Título Original: Iklimler
Principais Actores: Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan, Nazan Kirilmis, Mehmet Eryilmaz, Arif Asçi, Can Ozbatur
Crítica: Um exercício de enquadramentos excepcionais sobre a tristeza e a incomunicabilidade que, face ao desgaste, invade os pares de um relacionamento amoroso.
Ceylan mostra-se neutro na abordagem, ainda que haja uma angústia existencial constante nas personagens que tão convictamente filma, angústia essa que as impossibilita da serenidade e da paz de espírito que o meio circundante reclama, nomeadamente através dos sons apaziguadores. O argumento centra-se essencialmente nos momentos mortos da acção, nos quais Isa e Bahar se vêem a sós consigo próprios, em momentos de pura introspecção. Não há muitos diálogos. O ambiente é soturno e o subtexto chega até nós, espectadores, na transcendência dos silêncios humanos. A fotografia de Gökhan Tiryaki capacita o filme de uma beleza inesperada. A mise-en-scène é de uma minúcia fundamental. O segundo plano é maioritariamente desfocado, contribuindo para a densidade narrativa e para uma certa tendência claustrofóbica na arte de filmar o espaço. Há poucos cortes, são privilegiados os longos takes.
O filme revela-se - eu não diria melancólico, diria antes - deprimente. Um projecto de grande contenção, muito íntimo e pessoal do realizador. Afinal, é ele próprio, Nuri Bilge Ceylan, e a mulher, Ebru Ceylan, que protagonizam a obra, plenos de autenticidade.
Ceylan mostra-se neutro na abordagem, ainda que haja uma angústia existencial constante nas personagens que tão convictamente filma, angústia essa que as impossibilita da serenidade e da paz de espírito que o meio circundante reclama, nomeadamente através dos sons apaziguadores. O argumento centra-se essencialmente nos momentos mortos da acção, nos quais Isa e Bahar se vêem a sós consigo próprios, em momentos de pura introspecção. Não há muitos diálogos. O ambiente é soturno e o subtexto chega até nós, espectadores, na transcendência dos silêncios humanos. A fotografia de Gökhan Tiryaki capacita o filme de uma beleza inesperada. A mise-en-scène é de uma minúcia fundamental. O segundo plano é maioritariamente desfocado, contribuindo para a densidade narrativa e para uma certa tendência claustrofóbica na arte de filmar o espaço. Há poucos cortes, são privilegiados os longos takes.
O filme revela-se - eu não diria melancólico, diria antes - deprimente. Um projecto de grande contenção, muito íntimo e pessoal do realizador. Afinal, é ele próprio, Nuri Bilge Ceylan, e a mulher, Ebru Ceylan, que protagonizam a obra, plenos de autenticidade.
Tem mesmo aspecto de um filme que eu iria gostar.
ResponderEliminarGostei de ler a tua crítica! :)
ResponderEliminarCLÁUDIA GAMEIRO: A sério? Olha que tenho as minhas dúvidas. Face ao que li por aí esperava um filme com um tanto mais de substância. Talvez pairasse o clima errado por estes lados, mas creio que não.
ResponderEliminarBLACKBERRY: Obrigado ;)
Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «
Estou com a Claúdia, também acho que me vá agradar.
ResponderEliminarAbraço
Não conhecia este filme e, pelo jeito, eu deveria. Vou procurar.
ResponderEliminarMARCELO PEREIRA: Por acaso é daqueles filmes que não te sei dizer se gostarás ou não. Fica a teu critério e desejo-te um bom filme!
ResponderEliminarWALLY: Não é certamente um filme para todos, mas penso que faz bem. Espero que goste. Não é o meu género de filme, de todo, mas reconheço-lhe as qualidades.
Cumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «
É um filme brilhante, introspectivo, contemplativo, naturalista, paisagístico. Duma beleza fenomenal, quer seja naquele manto branco que a neve cobre como no ar sufocante e abrasador daquela praia. Além da incomunicabilidade e da solidão temos também o conflito interior de Isa, a falta de uma decisão quanto à sua vontade, ele não sabe o que quer, é um ser inconstante, imaturo. E tudo isso nessa mise-en-scène brilhante. Se este não te agradou, então nem vejas o Uzak ou o Mayis Sikintisi.
ResponderEliminarÁLVARO MARTINS: Não posso dizer que não tenha gostado, mas não posso dizer igualmente que me tenha enchido as medidas... Não fiquei muito motivado para descobrir a sua filmografia, não. O que Ceylan faz, faz bem feito, ao seu estilo, mas não creio que seja muito enriquecedor... Pelo menos por mim falo. Acabei de ver o filme a pensar como "tenho uma vida para viver"...
ResponderEliminarCumps.
Roberto Simões
» CINEROAD - A Estrada do Cinema «
É o meu género de filme, mas não é um filme que me consiga deixar satisfeito.
ResponderEliminarGosto da maneira como Ceylan faz as coisas, gosto do que consegue retirar e da forma como valoriza o ínfimo de cada personagem, só não vejo no mundo dele grande inspiração.