domingo, 22 de agosto de 2010

DIÁRIOS DE CHE GUEVARA (2004)

PONTUAÇÃO: BOM
★★★★
Título Original: Diarios de Motocicleta
Realização: Walter Salles

Principais Actores: Gael García Bernal, Rodrigo De La Serna, Mía Maestro, Mercedes Morán, Jorge Chiarella

Crítica:

A ESTRADA LATINA

Road-movie de
genuína e inspiradora natureza, de muito boa escrita e de desempenhos magníficos (tanto Gael García Bernal como Rodrigo De La Serna estão perfeitos nos seus papéis), Diários de Che Guevara é um biopic sereno e cheio de vida que convoca, com tão raras quanto inquietantes simplicidade e humildade, a nostalgia dos tempos idos de uma América Latina em permanente mutação (¿Cómo es posible que sienta nostalgia por un mundo que no conocí?).

Com uma belíssima fotografia de Eric Gautier e uma envolvente banda sonora de Gustavo Santaolalla,
a obra é dotada, ainda, de um cuidado trabalho de montagem e de opções estéticas louváveis, como, por exemplo, o recurso ao preto e branco para aprofundar o retrato antropológico e apelar à reflexão político-sociológica: ¿Cómo es posible que una civilización capaz de construir esto, sea arrasada para construir esto? À medida que o filme avança, todavia, os tons verdes das paisagens dão lugar a cores cada vez mais desoladoras: a viagem com a Norton 500, modelo 1939, ou La Poderosa, como é carinhosamente chamada, acaba por revelar-se uma aventura de crescimento pessoal e interior, um verdadeiro caminho espiritual de auto-conhecimento e de formação de crenças e convicções, fundamentadas na realidade e na experiência, que viriam a determinar a acção de um Che revolucionário.

Diários de Che Guevara é, pois, um grande filme. Irradia ideologia e... fascínio.

sábado, 21 de agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A PRAIRIE HOME COMPANION - BASTIDORES DA RÁDIO (2006)

PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL★★★
Título Original: A Prairie Home Companion

Realização: Robert Altman

Principais Actores: Woody Harrelson, Tommy Lee Jones, Garrison Keillor, Kevin Kline, Lindsay Lohan, Virginia Madsen, John C. Reilly, Maya Rudolph, Meryl Streep, Lily Tomlin

Altman filma as suas personagens magistralmente; Meryl Streep, nomeadamente, está um portento. Mas depois o filme não tem muita substância. Sinceramente, não vejo nele as coisas extraordinárias que tantos críticos saudosos apontam.

ÓSCARES - Uma Década de Justiças?

Para os fãs da cerimónia dos Óscares, aqui está o primeiro post do CINEROAD sobre esse tremendo fenómeno mundial.

2000 - Gladiator
2001 - A Beautiful Mind
2002 - Chicago
2003 - The Lord of the Rings - The Return of the King
2004 - Million Dollar Baby
2005 - Crash
2006 - The Departed
2007 - No Country for Old Men
2008 - Slumdog Millionaire
2009 - The Hurt Locker

Por anos de produção, foram estes os vencedores que marcaram a década.

Concorda com esta lista? A Academia foi justa em todos os casos?

Qual seria a sua lista de vencedores da década?

Na secção de comentários prolongar-se-á o debate.
Por lá deixarei, também, a minha lista de justos vencedores.

sábado, 14 de agosto de 2010

5 Grandes Bandas Sonoras

Howard Shore, O Senhor dos Anéis

Yann Tiersen, O Fabuloso Destino de Amélie

Nick Cave e Warren Ellis, O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

Ennio Morricone, Cinema Paraíso

Clint Mansell, The Fountain - O Último Capítulo

Partilho convosco 5 das minhas bandas sonoras de eleição.
Quais são as vossas?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Os Meus 10 Realizadores de Eleição (11)

Catarina Norte, autora do blogue A Vida em Cenas, aceitou o convite do CINEROAD - A Estrada do Cinema para partilhar connosco o seu leque de realizadores preferidos:

Tim Burton
Peter Jackson
Quentin Tarantino
Martin Scorsese
Steven Spielberg
Clint Eastwood
Alejandro González Iñárritu
Stanley Kubrick
Pedro Almodóvar
Woody Allen

Um muito obrigado, Catarina Norte.

5 Grandes Interpretações Masculinas

Brad Pitt em Clube de Combate

Russell Crowe em Uma Mente Brilhante

Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas

Robert De Niro em Touro Enraivecido

Mel Gibson em Braveheart - O Desafio do Guerreiro

Estas são 5 das minhas interpretações masculinas favoritas, de todos os tempos. Quais são as suas?

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

EUROPA (1991)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★
Título Original: Europa
Realização: Lars Von Trier
Principais Actores: Max von Sydow, Jean-Marc Barr, Barbara Sukowa, Jorgen Reenberg, Udo Kier, Eddie Constantine, Ernst-Hugo Jaregard, Lars von Trier

Crítica:

A HIPNOSE E A VISÃO

Viver é simples, durante o combate.
As complicações surgem depois.

Absolutamente arrojada, altamente estilizada e visualmente estimulante, Europa, de Lars von Trier, inicia-se com um longo plano, em andamento e a preto e branco, sobre uma linha de caminhos-de-ferro. A acompanhar a cena de abertura, a hipnótica voz de Max von Sydow:

You will now listen to my voice. My voice will help you and guide you still deeper into Europa. Every time you hear my voice, with every word and every number, you will enter into a still deeper layer, open, relaxed and receptive. I shall now count from one to ten. On the count of ten, you will be in Europa. I say: one. And as your focus and attention are entirely on my voice, you will slowly begin to relax. Two, your hands and your fingers are getting warmer and heavier. Three, the warmth is spreading through your arms, to your shoulders and your neck. Four, your feet and your legs get heavier. Five, the warmth is spreading to the whole of your body. On six, I want you to go deeper. I say: six. And the whole of your relaxed body is slowly beginning to sink. Seven, you go deeper and deeper and deeper. Eight, on every breath you take, you go deeper. Nine, you are floating. On the mental count of ten, you will be in Europa. Be there at ten. I say: ten.

A projecção interminável da viagem sob os carris, as repetidas notas musicais e as pausadas cadências da narração sugerem um verdadeiro estado de relaxamento e de hipnose. Von Trier prepara assim o espectador para uma profunda imersão na história e o efeito de tal proposta é absolutamente incrível e surreal. Surreal, aliás, como muitas das imagens construídas ao longo do filme, graças à sobreposição de planos. Esta panóplia de técnicas de sobreposição confere à obra um tom puramente clássico. Sugere-se mesmo o efeito de split screen, numa cena, não pela divisão assumida do ecrã, mas pela sobreposição de planos, que une uma só acção em tempo real, mas em espaços diferentes. Quando o suspense assume a diegese, vem-nos à mente o melhor de Hitchcock. Contudo, por vezes, ainda que o segundo plano se mantenha a preto e branco, o primeiro plano destaca-se a cores... Que audácia. A cena do suicídio na banheira ou a da separação em comboios distintos são dos momentos que mais beneficiam com esta confluência estética, com este jogo de cores. Louros de Henning Bendtsen, Edward Klosinski e de Jean-Paul Meurisse. A banda sonora de Joachim Holbek é verdadeiramente extraordinária. Europa Aria, o tema que encerra o filme (letra de von Trier e interpretações de Nina Hagen e de Philippe Huttenlocher) é também sensacional, ainda que totalmente esquisita e paradoxalmente fascinante. A arte de filmar é magistral: abundam virtuosos movimentos de câmera, do princípio ao fim. Europa é, pois, um autêntico e portentoso delírio artístico.

Para além destes valores criativos, a magnificência da obra atinge a plenitude no argumento, altamente alegórico. A hipnose potencia uma regressão ao passado, na qual tornamos à Alemanha de 1945, recentemente derrotada pelas forças aliadas. Leopold Kessler (Jean-Marc Barr) visita o país, na esperança de ser útil na sua reconstrução e reabilitação e de escapar, desse modo, ao serviço militar. Se eu quisesse andar armado, teria vindo para aqui mais cedo. O tio, oficial alemão, arranja-lhe o trabalho de revisor num comboio e a maior parte da acção passa-se entre carruagens. É lá que conhece a bonita e enigmática Katharina Hartmann (Barbara Sukowa), filha do dono da Zentropa Rail Line. Europa conflui, com êxito, os mais variados géneros como o noir, o drama e o romance, o filme de acção, o filme de espionagem ou o avant-garde. Tal como a Europa, O Velho Continente, aquele comboio segue sem rumo, ocultando estratagemas de ódio e mortais crimes de guerra, mascarando uma ainda incipiente revigoração. A visão: a Europa viaja naquele comboio, iludida em hipnose - e, com ela, a sátira, mascarada em arte.

In the morning, the sleeper has found rest on the bottom of the river. The force of the stream has opened the door and is leading you on. Above your body, people are still alive. Follow the river as days go by. Head for the ocean that mirrors the sky. You want to wake up to free yourself of the image of Europa. But it is not possible.

O sonho chamado Europa ainda está longe de ser realidade. Que filme brilhante.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões