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terça-feira, 6 de julho de 2010

DARK CITY - CIDADE MISTERIOSA (1998)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★★
Título Original: Dark City
Realização: Alex Proyas
Principais Actores: Rufus Sewell, Kiefer Sutherland, Jennifer Connelly, Richard O`Brien, Ian Richardson, Bruce Spence

Crítica:

O ENIGMA MORTAL

First there was darkness,
then came The Strangers.

Complexa, obscura, profundamente misteriosa e visionária. A sombra do génio recaiu sobre Dark City - Cidade Misteriosa, a concretização máxima de Alex Proyas, potenciando uma intriga absolutamente excitante e plena de suspense e uma experiência esteticamente requintada e avassaladora.

A obra fantasia um mundo falso e manipulado, encerrado numa cidade sem memórias. Os Estranhos, poderosos seres de outra galáxia, enfrentam a extinção e decidem assumir o controlo absoluto do nosso planeta, estudando a existência humana e a sua assombrosa e progressiva evolução. Por isso, à meia-noite em ponto, a cidade pára, os seres humanos caem em sono profundo e os Estranhos, de pálidas faces e fantasmagóricas silhuetas, sintonizam, a partir do submundo urbano, as formas dos prédios e o estado mental dos Homens: experiência após experiência, sem posicionamento crítico ou ético, por pura e imparável curiosidade... qual ciência-deus-ex-machina. À semelhança da sua miserável existência, condenam as cobaias à memória partilhada e por meio do estudo dessas memórias tentam compreender aquilo que faz delas seres únicos.

Inconscientemente, por isso, os seres humanos vivem uma ilusão. Cada vez que acordam podem ser um novo eu. I've been trying to remember things, CLEARLY remember things, from my past, but the more I try to think back, the more it all starts to unravel. None of it seems real. It's like I've just been dreaming this life, and when I finally wake up, I'll be somebody else. Somebody totally different! O controlo é tal que as possibilidades de livre arbítrio e de amar são praticamente nulas, a não ser por meros e fugazes instantes que jamais serão recordados. Todavia, o mistério da vida é imenso, assim como a inteligência dos Homens.

John Murdoch (Rufus Sewell) é um dos raros humanos que, misteriosamente, se revela resistente ao sono, dotado de poderes equiparáveis aos dos aliens e capaz de desafiar as maquiavélicas estratégias dos Estranhos. Desde logo, por isso, começa a ser perseguido. Um outro antes dele, apercebera-se da monstruosa conspiração e da prisão a que estava irremediavelmente condenado e refugiara-se, desde então, sob a máscara da esquizofrenia. John, por sua vez, está destemido a inverter a situação. As incoerências daquela realidade simulada rapidamente lhe suscitam as mais pertinentes questões:

Daylight. When was the last time you remember seeing it? And I'm not talking about some distant, half-forgotten childhood memory, I mean like yesterday. Last week. Can you come up with a single memory? You can't, can you? You know something, I don't think the sun even... exists... in this place. 'Cause I've been up for hours, and hours, and hours, and the night never ends here.

O Dr. Daniel Schreber (Kiefer Sutherland) é humano e trabalha para os desconhecidos. A sua missão é ajudá-los a compreender o grande mistério da vida, por meio dos mais hediondos actos. Porém, jamais deixará de considerar esse comportamento reprovável. Por isso, empreenderá um missão pessoal, secreta e mortal: trair esses malditos cadáveres vigilantes, procurando o tal humano e encorajando-o a lutar pela libertação de toda a espécie humana.

A importância de guardar as memórias reclama, desde logo, um papel fundamental para a definição da identidade individual e do sentido da existência. Imagine a life Alien to yours. In which you memories were not your own, but those shared by every other of you kind. Imagine the torment of such an existence....no experiences to call your own.
Contudo e por fim, o método científico revela-se limitado: I call them the Strangers - diz o Dr. Shreber. - They abducted us and brought us here. This city, everyone in it... is their experiment. They mix and match our memories as they see fit, trying to divine what makes us unique. One day, a man might be an inspector. The next, someone entirely different. When they want to study a murderer, for instance, they simply imprint one of their citizens with a new personality. Arrange a family for him, friends, an entire history... even a lost wallet. Then they observe the results. Will a man, given the history of a killer, continue in that vein? Or are we, in fact, more than the sum of our memories?

You know how I was supposed to feel - profere John. - That person isn't me... never was. You wanted to know what it was about us that made us human. Well, you're not going to find it... - aponta para a cabeça - ...in here. You were looking in the wrong place.

Das reminiscências de Fritz Lang ao imaginário futurista de Blade Runner - Perigo Iminente, Dark City refunde as mais variadas influências. O design de toda a produção (George Liddle, Patrick Tatopoulos, Richard Hobbs e Michelle McGahey) é verdadeiramente extraordinário, contribuindo de forma determinante, a par do excelente trabalho de iluminação e fotografia (Dariusz Wolski, brilhante no deep focus), para a atmosfera enigmática que se adensa sobre o filme, do início ao fim. Também a montagem de Dov Hoenig, rápida e acutilante, se mostra decisiva para o ritmo empolgante e para as cadências hipnotizantes da obra. Os efeitos especiais são notáveis e destaque-se igualmente a banda sonora. A nível do elenco, há que salientar William Hurt, Kiefer Sutherland, Richard O`Brien e Bruce Spence. Alex Proyas dirige toda esta orquestra artística com uma sobriedade invejável. Inspiradíssimo.

Apreciação final? Um filme absolutamente memorável, fascinante e magnetizante.

domingo, 7 de setembro de 2008

EU, ROBOT (2004)

PONTUAÇÃO: BOM
★★★★
Título Original: I, Robot
Realização: Alex Proyas

Principais Actores: Will Smith, Bridget Moynahan, Alan Tudyk, Bruce Greenwood, James Cromwell, Chi McBride, Adrian L. Ricard, Shia LaBeouf, Jerry Wasserman, Fiona Hogan

Comentário: Uma das projecções no futuro mais verosímeis e melhor conseguidas da história do cinema. Excelentes efeitos especiais, grande realização. Akiva Goldsman esteve prodigioso na concepção do argumento, apesar de ouvirmos nela os ecos de outros grandes filmes de ficção científica: A.I. - Inteligência Artificial, a título de exemplo. Para além de tudo isto, Eu, Robot é, sem sombra de dúvida, entretenimento da melhor qualidade.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões