sábado, 17 de agosto de 2013

O DISCURSO DO REI (2010)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The King's Speech
Realização: Tom Hooper
Principais Actores: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter, Guy Pearce, Jennifer Ehle, Eve Best, Derek Jacobi, Timothy Spall, Anthony Andrews, Claire Bloom

Crítica:

O TRIUNFO DA VONTADE

I have a voice!

De uma sobriedade e requinte assinaláveis, O Discurso do Rei eleva-se como um drama-biopic excepcionalmente bem feito. É dotado de um virtuosismo clássico que cadencia e equilibra a construção narrativa (argumento de David Seidler). A excelência e inteligência dos diálogos, sempre temperada com humor nos momentos certos, é inequívoca e arrebata todas as melhores cenas do filme (sejam elas com palavrões ou não) - para as quais é fundamental e imprescindível, evidentemente, o magistral trabalho dos actores: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter... não falarão estes nomes por si só? São os melhores actores para os papéis, engenhosamente dirigidos entre a subtil, fluída e pensada realização de Tom Hooper.

O trabalho de fotografia, a cargo de Danny Cohen, sobressai de toda a produção, valorizando os cenários e a arte da mise-en-scène: note-se o meticuloso enquandramento dos actores sobre os fundos vastos, sejam paredes, tapeçarias ou nevoeiro. É como se, a todo o instante, fôssemos recordados da singularidade do homem perante a pluralidade do todo, do povo. Ao mesmo tempo, essa despida mise-en-scène faz realçar a solidão do homem, herdeiro do trono, afastado da realidade do homem comum por uma série de convenções e convencionalismos. A fotografia embeleza o filme e envolve-nos na atmosfera, na história. A acção passa-se maioritariamente em espaços interiores. O contexto sócio-político é importante, o histórico idem, mas o drama centra-se, lá está, no homem outrora vítima de bullying, na sua gaguez, na sua insegurança e fraca auto-estima e na sua persistente luta para superar o problema, sempre encorajado pela mulher (a futura rainha) e pelo insolente e provocador terapêuta (sem título ou diploma, mas experiente e de bom coração). Entre (sua majestade o rei) Bertie e Lionel nascerá a espontânea e verdadeira amizade sobre a qual se alicerçará todo o filme.

Um retrato pleno de sensibilidade e intimismo, que ecoa na frágeis composições de Alexandre Desplat. Marcadamente contido e refinado, tão ciente de bom gosto, é por isso também tão british.

And yet I am the seat of all authority. Why?
Because the nation believes that when I speak, I speak for them. But I can't speak.

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CINEROAD ©2016 de Roberto Simões