sexta-feira, 25 de novembro de 2011

EL DORADO (1966)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: El Dorado
Realização: Howard Hawks
Principais Actores: John Wayne, Robert Mitchum, James Caan, Charlene Holt, Paul Fix, Arthur Hunnicutt, Michele Carey, R.G. Armstrong, Edward Asner, Christopher George, Marina Ghane, Robert Donner, John Gabriel, Johnny Crawford

Crítica:
The wind becomes bitter, the sky turns to grey
His body grows weary, he can't find his way...

OS PROFISSIONAIS

...But he'll never turn back, though he's lost in the snow
For he has to find El Dorado.

El Dorado é um caso curioso. Não é propriamente um remake, mas é quase. Na verdade, é um misto de repetição e variação. Repete, na sua acção, os lugares comuns de Rio Bravo como a prisão ou o saloon, repete as suas personagens-modelos (o bêbedo de Dean Martin dá lugar ao bêbedo de Mitchum, o velho Stumpy dá lugar ao velho Bull, o jovem Colorado dá lugar ao jovem Mississipi, Wayne passa de xerife a pistoleiro contratado, mas a sua personagem é essencialmente a mesma). No fundo, Hawks revisita a mesma história, aprofundando a meditação sobre os seus temas de eleição: entre os Homens, a honra e a dignidade, o respeito pelo inimigo, a cortesia cavalheiresca e a camaradagem no masculino, a amizade, a justiça, o profissionalismo e a responsabilidade perante a lei. Perante o envelhecimento, a doença e a incapacidade, a competência do Homem fica inevitavelmente comprometida... mas não é por isso que os valores caem por terra.

Mantêm-se os diálogos inventivos, cómicos e prolongados, que nos apaixonam pelo argumento e pelas personagens, tão caricatas e carismáticas. Leigh Brackett, não será por acaso, escreve o argumento de ambos os filmes. A direcção de actores é sublime (nisso Hawks é mestre). O suspense é intenso, na preparação das cenas de acção... puro entretenimento, que torna a experiência de assistir ao filme não só convidativa como extremamente prazerosa e gratificante.

A fotografia de Harold Rosson é brilhante, sobretudo na conjugação das cores da sua paleta. A propósito de cores, não posso deixar de destacar a maravilhosa sequência de pinturas aquando dos créditos iniciais, ao som da também ela maravilhosa e nostálgica canção El Dorado (letra de John Gabriel, seguramente inspirada no poema de Poe - declamado, às tantas, por Mississipi - e composição de Nelson Ridle, que ecoará ao longo de todo o filme). A lamentar, somente a ausência de uma câmera mais ciente das suas potencialidades narrativas.

As semelhanças entre as duas obras são tantas e tamanhas que a pertinência de El Dorado poderá sempre ser posta em causa. Ao assisti-lo, invade-nos, afinal, uma constante sensação de déjà vu. Todavia, ainda que prefira Rio Bravo, como poderei não gostar deste segundo filme?

4 comentários:

  1. Agora tenta ver o Rio Lobo, embora seja o mais "diferente" dos 3, também encontras nele essas semelhanças de que falas. Eu costumo pensar neles como uma trilogia, sei lá, 3 hinos à resistência humana, aos valores do homem e à sua determinação, à lei e à ordem.

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  2. ÁLVARO MARTINS: O RIO LOBO já cá está e vai ser hoje ;)

    Roberto Simões
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  3. O fundamental foi bem referenciado ao longo do texto: EL DORADO é sem dúvida um remake de RIO BRAVO. Só não percebo o porquê de Howard Hawks ter feito isso... Para mim RIO BRAVO é melhor.

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  4. EMANUEL NETO: Para mim também. Não sei, há casos assim. Um ainda mais interessante, em termos de remake do próprio autor, a meu ver, é o FUNNY GAMES do Haneke.

    Roberto Simões
    » CINEROAD «

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