sexta-feira, 22 de abril de 2011

A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO (1964)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: The Fall of the Roman Empire
Realização: Anthony Mann

Principais Actores: Sophia Loren, Christopher Plummer, Stephen Boyd, Alec Guinness, James Mason, Anthony Quayle, John Ireland, Omar Sharif, Mel Ferrer, Eric Porter, Finlay Currie, Andrew Keir

Crítica:

O ÚLTIMO IMPÉRIO

A great civilization is not conquered from without
until it has destroyed itself from within.
Will Durant*

Roma renasceu das cinzas - em todo o esplendor e máxima glória - pelas mãos dos artistas, arquitectos e estudiosos que, com esmerado entusiasmo, assumiram a direcção artística deste majestoso e opulento A Queda do Império Romano. Pelos grandiosos cenários, desfilam centenas de figurantes, todos criteriosamente trajados e caracterizados (todos os méritos vão para a dupla Veniero Colasanti e John Moore), movendo-se perante as cadências da sinfónica e genial composição musical de Dimitri Tiomkin. Do aspecto romântico da pintura apuram-se, entre tons e texturas, verdadeiros e impressionantes quadros vivos. Frame by frame. Absolutamente assombroso, o trabalho do director de fotografia Robert Krasker, em constante uníssono com as orientações e potencialidades da mise-en-scène. Anthony Mann capta toda a aura do tempo romano e da civilização antiga com assaz verosimilhança e com uma mestria profundamente conhecedora das técnicas cinematográficas. A câmera capta a imitação da realidade com uma fluidez precisa; notem-se os enquadramentos e os movimentos de câmera, sempre irrepreensíveis, elevando a nobreza da arte de contar uma história.

Quando falamos de elenco, a beleza inconfundível de Sophia Loren (Lucilla) tende a ofuscar-nos o verbo; contudo, não esqueçamos as extraordinárias interpretações de Alec Guiness (como Marcus Aurelius), Christopher Pulmmer (como Commodus), Stephen Boyd (como Livius) ou James Mason (como Timonides). Envolvente e extremamente bem construído, o storytelling, ao longo das três horas de duração; os créditos, atribuem-se ao trio de argumentistas Ben Barzman, Basilio Franchina e Philip Yordan que, sem fantasiar crassamente a História, conceberam um retrato e um ensaio sobre a ambição desmedida e a tremenda sede de poder que, algures no passado, cegaram um homem, condenando um sonho baseado na igualdade, na paz e na liberdade, em ideais gregos de cidadania que se perpetuaram pela filosofia e pela ética. Um sonho chamado Roma.

Oh, Livius. What a world... when its future rests in such as these.
Timonides

Igualmente notável e determinante para o triunfo narrativo, diga-se, é a montagem de Robert Lawrence. Das batalhas e sequências de acção aos bastidores da cena política, da retórica do senado à intriga palaciana e de volta ao espectáculo de larga escala, a montagem esculpe, perante as mais variadas necessidades narrativas, uma velocidade eximia e proporcionalmente doseada.

Poucos filmes do género poderão rivalizar com a magnificência deste A Queda do Império Romano. Sem envelhecer num só compasso que seja, a obra de Anthony Mann alcança o panteão da imortalidade. É, sem sombra de dúvida, um dos maiores e melhores épicos de todos os tempos.

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(*) O consagrado historiador Will Durant foi contratado para aconselhar os argumentistas e artistas da produção, zelando pela objectividade e pela acuidade histórica. É com esta sua frase que o épico encerra.

4 comentários:

  1. Um belo filme épico sobre Roma. Terá sido provavelmente o último esforço do género que teve o seu auge nos anos 50 e decaiu até meados dos anos 60. Muitos dos intervenientes já eram bem conhecidos pela sua presença noutros "peplum".
    Resta dizer que este filme foi a principal inspiração de Ridley Scott para GLADIADOR.

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  2. EMANUEL NETO: Terá sido certamente o ponto de partida, note-se quando muito não seja a história e o período retratado. É um filme claramente superior ao GLADIADOR.

    Roberto Simões
    CINEROAD – A Estrada do Cinema

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  3. Um agradável filme do género, que se continua a ver muito bem, mas não mais do que isso. E para ser superior ao "Gladiador" não é preciso muito.

    O Rato Cinéfilo

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  4. RATO: Discordo de ambas as afirmações.

    Roberto Simões
    CINEROAD

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