretação de Crowe parece-me um tanto ou quanto limitada. Fica a ideia e a possibilidade de melhorar aquele que certamente será um franchising.

    Abraço

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  7. FILIPE COUTINHO: Olha Filipe, vou ter de concordar com tudo o que dizes. Concordo com cada frase. Quanto ao argumento, quanto ao humor, quanto a Crowe e sobretudo quanto à realização. Só não consigo atribuir menos de um BOM a este novo filme de Ridley Scott.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  8. De acordo com a nota e a crítica em geral. Um bom filme com entretenimento e cunho o suficiente por parte do realizador que baste.

    Sendo de Ridley Scott não poderia desiludir na dinâmica, na câmara em movimento, assim como no conjunto com o som e a banda sonora. E não desiludiu mesmo, as paisagens e o ambiente estão lá, a atmosfera e a realização são competentes (com rasgos de extrema beleza), o que defraude mesmo é o argumento que não deu para mais, insuficiente e incapaz de desenvolver estruturalmente melhor o ritmo e a história, bem como algumas das suas personagens algo desaproveitadas.

    Senti-me no fim satisfeito mas triste com algumas falhas a meio.
    Enfim salve-se o realizador acima de tudo que não nos deixa sempre de nos primar com a sua arte...épica!

    abraço

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  9. JORGE: Subscrevo inteiramente, então ;)

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  10. De Robin Hood fica-me a ideia de que esta 'reconstrução' da lenda só podia ter um objectivo: o comercial. O que é uma pena, porque Ridley Scott é um valor mais que seguro.
    No entanto, este Robin que Crowe, pobremente, interpreta não é o Robin da lenda, e isso é o pior que podia haver: um protagonista deslocado, que pisa os lugares-(mais)-comuns deste subgénero de acção histórica. E, sendo assim, este herói podia ter qualquer outra identidade, porque o Robin Hood ele não é.
    Ainda assim, o filme cumpre as regras básicas para um filme entreter qualquer espectador, porque isso Scott sabe fazer como ninguém.
    Não discordo muito com a tua apreciação qualitativa, mas na classificação, ficar-me-ia pelo RAZOÁVEL.


    Abraço


    Gonçalo Lamas

    (Podes ler aqui a minha crítica: http://cineglam7.blogspot.com/2010/06/robin-hood-2010-critica.html)

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  11. GONÇALO LAMAS: Pois, não estamos muito em desacordo não. Aquele ROBIN HOOD nada tem a ver com ROBIN HOOD, pelo que o título do filme e a tentativa de renovar a história não faz muito sentido, não tem muito propósito.
    Ainda assim acho-o um filme acima da média, mais pelos valores de produção.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  12. Não vi nem pretendo ver tão cedo. E quanto a ninguém fazer épicos como o Scott...bem já sabes a minha opinião, prefiro dizer ninguém volta a fazer épicos como o Lean.

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  13. Eu diria ainda que é realmente o argumento que, em algumas sequências, nos desanima completamente. Quase se pode dizer que o trailer é melhor que o filme, uma vez que prometia imenso. E apesar de gostar do nosso amigo Russel, parece haver ali alguma desorientação quanto à melhor forma de lidar com a personagem. Da base que existe, conseguiu-se contudo criar um excelente trabalho.
    Isto mais uma vez para dizer que estou de acordo contigo...

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  14. ÁLVARO MARTINS: Prefiro REINO DOS CÉUS, por exemplo, a LAWRENCE DA ARÁBIA, apesar de gostar tanto do LAWRENCE. Do que vi, gosto muito mais de Ridley Scott.

    CLÁUDIA GAMEIRO: Estás de acordo comigo e eu dou-te razão também, quanto ao argumento.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  15. olha olha afinal o Ridley Scoot está mesmo a pensar na sequela a este Robin Hood. E não é propriamente de agora, os rumores já correm desde há uns meses, sendo até o próprio realizador a confirmar a intenção.

    Aqui: http://movies.ndtv.com/movie_story.aspx?from=bottomrelated&ID=ENTEN20100140105&Keyword=hollywood

    Como existirá noutros locais, fiz uma pesquisa rápida depois de ouvir o rumor. E a confirmar-se será bom, a meu ver dá mais sentido a este.

    abraço

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  16. JORGE: Pois rumores existiram bastantes, mas não sei. Pessoalmente, considero que uma sequela daria mais sentido a este primeiro (como bem disseste), mas ao mesmo tempo creio que um realizador com o talento de Ridley Scott deveria enveredar por outro tipo de coisas. Veremos se os rumores se confirmam, mas (pessoalmente) não creio.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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CINEROAD ©2017 de Roberto Simões