domingo, 5 de dezembro de 2010

BEN-HUR (1959)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Ben-Hur
Realização: William Wyler

Principais Actores: Charlton Heston, Jack Hawkins, Haya Harareet, Stephen Boyd, Hugh Griffith, Martha Scott, Cathy O'Donnell, Sam Jaffe, Finlay Currie, Frank Thring, Terence Longdon, George Relph, André Morell

Crítica:

O TOQUE DE DEUS


How do you fight an ideia?
With another idea.

Qual A Criação de Adão, que do tecto da Capela Sistina cintila como uma constelação, também em Ben-Hur se tocam a arte e a transcendência, capazes de fascinar o Homem eternamente. Karl Tunberg concebe, a partir do romance de Lew Wallace, o argumento de uma obra grandiloquente na escala e ínfima nos pormenores, arquitectada com toda a grandiosidade de uma mega-produção e magistralmente realizada por William Wyler. O maior épico de todos os tempos é, em todos os sentidos e sob todas as perspectivas, um prodigioso e inspirador triunfo da arte e da técnica cinematográfica.

In the Year of our Lord, Judea - for nearly a century - had lain under the mastery of Rome. In the seventh year of the reign of Augustus Caesar, an imperial decree ordered every Judean each to return to his place of birth to be counted and taxed. The converging ways of many of them led to the gates of their capital city, Jerusalem, the troubled heart of their land. The old city was dominated by the fortress of Antonia, the seat of Roman power, and by the great golden temple, the outward sign of an inward and imperishable faith. Even while they obeyed the will of Caesar, the people clung proudly to their ancient heritage, always remembering the promise of their prophets that one day there would be born among them a redeemer to bring them salvation and perfect freedom.
Balthasar

Vinte e seis anos depois do nascimento de Jesus, que acompanhámos a jeito de prólogo, o poder de Roma impõe-se sobre a Judeia, suscitando a revolta. Judah Ben-Hur (Charlton Heston), príncipe e comerciante muito rico, judeu, vive feliz numa casa abastada, com a mãe e a irmã, e com os escravos que para ele não são senão amigos. É um homem amistoso, bondoso, gentil, honesto e sábio. É um homem, acima de tudo, de consciência. Nutre um amor correspondido e muito especial para com Esther, que, no entanto, está noiva de um outro homem:

Judah Ben-Hur: If you were not a bride, I would kiss you goodbye.
Esther: If I were not a bride, there would be no goodbyes to be said.

Um dia, reencontra Messala (Stephen Boyd), um grande amigo de infância, agora tribuno entre as legiões romanas. O reencontro é deveras emocionante: muito foi aquilo que os uniu, em tempos, quando eram como irmãos inseparáveis.

It's an insane world, but in it there's one sanity, the loyalty of old friends. Judah, we must believe in one another.
Messala

Contudo, cada um seguiu as suas pisadas. Judah fortaleceu a sua identidade e defende o seu povo oprimido, crente em Deus e no messias que há-de vir. Messala cresceu entre os soldados romanos, sedento de riqueza, de poder e de glória, pleno de arrogância e defrontando todos os inimigos do império. Pertence agora a um mundo completamente diferente e incompatível:

Judah Ben-Hur: If I cannot persuade them, that does not mean I will help you... murder them. Besides, you must understand this, Messala. I believe in the past of my people, and in their future.
Messala: Future? You are a conquered people!
Judah Ben-Hur: You may conquer the land; you may slaughter the people. But that is not the end. We will rise again.
(...)
Messala: Be wise, Judah. It's a Roman world. If you want to live in it, you must become part of it... (...) It was fate that chose us to civilize the world - and we have. Our roads and our ships connect every corner of the earth, Roman law, architecture, literature and the glory of the human race.

Para Judah, Deus é Deus e os judeus deverão manter-se livres. Para Messala, Deus é o imperador e os judeus deverão submeter-se ao império.

Messala: Look to the West, Judah! Don't be a fool, look to Rome!
Judah Ben-Hur: I would rather be a fool than a traitor... or a killer!
Messala: I am a soldier!
Judah Ben-Hur: Yes! Who kills! For Rome! Rome is evil!
Messala: I warn you...
Judah Ben-Hur: No! I warn you! Rome is an affront to God! Rome is strangling my people and my country, the whole Earth! But not forever. I tell you the day Rome falls there will be a shout of freedom such as the world has never heard before!

A discussão intensifica-se, assolada pela diferença, até que se dá o inevitável:

Messala: You're either for me or against me! You have no other choice.
Judah Ben-Hur: If that is the choice, then I am against you.

A opção de ambos torna-se irreversível e as consequências da mesma revelar-se-ão profundamente trágicas.

Ben-Hur, a mãe e a irmã assistem ao desfile das tropas romanas da sua varanda quando, por culpa de um mero incidente, são acusados da tentativa de assassinato do governador da Judeia. São todos aprisionados, sem direito a julgamento, e o próprio Messala se assegura de que serão todos condenados. You're either for me or against me! Insurge-se o ódio, pelo sentimento de traição daquela amizade de anos. Ben-Hur ainda escapa da sela, enfrentando Messala e obrigando-o a libertar as duas mulheres... mas em vão. Acaba irremediavelmente preso, escravizado e condenado a uma vida de sofrimento, desconhecendo - de todo - o paradeiro da mãe e da irmã. May God grant me vengeance! I will pray that you live until I return!

A narrativa, depois, irrepreensivelmente fluída e dotada de uma intriga assaz envolvente, acompanha a tortuosa travessia no deserto, na qual Ben-Hur e os restantes prisioneiros, tornados escravos, seguem acorrentados, inteiramente desidratados e sequeosos. Uma vez, enfraquecido, Ben-Hur deixa-se cair sobre o chão da Nazaré, atordoado. Um transcendente e misterioso tema musical entra em cena, anunciando uma mão generosa e estendida. É Jesus, sabemo-lo, que lhe dá a beber a água renegada. À luz do contexto bíblico em que a própria obra nos insere, desde o início, depreendemos facilmente a identidade daquele vulto cuja voz ou rosto jamais conheceremos. Ainda que não fique a conhecer o nome do benfeitor, Judah ficar-lhe-á eternamente grato por tamanho gesto, numa hora tão difícil...

Segue-se uma cena extraordinária e ambiciosa, plena de efeitos especiais: a cena da batalha naval. Passados três anos, a viagem segue, em alto-mar, a bordo das galeras romanas. Duzentos escravos são levados à exaustão pela força braçal exigida para mover os enormes remos. São chicoteados, são obrigados a acompanhar o ritmo dos tambores às mais variadas velocidades. Battle speed!... Attack speed!... Ramming speed! A banda sonora de Miklós Rózsa, genial, coincide com cada batida, com cada andamento. Ben-Hur - o 41, como é chamado pelo general Quintus Arrius - é, porventura, o mais forte e destemido de todos os escravos. O general apercebe-se também que ele é um homem de muita fé. Sabe que ele é essencial para aquele barco, para a motivação dos companheiros. We keep you alive to serve this ship. Row well, and live. Quintus Arrius admira-o; é por isso que, na imediação do ataque, o manda libertar, para lhe dar uma hipótese de sobrevivência. 41, why did he do that? - interroga o remador 42. E o judeu responde: I don't know. Once before, a man helped me. I didn't know why then. Cresce, pois, o sentimento de que não está só, que Deus o acompanha. Com o naufrágio, que encerra a cena, Ben-Hur revela todo o seu carácter; se ainda dúvidas existissem: não só ajuda a libertar os colegas dos cadeados, antes de um aterrador adeus, como salva o general, retribuindo-lhe o gesto. Quando o oficial acorda, à deriva num dos destroços da embarcação, ainda tenta o suicídio, pensando que fora derrotado em combate. Ben-Hur impede-o da morte, uma vez mais:

Quintus Arrius: Why did you save me?
Judah Ben-Hur: Why did you have me un-chained?
Quintus Arrius: What is your name, 41?
Judah Ben-Hur: Judah Ben-Hur.
Quintus Arrius: Judah Ben-Hur. Let me die.
Judah Ben-Hur: We keep you alive to serve this ship. Row well, and live.

Por fim, são recolhidos por uma vela romana. Afinal, haviam vencido a refrega. Mal sabia o judeu que Quintus Arrius, a quem salvara a vida, era não só general do exército como cônsul do imperador. Chegados à capital do império, Quintus e Judah são recebidos como heróis pelas multidões. São recebidos, inclusivé, pelo imperador. Judah Ben-Hur é então congratulado pelo seu feito, torna-se auriga e herdeiro de Quintus e conhece Pôncio Pilatos, o próximo governador da Judeia. Contudo, com aquelas vestes romanas, desfilando por todos aqueles palacetes... não parecia mais o mesmo. Não fora tomado pela ganância, mas pesava-lhe na consciência uma contradição: o que fazia por ali um judeu, tornado romano... Sobretudo depois de tudo o que havia acontecido. A saudade da sua querida mãe, da sua querida irmã... A angústia de não saber se haviam falecido à escuridão dos calabouços ou sobrevivido às injustiças de Messala e da cúria romana... Tudo isso o consumia sem dó nem piedade.

É no intuito e na esperança de salvar as familiares que torna a África. No caminho cruza-se com o ancião Balthasar: a voz que nos introduzira na história, crente no messias, e que foi uma das pessoas que seguiu a estrela sagrada naquela noite fria: Pardon me - you are a stranger here. Would you be from Nazareth? Balthasar confunde-o com Jesus. I thought... you might be the one... the one I have come back from my country to find. He would be about your age. (...) When I find him, I shall know him. É por intermédio do velho que Ben-Hur conhece o Sheik Ilderim (Hugh Griffith, num desempenho hilariante e verdadeiramente brilhante), um comerciante árabe que trata os cavalos como filhos e que se lhe dirige, inquirindo: One God, that I can understand; but one wife? That is not civilized. (...) I've got six... no, seven. E Balthasar intervém, de imediato: I have counted eight, and that is because he is traveling. At home, he has more. Estes comic reliefs são importantíssimos para a digestão dramática, pois o que aí vem é doloroso e trágico. Quando Ilderim descobre que Ben-Hur foi auriga na Grande Arena, depressa o incita a tratar dos seus quatro cavalos brancos. O judeu não desgosta da ideia, mas primeiro está a sua missão: regressar à Judeia. I hope to see you again, Judah Ben-Hur, despede-se o árabe.

Chegado a casa, finalmente, nada mais lhe parece igual. Judah reencontra Esther, solteira, e a possibilidade do amor, mas nunca mais se soube nada da mãe ou da irmã. O pai de Esther alerta-o para a eventualidade de estarem mortas, para lhe reduzir as esperanças e, desse modo, atenuar-lhe o sofrimento. Mas Ben-Hur não se resigna.

O destino traçou-lhe um caminho bem penoso. Aquele que parecia inicialmente um caminho para Deus, transformou-se numa odisseia de ódio e de vingança. Ben-Hur está decidido a enfrentar Messala de uma vez por todas, desafiando a sua própria vida se necessário, na esperança cada vez mais obsessiva de reencontrar a mãe e a irmã.

Messala: By what magic do you bear the name of a Consul of Rome?
Judah Ben-Hur: You were the magician, Messala. When my ship was sunk, I saved the Consul's life. (...) Find them, Messala. Restore them to me and I'll forget what I vowed with every stroke of that oar you chained me to!
Quando os enviados de Messala procuram nos registos dos calabouços pelas familiares de Ben-Hur, deparam-se com as duas ainda vivas, mas doentes, e libertam-nas. As duas correm sorrateiramente até casa e apresentam-se, a custo, a Esther. Perguntam por Judah, procurando reconforto, mas não pretendem que ele as torne a ver naquele estado. Por isso, pedem a Esther que diga ao amado que as duas morreram. Quando Ben-Hur conhece a terrível mentira, fica cego pelo ódio. O espectro da tragédia clássica e até mesmo da tragédia shakespeariana ecoa, então, pelo argumento.


Um espectáculo sem precedentes tem lugar, logo após o interlúdio. Magnificente, colossal, absolutamente excitante em toda a sua acção e adrenalina. Refiro-me, claro está, à já mítica cena da Corrida de Quadrigas, com Ben-Hur e Messala como principais aurigas. O primeiro com os brancos corséis de Ilderim. O segundo com impetuosos cavalos negros e com um tão engenhoso quanto perigoso carro grego. O confronto é avassalador e fatal. Os cenários da Grande Arena são intermináveis, de um design sofisticadíssimo e preenchidos por dezenas de milhares de figurantes e por estátuas gigantescas e imponentes. O trabalho de guarda-roupa e de direcção artística é monumental. A fotografia de Robert Surtees é completamente deslumbrante, as pinturas de mate compõem muito bem os fundos e a imagem de 70mm amplia o espectáculo a uma escala impressionante. A montagem (John D. Dunning, Ralph E. Winters e Margaret Booth) é incrível, a técnica de filmar as perseguições é voraz e a elegância e a nobreza dos equídeos é sobejamente enaltecida. Enfim, que feito memorável... Espantoso! Para o vencedor, no momento da glória, a coroa de louros e a aclamação das multidões.

Messala: Triumph complete, Judah. The race won. The enemy destroyed.
Judah Ben-Hur: I see no enemy.
Messala: What do you think you see? The smashed body of a wretched animal! Is enough of a man still left here for you to hate? Let me help you...You think they're dead. Your mother and sister. Dead. And the race over. It isn't over, Judah. They're not dead.
Judah Ben-Hur: Where are they? Where are they? Where are they?
Messala: Look for them in the Valley of the Lepers, if you can recognize them! It goes on. It goes on, Judah. The race, the race is not over.

Espiritualmente de rastos, Judah resigna à cidadania romana, que entretanto auferira, corta com toda essa vida fora da Judeia e tenta reencontrar-se a si próprio. Que papel de uma vida, este de Charton Heston. Que performance genuinamente assombrosa.

De regresso a casa, seco por dentro, confronta Esther:


Judah Ben-Hur: Why did you tell me they were dead?
Esther: It was what they wanted. Judah, you must not betray this faith. (...) Judah, love them in the way they most need to be loved: not to look at them! (...) It will tear them apart if they see you!

Apesar da alegria de o tornar a ver, Esther não encontra mais o mesmo homem:

It was Judah Ben-Hur I loved. What has become of him? You seem to be now the very thing you set out to destroy, giving evil for evil! Hatred is turning you to stone. It is as though you had become Messala! I've lost you, Judah.

Entretanto, já todos na Judeia tinham ouvido falar de Jesus. Diziam-no o filho de Deus, o Rei dos Judeus, o messias prometido, o milagreiro. Ben-Hur recusara, certo dia, juntar-se a Esther e a Balthasar, que entretanto reencontrara entre as suas gentes, no famoso sermão da montanha. Mas agora, era o momento de se entregar à fé. Desloca-se ao Vale dos Leprosos, com Esther, resgata ambas as mulheres e leva-as à cidade, na esperança da salvação, onde - inesperadamente - decorre o julgamento de Jesus sob a direcção de Pôncio Pilatos. As últimas cenas de Ben-Hur fecham o círculo bíblico em que a obra se inscrevera, resconstituindo os fatídicos episódios das últimas horas do messias até à crucificação. E até esse final sublime, de milagre e de perdão - Father, forgive them for they know not what they do -, a realização de William Wyler mantém toda a sua mestria e majestade, com incrível graciosidade no movimento de câmera. Acção, romance, drama, tragédia, comédia... todos os géneros se aliam perfeitamente numa experiência ímpar.

Veredicto? Um autêntico pedaço do éter. Uma das maravilhas maiores da História do Cinema. Um dos melhores filmes de sempre.

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Nota especial para a excelência da remasterização.
Um restauto impecável.

19 comentários:

  1. Um grande filme e uma grande história, inspiradora, profunda e comovente. Por acaso já conhecia a história antes de ver o filme (li uma versão algo reduzida e resumida em tempo), e já tinha também visto algumas cenas na televisão, antes de ver a obra na sua totalidade recentemente.

    O meu veredicto? não será tão entusiasta quanto o teu, mas é inevitável, é indiscutível que estamos perante um feito astronómico e intemporal. Uma produção que se revela completa, equilibrada, emocionante e extremamente articulada no som com a imagem. Um trabalho na fotografia, direcção de arte, montagem, etc, todo ele impecável. Assim como a banda sonora e as interpretações. A realização é um primor clássico. Depois o argumento também é muito bom, fluido como dizes, e bem ao meu gosto quanto à história e à época. Se bem que os tempos eram outros e a narrativa revela-se lenta, e não é fácil adorar este registo. Gosto mas não venero. E acima de tudo reconheço.

    abraço

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  2. É o épico dos épicos, o meu filme favorito dentro deste género e uma das obras que ocupa lugar no top 100 da minha vida.

    "Uma das maravilhas maiores da História do Cinema." Não poderia concordar mais!

    Cumps cinéfilos.

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  3. JORGE: Parece que estamos geralmente de acordo, só não concordamos no que se refere à narrativa - não sei se será lenta; é longa, isso sim. Poderá ser lenta, mas está tão perfeitamente construída que não a imagino de outra forma. É absolutamente irrepreensível. É claro, pois, que partilho um entusiasmo bem superior ao teu. O filme ascendeu imediatamente ao top máximo dos meus filmes favoritos.

    SAM: É, inevitavelmente, um dos meus épicos preferidos. É um feito colossal, com uma trama profundamente trágica e apaixonante, e com um sentido de espectacularidade genial. Rendi-me totalmente aos elevadíssimos méritos da obra.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  4. Preciso dizer algo mais ?
    Este filme é incrível, quebra barreiras e paradigmas (sempre quis dizer isso..) e se torna único. Uma história forte e envolvente em uma época difícil e o filme é realizado em uma época difícil, contém cenas lindas e inimaginaveis como a da corrida por exemplo.
    Enfim, para mim este é o grande épico! xD

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  5. Uma das obras-primas do cinema americano. E pensar que a tosqueira do Titanic tem o mesmo número de Oscars dessa obra-prima!

    Cultura na web:
    http://culturaexmachina.blogspot.com

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  6. Mais um épico que nunca vi (gosto muito do género, mas conheço poucos). O teu texto está fenomenal - claro, sincero, completo, fundamentado.

    Vê-lo-ei, com certeza.

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  7. ALAN RASPANTE: Sim, "o" grande épico, com o qual muitos poucos poderão rivalizar. Concordo com a sua perspectiva, partilho dela, aliás.

    PSEUDO-AUTOR: Sem dúvida. Quanto à sua segunda afirmação, isso já é outra conversa.

    DIOGO F: Obrigado ;) Vê, é uma obra imperdível e magnífica, magnífica, magnífica. Também gosto do género, é um dos meus predilectos.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  8. O que mais aprecio do filme, embora tudo seja assinalável dada a qualidade do conjunto, é a história de Ben-Hur se entrelaçar, se equiparar, e se harmonizar com a de Jesus Cristo. É magnífico esse paralelismo constante, a subtileza de nunca mostrar o rosto do messias, e a forma de filmar a crucificação. Muito bom.

    E sim acho a narrativa algo lenta, mas também, tal como tu, não me é fácil pensar na exclusão de qualquer parte...
    Acho que as gerações recentes (incluindo ainda a minha) habitua-se inevitavelmente em demasia ao cinema mais comercial, mais fácil, aquele que surge em todo o lado, na televisão, no cinema.
    Não é fácil inverter esse gosto, esse facilitismo ou essa forma de conhecer o entretenimento e quiçá arte. Tudo a seu tempo, com maturidade e perseverança chega-se lá. Especialmente se se enveredar por bom cinema clássico e recente. Ainda que um bom guilty pleausure surja de vez em quando.

    abraço

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  9. JORGE: Talvez tenhas razão, talvez as mais recentes gerações estejam mais habituadas aos ritmos rápidos e alucinantes do comercial. Mas simplificando: há bom em rápido e bom em lento. As velocidades não são determinantes. O que importa é a qualidade ;D

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  10. Muito bem, a análise mais profunda que li sobre o filme! Eu pouco mais tenho a acrescentar, visto que já o fiz no post anterior :-) Foi um prazer colaborar na iniciativa e é bom ver que o debate está a ser produtivo!

    David Martins/Cine31

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  11. CINE31: Obrigado ;) Partilhamos do mesmo entusiasmo em relação a este grandiosíssimo filme.
    Quanto à tua participação na iniciativa, mais uma vez me desdobro em agradecimentos. É sempre muito bom verificar que a comunidade de blogues é capaz de se unir para discutir conjuntamente esta paixão maior pelo cinema.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  12. CINE31: Obrigado ;) Partilhamos do mesmo entusiasmo em relação a este grandiosíssimo filme.
    Quanto à tua participação na iniciativa (refiro-me à Maratona dos Épicos, decorrida em Setembro de 2010, onde participaste com um artigo), mais uma vez me desdobro em agradecimentos. É sempre muito bom verificar que a comunidade de blogues é capaz de se unir para discutir conjuntamente esta paixão maior pelo cinema.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  13. Concordo com o Jorge. Hoje em dia os jovens não vêem cinema. Limitam-se a tirar filmes da internet em dose industrial para impressionar os amigos, vêem 2 ou 3 desses filmes, o resto fica a ocupar espaço e se algum filme tiver duração superior a 90 minutos, "já é muito longo e é uma chatice"! Eu entendo-os porque quem está habituado a "Morangos com Açúcar" e fantochadas afins é duro ver um épico desta dimensão com quase 4 horas de duração! Concordo com o Roberto que tanto os ritmos lentos como rápidos trazem coisas boas. Neste caso é lento e é óptimo!
    Aconselho as pessoas e verem BEN-HUR no formato original disponível em DVD (cinemascope). Quando o filme passa na televisão (em 4/3) não tem nem metade da espectacularidade!

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  14. Sem dúvida, concordo. Num filme as velocidades não são importantes, são veículos de transmissão e expressão, umas mais fáceis de cativar que outras, pelo menos no panorama actual e referente às gerações recentes.

    Por exemplo, e constituindo uma excepção (ainda que isso possa acontecer mais com o tempo, claro), foi-me muito agradável assistir aos Westerns de Leone, com a sua calma e o seu ritmo algo lento (em relação à correria actual, na montagem sobretudo). Talvez pelo meu gosto desmesurado por Westerns ou pela excelente banda sonora, não tenho a certeza, o que é verdade é que me fascinaram instantaneamente. Já neste Ben-Hur não foi assim tão agradável, tão fácil, no seu conjunto digo, porque houve cenas de grande emoção e espectacularidade. Acho que tudo se prende por uma questão de hábito, de reconhecimento (inicial), de tempo, e de procura pelo conhecimento, independentemente de alguns gostos.

    Mais um desabafo, do que outra coisa...:P

    abraço

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  15. EMANUEL NETO: Há jovens e jovens, naturalmente. Muitos de nós serão a prova precisa daquilo de que agora falo, há muitos jovens a assistirem a bom cinema. Agora, nem todos estarão virados para a arte, da mesma forma que muitos de nós não estamos virados para muitas outras áreas para as quais esses outros jovens têm especial aptidão. Eu nestas questões não sou muito punitivo ou condenatório. Não creio que seja sequer um mal geracional.
    Em duas coisas estãos absolutamente de acordo: 1º, naquilo que se refere à excelência de BEN-HUR. 2º, e ainda bem que apontaste esse aspecto, as dimensões da tela. A câmera 65, um aperfeiçoamento do cinemascope, trouxe uma maior espectacularidade ao filme. A cena das corridas é qualquer coisa de extraordinário.

    JORGE: A arte também é uma aprendizagem, de acordo. Ninguém melhor do que nós sabe disso.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  16. Exactamente. E se bem que ainda estou a evoluir (esta paixão pelo cinema não vem de há muitos anos), o que me interessa essencialmente quando vejo filmes é descobrir objectos com boa qualidade, para efeitos artísticos, mas também de entretenimento, que prezo muito. Se calhar estou a ser sincero demais...porque se me resumi-se um pouco mais, diria que este Ben-Hur é muito bom, excelente e um épico avassalador, como há poucos.

    Quanto ao objectivo ou finalidade de cada pessoa perante o cinema, dependerá claro da sua cultura, do seu interesse e da sua curiosidade. Acho que inevitavelmente, sobretudo com curiosidade, atinge-se etapas inesperadas e bastante surpreendentes. O que era uma seca, passou a ser um tempo muito bem passado. Aí está o prazer da busca pelo conhecimento, pela arte, pelo cinema. À medida que nos entranhamos nestas andanças torna-se normal e evolutivo, e só não progride quem não quer ou quem tem falta de ambição. Enfim, nada que retire o prazer de necessitarmos por vezes de ver outras coisas mais superficiais, ainda que este facto desse outra discussão. Superficial para quem tem o gosto refinado será muito diferente de quem não tem gosto ou conhecimento algum sobre o tema.

    Este Ben-Hur tem o azar de ter a duração que tem (ainda que para mim seja mais o ritmo o pequeno problema aqui em questão), em comparação com outros do género mais actuais. Filmes como o Psycho em comparação com outro do mesmo género e com os mesmos twists, serão sempre mais fáceis de atingir jovens, dado a sua duração. Mais fácil, mais prático, ainda que o ritmo não seja propriamente rápido, são clássicos com 50 anos.
    Isto claro para quem não se importa do género terror.

    abraço

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  17. JORGE: Grato pela dissertação, com a qual concordo e me identifico.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  18. Uma curiosidade: Apesar do argumento ter apenas o nome de Karl Tunberg, houve um grande problema sobre quem escreveu o quê! Segundo parece, Karl Tunberg enviou o argumento mas sofreu muitas alterações por Christopher Fry, que tinha sido chamado pela produção e por Wyler! O facto de Fry não ter o seu nome no genérico deu origem a diversos problemas...

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  19. EMANUEL NETO: Penso que não tinha ideia desses dados, mas fica o apontamento. Agradeço.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - Há 2 Anos na Estrada do Cinema «

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