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domingo, 29 de outubro de 2017

PIRATAS DAS CARAÍBAS - A MALDIÇÃO DO PÉROLA NEGRA (2003)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: Pirates of Caribbean: The Curse of the Black Pearl
Realização: Gore Verbinski
Principais Actores: Johnny Depp, Geoffrey Rush, Keira Knightley, Orlando Bloom, Jonathan Pryce, Kevin McNally, Jack Davenport, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, Martin Kleeba, David Bailie 

Crítica:

EM BUSCA DO TESOURO AMALDIÇOADO

This is the day you will always remember
as the day you almost caught Captain Jack Sparrow!

Na viragem para o século XXI, muitos géneros ou sub-géneros cinematográficos estavam dados como mortos. Era o caso do western, do musical, dos épicos ou dos filmes de piratas. Talvez por isso, simbolicamente, os vilões deste revigorante filme de piratas nos surjam amaldiçoados, nem vivos o suficiente para desfrutarem dos prazeres da vida nem mortos quanto baste para descansarem eternamente e deixaram os realmente vivos em paz. Piratas das Caraíbas ressuscita o sub-género regressando à acção e à aventura, mas expandindo a comédia e mergulhando na fantasia e nas infindas potencialidades dos efeitos digitais, enriquecendo um universo mitológico que os parques Disney pelo mundo há muito exploravam e ajudavam a imortalizar.

A saga de piratas, pelo talento criativo de Gore Verbinski e dos argumentistas Ted Elliott e Terry Rossio, assume aqui proporções épicas. O arrojo da produção artística e da fotografia de Dariusz Wolski garantem o festim visual, escapista e encantatório, ao mesmo tempo que a composição de Klaus Badelt (discípulo de Hans Zimmer, que virá a assumir o cargo nos capítulos sequentes), em sintonia com as mais hilariantes - e milaborantes - sequências de acção, empolgam o espectador e fazem-no vibrar: em cada escape, em cada tiroteio, em cada duelo de espadas. Puro entretenimento, engenhoso nas coreografias, sempre pontuado pelo cómico, seja ele de situação, de linguagem ou de personagem. Por falar em personagens, que criação!, a do talentosíssimo Johnny Depp, o seu Jack Sparrow - perdão: Capitão Jack Sparrow: pleno de trejeitos efeminados, dominado pelo álcool ou pelos seus efeitos delirantes, pleno de suor e de non sense, tão ridículo mas simultaneamente tão inteiro na sua entrega e composição, tão único e tão distinto, tão apaixonante. Cada acessório do seu guarda-roupa, uma janela para o passado, que desconhecemos mas adoraríamos conhecer. Daí as sequelas e a trilogia, de igual forma motivadas pelo retumbante sucesso de bilheteira deste primeiro tomo. Geoffrey Rush entrega um Capitão Barbossa absolutamente incrível, que não só encarna a vilania como rivaliza no charme entre os mais temíveis dos sete mares. Keira Knightley e Orlando Bloom são o par romântico - embora nunca se excedam nas interpretações, destilam o seu carisma funcional e são competentes. Jonathan Price e Jack Davenport, do lado dos oficiais britânicos, e Lee Arenberg e Mackenzie Crook, do lado dos mais tresloucados corsários, compõem o quadro de prestações secundárias, enriquecendo o todo.

Sempre que se deixa a terra firme (e as brilhantes e inesquecíveis sequências em Port Royal, Tortuga ou nas ilhas desertas) e se parte para o alto-mar, A Maldição do Pérola Negra descaracteriza-se do cânone do tradicional filme de piratas e revela, porventura, a verdadeira identidade da saga Piratas das Caraíbas. À carga chegam-nos os efeitos especiais, munidos de algum exibicionismo de algum despropósito fantástico, que certamente atraem o seu público, mas que nem sempre servem a narrativa. Ainda assim, mostram-se geralmente refreados, no peso recomendado, na medida certa. Contra ventos e marés, por mais voltas e reviravoltas com que a história nos brinde, o risco acaba por compensar: o navio não afunda, os cofres da produtora e dos envolvidos recheiam-se de ouro e Piratas das Caraíbas triunfa mundialmente, conquistando os espectadores, impulsionando as carreiras de Knightley e Bloom e catapultando, decisivamente, Depp para o absoluto estrelato e o seu Sparrow para o panteão das mais célebres e imortais personagens da História do Cinema.

Assim é Piratas das Caraíbas - A Maldição do Pérola Negra: completamente alucinado, ligeiro e descomprometido e, sobretudo, bastante divertido. É o raio de uma viagem. Tendo honrado o legado de uma geração, definiu o imaginário de outra. Impôs-se, definitivamente, como a referência do sub-género dos filmes de piratas. E esse é um feito e pêras.

Yo, ho, yo, ho! A pirate's life for me...


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O MASCARILHA (2013)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Lone Ranger
Realização: Gore Verbinski
Principais Actores: Johnny Depp, Armie Hammer, William Fichtner, Tom Wilkinson, Helena Bonham Carter, Ruth Wilson, James Badge Dale, Barry Pepper, Saginaw Grant, W. Earl Brown, Harry Treadaway

Crítica:

O VELHO OESTE SELVAGEM

- If these men represent the Law, I'd rather be an Outlaw.
- That is why you wear the mask.

O Mascarilha invoca e glorifica, em toda a sua grandeza e esplendor, o velho e mítico Oeste Selvagem que o cinema americano, durante décadas, honrou e imortalizou. Povoa todo esse imaginário coletivo - de índios, cherifes e cowboys, soldados e mineiros, de cavalgadas pela vingança ou pela justiça, de bons, feios e vilões, de pequenas cidades perdidas entre o sol e a poeira, de saloons e casas de meninas, de furiosos comboios e intermináveis linhas férreas que desbravam cegamente as terras virgens - imaginário que lembramos desde crianças, o mesmo que os nossos pais ou avós partilharam tão entusiasticamente no passado.

O Mascarilha não inventa - não foi tudo inventado? -, tão-pouco reinventa, antes reinterpreta. A ambiciosa e arrojada produção recolhe as melhores influências e oferece um refrescante e prazeroso espetáculo sem precedentes: de ação desenfreada e de cortar a respiração, que se transcende em emoções e diversão - aqui podemos encontrar a melhor cena de perseguição de comboios de todos os tempos -, de arrebatadores grandes planos onde a paisagem a perder de vista se confunde com o horizonte longínquo, do imperioso silêncio de desertos e rochedos, sobre todos o silêncio do imponente e incontornável Monument Valley, tão contrastante que é com a grandiosa e triunfante banda sonora de Hans Zimmer. 

Em O Mascarilha dá-se, pois, o tão aguardado reencontro do western ressuscitado com as grandes massas; pena que o desempenho do filme nas bilheteiras invalide, em parte e incompreensivelmente, este meu argumento. O índio Tonto, de rosto pintado e corvo morto na cabeça - excêntrica e hilariante criação de Johnny Depp - tem mesmo razão: por estes dias, nature is definitely... out of balance.

Para as filmagens, construiram-se, de raiz, quilómetros de caminhos de ferro e três modelos de comboios, que se pretendia que fossem como personagens. Os atores percorreram mesmo o cimo de carruagens em movimento, por uma questão de realismo. É claro que há muitas maravilhas do digital ao longo do filme, mas tantas há que são reais e verdadeiras e que, por serem feitos raros nos dias de hoje, passam por artificiais. A produção da Disney e de Jerry Bruckheimer (que prime, como sabemos, o seu selo nalguns dos maiores blockbusters de Hollywood) combina habilmente - e certamente por mérito da visão e intervenção artística de Gore Verbinski - a sofisticação digital em pouco mais do que o indispensável, tanto quanto permita o budget (também esse épico, neste caso), com a melhor utilização possível dos recursos fisicos e clássicos de filmagem. O certo é que, indepentemente de todos os processos, depois da luz e do enquadramento, o requinte de cada cena, frame by frame, é imprescindível. A fotografia de Bojan Bazelli é, por isso, um feito de exímia beleza.

A narrativa é sempre muito fluída, ficcionando entre os meandros da História e alguns anacronismos intencionais que não devem senão à comédia. Os argumentistas Justin Haythe e a dupla Ted Elliott e Terry Rossio (estes últimos também da equipa Piratas das Caraíbas) concebem um filme dinâmico e pleno de ritmo, não-linear porém deveras consistente e bem construído, alicerçado no cómico de situação, no cómico de personagem e na improvável amizade entre um nativo comanche, de valores e ideias bem vincados mas perfeitamente idiota na sua ação e um recém-advogado de valores e ideias igualmente vincados (se bem que outros, radicalmente distintos) e pouco ajeitado com os tiros. O primeiro conta os minutos para vingar a pior troca que alguma vez fez na vida, que lhe ardeu a inocência e que decidiu o destino de muitos dos seus. O segundo, sabe da vida a lei suprema e teórica e tão-pouco sobre a ganância voraz, que pela fraqueza dos homens segue praticamente imune aos ideais da justiça. Num tempo em que os rangers já foram, John Reid (carismático e circunscrito herói, assumido com charme e refino por Armie Hammer), ousa lutar pela estrela ao peito. Salvo da morte pelo cavalo mais lunático de que há memória, parte na companhia do índio pelo oeste, de enorme chapéu branco ao alto, usando a icónica máscara preta, defrontando os adversários que a coragem ou a sorte decidem. Ao longo da odisseia, a esperta Red de perna de marfim (Helena Bonham Carter), o temível Butch Cavendish (William Fichtner), a bela Rebecca (Ruth Wilson), amada adiada, e o ávido e enganoso capitalista Latham Cole (Tom Wilkinson), senhor dos comboios:

From the time of Alexander the Great, no man could travel faster than a horse that carried him. Not anymore. Imagine; time and space, under the mastery of man, power makes emperors and kings... look like fools. Whoever controls this, controls the future. 

Alter-ego de Jack Sparrow, Tonto assume o protagonismo em todos os seus trejeitos e maneirismos, mas também porque é dele o ponto de vista. Lembremos o noble sauvage em exposição na feira de S. Francisco, anos 30, que conta à criança e ao espetador o porquê do cavaleiro usar uma máscara, a necessidade de também um herói poder assaltar um banco. A revisita começa aí e termina já nos créditos finais, de regresso a casa, às derradeiras origens. Deliciosa e memorável personagem, a desse camaleão maior que é Johnny Depp.

Grande filme, grande entretenimento, grande western. O tempo fará justiça a este O Mascarilha.

domingo, 7 de setembro de 2008

PIRATAS DAS CARAÍBAS - NOS CONFINS DO MUNDO (2007)

PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL
Título Original: Pirates of the Caribbean - At World's End
Realização: Gore Verbinski

Principais Actores: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Geoffrey Rush, Chow Yun-Fat, Bill Nighy, Jonathan Pryce, Jack Davenport, Stellan Skarsgard, Naomie Harris, Tom Hollander, Kevin McNally


Comentário: O navio afundou. Até Johnny Depp andou perdido na mediocridade do argumento.

PIRATAS DAS CARAÍBAS - O COFRE DO HOMEM MORTO (2006)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Pirates of the Caribbean - Dead Man's Chest
Realização: Gore Verbinski

Principais Actores: Johnny Depp, Orlando Bloom, Keira Knightley, Bill Nighy, Stellan Skarsgård, Jack Davenport, Kevin McNally, Naomie Harris, Jonathan Pryce, Tom Hollander, Lee Arenberg, Mackenzie Crook, David Bailie, Martin Klebba


Crítica: Johnny Depp está fenomenal. E o argumento ajudou-o, digno das melhores e mais divertidas histórias da Disney. O início do filme é inesperado e bastante agradável, e, até ao fim, as peripécias sucedem-se consistentemente, umas atrás das outras. É impossível parar de rir, sobretudo na parte da ilha. O final é emocionante e até a surpresa depois dos créditos finais faz esboçar o sorriso mais resistente. A banda sonora de Hans Zimmer é um cofre de boas surpresas. Esta segunda parte da saga é um bom exemplo de um cinema de entretenimento competente.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões