Oliver Stone, 2007
Pontos negativos:
- Mais do que nunca, aquela primeira narração de Ptolomeu (Anthony Hopkins) surge forçada entre os descontrolados avanços e recuos da narrativa.
- Chega-se a Gaugamela sem um background emocional que sustente a narrativa. Desconhecem-se as razões e os motivos do herói. Desvirtua-se Gaugamela, agora entre o caos da acção/confusão (a necessidade de recorrer a tantas legendas para orientar o espectador é a prova disso) e aquela que era uma das melhores e mais arrebatadores cenas do filme passa agora a uma experiência mais ou menos vazia e sem sabor. Nem a genial banda sonora de Vangelis faz milagres, no que toca a necessidades emocionais.
- A reestruturação não-cronológica (agora muito mais acentuada, do princípio ao fim da obra) prejudica gravemente o filme; não resulta, definitivamente. Da reestruturação provém uma complexidade inútil e infrutífera.
- Também devido à reestruturação não-cronológica o filme perde emoção e carga simbólica e ganha frieza, aproximando-se do relato histórico.
- A maior atenção dada a Bagoas não prejudica propriamente o filme, mas pessoalmente prefiro as dicas subtis da versão original, em que se evidencia quase exclusivamente o amor puro entre Alexandre e Hefaísto.
- A inclusão daquela poderosa cena entre mãe e filho, logo depois daquela apoteótica batalha na Índia, é imperdoável, inadmissível. Qual é o sentido narrativo desta decisão?... É certo que esta versão redistribui Angelina Jolie um pouco por todo o filme, mas não havia necessidade disso.
Pontos positivos:- A versão alongada da Aula de Aristóteles; contém alguns
takes que aprofundam o contexto espacial da cena e o próprio conteúdo dos diálogos é aprofundado.
- A pertinência de incluir a cena do assassinato de Filipe da Macedónia logo a seguir ao perturbante homicídio de Cleitus é finalmente compreensível. Há uma relação, uma comparação possível.
- A carta de Aristóteles:
I can only hope that you continue what you began as the boy I knew at twelve. Be that man always, Alexander, and you will not slip. And perhaps you will prove this old materialist, as you always thought me, a dreamer after all. - O aperfeiçoamento de algumas sequências, como o regresso à Babilónia, no final, ou as mordidelas da águia e da serpente, também no final:
takes curtos e quase que imperceptíveis, que aprimoram o resultado final.
- O desfecho da obra, com a narração de Anthony Hopkins, é magnífica. Melhor, muito melhor do que na versão original. Pausada, mais aprofundada, excepcional.
Saldo:- Sinceramente? Não creio que
Alexander Revisited seja a anunciada
final cut. Pessoalmente, não considero o filme acabado, pode ser significativamente melhorado. E é sempre tempo para isso.
- Sinceramente? A versão original é muito melhor do que esta. Bastava-lhe trocar a cena inicial por a cena inicial deste
Revisited, juntar a Carta de Aristóteles e a nova versão da sua aula, aperfeiçoar a transição da morte de Cleitus para o assassinato de Filipe, aperfeiçoar as sequências que referi nos pontos positivos e dar-lhe aquele final memorável com o Anthony Hopkins do
Revisited. Aí sim,
cinco estrelas. Como eu adoraria remontar este filme.

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Alexandre, O Grande,
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