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domingo, 21 de março de 2010

STAR WARS III - A VINGANÇA DOS SITH (2005)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★
Título Original: Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith
Realização: George Lucas

Principais Actores: Ewan McGregor, Hayden Christensen, Natalie Portman, Ian McDiarmid, Samuel L Jackson, Christopher Lee, Anthony Daniels, Kenny Baker, Ahmed Best, Frank Oz, Jimmy Smits, James Earl Jones, Peter Mayhew, Keisha Castle-Hughes

Crítica:

Good is a point of view

O espectáculo chega ao fim (ou ao meio, consoante a perspectiva) e mais negro e assombroso do que nunca. A batalha espacial com que se inicia o episódio é de uma energia avassaladora, assaz osfuscante, e põe-nos a bordo de uma viagem sem retorno. Now you will experience the full power of the dark side. Para além da excelência inerente ao som, banda sonora e efeitos especiais - que asseguram mais uma experiência irrepetível e, grosso modo, a imagem de marca da franquia - A Vingança dos Sith revela-se, na verdade e acima de tudo, dotado de uma intensidade dramatúrgica notável.

A entrega final de Anakin Skywalker à retórica e sedução do Chanceler Palpatine ganha uma profundidade filosófica muito para além dos maniqueísmos de que a saga foi alvo no decorrer da primeira trilogia. Good is a point of view, Anakin. The Sith and the Jedi are similar in almost every way, including their quest for greater power. (...) The dark side of the Force is a pathway to many abilities some consider to be unnatural. (...) Learn to know the Dark Side of the Force and you will be able to save your wife from certain death. Até que ponto não compreendemos nós o cair em tentação, se isso assegura a protecção e salvaguarda daqueles que amamos? Até que ponto conseguimos separar o nosso dever do nosso sentimento? O posicionamento de Anakin é tudo menos frívolo, por mais que o jovem tenha denotado, desde criança, uma certa natureza rebelde no seu carácter. Se é certo que A Vingança dos Sith trata de humanizar um vilão como Darth Vader, é igualmente certo que essa humanização advém de uma necessidade primeira de revelar o passado da personagem e de procurar a essência da origem do Mal.

As interpretações estão a um nível nunca antes antingido: Hayden Christensen ficará imortalizado pelo seu Anakin Skywalker/Darth Vader, Natalie Portman revelou o seu talento às grandes massas, Ian McDiarmid reafirmou o seu brio na arte de representar após anos e anos de carreira. A direcção artística, dos designers de produção aos técnicos da vastíssima equipa de efeitos digitais, é a responsável pela concepção de um produto, uma vez mais, soberbo e sublime. O final do filme é, simplesmente, qualquer coisa de excepcional, excepcional, excepcional.

A Vingança dos Sith é um triunfo absoluto e incontornável. Magnífico filme!

sábado, 20 de março de 2010

STAR WARS II - O ATAQUE DOS CLONES (2002)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★
Título Original: Star Wars: Episode II - Attack of the Clones
Realização: George Lucas

Principais Actores: Ewan McGregor, Natalie Portman, Hayden Christensen, Samuel L. Jackson, Christopher Lee, Ian McDiarmid, Jack Thompson, Jimmy Smits, Frank Oz, Temuera Morrison

Crítica:


Attachment is forbidden. Possession is forbidden.

Compassion, which I would define as unconditional love, is essential to a Jedi's life.
So you might say, that we are encouraged to love.

Uma saga como Star Wars exigia toda uma evolução tecnológica que lhe permitisse criar um universo paralelo e credível, à altura do seu próprio conceito. Eu sou daqueles para quem os prodigiosos efeitos especiais da era digital vieram - em definitivo - beneficiar e muito a dimensão criativa de George Lucas. Alguém preferirá o tão inexpressivo boneco ao Mestre Yoda deste filme? Por isso mesmo considero que uma obra como O Ataque dos Clones não só superou uma certa ineficácia das mascotes e miniaturas utilizadas anteriormente como ultrapassou a saturação da estrutura episódica da narrativa (presente nos episódios IV, V e VI) e teve finalmente a oportunidade para, sem desfocar a diegese principal, pintar e enriquecer todo um segundo plano. Se isso já era notório em A Ameaça Fantasma, o que hei-de eu dizer deste episódio II?... A cada cena, somos agora presenteados com um visual ainda mais estonteante: a excelência do design é deveras impressionante e as imagens são belíssimas, ricas em detalhe, em pormenor. A narrativa tem agora oportunidade para respirar, sendo que submergimos nas maravilhas daquele mundo fantástico. O romance entre Anakin e Padmé, por exemplo, evolui perante deslumbrantes e oníricas paisagens. Nunca a saga Star Wars se aproximou tanto da etérea beleza como agora...

E, como se isso não bastasse, Ewan McGregor, Natalie Portman e Hayden Christensen têm uma qualidade e profundidade nas suas interpretações que nunca abundou no elenco da primeira trilogia, exceptuando uma ou outra cena. Ou seja, acredito seriamente que há nesta segunda trilogia uma dimensão humana superior, apesar da significativa presença dos efeitos digitais (que poderiam pôr em risco a qualidade dramatúrgica da obra caso esta estivesse noutras mãos que não as de George Lucas; aqui mais inspirado do que nunca).

A dimensão do espectáculo expande-se ao sabor da incomensurabilidade do próprio espaço e da imaginação. A banda sonora de John Williams transfigura os temas originais e envolve-nos uma vez mais, numa aventura sem limites. Desencadeiam-se combates estrondosos, com uma qualidade sonora assombrosa. O Ataque dos Clones é - tão somente - a já mítica guerra intergaláctica ao rubro e no seu melhor. Faz-se história, novamente.

sexta-feira, 19 de março de 2010

STAR WARS I - A AMEAÇA FANTASMA (1999)

PONTUAÇÃO: BOM
★★★★
Título Original: Star Wars I - The Phantom of Menace
Realização: George Lucas

Principais Actores: Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman, Jake Lloyd, Ian McDiarmid, Pernilla August
Crítica:

- You're a slave?
- I'm a person and my name is Anakin.

Uma space opera como cada um dos capítulos de Star Wars vive da acção e da explosão de cor que nos atrai para um inconfundível universo de entretenimento. O progresso tecnológico no campo dos efeitos especiais ficou para sempre marcado com o filme de 1977 e só um novo avanço, digitalmente prodigioso, poderia revitalizar e catapultar a saga para uma dimensão superior. Foi o que aconteceu. Os fantásticos efeitos especiais que ingressaram na saga a partir desta nova trilogia, iniciada com A Ameaça Fantasma, permitiram aquilo a que os episódios IV, V e VI estavam inevitavelmente impossibilitados de atingir: uma autêntica e extraordinária expansão visionária. Sem limites.

A Ameaça Fantasma recupera um registo mais infantil, muito presente em O Regresso de Jedi. Personagens caricatas e hilariantes como Jar Jar ou o mercenário Watto não só animam como deixam a sua marca na obra. De notar que a sua concepção digital vem superar a inexpressividade dos bonecos usados em grande número na primeira trilogia. Depois, temos a cena da grande corrida entre as multidões e as falésias do deserto... empolgante e visualmente impressionante. E por fim temos aquela batalha de proporções inesperadas, em tudo espectacular, que deslumbrará o espectador ansioso por acção pujante, de cortar a respiração. A banda sonora está ao mais alto nível, assim como o carácter imaginativo do design que, aliado à sofisticação digital, concretiza uma obra por de mais atractiva ao olhar.

Mas também temos a história, claro. Assumida pelas interpretações de Liam Neeson, Ewan McGregor, Natalie Portman e do pequeno Jake Lloyd, ficamos a conhecer a infância de Anakin Skywalker (ainda a anos largos de ser tornar o Lorde das Trevas) e as tramas políticas por detrás de uma República envenenada e ameaçada.

Eis, pois, um promissor regresso ao universo da Guerra das Estrelas.

sexta-feira, 12 de março de 2010

STAR WARS IV - UMA NOVA ESPERANÇA (1977)

PONTUAÇÃO: BOM
★★★★
Título Original: Star Wars / Star Wars: Episode IV - A New Hope
Realização: George Lucas

Principais Actores: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher, Peter Cushing, Alec Guinness, Anthony Daniels, Kenny Baker, Peter Mayhew, David Prowse, Phil Brown, Shelagh Fraser, James Earl Jones
Crítica:

May the Force be with you.

O universo Star Wars é um mergulho vertiginoso no fantástico, uma viagem excitante e alucinante pela magia do entretenimento. Nunca até então uma dimensão imaginada atingira tais proporções na História do Cinema. E, de facto, a originalidade da abordagem, a criatividade e o detalhe que ilumina a narrativa fez sonhar uma geração inteira. O sucesso da franquia far-se-ia à imagem megalómana do projecto, tal era o fascínio que emanava da obra de George Lucas.

Primeiro que tudo, penso que o que eterniza o filme é a sua história. O argumento pode tocar a acção e a aventura a uma escala monumental, mas por trás disso há uma imensidão espacial riquíssima: entre os milhões e milhões de estrelas e galáxias há inúmeros planetas habitados, naves espaciais, veículos motores, espécies de seres vivos, modelos de andróides... e todos interagem entre si como se aquela civilização ficcionada existisse realmente. Há pormenor, há uma realidade histórica congruente, uma sociedade alicercada num regime político específico. E, como sabemos, toda essa trabalhada arquitectura não só baseia como constitui um factor determinante para a credibilidade e autenticidade de uma fantasia. Note-se, a propósito, a diversidade cultural assumida pelo design dos cenários (John Barry, Leslie Dilley, Norman Reynolds e Roger Christian) ou dos figurinos (John Mollo). Os efeitos especiais foram não só estrondosamente revolucionários como absolutamente pioneiros, tanto nas explosões de pirotecnia como na animação de miniaturas, como na afirmação categórica dos gráficos por computador, protagonizada por uma equipa vastíssima (John Stears, John Dykstra, Richard Edlund, Grant McCune e Robert Blalack). Para lá do exotismo visual e da incomensurabilidade épica das paisagens e das batalhas que se desenhariam no ecrã como por magia, temos a assombrosa banda sonora de John Williams, que marca desde logo o tom operático e arrebata as emoções de qualquer espectador ao longo desta incrível e inesquecível viagem. O aplaudido trabalho de montagem - pessoalmente, não gosto assim tanto dos efeitos de transição entre episódios - enfatiza o carácter lúdico desta aventura sem limites.

George Lucas arriscou e saiu triufante, sendo que a sua visionária criação se prolongaria ainda por mais cinco títulos. O certo é que, ainda hoje, Star Wars inspira cineastas e cinéfilos um pouco por todo o mundo.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões