Realização: Chan-Wook Park
Principais Actores: Choi Min-sik, Yu Ji-tae, Kang Hye-jeong, Ji Dae-han, Oh Dal-su, Kim Byeong-ok
Crítica:
CUIDADO COM A LÍNGUA
Ri e o mundo ri contigo.
Chora e chorarás sozinho.
Ainda que não seja mais do que um animal, mesmo assim não terei o direito de viver?
CUIDADO COM A LÍNGUA
Ri e o mundo ri contigo.
Chora e chorarás sozinho.
Oldboy - Velho Amigo é uma viagem vertiginosa pelos mais negros meandros da mente humana. Contada por meio de um argumento muito bem escrito e estruturado e pela original, genial e meticulosa realização de Chan-Wook Park, a história desta chocante obra é sobre incesto e hipnose; mas, acima de tudo, sobre vingança. A mais fria e cruel das vinganças.
Seja um grão de areia ou uma pedra, na água ambas se afundam.
Passado, presente e futuro (este último muito pouco esperançoso e promissor) reencontram-se neste ensaio psicologica e filosoficamente tão profundo. A questão da existência manipulada, totalmente controlada, a busca da verdade sobre nós próprios, o poder da memória ou a expiação da culpa por meio da vingança ou da auto-destruição são apenas algumas das questões mais polémicas e estimulantes da obra. Detentor de um ritmo sincopado e também ele hipnótico (em muito proporcionado pela eclética, punjante e envolvente banda sonora - na qual, entre muitos, o tema de Vivaldi soa enérgica e magistralmente), de uma excelência invulgar na concepção do design cenográfico e polido com um trabalho de montagem audacioso e deveras irreverente, Oldboy - Velho Amigo eleva-se a um patamar superior, digno de tão poucas obras de arte. Sublime na conflência estética e na direcção de actores (na qual Choi Min-Sik se destaca num desempenho transfigurador e impressionante), Chan-Wook Park mostra-se ainda mestre maior na imaginação e concepção de cenas memoráveis, algumas sobejamente violentas e brutais: do prólogo, às analepses e à coda, do polvo à tortura dos dentes e ao doloroso clímax da língua, da prisão à liberdade alterada das montanhas.
Ainda que não seja mais do que um animal, mesmo assim não terei o direito de viver?

