sexta-feira, 25 de março de 2011

A ESTRADA (2009)

PONTUAÇÃO: BOM

Título Original: The Road
Realização
: John Hillcoat

Principais Actores: Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Robert Duvall, Guy Pearce, Molly Parker, Michael Kenneth Williams, Garret Dillahunt, Charlize Theron

Crítica:

PAI E FILHO

All I know is the child is my warrant
and if he is not the word of God, then God never spoke.

É, verdadeiramente, de partir o coração. A Estrada, de John Hillcoat, é profundamente desolador - um filme sobre a assustadora e traumatizante realidade de um hipotético fim do mundo. A partir do romance de Comarc McCarthy, seguimos a história de um pai (magnífico Viggo Mortensen) que, na desesperada luta pela sobrevivência, faz absolutamente de tudo para salvar o filho (Kodi Smith-McPhee). As personagens nem têm nomes, não vale a pena. O planeta está a morrer e a paisagem perdeu todas as cores da esperança. A humanidade está em ruínas: impera o medo e a desconfiança, o pó e a morte. Há fome, frio e doenças. Os Homens cederam ao canibalismo e aos instintos mais selvagens. A estrada é um lugar extremamente perigoso. Whoever made humanity will find no humanity here.

O argumento (Joe Penhall) é construído à base de cenas e momentos impressionantes e de diálogos intensos e profundos: as memórias do passado, o adeus à fotografia, a cave dos moribundos, o bunker da comida e mantimentos, as passagens do velho cego (Robert Duvall, portentoso), a morte na praia, If I were God, I would have made the world just so and no different. And so I have you... I have you.

Como é que um pai pede a um filho para que o mate e que ele próprio se mate em seguida, com as únicas balas que lhes restam? Como é que se explicam a uma criança que nunca conheceu a paz ou a felicidade, os valores que fazem os Homens bons? Como é que, numa situação-limite como esta, completamente insuportável e onde o caminho mais fácil é o suicídio, se explica a uma criança que vale a pena viver, amar, ser solidário, confiar, acreditar?

Pai - You have to keep carrying the fire.
Filho - What fire?
Pai - The fire inside you.

Visualmente arrebatador (excelente fotografia de Javier Aguirresarobe), dotado de uma direcção artística irrepreensível (Chris Kennedy, Gershon Ginsburg e Robert Greenfield) e de uma banda sonora tocante e de extrema sensibilidade (Nick Cave e Warren Ellis), creio que só faltou a este A Estrada uma encenação e uma arte de filmar superiores. Estivesse o filme nas mãos de um melhor realizador e veríamos aqui assinada uma obra de arte sublime.

Ainda assim, A Estrada impõe-se como um filme para nos repensarmos a nós próprios, ao nosso planeta e à nossa humanidade. Às tantas, o pai pergunta ao velho forasteiro: Do you ever wish you would die? E o ancião responde: No. It's foolish to ask for luxuries in times like these. Perante uma visão tão pessimista e inquietante, resta-nos dar valor às nossas vidas, tão longe - esperemos - de um horizonte destes...

16 comentários:

  1. Espero essa crítica! Antes de mais, referir que mais que um filme pós-apocalíptico, é um filme sobre um pai e um filho, sobre o amor...

    Abraço
    Cinema as my World

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  2. Já eu gostei bastante! Não vou comparar com o livro porque nao o li, de qualquer maneira um dos melhores filmes de 2009... bate quase todos os nomeados a oscar de melhor filme!

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  3. Eu por acaso gostei da realização, embora não seja o que dá maior impacto ao filme. A fotografia, banda sonora e desempenhos são claramente o melhor do filme. E o argumento é óptimo, tenho mesmo de ler o livro.

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  4. NEKAS: Aí está a crítica. É um filme desolador... visualmente lindíssimo!

    ÁLVARO MARTINS: Nem tanto. Penso que esse julgamento é exagerado. Mas terás os teus critérios, evidentemente.

    NEUROTICON: Sim, isso é verdade. Bate quase todos os nomeados para o Óscar de Melhor Filme.

    TIAGO RAMOS: A realização é competente, mas nunca à altura da história e das exigências ou possibilidades do projecto. Des resto, estamos de acordo: fotografia, banda sonora e desempenhos são o melhor do filme. Também eu fiquei curioso em relação ao livro.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  5. Eu gostei bastante.Mas acredito que a realização não esteja à altura do argumento.Pois, também eu tenho grandes expectativas quanto ao livro.É um filme sobre o amor incondicional, a coragem e a esperança.

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  6. MANUELA COELHO: Estamos então de acordo ;)

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  7. Concordo com tudo, excelente texto!
    A realização poderia ser melhor, sabes, eu pergunto-me, estaremos tão longe deste mundo e destes instintos selvagens que predominam nesse mundo e estão mais próximos do nosso?

    Quando a morte vale mais que a vida...

    Abraço
    Cinema as my World

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  8. NEKAS: Obrigadíssimo! ;) Não percebi muito bem a formulação da tua questão, mas penso que lhe depreendi o sentido. Creio que estamos longe de um horizonte desses... Todavia, sabemos bem como tudo pode mudar de um dia para o outro. Não podemos tomar as coisas por garantidas, a não ser que estejamos conscientes da reversibilidade das coisas.

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  9. O livro é melhor, como já pudemos falar. É um bom filme - ponto.

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  10. Eu se soubesse como era este filme não o tinha visto.. garantidamente!!

    Fiquei completamente KO com os sentimentos que este filme transmite ao espectador, pelo menos a mim o filme transmitiu tudo quase na perfeição.

    Que filmalhão!!!! :)

    Eu é que não sou muito forte a ver filmes destes :(

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  11. A crítica aguçou-me a curiosidade em relação a esta película. :)

    Yirien

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  12. FLÁVIO GONÇALVES: É sem dúvida um bom filme, que me fez pensar no quão bom deve ser o livro!

    NASP: Deixaste-te levar xD É, de facto, um filme de emoções fortes. Muito fortes. Por isso, compreendo-te tão bem.

    YIRIEN: Vais gostar imenso!

    Cumps.
    Roberto Simões
    » CINEROAD - A Estrada do Cinema «

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  13. Mais um grande papel do Vigo Mortensen durante a última década. E o filme gostei bastante, é comovente !

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  14. Viggo Mortensen está simplesmente magistral. O Livro é um dos meus preferidos e acho que o filme foi uma excelente adaptação. Não me desiludiu!

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  15. Belíssimo, sem dúvida. Fotografia e argumento ao mais alto nível, no meu entender. Só faltou mesmo uma realização mais eficaz, aliás inspirada e ousada, mas enfim fica na mesma um excelente filme. Muito devido ao contributo e talento de Mortensen, que grande interpretação! Não percebo a sua ausência dos Óscares aqui. E Duvall está também divinal, magnífica performance.

    abraço

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