★★★★★
Título Original: The SouthernerRealização: Jean Renoir
Principais Actores: Zachary Scott, Betty Field, J. Carrol Naish, Beulah Bondi, Percy Kilbride, Charles Kemper, Blanche Yurka, Norman Lloyd, Estelle Taylor, Paul Harvey
A TRILOGIA DA ESSÊNCIA:
O TRABALHO, A TERRA E A FAMÍLIA
Grow your own crops.
The Southerner é sobre uma família pobre. Tal evidência reduz o filme, logo à partida, às suas questões verdadeiramente essenciais, como verdadeiramente essenciais são os valores do ser humano: a importância da inter-ajuda e da união (afinal, ninguém vence sozinho), do esforço e da persistência face às adversidades da vida, da fé e da convicção num futuro melhor para um futuro, efectivamente, melhor.
A história (talentosa adaptação do romance de George Sessions Perry, Hold Autumn in Your Hand) é tremendamente simples e eficaz na sua forma narrativa - sucedem-se episódios, impressões - desenvolvendo-se com uma fluidez notável e cimentada por personagens com as quais nos identificamos, nos envolvemos e pelas quais, em crescendo, torcemos. Inesquecível, a velha e hilariante matriarca (tão resmungona e insuportável: When ya all look down on my cold dead face, in that county pine box, you’ll be sorry then—maybe!), o incansável Sam (herói da mulher, dos filhos e de toda a família) ou o vizinho Devers (tão invejoso e hostil que só perante a pesca do Grande Peixe encontra a redenção).
Concluamos, portanto, que o argumento, à luz da palavra e pela representação calorosa dos actores, destila humanidade a cada colheita, a cada superação. Não obstante o seu tom moralista e a sua mensagem iminentemente política, é a preocupação maior com as pessoas (as mais desfavorecidas, neste caso os trabalhadores rurais) que prevalece, esse humanismo basilar que de forma tão franca e humilde faz a força motriz de The Southerner, o seu coração partilhado com o espectador; que nos faz ignorar, inclusivé e tão facilmente, qualquer imperfeição técnica, por mínima que seja, que aqui e ali se note.
Um olhar poético de Renoir capta a natureza, na sua graça e na sua ira, ao rigor das estações e na omnipresença de Deus. Só a aliança maior, entre todos os elementos, permite o triunfo. Na vida e no cinema. Um filme virtuoso, pois, sobre a miséria e a riqueza do espírito.
A história (talentosa adaptação do romance de George Sessions Perry, Hold Autumn in Your Hand) é tremendamente simples e eficaz na sua forma narrativa - sucedem-se episódios, impressões - desenvolvendo-se com uma fluidez notável e cimentada por personagens com as quais nos identificamos, nos envolvemos e pelas quais, em crescendo, torcemos. Inesquecível, a velha e hilariante matriarca (tão resmungona e insuportável: When ya all look down on my cold dead face, in that county pine box, you’ll be sorry then—maybe!), o incansável Sam (herói da mulher, dos filhos e de toda a família) ou o vizinho Devers (tão invejoso e hostil que só perante a pesca do Grande Peixe encontra a redenção).
Concluamos, portanto, que o argumento, à luz da palavra e pela representação calorosa dos actores, destila humanidade a cada colheita, a cada superação. Não obstante o seu tom moralista e a sua mensagem iminentemente política, é a preocupação maior com as pessoas (as mais desfavorecidas, neste caso os trabalhadores rurais) que prevalece, esse humanismo basilar que de forma tão franca e humilde faz a força motriz de The Southerner, o seu coração partilhado com o espectador; que nos faz ignorar, inclusivé e tão facilmente, qualquer imperfeição técnica, por mínima que seja, que aqui e ali se note.
Um olhar poético de Renoir capta a natureza, na sua graça e na sua ira, ao rigor das estações e na omnipresença de Deus. Só a aliança maior, entre todos os elementos, permite o triunfo. Na vida e no cinema. Um filme virtuoso, pois, sobre a miséria e a riqueza do espírito.
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