★★★★
Título Original: Paranoid ParkRealização: Gus Van Sant
Principais Actores: Gabe Nevins, Daniel Liu, Taylor Momsen, Jake Miller, Lauren McKinney, Scott Green
Crítica:
ADOLESCÊNCIA E MELANCOLIA
Paranoid Park é um grande exercício de cinema: desconstrói-se na forma e assemelha-se, ainda assim, tão curiosa e incrivelmente real. É um puzzle de fragmentos e um labirinto de sensações melancólicas, filmado pelo mestre da sensibilidade e versatilmente fotografado por Christopher Doyle. Sem estrelas na representação. Exceptuando um ou outro caso, o filme parece viver da constante desarmonia entre imagem e banda sonora; sinédoque da desarmonia interior da mente adolescente: se é certo que Paranoid Park avança na representação do grupo de pares, também é certo que submerge, por outro lado, no vácuo existencial daquele Alex. A cena do duche dá conta, aliás, de todo esse vazio interior, numa das muitas oscilações no ritmo, e é uma das cenas mais extraordinárias alguma vez filmadas por Gus Van Sant. Formalmente, o filme descende directamente daquele registo deambulatório de Elephant e, musicalmente, há ainda espaço para revisitar o tema Angeles de Elliott Smith. De resto, a obra de Gus Van Sant convoca-se a si mesma, num permanente e tão complexo jogo de espelhos entre os seus vários filmes. E só assim se completa.


















