★★★★★
Título Original: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Peter Sellers, George C. Scott, Sterling Hayden, James Earl Jones
Crítica:
A IRONIA DA GUERRA
One of our base commanders, he had a sort of... well, he went a little funny in the head... you know... just a little... funny.
Dr. Estranho Amor é ambíguo no título e no subtítulo (Ou: Como Aprender A Deixar De Me Preocupar E A Amar A Bomba) e é ambíguo no retrato que faz da condição humana. Explora, por um lado, o absurdo e ridículo da guerra, da política e da diplomacia inócuas e as consequências inesperadas mas sempre possíveis da loucura, da paranóia e do medo de um mundo à beira do desastre e por demais perdido no caos da ameaça nuclear. Por outro lado, o filme metaforiza - e é nesse estilo que ganha contornos globais e intemporais.
A obra exemplifica como a guerra pode servir e alimentar os propósitos individuais dos poderosos. Aqueles políticos da Grande Sala são os estrategas dos destinos do mundo, ocupados com o jogo da Guerra, como se este não passasse de uma competitiva corrida de testosterona, onde a "bomba no alvo" é algo bem explícito e desprovido de metáforas; como se a Guerra fosse um mal pelo qual se acaba por desenvolver um autêntico Estranho Amor, do qual se extrai múltiplas vantagens pessoais. Note-se a personagem de George C. Scott (aqui num desempenho de overacting formidável) que tanto se empenha em evitar o conflito e que, por fim, se sente seduzido pela bomba e pelos seus hipotéticos proveitos sexuais. A personagem Dr. Estranho Amor é, das três versáteis e extraordinárias interpretações do genial Peter Sellers, a que simboliza melhor, muito provavelmente, toda a ambiguidade do filme: faz parte do conselho de guerra, aparentemente inofensivo, e, no entanto, trata-se de um lunático e reprimido nazi, sinistro e maquiavélico, mestre de bombas, com as ideias mais avassaladoras, monstruosas e perigosas, ainda que fisicamente impotente e aprisionado numa cadeira de rodas.
De um humor negro e corrosivo, Dr. Estranho Amor impõe-se politicamente satírico e provocador e implicitamente tão sexual: desde os unusuais créditos iniciais até ao seu desfecho apocalíptico. E se pelo título e subtítulo já é sugestivo que baste, por meio do seu perpicaz, audacioso e muito bem escrito argumento (já para não falar da genialidade do art concept dos cenários ou da sublime e paradoxal utilização da banda sonora), Stanley Kubrick concebe aquela que é, para mim e indiscutivelmente, uma das melhores comédias de sempre.

De um humor negro e corrosivo, Dr. Estranho Amor impõe-se politicamente satírico e provocador e implicitamente tão sexual: desde os unusuais créditos iniciais até ao seu desfecho apocalíptico. E se pelo título e subtítulo já é sugestivo que baste, por meio do seu perpicaz, audacioso e muito bem escrito argumento (já para não falar da genialidade do art concept dos cenários ou da sublime e paradoxal utilização da banda sonora), Stanley Kubrick concebe aquela que é, para mim e indiscutivelmente, uma das melhores comédias de sempre.




























