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domingo, 7 de setembro de 2008

PEARL HARBOR (2001)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Pearl Harbor
Realização: Michael Bay

Principais Actores: Ben Affleck, Josh Hartnett, Kate Beckinsale, Alec Baldwin, Jon Voight, Cuba Gooding Jr., Dan Aykroyd, Tom Sizemore, William Lee Scott, Graham Beckel, Ewen Bremner, Nicholas Farrell, Tomas Arana, Peter Firth, Tom Everett, Michael Shannon, John Diehl, Jaime King, Catherine Kellner, Jennifer Garnerr

Crítica:
ASES PELOS ARES

There's nothing stronger than the heart of a volunteer. 

Michael Bay é internacionalmente conhecido e reconhecido como o realizador das explosões. A fama poderá ser redutora, mas o homem fez por isso. Pearl Harbor entrou, inclusive, para o livro de recordes do Guiness como o filme, até então, em que mais explosivos foram accionados. O surpreendente ataque dos japoneses à base havaiana na manhã de 7 de Dezembro de 1941 é, qual batalha naval, violentamente retratado e simulado. Os números, só para rebentar com os barcos do porto em alguns segundos de exibição, foram astronómicos: qualquer coisa como 700 barras de dinamite, 700 metros de fios e mais de 15 mil litros de gasolina. 
Pearl Harbor é, efectivamente, um filme ambicioso e de acção explosiva. Mas não apenas pelas explosões. Bay conseguiu distanciar-se, aqui - e muito -, do registo meramente comercial a que nos habituara, por exemplo, no meteórico Armageddon. Avaliando a obra no seu todo, o resultado é francamente positivo e a crítica negativa que envolve a obra, desde a sua estreia, creio, tem muito que ver com a demonização do realizador por parte de puristas tão intelectualóides que se se soubessem divertir, de quando em vez, seriam certamente mais felizes.

Os filmes de Bay poderão descurar, na grande parte das vezes, a importância vital do argumento e o desenvolvimento das personagens (julgo, nomeadamente, que o artista piorou nesse aspecto depois deste filme, salvo raras excepções), mas... não tanto aqui. Não alinho na opinião dominante, porque não é isso que vejo e não é isso que sinto a cada vez que assisto ao filme. A eficácia e consistência do argumento acontecem pela variedade de registos que este abraça, privilegiando o romance (identificamos o fôlego e a influência de Titanic) e doseando com equilíbrio o drama e a comédia, a acção e a tragédia. O script, a cargo de Randall Wallace, argumentista de Braveheart, ainda que aqui e ali com o dedo de Bay, prima essencialmente por isso. Baseia-se num acontecimento histórico, que manchou a honra dos Estados Unidos da América e despoletou a 2ª Grande Guerra e não tem quaisquer pretensões de documentário. É uma obra assumidamente ficcional, mas sem uma densidade por aí além: ao mesmo tempo que suscita a reflexão, emociona e faz espairecer a cabeça, enquanto se devora um guloso balde de pipocas. Não há mal nenhum nisso. Fossem todos os blockbusters das terras do tio Sam tão bem conseguidos quanto este. 

Relativamente ao elenco, os secundários são notáveis: Alec Baldwin e o seu destemido e bem-humurado coronel Dolittle, Cuba Gooding Jr. e o seu corajoso e decente Doris Miller, oficial negro num tempo de tão maior preconceito, e Jon Voight e o seu eloquente e emocionante presidente Franklin Roosevelt. Todos inspiradores, todos heróis. A abordagem ao romance, muito cliché e ao género do que se fazia no cinema dos anos quarenta do século XX, leva a personagens sem uma dimensionalidade extraordinária, um pouco como se de personagens-tipo se tratassem. Não penso, por isso, que o casting dos protagonistas ou o desempenho dos próprios ponham o filme em causa. Para os papéis em questão, julgo mesmo que defendem bem as suas personagens. Ben Affleck pode, na sua pouca expressividade, não ir muito além de um jovem viril, bonito e com o seu charme, mas é isso que se espera de um galã dos anos quarenta. Beckinsale é também bonita, uma voz belíssima e no tom certo para dar alento à narração epistolar - quando chega a hora das emoções, não defrauda. E a completar o triângulo, Hartnett: um quebra-corações, que também não falha no seu entusiasmo juvenil.

Bay é de um perfeccionismo e ousadia incríveis no que toca a filmar sequências de acção. Revela-se, em Pearl Harbor - e, provavelmente, mais do que nunca -um prodigioso ás da câmera, verdadeiramente magistral na orquestração dos céus. O seu contributo para o género e para a indústria do entretenimento de massas é, a meu ver, inegável e indesmentível. A fotografia de John Schwartzman deslumbra a cada frameHans Zimmer compõe uma das suas mais belas e emocionantes bandas sonoras, que culmina na redentora canção de Faith Hill e que se alia perfeitamente aos sofisticados efeitos digitais, num espetáculo em tudo vibrante e de cortar a respiração. O poderoso trabalho de sonoplastia (cuja montagem foi premiada pela Academia, naquele que é o único Óscar para um filme do cineasta) proporciona uma experiência absolutamente empolgante e assombrosa. 

Por tudo isto, Pearl Harbor torna-se, para mim e facilmente, o melhor filme do realizador. Uma obra de entretenimento triunfal, bem capaz de inspirar uma nova geração de rapazes a pilotar e a sonhar os céus. Muitas vezes, volto ao filme. E sabe-me tão bem. Já agora: o DVD do filme de Bay partilha a prateleira com Dreyer, Ford e Tati (todos mortos, que é para não sobrarem dúvidas do meu bom gosto cinematográfico).

ARMAGEDDON (1998)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Armageddon
Realização: Michael Bay

Principais Actores: Bruce Willis, Billy Bob Thornton, Ben Affleck, Liv Tyler, Will Patton, Steve Buscemi, Owen Wilson, Michael Clarke Duncan

Comentário: Michael Bay é profissional na concepção do entretenimento de excelência. Armageddon é emocionate do princípio ao fim. É acção non-stop, plena de humor e com sofisticadíssimos efeitos especiais. A banda sonora soa-nos ao melhor Hans Zimmer e ajusta-se perfeitamente. Grande filme.


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