terça-feira, 26 de maio de 2009

DANCER IN THE DARK (2000)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Dancer in the Dark
Realização: Lars von Trier
Principais Actores: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Peter Stormare, Joel Grey, Jean-Marc Barr

Crítica:

DE OLHOS BEM FECHADOS

In a musical, nothing dreadful ever happens.

Dancer in the Dark poderá ficar recordado como uma das mais intensas e genuínas experiências do cinema universal e, em particular, da singular mestria de Lars von Trier.

O filme inicia-se leve, simples e frágil; quase nem parece ter começado, assemelha-se a um documentário de bastidores. Mas uma coisa é certa e garantida: parece real. E esse sentido de realidade vai-nos envolvendo e aprisionando, cada vez mais, na tocante história de Selma, a jovem imigrante checa, mãe e mulher de uma inocência e dedicação extremas. Aos poucos, o drama adensa-se e precipita-se para a tragédia... e assola-nos por inteiro. A dada altura, ou engolimos em seco, petrificados, ou... cedemos às lágrimas, tremulamente agoniados. Porque o filme trespassará largamente a fronteira da comoção; angustiar-nos-á, de tanta crueldade, de tanta injustiça, de tanta revolta... Dancer in the Dark revela-se-nos como uma obra tremenda e derradeiramente forte. Estamos perante o final e queremos que o filme acabe antes do fim, que nem Selma com os musicais que tanto admira. Porque não aguentamos o sacrifício profundo e desconcertante daquela mulher inocente... tanta tortura interior, com a qual tão facilmente nos identificamos em muito graças ao poderoso efeito de real. Face a tão dolorosa realidade, não admira que Selma prefira o canto espontâneo e as danças coreografadas dos musicais, um mundo colorido onde tudo é feliz, a solução escapista capaz de a recompensar com um sorriso. Eis um filme tão perturbador quanto belíssimo, verdadeiramente belo... onde Björk, puramente brilhante, compõe (com pouca margem para equívoco) uma das maiores - senão a maior - interpretação feminina da história do cinema.

Para lá do abismo, o ermo da entrega... na escuridão da Morte. Silêncio...
Para além dela, a redentora e merecida absolvição.
Música!

10 comentários:

  1. Estou ansioso é para o Antichrist. Pena que a versão que nos vai chegar é de certeza a censurada.

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  2. Guardo muita curiosidade em relação ao filme, espero pela crítica :)

    Há fortes possibilidades de Antichrist não chegar censurada, como Brokeback Mountain não chegou. E mesmo se for editado, o DVD sairá quase de certeza na versão integral. (isto sou eu a convencer-me a mim próprio).

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  3. Nunca vi... mas digo-te que o albúm Homogenic da Bjork está no meu top 15. Ela é em si própria uma personagem

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  4. Olá

    Não vi ainda este filme, mas como é com a Björk, deve ter alguma coisa de especial. Já com relação ao filme Antichrist, muito eu tenho ouvido falar. Em Cannes ouve críticas, mas também elogios. Nos basta sair no cinema : )

    até mais

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  5. TIAGO RAMOS: Não sei que versão chegará a Portugal, creio que (tal como diz o Jackson abaixo do teu comentário) o DVD pelo menos nos trará a versão integral. ANTICHRIST deve ser muito muito forte e intenso. Também estou ansioso. Lars von Trier é dos realizadores que mais estimo.

    JACKSON: Aí está a crítica, confere :b Quanto ao ANTICHRIST também penso o mesmo que tu.

    SOFIA: Eu conheço, talvez infelimente, muito pouco do trabalho de Björk. Enquanto música, não me considero o seu fã nº1.

    ALTIERES BRUNO MACHADO JUNIOR: DANCER IN THE DARK é uma obra obrigatória! Não perca a oportunidade de assistir a este filme magnífico!

    Cumps.
    Roberto F. A. Simões
    CINEROAD – A Estrada do Cinema

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  6. Roberto, nunca assisti nada do VonTrier, fiquei curioso pelo trabalho dele com esse lançamento do Antichrist. Assistiria esse que você indicou pela presença da Bjork.
    Vi que passou no meu blog, obrigado pela visita. VOu acompanhar o seu tb.
    Qnto ao fundo do blog eu não lembro mesmo, eu sei q eu estava pesquisando por templates e tinha esse pronto e adaptado para o blogspot. Se eu encontrar o site te aviso.
    Então você é de Portugal? Cumprimentos do Brasil.
    abraço

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  7. PAULO[ALT]: Veja então! DANCER IN THE DARK é altamente recomendado! :b
    Sim, de Portugal.

    Cumps.
    Filipe Assis
    CINEROAD – A Estrada do Cinema

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  8. Filme absolutamente lindíssimo, com uma banda sonora estupenda. Chorei que nem um madalena como já não chorava desde os meus 11 anos enquanto via o Titanic.
    A interpretação de Björk é fabulosa!

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  9. MARTA: Curiosamente, também chorei compulsivamente! Foi muito forte, senti mesmo aquilo. E também não chorava assim desde TITANIC! ;)

    Cumps.
    Roberto Simões
    CINEROAD - A Estrada do Cinema

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  10. Finalmente uma oportunidade para te dedicar umas linhas a esta tua critica, que gostei do que foi escrito e até porque é bastante sucinta (sem alongamentos). Well done, Roberto!

    "Dancer In The Dark" é para mim um dos melhores filmes musicais de sempre. Onde as canções fluem perfeitamente na sua condição de alienação da realidade dura da personagem Bjork. E depois no final temos a derradeira canção dela, já em plena realidade do filme e não a da alienação... numa cena toda ela poderosíssima e duramente comovente.

    O filme é tão duro que há alturas em que devido á cegueira crescente da personagem a trabalhar nas pesadas máquinas... parece que a qualquer momento vai ainda sofrer um acidente laboral e ficar amputada das mãos. Parece que até nos deixa em estado de alerta por ela... como se a pudéssemos ajudar também.

    Bjork conseguiu, e duma só vez, conciliar a sua música com a arte da representação. Saiu-se muito bem na prova, sendo até nomeada para os Oscars pela parte musical. O disco que deste filme resultou é magnifico.
    A Madonna ainda hoje se deve roer toda de tamanha inveja... afinal a rainha da pop tanto tentou e nunca vingou na 7ª arte e nem deixou nada assim plenamente marcante e de alto reconhecimento.
    Bjork só foi actriz com este filme... e marcou definitivamente.

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