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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

E TUDO O VENTO LEVOU (1939)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Gone with the Wind
Realização: Victor Fleming
Principais Actores: Clark Gable, Thomas Mitchell, Vivien Leigh, Barbara O'Neil, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Evelyn Keyes, George Reeves, Ann Rutherford, Fred Crane, Hattie McDaniel, Oscar Polk, Butterfly McQueen

Crítica:

There was a land of Cavaliers and Cotton Fields called the Old South...
Here in this pretty world Gallantry took its last bow... 

Amor em Tempo de Guerra

Here was the last ever to be seen of Knights and their Ladies Fair, of Master and of Slave... Look for it only in books, for it is no more than a dream remembered. A Civilization gone with the wind...

O maior épico romântico de todos os tempos é, também e indiscutivelmente, um dos maiores e melhores filmes de sempre. E Tudo o Vento Levou... um feito absolutamente histórico e monumental, uma obra-prima profundamente bela e mágica, de gradiloquência romântica, com rasgo de génio e de aura imortal, eternizada por uma banda sonora carismática e poderosíssima (Max Steiner, genialmente inspirado), por interpretações magníficas e por uma paleta de cores verdadeiramente impressionante (Ernest Haller, Lee Garmes).

Ambição maior do produtor David O. Selznick e arrojada orquestração a várias mãos - imensamente talentosas: Victor Fleming (único realizador creditado, responsável por outra obra-prima incontornável do mesmo ano, O Feiticeiro de Oz), George Cukor e Sam Wood, entre outros, E Tudo o Vento Levou é a extraordinária adaptação do romance homónimo de Margaret Mitchell, que conta a história de Scarlett O'Hara (Vivien Leigh, num dos melhores desempenhos femininos de que há memória), uma Cinderela mimada, rica mas lindíssima, que adora seduzir todos os homens.

Scarlett é a mais velha de três irmãs, vive no paraíso de Tara, numa solarenga e perfumada fazenda de algodão, cheia de escravos e de jardins. Mammy, a hilariante e rezingona governanta negra (excepcional Hattie McDaniel), é quase como uma mãe para ela e Pork e Big Sam revelar-se-ão leais durante toda a vida. É por entre flores e àrvores que Scarlett passeia a sua juventude, qual Branca de Neve, radiante e feliz e embelezada por majestosos e deslumbrantes vestidos (o guarda-roupa é um trabalho verdadeiramente excelente e exuberante, desenhado e concretizado por Walter Plunkett).

É a heroína da história, é certo, mas pouco fica a dever ao seu cânone de personagem: para além de extremamente mimada, Scarlett é uma mulher provocadora, emancipada e caprichosa, interesseira, ardilosa e mentirosa sempre que necessário. Enquanto aos homens lhes interessava o brandy, os charutos, os negócios e os sonhos de vitória, às mulheres cabia-lhes o silêncio, a resignação, o dormir a sesta, as tertúlias e a casa. Mas Scarlett não é nenhuma dessas mulheres - Scarlett é uma mulher de armas, uma lutadora corajosa e empreendedora, capaz de desafiar as convenções. Veja-se, a propósito, a facilidade com que decide casar, em mera resposta ao noivado de Ashley com Melanie (Scarlett ama Ashley desde criança e sempre sonhara casar com ele), e a forma como ela depois assume a viuvez perante todos, escandalizando o meio. Quantas não são as vezes em que ela tem vontade de fugir? Imensas. Mas agarra-se sempre à terra, a Melanie e às promessas que fez, à paixão por Ashley... esforça-se sempre por encontrar esperanças que sustentem a sua força de viver. What a woman. Scarlett marca, aliás, a inversão do paradigma, quando as mulheres tiveram de arregaçar as mangas e fazer-se à vida e à subsistência, face à ausência dos homens no confronto. Um momento histórico na afirmação do papel social e familiar da mulher.

Depois há Rhett Butler (Clark Gable), um galante e bem humurado gentleman, que escuta uma desesperada declaração de amor de Scarlett a Ashley, e que a partir de então guarda um segredo do qual se aproveita sempre que se quer aproximar da jovem. Desde o início que a relação entre ambos se caracteriza pela provocação mútua - provocação essa que aumenta gradualmente ao longo do filme, assim como o amor entre eles. I don't think I will kiss you, although you need kissing, badly. That's what's wrong with you. You should be kissed and often, and by someone who knows how. O amor de Rhett é, todavia, desde cedo declarado. Scarlett, por sua vez, só se aperceberá do seu amor por ele bem mais tarde, quem sabe se não tarde de mais, o que faz desesperar a audiência pelo entendimento do par romântico.

Quando o amor chega, porém, o mundo deles acaba. A Guerra Civil bate-lhes à porta e Ashley e os outros homens partem para a refrega. Rhett, afortunado pela sua condição, riqueza e influências escapa ao chamamento. Scarlett está agora em Atlanta, longe de Tara e a cuidar de Melanie em vésperas de dar à luz. A cidade arde em chamas e o regresso a casa impõe-se: a agonia e o horror do escape ao vermelho infernal resulta numa das cenas mais extraordinárias de todo o filme.


A morte choveu dos céus, trovejaram canhões até que o silêncio caiu, por fim. Take a good look my dear. It's an historic moment you can tell your grandchildren about - how you watched the Old South fall one night. Contudo, Rhett não acompanhará a amada durante todo o percurso. Confrontado com a tragédia da nação, decide alistar-se no exército. Como reage Scarlett a tão inesperada decisão?

Scarlett O'Hara: Oh, Rhett! Please, don't go! You can't leave me! Please! I'll never forgive you!
Rhett Butler: I'm not asking you to forgive me. I'll never understand or forgive myself. And if a bullet gets me, so help me, I'll laugh at myself for being an idiot. There's one thing I do know... and that is that I love you, Scarlett. In spite of you and me and the whole silly world going to pieces around us, I love you. Because we're alike. Bad lots, both of us. Selfish and shrewd. But able to look things in the eyes as we call them by their right names.
Scarlett O'Hara: Don't hold me like that!
Rhett Butler: [ele envolve-a nos seus braços] Scarlett! Look at me! I've loved you more than I've ever loved any woman and I've waited for you longer than I've ever waited for any woman. [ele beija-lhe a testa]
Scarlett O'Hara: [ela vira a cara] Let me alone!
Rhett Butler: [ela força-a a olhá-lo nos olhos] Here's a soldier of the South who loves you, Scarlett. Wants to feel your arms around him, wants to carry the memory of your kisses into battle with him. Never mind about loving me, you're a woman sending a soldier to his death with a beautiful memory. Scarlett! Kiss me! Kiss me... once...

E beijam-se... no culminar de tão arrebatadora cena.

O beijo, apesar de tudo, não assegura um futuro feliz. Scarlett regressa a casa, pelo caminho defunto, com Prissy, Melanie e o recém-nascido... mas sem Rhett.

Scarlett O'Hara: Rhett, how could you do this to me, and why should you go now that, after it's all over and I need you, why? Why?
Rhett Butler: Why? Maybe it's because I've always had a weakness for lost causes, once they're really lost. Or maybe, maybe I'm ashamed of myself. Who knows?

Chegada a casa, a jovem apercebe-se de que a partida de Rhett foi apenas o prenúncio de um infortúnio maior. No auge da desgraça, depara-se com a mansão saqueada, a família arruinada, a mãe falecida e o pai enlouquecido. A terra, longe de qualquer abundância e tal e qual a sua alma, está completamente devastada. Bonds - diz-lhe o pai - They're all we've saived, all we have left. Bonds. Porém, Land is the only thing in the world worth workin' for, worth fightin' for, worth dyin' for, because it's the only thing that lasts. É esta força telúrica que a fará erguer-se das cinzas e re-erguer-se uma vez mais: As God is my witness, as God is my witness they're not going to lick me. I'm going to live through this and when it's all over, I'll never be hungry again. No, nor any of my folk. If I have to lie, steal, cheat or kill. As God is my witness, I'll never be hungry again.

Quando a segunda parte começa, logo após o entre-acto, a narração por escrito preenche novamente o ecrã. O tempo passa, magistralmente filmado e montado, a Guerra Civil conhece novos desenvolvimentos e nós esperamos ansiosamente que Scarlett reconstrua, pedra por pedra, o seu palácio. Como prometera, mentirá, roubará, enganará, matará. Tudo em nome da família, do amor, da terra. Da justiça e da esperança de um dia encontrar a felicidade. A cada elipse, uma tragédia... um segundo casamento, uma segunda viuvez, um terceiro casamento, mais uma farsa... Haverá, no fim de tudo, espaço para o verdadeiro amor? O amor que sente por Rhett mas do qual não se apercebe? Suportará Rhett, às tantas, tamanha indiferença, tamanha mágoa?

Scarlett O'Hara: What are you doing?
Rhett Butler: I'm leaving you, my dear. All you need now is a divorce and your dreams of Ashley can come true.
Scarlett O'Hara: Oh, no! No, you're wrong, terribly wrong! I don't want a divorce. Oh Rhett, but I knew tonight, when I... when I knew I loved you, I ran home to tell you, oh darling, darling!
Rhett Butler: Please don't go on with this, Leave us some dignity to remember out of our marriage. Spare us this last.
Scarlett O'Hara: This last? Oh Rhett, do listen to me, I must have loved you for years, only I was such a stupid fool, I didn't know it. Please believe me, you must care!
(...)
Scarlett O'Hara: Rhett... if you go, where shall I go, what shall I do?
Rhett Butler: Frankly, my dear, I don't give a damn.

Às vezes, pedir desculpa não basta para emendar o passado. Rhett desaparece no nevoeiro e a esperança de um final feliz reside agora e somente no amanhã...
Um filme eterno.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O NOVO MUNDO (2005)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: The New World
Realização: Terrence Malick
Principais Actores: Colin Farrell, Q`Orianka Kilcher, Christian Bale, Christopher Plummer, Wes Studi, David Thewlis, Ben Chaplin, Jamie Harris, Jonathan Pryce, Noah Taylor

Crítica:

OS ÚLTIMOS DIAS DO PARAÍSO

I will find joy in all I see.

Trata-se de um poema. Dos mais sensíveis. E também dos mais belos. Deslumbrante em cada imagem. Em cada som. Em cada silêncio... O Novo Mundo é espiritualmente magnífico e emocionalmente profundo. Visualisá-lo, constitui uma experiência transcendental e derradeiramente purificante, de grande fôlego romântico e reflexivo.

A invocação de um mundo há muito perdido, pelo choque de culturas
, e a viagem ao que há de mais genuíno em nós, humanos, denunciam-se pela perfeição e subtileza de um nome: Terrence Malick.

A fotografia, de Emmanuel Lubezki, faz jus à sublimidade intrínseca a toda a obra e canta a Natureza
acima de todas as coisas. A banda sonora de James Horner, a contraponto com as notas de Wagner e de Mozart, cria uma sinfonia maior e eleva o poema a um estatuto superior. Excelente recriação histórica, por parte dos cenários e decoração, e guarda-roupa.

O Novo Mundo é uma daquelas raras e inspiradíssimas obras que, sob a graça do génio, possuem uma aura especial e eternizante.
Que obra-prima.

domingo, 7 de setembro de 2008

PEARL HARBOR (2001)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Pearl Harbor
Realização: Michael Bay

Principais Actores: Ben Affleck, Josh Hartnett, Kate Beckinsale, Alec Baldwin, Jon Voight, Cuba Gooding Jr., Dan Aykroyd, Tom Sizemore, William Lee Scott, Graham Beckel, Ewen Bremner, Nicholas Farrell, Tomas Arana, Peter Firth, Tom Everett, Michael Shannon, John Diehl, Jaime King, Catherine Kellner, Jennifer Garnerr

Crítica:
ASES PELOS ARES

There's nothing stronger than the heart of a volunteer. 

Michael Bay é internacionalmente conhecido e reconhecido como o realizador das explosões. A fama poderá ser redutora, mas o homem fez por isso. Pearl Harbor entrou, inclusive, para o livro de recordes do Guiness como o filme, até então, em que mais explosivos foram accionados. O surpreendente ataque dos japoneses à base havaiana na manhã de 7 de Dezembro de 1941 é, qual batalha naval, violentamente retratado e simulado. Os números, só para rebentar com os barcos do porto em alguns segundos de exibição, foram astronómicos: qualquer coisa como 700 barras de dinamite, 700 metros de fios e mais de 15 mil litros de gasolina. 
Pearl Harbor é, efectivamente, um filme ambicioso e de acção explosiva. Mas não apenas pelas explosões. Bay conseguiu distanciar-se, aqui - e muito -, do registo meramente comercial a que nos habituara, por exemplo, no meteórico Armageddon. Avaliando a obra no seu todo, o resultado é francamente positivo e a crítica negativa que envolve a obra, desde a sua estreia, creio, tem muito que ver com a demonização do realizador por parte de puristas tão intelectualóides que se se soubessem divertir, de quando em vez, seriam certamente mais felizes.

Os filmes de Bay poderão descurar, na grande parte das vezes, a importância vital do argumento e o desenvolvimento das personagens (julgo, nomeadamente, que o artista piorou nesse aspecto depois deste filme, salvo raras excepções), mas... não tanto aqui. Não alinho na opinião dominante, porque não é isso que vejo e não é isso que sinto a cada vez que assisto ao filme. A eficácia e consistência do argumento acontecem pela variedade de registos que este abraça, privilegiando o romance (identificamos o fôlego e a influência de Titanic) e doseando com equilíbrio o drama e a comédia, a acção e a tragédia. O script, a cargo de Randall Wallace, argumentista de Braveheart, ainda que aqui e ali com o dedo de Bay, prima essencialmente por isso. Baseia-se num acontecimento histórico, que manchou a honra dos Estados Unidos da América e despoletou a 2ª Grande Guerra e não tem quaisquer pretensões de documentário. É uma obra assumidamente ficcional, mas sem uma densidade por aí além: ao mesmo tempo que suscita a reflexão, emociona e faz espairecer a cabeça, enquanto se devora um guloso balde de pipocas. Não há mal nenhum nisso. Fossem todos os blockbusters das terras do tio Sam tão bem conseguidos quanto este. 

Relativamente ao elenco, os secundários são notáveis: Alec Baldwin e o seu destemido e bem-humurado coronel Dolittle, Cuba Gooding Jr. e o seu corajoso e decente Doris Miller, oficial negro num tempo de tão maior preconceito, e Jon Voight e o seu eloquente e emocionante presidente Franklin Roosevelt. Todos inspiradores, todos heróis. A abordagem ao romance, muito cliché e ao género do que se fazia no cinema dos anos quarenta do século XX, leva a personagens sem uma dimensionalidade extraordinária, um pouco como se de personagens-tipo se tratassem. Não penso, por isso, que o casting dos protagonistas ou o desempenho dos próprios ponham o filme em causa. Para os papéis em questão, julgo mesmo que defendem bem as suas personagens. Ben Affleck pode, na sua pouca expressividade, não ir muito além de um jovem viril, bonito e com o seu charme, mas é isso que se espera de um galã dos anos quarenta. Beckinsale é também bonita, uma voz belíssima e no tom certo para dar alento à narração epistolar - quando chega a hora das emoções, não defrauda. E a completar o triângulo, Hartnett: um quebra-corações, que também não falha no seu entusiasmo juvenil.

Bay é de um perfeccionismo e ousadia incríveis no que toca a filmar sequências de acção. Revela-se, em Pearl Harbor - e, provavelmente, mais do que nunca -um prodigioso ás da câmera, verdadeiramente magistral na orquestração dos céus. O seu contributo para o género e para a indústria do entretenimento de massas é, a meu ver, inegável e indesmentível. A fotografia de John Schwartzman deslumbra a cada frameHans Zimmer compõe uma das suas mais belas e emocionantes bandas sonoras, que culmina na redentora canção de Faith Hill e que se alia perfeitamente aos sofisticados efeitos digitais, num espetáculo em tudo vibrante e de cortar a respiração. O poderoso trabalho de sonoplastia (cuja montagem foi premiada pela Academia, naquele que é o único Óscar para um filme do cineasta) proporciona uma experiência absolutamente empolgante e assombrosa. 

Por tudo isto, Pearl Harbor torna-se, para mim e facilmente, o melhor filme do realizador. Uma obra de entretenimento triunfal, bem capaz de inspirar uma nova geração de rapazes a pilotar e a sonhar os céus. Muitas vezes, volto ao filme. E sabe-me tão bem. Já agora: o DVD do filme de Bay partilha a prateleira com Dreyer, Ford e Tati (todos mortos, que é para não sobrarem dúvidas do meu bom gosto cinematográfico).

O PACIENTE INGLÊS (1996)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The English Patient
Realização: Anthony Minghella

Principais Actores: Ralph Fiennes, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Kristin Scott Thomas, Naveen Andrews, Colin Firth, Julian Wadham, Jürgen Prochnow


Crítica:

UM AMOR NO DESERTO

Grande, grande filme. Avassaladoramente poético e romântico, O Paciente Inglês é dotado de uma sensibilidade
e subtileza extraordinárias e ficará para sempre recordado como um dos mais belos filmes a que tive o prazer de assitir.

A banda sonora de Gabriel Yared, desde os temas mais íntimos e tocantes aos mais épicos e poderosos, é absolutamente magnífica e encerra um mistério tão incomensurável como o próprio deserto, muito à s
emelhança da deslumbrante cinematografia de John Seale. O guarda-roupa e o trabalho de cenografia revelam-se essenciais para o triunfo da recriação histórica. As escolhas de casting não podiam ter sido melhores: Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Juliette Binoche, Willem Dafoe e Naveen Andrews... todos assombrosos nas suas interpretações.

O Paciente Inglês está ainda repleto de cenas verdadeiramente memoráveis: as cen
as íntimas entre o conde Almásy e Katherine, as jornadas no Sahara, as surpresas românticas de Kip a Hana ou as danças à chuva ao som nostálgico de Cheek to Cheek. Até ao final, cruelmente doloroso e desolador, Anthony Minghella dirige esta obra sobre paixão em tempo de guerra, identidade e memória de forma magistral. Com uma inspiração profunda e erudita, um encanto de mestre (talvez por ser um conhecedor maior da obra de Michael Ondaatje, ou não fosse ele o responsável pela adaptação).

Enfim: O Paciente Inglês é, no seu todo, um feito incontornável e que emana perfeição.
Um clássico absoluto.

COLD MOUNTAIN (2003)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Cold Mountain
Realização: Anthony Minghella

Principais Actores: Jude Law, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Eileen Atkins, Brendan Gleeson, Philip Seymour Hoffman, Natalie Portman, Giovanni Ribisi, Donald Sutherland, Cillian Murphy

Crítica:

Come back to me.

A realização de Cold Mountain é de uma sensibilidade extrema.
Anthony Minghella foi e é um excelente cineasta. Desculpem-me a simplicidade da expressão, mas... «nota-se». Cold Mountain vive do vento, do riacho, da folha. A natureza protagoniza o filme e é a sua maior banda sonora. E a natureza humana também, pois claro. Por isso, constrói uma postura anti-guerra.

Cold Mountain, drama de um imenso fôlego romântico quanto, vive da beleza das imagens; foi fotografado por um John Seale mais inspirado do que nunca. Walter Murch comprova sempre o seu alto nível e o argumento, a cargo do realizador, está muito bem escrito. O elenco é muito variado e respira de um talento bruto bastante incomum. Renée Zellweger está genial, verdadeiramente prodigiosa, e Jude Law tem aqui uma das maiores prestações da sua carreira. Nicole Kidman está, com a elegância de sempre, muito bem.

Eis, pois, um filme para nos deleitarmos com todo o seu esplendor, lirismo e virtuosismo. Um filme belíssimo.


CINEROAD ©2020 de Roberto Simões