terça-feira, 4 de abril de 2017

COLATERAL (2004)

PONTUAÇÃO: BOM
 
Título Original: Collateral
Realização:
Michael Mann
Principais Actores
: Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Javier Bardem, Bruce McGill, Barry Shabaka Henley, Irma P. Hall, Peter Berg, Richard T. Jones, Thomas Rosales Jr., Emilio Rivera


Crítica:

O TAXISTA

Take comfort in knowing you never had a choice. 

Assistir a Colateral recorda-me, imediatamente, a noite do pesadelo de Nova Iorque Fora de Horas, de Scorsese. Troquemos Nova Iorque por Los Angeles e a comédia surrealista pelo thriller de acção. Onde Paul (Griffin Dunne) era um escriturário entediado, Max (Jamie Foxx) é um taxista com desejos escapistas: ambos homens comuns, ambos homens simples. O primeiro termina o turno e espera-o a noite como palco dos acontecimentos mais bizarros. O segundo entra precisamente ao trabalho com o cair da noite. Imagina que terá um expediente igual a tantos outros, com o habitual entra e sai dos passageiros, mas terá tudo menos uma noite normal: espera-o uma frenética e alucinante madrugada de nervos, plena de picos de adrenalina, que testará e desafiará - de forma brutal e inequívoca - o seu carácter e todos os seus limites.

O acaso fá-lo conhecer a belíssima Annie (Jada Pinkett Smith), procuradora de justiça, que se senta no banco detrás e que, entre alguns desabafos, admite o stress da sua profissão. O flirt acontece: Max oferece-lhe a fotografia das Maldivas que sempre o acompanhou, para que a mulher possa viajar na imaginação sempre que o trabalho lhe sobrecarregar o espírito, e Annie oferece-lhe o seu cartão pessoal, com o seu contacto. Quando é deixada no seu destino, poderiam nunca mais se encontrar. Mas a cena teve o seu propósito: estabelecer uma ligação entre ambas as personagens e revelar de Max um lado mais pessoal que, de outra forma, jamais conheceríamos. Naquela cena, é criada a empatia entre ele e os espectadores. E é claro, lá mais para o final perceberemos que não foi um mero encontro, sem significado.

Quando o grisalho e insuspeito Vincent de Tom Cruise lhe entra pelo automóvel adentro, todo bem vestido e de mala na mão - e de armas e intenções absolutamente dissimuladas - a sua noite já não tem como ser uma noite como as outras. Vincent é um assassino profissional, contratado para matar cinco pessoas, em cinco moradas exactas. À primeira paragem, a primeira vítima alvejada estatela-se em cima do táxi, caída de uma janela. Max nem quer acreditar no que lhe está a acontecer. Ameaçado pelo passageiro - sempre de arma carregada em punho - é levado a esconder o cadáver na mala do veículo e a seguir escrupulosamente o itinerário proposto, se quiser sobreviver. A polícia fica no seu encalço e a caça ao criminoso começa pelas ruas da cidade - cidade ora transparente ora soturna, mas sempre luminosa, sempre pulsante - num crescendo de tensão e suspense tão intenso e empolgante, que viveremos a experiência e os suores frios das personagens como se estivéssemos lá, efectivamente. E como se torna desconcertante e enervante, assistirmos a tão terrífica situação ao som do belíssimo arranjo da Ária de Bach, pelos Klazz Brother e Cuba Percussions!

Michael Mann, longe de artificialismos maiores, sustém um filme muito bem filmado, sem os habituais excessos do género, provando que é possível fazer cinema comercial com uma abordagem modernizada e uma roupagem mais pop (tanto pela arte de montar as cenas e de as filmar com câmeras digitais, como pelas canções) mas nos moldes mais tradicionais: Colateral prima, afinal e essencialmente, pela narrativa (ora contida ora explosiva e excitante: os ingredientes estão doseados na medida certa, no momento certo) e pelos excepcionais desempenhos dos actores: Tom Cruise e Jamie Foxx entregam interpretações magníficas.

10 comentários:

  1. É o estilo de Michael Mann, sem exageros na ação e com tomadas muito bem filmadas.

    A dupla principal está muito bem, inclusive Tom Cruise como o vilão.

    Abraço

    ResponderEliminar
  2. Um belíssimo filme, sem dúvida. Para mim, do melhor que Mann fez. A dupla do filme funciona exemplarmente bem, assim como toda a tensão que é criada, com a cidade a contemplar os acontecimentos e a ser filmada magistralmente. Os planos da cidade, da noite, das luzes e do ambiente são o que mais me fascinam aqui, intercalando e enquadrando os acontecimentos dentro do carro. É mesmo o aspecto que diferencia este filme de tantos outros. A sua capacidade de nos entreter de forma séria, real e palpável. Como que vivendo e sentindo todo o suspense entre a acção e os personagens. Magnífico.

    Ainda assim, e na minha opinião, lá mais para o final poderia ter sido um pouco melhor, talvez mais profundo, ou mais complexo. Não sei bem. Mas gosto, um Mann à maneira :)

    abraço

    ResponderEliminar
  3. É um bom filme sim, também daria essa nota, mas obra maior de Mann para mim é o Heat.

    Abç

    ResponderEliminar
  4. Numa classificação minha será 8/10. Adorei este filme e achei magnificas as interpretações de Cruise e Foxx ;)
    Bjks

    ResponderEliminar
  5. Um filme que preciso rever. Na época, não me chamou muito a atenção, mas acho que, assistindo hoje, a ideia será outra.

    =]

    ResponderEliminar
  6. Michael Mann é um grande diretor!
    Abraços,

    www.ofalcaomaltes.blogspot.com

    ResponderEliminar
  7. Apenas um bom filme mainstream, nada mais do que isso

    ResponderEliminar
  8. Crítica reformulada a 04/04/2017.

    CINEROAD

    ResponderEliminar

Comente e participe. O seu testemunho enriquece este encontro de opiniões.

Volte sempre e confira as respostas dadas aos seus comentários.

Obrigado.

CINEROAD ©2017 de Roberto Simões