quinta-feira, 14 de julho de 2011

HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL (2001)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Harry Potter and the Sorcerer's Stone
Realização: Chris Columbus
Principais Actores: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Tom Felton, Richard Harris, Maggie Smith, Robbie Coltrane, Alan Rickman, Ian Hart, John Cleese, John Hurt

Crítica:

O RAPAZ QUE SOBREVIVEU

It's true then, what they're saying on the train.
Harry Potter has come to Hogwarts.

Expansão do imaginário, fusão e recriação fantástica de mitos e mitologias ou aventura meramente escapista: o fenómeno Harry Potter justifica-se à luz de um sem fim de atributos e méritos próprios. Creio que um factor determinante para o sucesso da saga foi o de, livro após livro, filme após filme, a história acompanhar o crescimento da criança que se fez homem e que perdeu a inocência, ao mesmo tempo que acompanhava toda uma geração (mundo fora), que fazia exactamente o mesmo percurso. Harry Potter fez a ponte entre o real e o imaginário, entre o quotidiano londrino dos finais do século XX/século XXI, quase que radicalmente despido de crenças e superstições sobrenaturais, e uma idade como que parada no tempo, algures entre o antigamente e o tempo onde a magia é possível. E é mesmo isso que Harry Potter representa: o regresso da magia. Com Harry Potter e A Pedra Filosofal, a magia torna ao grande ecrã e a fantasia resulta - coisa rara em cinema - triunfalmente, com doses certas de coerência, verosimilhança e imaginação.

Após mais um entediante e sofrido Verão em casa dos tios muggles, eis que chega a sua data de aniversário e o início da maior aventura da sua vida: Harry descobrirá as suas origens, a sua própria identidade e um mundo completamente inacreditável, onde a luz e as trevas andarão sempre lado a lado. Após um violento confronto, aquele cujo nome não deve ser pronunciado deixou-lhe uma cicatriz na testa, passou-lhe infindáveis poderes e o mistério da sua orfandade. Seria inimaginável pensar este encantatório, perigoso e derradeiramente arrebatador mundo de Harry Potter sem as infinitas potencialidades dos efeitos digitais. Da edificação dos cenários à composição da atmosfera, da concepção das mais variadas e maravilhosas criaturas e bruxarias à captação do verdadeiro espírito do livro, os efeitos digitais (cada vez mais sofisticados) elevam significativamente a experiência. Fale-se da monumental direcção artística de Stuart Craig, tão ambiciosamente empenhada em dar vida ao mundo de J. K. Rowling, da plataforma 9 3/4 às ruas da Diagon Alley e às imponentes galerias e escadarias de Hogwarts. Fale-se da fotografia de John Seale, ainda que por vezes excessivamente escura. Fale-se da icónica e emblemática banda sonora de John Williams - o seu Hedwig's Theme tornou-se instantaneamente um clássico e sinónimo de sétima arte. Fale-se desse elenco de carismáticas e prometedoras crianças-actores: Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson - como Harry Potter, Ron e Hermione, respectivamente - que mais tarde se viriam a revelar escolhas mais do que acertadas. Fale-se desse fundamental leque de actores seniores - grandes actores, em extraordinários desempenhos: Richard Harris como Albus Dumbledore (que me desculpe Michael Gambon, mas para mim Richard Harris será sempre um melhor Dumbledore), Alan Rickman como Severus Snape (uma das mais enigmáticas, ricas e fascinantes personagens da saga), Maggie Smith como Minerva McGonagall ou Robbie Coltrane como Rubeus Hagrid.

É certo que Chris Columbus, na realização, nunca é tão extraordinário como o próprio universo que Harry Potter nos dá a descobrir, mas é igualmente certo que assegura a aventura e o entretenimento familiar, num tom marcadamente infantil, com uma eficácia mais ou menos assegurada. Encontro na excessiva colagem à narrativa do livro, contudo, o ponto mais negativo do filme. A adaptação, quem sabe se excessivamente supervisionada pela autora da obra, tenta condensar demasiada informação em pouco tempo, prejudicando uma desejável fluidez do ritmo e o amadurecimento dos episódios; tarefa árdua, admitamos, na apresentação ao mundo de tão complexa história, tão recheada de detalhes. Apesar disso, eis um tomo absolutamente fascinante e plausível. Quem resistiria, afinal, a apanhar o comboio para Hogwarts?

3 comentários:

  1. Bela crítica, fez-me reviver um pouco do que foi para mim o início desta saga. Na altura as expectativas eram altas, após ter lido os livros, e a desilusão imperou, impera sempre, é inevitável, ainda que o filme se tenha colado muito (talvez demasiado) ao livro e aos seus capítulos. Mas foi, de qualquer modo, um bom início, capaz e competente, em que destaco acima de tudo toda a componente artística, técnica e cenográfica, bem como a fabulosa banda sonora de John Williams, que nos enche a alma e nos faz transportar para o mundo mágico de Harry Potter.

    abraço

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  2. Exactamente, quem resistiria a mergulhar neste mundo?


    Abraço
    Frank and Hall's Stuff

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  3. JORGE: Obrigado ;) Estamos de acordo, ainda que para mim não tenha sido uma desilusão. Foi marcante, quando muito não fosse, por ter sido o primeiro filme que vi no cinema, já tardiamente; fica a curiosidade.

    BRUNO CUNHA: Muggles alheios a fantasias escapistas ;)

    Roberto Simões
    » CINEROAD «

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