quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O CAVALEIRO DAS TREVAS (2008)

 PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: The Dark Knight
Realização: Christopher Nolan
Principais Actores: Christian Bale, Heath Ledger, Morgan Freeman, Michael Caine, Gary Oldman, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal

Crítica: O Cavaleiro das Trevas é a prova irrefutável de que é possível fazer bons filmes de super-heróis. Com um argumento subtilmente munido de profundo material socio-filosófico, com uma soberba realização de Christopher Nolan, tecnicamente irrepreensível e abrilhantado ainda pela excepcional interpretação de Heath Ledger, meritória das mais gloriosas distinções, o filme revela-se um triunfo absoluto. Só na massacrante poluição sonora (tanto no som como na composição musical) o filme encontra, a meu ver, um defeito maior.

CINEMA PARAÍSO (1988)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Nuovo Cinema Paradiso
Realização: Giuseppe Tornatore
Principais Actores: Philippe Noiret, Jacques Perrin, Salvatore Cascio, Mario Leonardi, Agnese Nano

Versão do Realizador

Crítica:

UMA OBRA-PRIMA EM TRÊS ACTOS

Eis uma das obras maiores do cinema, sobre o cinema. Uma das obras mais «deliciosas» de que há e haverá memória.

A infância de Totó é a descoberta e o fascínio pelo cinema. A sua adolescência é a tentativa de fazer o seu próprio filme. Mas... «A vida não é como no cinema... é bem pior», diz-lhe Alfredo, numa das muitas cenas inesquecíveis. E esta é a frase-chave para entender as opções futuras de Totó, aconselhado pelo velho projeccionista do Cinema Paraíso: partir da cidade sem pensar voltar um dia, esquecer o amor por Elena, e seguir os seus sonhos, o seu dom especial para conceber cinema, fazendo assim sonhar um mundo inteiro, inspirando gerações inteiras, com os seus filmes. «A vida não é como no cinema... é bem pior». Se tivesse ficado na cidade em que nada acontece, jamais o teria feito, teria provavelmente lutado e sofrido a dureza de um amor impossível, trabalhando como projeccionista num cinema que um dia cairia sob o domínio da caixa mágica, do televisor, e da era do cinema em casa.

A minha dúvida é a de todos. Até que ponto é que Alfredo, «o velho maluco», não acabou também por provocar a infelicidade pessoal de Totó? «Nunca concordarei com ele, nunca», diz Totó, perto do final. Afinal, o protagonista nunca viveu o seu próprio filme em detrimento dos muitos outros que fez. Uma coisa é certa: graças a Alfredo, Totó saltou da plateia para a tela do cinema e eternizou-se.

CINEMA PARAÍSO
é, por tudo isto, um hino e uma homenagem à arte maior do cinema. Um filme excelente, de muito bom humor, com uma realização inspiradíssima de Giuseppe Tornatore. Espontanea e perfeitamente protagonizado pelo pequeno Salvatore Cascio e depois por Marco Leonardi e por Jacques Perrin e sem esquecer o grande nome de Philippe Noiret. O elenco é maravilhoso. Destaques especiais para a montagem do filme e para uma das suas almas maiores... a banda sonora composta pelo génio imenso de Ennio Morricone. Em suma, um dos melhores filmes de sempre.

domingo, 7 de dezembro de 2008

POLAR EXPRESS (2004)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Polar Express
Realização: Robert Zemeckis
Principais Actores: Tom Hanks

Filme de Animação


Comentário: Belo, encantador, deliciosamente bem feito. Que se calem os puristas que não percebem nada de delícias.

[Crítica em breve]

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

12 MACACOS (1995)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM 
Título Original: Twelve Monkeys 
Realização: Terry Gilliam
Principais Actores: Bruce Willis, Madeleine Stowe, Brad Pitt, Christopher Plummer, David Morse, Lisa Gay Hamilton, Christopher Meloni, Jon Seda, Carol Florence, Simon Jones, Ernest Abuba, Matt Ross

Crítica:

O VIAJANTE NO TEMPO

I want the future to be unknown.

Brilhante. No argumento, na realização, na (excelente) interpretação de Brad Pitt. Uma obra original e inspiradora de muito do cinema que se lhe seguiu.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O SILÊNCIO DOS INOCENTES (1991)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: The Silence of the LambsRealização: Jonathan Demme
Principais Actores: Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glenn, Ted Levine, Anthony Heald, Kasi Lemmons, Frankie Faison, Brooke Smith, Diane Baker, Charles Napier, Danny Darst


Comentário: Grande realização e montagem, de Demme e de Craig McKay, respectivamente. O olhar directo sobre a câmara é uma opção triunfal. Boas prestações de Jodie Foster e de Hopkins. Magnífico argumento de Ted Tally.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

SWEENEY TODD - O TERRÍVEL BARBEIRO DE FLEET STREET (2007)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Sweeney Todd - The Demon Barber of Fleet Street
Realização: Tim Burton
Principais Actores: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Timothy Spall, Sacha Baron Cohen, Laura Michelle Kelly, Jamie Campbell Bowen, Ed Sanders

Crítica: Do melhor que Tim Burton alguma vez concebeu e uma grande obra do cinema musical. Johnny Depp e Helena Bonham Carter, dois dos ícones (justamente) maiores do panorama cinematográfico americano, estão sublimes, à frente de um elenco singular. O argumento de John Logan (argumentista de O Aviador, O Último Samurai ou Gladiador) está elegantemente bem escrito - por que a boa escrita revela sempre uma enorme elegância. O cenários de Dante Ferretti (O Aviador, Cold Mountain) dão vida a um mundo também «burtoniano» com uma enorme competência, o que nem sempre, a meu ver, acontece com as obras do realizador. A fotografia de Dariusz Wolski está brilhante. A recriação primorosa de um ambiente assustadoramente mórbido e o humor negro são os grandes trunfos de um filme tecnicamente irrepreensível e irreprensível em tudo o resto. Um clássico instantâneo.

sábado, 13 de setembro de 2008

FILADÉLFIA (1993)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Philadelphia
Realização: Jonathan Demme
Principais Actores: Tom Hanks, Denzel Washington, Antonio Banderas, Joanne Woodward, Jason Robards, Robert Ridgely, Mary Steenburgen

Crítica: Tom Hanks tem aqui uma interpretação excelente; para mim, uma das melhores interpretações de sempre. A sua performance é assombrosa. Alguns dos efeitos de transição de cenas são, porém, imperdoáveis. Os planos aproximados ou com olhar directo sobre a câmara da realização de Jonathan Demme estão triunfais. O argumento de Ron Nyswaner é prodigioso, muito bem escrito, e, aliado à tocante e envolvente banda sonora de Howard Shore (trilogia O Senhor dos Anéis), faz deste filme um acontecimento subtilmente deslumbrante. E marcante. 

domingo, 7 de setembro de 2008

O CASTELO ANDANTE (2004)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
★★★★ 
Título Original: Hauru no ugoku shiro
Realização: Hayao Miyazaki
Vozes: Chieko Baisho, Daijiro Harada, Akio Ôtsuka, Yo Oizumi, Mitsunori Isaki, Ryunosuke Kamiki, Tatsuya Gashuin, Akihiro Miwa, Takuya Kimura, Haruko Kato, Ken Yasuda, Shigeyuki Totsugi

Crítica:

O FEITIÇO DO AMOR 

 O coração é um fardo pesado.

Prepare-se para ser enfeitiçado. Desengane-se se pensa que O Castelo Andante é um filme para crianças. É, absolutamente, para as crianças que já fomos e para os adultos que, mais ou menos envelhecidos, ainda somos e ainda seremos enquanto os nossos olhos conseguirem enxergar a beleza. As aparências iludem e o filme não é o que parece. Parte numa direcção e revela-se noutra. É todo ele sobre as aparências - nele tudo se disfarça, tudo se transfigura, tudo se transforma. Daí o risco de assistir a'O Castelo Andante munido de preconceitos ou expectativas. É que o que o mestre Hayao Myiazaki desta vez propõe é bem mais complexo e menos evidente do que seria de esperar, mesmo até para quem se maravilhou com os meandros surreais e fantásticos de A Viagem de Chihiro.

Desde o primeiro momento, a orquestração musical de Joe Hisaishi e Yumi Kimura, na sua sonante excelência, envolve-nos, abraça-nos e emociona-nos. O esplendor visual de O Castelo Andante inebria-nos a cada instante: o seu desenho, pintura e expressão em movimento atingem uma sublimidade inquestionável, naquele que é, provavelmente, o expoente máximo do requinte imagético na filmografia do cineasta. A música, aliada à imagem, têm um poder imenso num filme como este. Nada que não esperássemos já de um filme de Myiazaki - só que se por um lado O Castelo Andante nos atrai e maravilha os sentidos, num golpe de asa, por outro estimula-nos o intelecto como nenhum outro filme seu até então.

Sophie trabalha numa chapelaria e transforma o aspecto das pessoas. Quando é enfeitiçada pela Bruxa do Nada, ganha a aparência de uma velha curvada e rugosa. Howl, o feiticeiro sem coração, é refém da aparência - o aspecto para ele é tudo e ornamenta-se com imensos acessórios. Os seus aposentos revelarão o quão obcecado e maníaco é por jóias e objectos e bens materiais. Markl, a criança do castelo que praticamente metaforiza a essência infantil (ainda existente) de Howl, mascara-se de anão barbudo para receber os seus clientes. Calcifer, hilariante demónio de fogo, tem uma natureza secreta que só mais tarde descobriremos. O espantalho cabeça-de-nabo é muito mais do que um guia saltitão e inexpressivo. Até a Bruxa do Nada é muito mais do que uma malvada egoísta - a magia tornou-a um monstro e, assim que fica sem poderes, a sua exuberância derrete e revela a sua verdade. A Bruxa do Nada representa tudo aquilo em que Howl se poderá tornar se se deixar consumir completamente pela magia. Até o castelo, essa parafernália e amálgama de ferro, madeira, casas e fumos, com pernas de galinha e língua e olhos à semelhança dos Homens, é um agente em constante mutação, espelhando o estado do seu senhor. Calcifer é o coração daquela edificação ambulante e simultaneamente - literalmente - o coração de Howl. A magia é antiga e resultou numa maldição. Howl refugia-se do mundo num castelo andante capaz de desaparecer nas nuvens e na distância. Reza o mito que o feiticeiro anda de terra em terra a conquistar os corações de jovens raparigas, mas Howl foge é de si mesmo. Cada vez que se arranja, escapa. Não podemos julgá-lo por se refugiar no superficial - afinal, na essência, não tem coração.

Beleza vs. feiura, juventude vs. velhice... Note-se como Sophie - quando dorme, sonha, se mostra apaixonada ou genuinamente se aceita como é - quebra parcialmente o feitiço, tornando à beleza da juventude, como se também ela fosse uma bruxa e tivesse poderes (na verdade, no livro de Diana Wynne Jones no qual Myiazaki se baseia, a protagonista é efectivamente uma feiticeira). Não obstante - e também aí reside muito da beleza da proposta - as personagens cedem ao amor e apaixonam-se verdadeiramente por aquilo que são, não por aquilo que aparentam. Sobre qualquer magia ou maldição, o amor... essa misteriosa força capaz vencer qualquer batalha, qualquer guerra. Sophie personifica o amor e é pelo amor que consegue falar ao coração de Howl, Calcifer, e interferir tão eficaz e surpreendentemente na trajectória do gigante castelo e no rumo da história.

Ao seu terceiro castelo (Cagliostro era uma fortaleza medieval, bem enraizada na terra, e Laputa um lendário paraíso flutuante - cf. O Castelo no Céu), Myiazaki encontra o equilíbrio entre os prados verdejantes e os céus e também, mais do que nunca, maior liberdade narrativa. Este seu castelo tem, entre muitas outras, uma porta mágica que abre para locais diferentes. Até para um tempo diferente. É possível, pois, num simples abrir de porta, mudar o espaço e o tempo. Alterando, com tão aparente facilidade, as coordenadas essenciais para a compreensão da acção, não admira que, numa primeira visualização, O Castelo Andante pareça um filme por demais difícil, confuso e intrincado, ou até mesmo narrativamente mal gerido e desconexo. A respeito, escrevi num comentário de 2008: no fim, um argumento um tanto ou quanto mais complexo do que à partida se esperava; o que nos deixa com a sensação de que ou não percebemos a história ou a história em si mesma não se percebeu. Mas O Castelo Andante não é, seguramente, um filme para se assistir uma só vez e, garanto-vos, não se esgotará tão simplesmente numa segunda investida. A cada visualização, é como se abríssemos também nós uma porta para um novo lugar, para uma nova descoberta, para um novo entendimento. A narrativa escapa à linearidade como se de um sonho se tratasse e é fácil perdermo-nos, se não nos guiarmos pelos tantos símbolos e subtilezas. Por isso resulta tão bizarro e cativante.

E como é bom sonhar acordado...

TRAFFIC - NINGUÉM SAI ILESO (2000)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Traffic
Realização: Steven Soderbergh

Principais Actores: Michael Douglas, Benicio Del Toro, Catherine Zeta-Jones, Don Cheadle, Luis Guzman, Dennis Quaid, Tomas Milian, Steven Bauer, Erika Christensen


Crítica:

PRESOS NAS MALHAS DA DROGA

If there is a war on drugs,
then many of our family members are the enemy.

And I don't know how you wage war on your own family.

Steven Soderbergh serve-se de u
ma imparável e trémula câmera à mão para tentar captar com o maior realismo possível o universo da droga e as suas consequências nas relações sócio-políticas entre o México e os Estados Unidos da América e nas relações dos seus concidadãos.

Desde o tráfico de droga ao consumo (às tantas, a obra mais parece um manual de aprendizagem do "como drogar-se em 3 tempos"), da dependência à difícil e sofrida desintoxicação e da alienação dos jovens à crescente superficialidade das relações, o retrato é profundamente crítico, pertinente e importante. Aliás,
Traffic - Ninguém Sai Ileso dá primazia à sua mensagem profunda e alarmante e raramente prescinde dela para efeitos artísticos. O filme conta com uma sóbria realização e com um trabalho de montagem verdadeiramente sublime. Na fotografia contamos com planos pouco calculados, espontâneos, e com uma oscilação dos tons saturados que é, todavia, de difícil justificação (ainda que pinte um mosaico agradável à vista). No campo das interpretações, os destaques vão para Benicio Del Toro, Tomas Milian e Erika Christensen.

Em suma:
Traffic - Ninguém Sai Ileso não é, de todo, uma obra-prima, mas é um inegável e brilhante triunfo dentro do género.

TITANIC (1997)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Titanic
Realização: James Cameron

Principais Actores: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Gloria Stuart, Bill Paxton, Bernard Hill, David Warner, Victor Garber, Jonathan Hyde, Suzy Amis

Crítica: É... uma obra-prima. Nunca filme algum conseguiu transportar para a grande tela mágica o infindável poder do amor (o amor-paixão), capaz de ultrapassar todas as barreiras e até a própria imensidão da morte, como este filme. Titanic é uma obra colossal, um feito espectacular e sem igual. Resultado da reunião de ingredientes perfeitos, temos em Titanic um elenco com performances extraordinárias, a começar pelos eternos Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, que se imortalizaram com este navio de sonho e tragédia. Tecnicamente irrepreensível, seja dos cenários à fotografia ou do guarda-roupa à banda sonora, o filme revolucionou toda a história dos efeitos especiais. A realização e argumento, a cargo de James Cameron, aliam-se genialmente. Titanic é um triunfo sem precedentes, emocionante em cada lágrima que não conseguimos ou não queremos conter.


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CINEROAD ©2020 de Roberto Simões