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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

RIO LOBO (1970)

PONTUAÇÃO: FRACO
Título Original: Rio Lobo
Realização: Howard Hawks
Principais Actores: John Wayne, Jorge Rivero, Jennifer O'Neill, Jack Elam, Christopher Mitchum, Victor French, Susana Dosamantes, Sherry Lansing, David Huddleston, Mike Henry, Bill Williams

Crítica:

UM TIRO AO LADO

You mess this up
(...) and you won't live to know it!

Pergunto-me se este filme não terá sido um equívoco. Dizem-no a última parte da trilogia iniciada com Rio Bravo e continuada com El Dorado, mas desses filmes não herdou nem o estilo, nem a qualidade do argumento, nem - e é disto que sentimos mais falta - o acting arrebatador dos actores; nem sequer o de Wayne, lamentavelmente. A representação dos (tantos) jovens actores que completam o elenco é de um amadorismo tão gritante que expõe ao ridículo qualquer hipótese de história minimamente envolvente. São péssimos actores.

A equipa técnica, por sua vez, conta com nomes sonantes, desde a direcção de fotografia à montagem, banda sonora, etc. mas, no seu todo, aquilo que Rio Lobo alcança é de uma mediania assustadora. Ainda estou para perceber porque é que às tantas a escuridão da noite assume por inteiro o enquadramento e me vejo ainda mais às cegas do que as próprias personagens. Sou privado da acção e limitado ao som. Durante vários minutos.

Hawks tem um ou outro movimento de câmera inesperado e bem-vindo (sobretudo para quem sentiu a sua ausência nos westerns anteriores), mas falha no essencial: falta o sentimento de humanidade naquela história, naqueles lugares, entre aquela gente. O saldo final não é, pois, o mais positivo: não posso dizer que gostaria de rever este Hawks.

EL DORADO (1966)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: El Dorado
Realização: Howard Hawks
Principais Actores: John Wayne, Robert Mitchum, James Caan, Charlene Holt, Paul Fix, Arthur Hunnicutt, Michele Carey, R.G. Armstrong, Edward Asner, Christopher George, Marina Ghane, Robert Donner, John Gabriel, Johnny Crawford

Crítica:
The wind becomes bitter, the sky turns to grey
His body grows weary, he can't find his way...

OS PROFISSIONAIS

...But he'll never turn back, though he's lost in the snow
For he has to find El Dorado.

El Dorado é um caso curioso. Não é propriamente um remake, mas é quase. Na verdade, é um misto de repetição e variação. Repete, na sua acção, os lugares comuns de Rio Bravo como a prisão ou o saloon, repete as suas personagens-modelos (o bêbedo de Dean Martin dá lugar ao bêbedo de Mitchum, o velho Stumpy dá lugar ao velho Bull, o jovem Colorado dá lugar ao jovem Mississipi, Wayne passa de xerife a pistoleiro contratado, mas a sua personagem é essencialmente a mesma). No fundo, Hawks revisita a mesma história, aprofundando a meditação sobre os seus temas de eleição: entre os Homens, a honra e a dignidade, o respeito pelo inimigo, a cortesia cavalheiresca e a camaradagem no masculino, a amizade, a justiça, o profissionalismo e a responsabilidade perante a lei. Perante o envelhecimento, a doença e a incapacidade, a competência do Homem fica inevitavelmente comprometida... mas não é por isso que os valores caem por terra.

Mantêm-se os diálogos inventivos, cómicos e prolongados, que nos apaixonam pelo argumento e pelas personagens, tão caricatas e carismáticas. Leigh Brackett, não será por acaso, escreve o argumento de ambos os filmes. A direcção de actores é sublime (nisso Hawks é mestre). O suspense é intenso, na preparação das cenas de acção... puro entretenimento, que torna a experiência de assistir ao filme não só convidativa como extremamente prazerosa e gratificante.

A fotografia de Harold Rosson é brilhante, sobretudo na conjugação das cores da sua paleta. A propósito de cores, não posso deixar de destacar a maravilhosa sequência de pinturas aquando dos créditos iniciais, ao som da também ela maravilhosa e nostálgica canção El Dorado (letra de John Gabriel, seguramente inspirada no poema de Poe - declamado, às tantas, por Mississipi - e composição de Nelson Ridle, que ecoará ao longo de todo o filme). A lamentar, somente a ausência de uma câmera mais ciente das suas potencialidades narrativas.

As semelhanças entre as duas obras são tantas e tamanhas que a pertinência de El Dorado poderá sempre ser posta em causa. Ao assisti-lo, invade-nos, afinal, uma constante sensação de déjà vu. Todavia, ainda que prefira Rio Bravo, como poderei não gostar deste segundo filme?

domingo, 2 de janeiro de 2011

RIO BRAVO (1959)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Rio Bravo
Realização: Howard Hawks
Principais Actores: John Wayne, Walter Brennan, Ward Bond, Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson
 
Crítica:

A LEI DO XERIFE

Em Rio Bravo, essencialmente, é tudo uma questão de diálogos e de actores. A câmera revela uma presença subtil e discreta e o espectador entra na esquadra, no saloon, no Hotel Alamo e em todas as ruas empoeiradas da cidade, sentindo-se como um dos seus passivos e atemorizados habitantes, familiarizado com todas as suas extraordinárias personagens.

Em poucos minutos e com uma acção bem humurada, conhecemos o xerife John T. Chance, um àspero mas correcto homem-da-lei (John Wayne, numa performance repleta de nuances expressivas; sejam elas gestos, olhares ou significativos silêncios). Ao contrário do marshall de O Comboio Apitou Três Vezes - filme que motivou Hawks a realizar este Rio Bravo, em jeito de contra-resposta - em que Will Kane (Gary Cooper) passava a maior parte do filme a pedir ajuda aos habitantes da cidade, aqui John T. Chance passa o filme a rejeitar as ajudas que os mais próximos lhe teimam em oferecer. Afinal, Chance está consciente do seu papel na sociedade e, em concreto, na sua cidade. Ele é o xerife, é a autoridade e, por isso, deve proteger os seus conterrâneos, zelando sempre e acima de tudo pela ordem e pela lei. É esse o seu papel, não o de mais ninguém, e deve entregar a sua vida à sua causa.

Feathers: How does a man get to be a sheriff?
John T. Chance: Gets lazy. Gets tired of selling his gun all over. Decides to sell it in one place.

Como parceiros da sua trupe justiceira, tem, de estrela ao peito, o velho e aleijado Stumpy (genial e hilariante Walter Brennan), um cowboy de coração ferido e perdido no álcool, Dude Borachón (Dean Martin, estupendo no acting e na canção My Rifle, My Pony, and Me). Mais tarde, junta-se-lhes o jovem e destemido Colorado (Ricky Nelson), a cumplicidade-extra de Carlos, o latino-fala-barato-dono-do-hotel que vive sempre amedrontado pela sua esposa Consuela e o vaso oportuno da insolente, vigarista, forasteira, procurada, sensual e deslumbrante Feathers (Angie Dickinson, numa performance memorável, que viverá com o protagonista um verdadeiro romance à moda antiga). Por todo o mérito alcançado pelas interpretações, há a salientar a magistral direcção de actores.

A narrativa avança a um ritmo lento; para o espectador, revela-se um exercício extremamente prazeroso de se acompanhar. Num compasso de espera repleto de improvisos, aguardamos a chegada do marshall que decidirá o que fazer com o assassino Joe Burdette, aprisionado com empenho. Até lá, seguimos com tensão e suspense as sucessivas tentativas dos malfeitores para resgatarem o malfeitor. A notável competência do guarda-roupa e da direcção artística compõe a moldura, perfeitamente iluminada e enquadrada (fotografia de Russell Harlan).

Grande western de Hawks. Uma lição de amizade, liderança, respeito e redenção.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões