segunda-feira, 30 de agosto de 2010

ALEXANDRE, O GRANDE de Oliver Stone, segundo Rui Francisco Pereira

Agradecimento Especial:
Rui Francisco Pereira, Cinemajb

Alexandre… o Grande? Não. Alexandre, o frágil ou, se quisermos ser um pouco mais explícitos, Alexandre, o Chorão ou até mesmo Alexandre, o Homossexual. É este o Alexandre que Oliver Stone nos mostra. Stone que se fica, apenas e só, pelas nobres, muito nobres intenções. Alexandre, o Grande é um filme repleto de simbolismos, mensagens codificadas com várias camadas de complexidade. Stone teve a nobre intenção de querer retratar este homem nada vulgar, fazendo-o de forma igualmente invulgar mas também incorrecta.

O argumento preferiu focar-se nos dramas emocionais de Alexandre e nas intrigas políticas, não sendo capaz de sintetizar os eventos mais importantes a aprofundar o que merecia, presumivelmente, mais protagonismo. Oliver Stone prefere explicitar (e de que maneira) as cenas de cariz homossexual, ao invés de clarificar mortes, conspirações e sobretudo correlações entre factos. Uma série de escolhas mal feitas e uma evidente debilidade no estabelecimento de prioridades, por parte do realizador de “Um Domingo Qualquer”, ditam a sentença deste Alexandre, o Grande que, mesmo na sua exaustiva versão Revisited: The Final Cut (mais de 3 horas e meia de duração), diz tão pouco em determinados momentos e, por sua vez, mostra tanto noutros. É evidente que Stone nos proporciona alguns momentos magníficos, como é o caso da Batalha da Índia, que se trata de uma das melhores batalhas alguma vez filmadas em Cinema. A inversão de cores, na sua recta final, é especialmente bem conseguida. Momentos parcos em quantidade, mas abundantes em qualidade.

Ainda assim, a maior desilusão de Alexandre, o Grande é mesmo o elenco, com um Colin Farrell sem estofo a ser suportado por um leque de actores sem chama. Val Kilmer e Jared Leto constituem as excepções. A banda-sonora de Vangelis, também ela oscilante, encerra um filme grande demais… mas, ao mesmo tempo, tão, tão pequeno.

11 comentários:

  1. Bem referido no texto do "JB" acerca deste filme, o ponto que totalmente me desagradou (e acabou por me fazer não o ver mais): tem em demasia uma exagerada explicitação homossexual masculina, que chega a pontos de para mim ser desagradável e acho que o filme não precisava de ser assim (mas achei bem a ideia de ser representada a homossexualidade de Alexandre e dos que o rodeiam - por ser um facto histórico)
    Já vi montes de filmes focados na homossexualidade, que se auto-justificam e que conseguiam mesmo assim nos impelir a segui-los, por estarem bem contados (mesmo tendo cenas até "perturbadoras"). Mas este "Alexandre, o grande" não consigo gostar do todo assim. Tem batalhas magnificas, a recontituição da época é de referência, a filmagem e tudo o resto já por aqui referido... mas não o consigo ver.

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  2. Texto bem humorado, e em certa medida identifico-me com a desilusão. Agora, e no seu conjunto, não concordo, acha a visão de Stone muito realista, muito caracterizada, se quisermos. Alexandre é mostrado um homem, que chora e se comove é verdade, mas que detém a qualidade de líder, de visionário. Acaba às tantas por não ser compreendido pelas pessoas que o rodeiam. Não era fácil, e hoje comprova-se quão longe e revolucionária era a sua visão.
    Alexandre era um mito pelas suas façanhas mas antes disso, pelo seu espírito, pela sua vontade e pela sua aprendizagem que o levaram a tais feitos.

    Me parece que é bem feito neste aspecto, e em tantos outros que fazem deste filme uma obra colossal. É pena mesmo só aquela estruturação, que de facto arruína e afasta muitos espectadores que não viram para além disso.
    Pessoalmente reconheço que também me desiludi na primeira vez que o vi. Estava à espera de outra coisa, mais batalhas, mais vitórias, mais herói. Agora depois de mais algumas vezes visto, vejo outro filme, mais humano acima de tudo.

    abraço

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  3. ARM PAULO FERREIRA: Não sei a que te referes quando falas em cenas homossexuais explícitas. A coisa mais provocadora que aparece no filme, pelo que me lembro, são os seios excitadinhos de Rosario Dawson e olha que ela está na cama com o Colin Farrell, pelo que não entendo a que te referes. Explícita, a "explicitação homossexual masculina"? Não teremos visto o mesmo filme, certamente. Acho sinceramente que "te perturbas" com pouco.

    JORGE: Partilho, como sabes, da tua opinião; mas da tua do que propriamente da do Rui. Também me desiludi da primeira vez que o vi, lembro-me que o vi no cinema e que vi muitos amigos meus a engolirem em seco com muita da initimidade homoerótica do filme. Hoje, é um dos filmes que mais vezes vi, revi e estudei.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  4. Arm e Jorge,

    Obrigado pelas opiniões ;)


    Roberto,

    Obrigadão pelo convite, mais uma vez xD

    É um filme difícil este Alexandre. Já peguei nesta crítica e tripliquei, lá no blogue.
    Se tu não ma comentas! xD

    Mas fora de brincadeiras, é um filme que tem tanto de bom como de mau. Desconfio que vou gostar mais dele quando o vir outras vezes.
    Refiro-me a esta versão, evidentemente. Já chegaste a ver esta?

    Abraços ;)

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  5. JACKIE BROWN: De nada. Ainda não vi a REVISITED, deve estar a chegar-me pelo correio.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  6. Então não tem nada de gay em demasia?
    Ora bem, não é 100% explicito e nem nada de hard-core também mas têm conteúdo a mais do que era preciso mostrar.

    Não são os cumprimentos entre homens quando se apresentam (nisto está tudo bem)... mas sim vários momentos ao logo do filme, que Oliver Stone vai desfilando, tais como quando numa fase inicial mostra eles em numa sala (onde não entram mulheres) onde estão os ilustres importantes em orgias mas sem mulheres (get it? tem até a cena de vários gajos a segurar à força outro e depois a violarem-no).
    Em "Alexandre, o grande" o amor de Alexandre é em todo o filme por outro homem (Jared Leto), onde várias vezes se fazem vistosamente um ao outro (de 4 e tudo)... chegando Alexandre a trocar a mulher (a mais que boazona da Rosario Dawson - e bem vistosa neste épico) pelo amante (mas nisto Ok faz parte da história). Estou a relatar do que ainda me lembro de quando vi o filme (inteiro - e já regressou ao TVCine há uns tempos atrás mas desisti de o ver).
    Mas Roberto Simões... não fiquei ofendido pelo filme ter conteúdo gay (ainda há dias vi o Tropical Malady... e faz-me sorrir!). Acho sim que Stone insistiu no tema e sem dosear devidamente a sensibilidade que as imagens criam no espectador (nalguns).

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  7. ARM PAULO FERREIRA: Não, não há. Oliver Stone queria filmar o Homem, com as suas paixões, o que querias que houvesse? A mais? Não, não há.
    Compreendo que, eventualmente, te possa causar impressão, mas vamos lá ver... no BRAVEHEART também há uma cena de violação, se fosse entre dois homens, eu queria ver o que não diriam de BRAVEHEART! Há uma história de amor, há depois o relacionamento com a princesa, há beijos!!! Se fosse com dois homens eu queria ver o que diriam de BRAVEHEART! Maximus também beija NA BOCA Lucilla. Se fosse entre dois homens, o que não diriam de GLADIADOR! Hmmm... TRÓIA! É preciso continuar? Toda a história gira em torno da história de amor entre Paris e Helena! Há beijos e, na director's cut, mamocas! Se bem me recordo, a taradisse nos comentários do post de TRÓIA, segundo o Rui, foi notável! Nem uma vez, mas NEM UMA VEZ vi BRAVEHEART ser acusado de ter muitas cenas heterossexuais! Nem uma vez, mas NEM UMA VEZ vi GLADIADOR ser acusado de ter muitas cenas heterossexuais! Nem uma vez, mas NEM UMA VEZ vi TRÓIA ser acusado de ter muitas cenas heterossexuais! Não são cenas menos explícitas do que as que existem em ALEXANDRE. Há preconceito em demasia no teu comentário, que te cega e que te impede de te referires a ALEXANDRE com a devida neutralidade. Tu próprio afirmas que não consegues ver o filme por causa disso. Queres prova mais evidente?

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  8. Sim o filme desagrada-me pelo tom como é tratada esta faceta de Alexandre. Teria de ser tratada no filme, porque a esconder isso sim seria preconceito. Agora no meu entender faltou uma maior delicadeza no trato desta faceta, que até acho funcionar contra o filme.
    Compreendo perfeitamente a tua resposta e o tom em que a dás igualmente. Mas acho que inverter o ponto de vista como fazes nos exemplos que dás não têm sentido (no BraveHeart a violação serve as motivações do filme e no Alexander está lá para mero voyerismo e dar exemplos do que faziam nessas salas para se entreterem).
    Entende que também não aceito de bom grado atingires-me com isso de preconceituoso, há níveis e terei algum mas não tanto quanto pensas.

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  9. ARM PAULO FERREIRA: Mas não há voyerismo ou algo de gratuito, há a abordagem natural a uma sociedade e cultura pansexual. E, depois, o filme trata as relações de Alexandre. Voyeurismo? Essa tua sensação de voyeurismo desculpa, mas não a consigo justificar à luz de outra razão que não a de algum preconceito.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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  10. Roberto... fico por aqui mas isto será tema que dará origem a novos embates, que mais do que a orientação de cada um (que molda a aceitação ou não) também tem servido para o arremesso do preconceito do lado de lá da barricada. Há níveis ou escalas para os filmes, podendo atingir desde o mero erotismo ao soft-core e até mesmo o hard-core. No Alexander não se situa na vertente de momentaneo erotismo, pois passa disso e é feito gratuitamente sem ser preciso.
    Mas fico por aqui pois tudo o que for dito (motivado por talvez me exprimir não muito bem o que pretendo dizer)... originará a incorrer em disparates que esses sim quero evitar e... sem sucesso.
    Fico por aqui pois já falei demais do filme e nem queria...

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  11. ARM PAULO FERREIRA: Muito obrigado pelo teu testemunho!

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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