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domingo, 22 de agosto de 2010

DIÁRIOS DE CHE GUEVARA (2004)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Diarios de Motocicleta
Realização: Walter Salles

Principais Actores: Gael García Bernal, Rodrigo De La Serna, Mía Maestro, Mercedes Morán, Jorge Chiarella

Crítica:

A ESTRADA LATINA

Road-movie de
genuína e inspiradora natureza, de muito boa escrita e de desempenhos magníficos (tanto Gael García Bernal como Rodrigo De La Serna estão perfeitos nos seus papéis), Diários de Che Guevara é um biopic sereno e cheio de vida que convoca, com tão raras quanto inquietantes simplicidade e humildade, a nostalgia dos tempos idos de uma América Latina em permanente mutação (¿Cómo es posible que sienta nostalgia por un mundo que no conocí?).

Com uma belíssima fotografia de Eric Gautier e uma envolvente banda sonora de Gustavo Santaolalla,
a obra é dotada, ainda, de um cuidado trabalho de montagem e de opções estéticas louváveis, como, por exemplo, o recurso ao preto e branco para aprofundar o retrato antropológico e apelar à reflexão político-sociológica: ¿Cómo es posible que una civilización capaz de construir esto, sea arrasada para construir esto? À medida que o filme avança, todavia, os tons verdes das paisagens dão lugar a cores cada vez mais desoladoras: a viagem com a Norton 500, modelo 1939, ou La Poderosa, como é carinhosamente chamada, acaba por revelar-se uma aventura de crescimento pessoal e interior, um verdadeiro caminho espiritual de auto-conhecimento e de formação de crenças e convicções, fundamentadas na realidade e na experiência, que viriam a determinar a acção de um Che revolucionário.

Diários de Che Guevara é, pois, um grande filme. Irradia ideologia e... fascínio.

sábado, 17 de julho de 2010

THE BROWN BUNNY (2003)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: The Brown Bunny
Realização: Vincent Gallo
Principais Actores: Vincent Gallo, Chloë Sevigny, Cheryl Tiegs

Crítica:

A DOR E A VIAGEM


The Brown Bunny é um sensível, delicado e virtuosíssimo pedaço de cinema sobre o vazio, o silêncio e o sofrimento de um homem, acabado de presenciar um chocante e devastador acontecimento que lhe arruinou - para sempre - a memória de um grande amor e, por consequência, a vida.

O homem é Bud Clay. É corredor de motos, mas há corridas perdidas logo à partida. Daisy (Chloë Sevigny) abandonou-o e ninguém parece conhecer o seu paradeiro. As memórias de Bud recuperam-na, a todo o instante. Mas a sua dor existencial, perfeitamente transmitida tanto pela performance do actor como pela melancolia da arte de filmar (as perspectivas intensificam a solidão do protagonista para com o mundo, o focar e desfocar contrabalança o fluxo de mágoas e recordações, a proximidade física da câmera com o actor reflecte-lhe o estado de alma), leva-nos a crer que Bud não a quer encontrar. Bud é, portanto, um homem completamente dividido entre a vontade de encontrá-la e a vontade de nunca mais a encontrar. Entre o poder ou não aceitá-la novamente. Porque terá partido Daisy, afinal? Ninguém, excepto Bud, sabe ao certo. O mistério adensa-se, lentamente, ao longo de todo o filme, ao longo de toda a estrada, ao longo de toda a viagem. Bud procura-a noutras mulheres, mas nunca a encontra... Nunca encontra nada, nem sequer uma única esperança, nem sequer ele próprio. A paisagem é fria, nada acolhedora ou reconfortante. As cadências da montagem inebriam-nos, juntamente com as canções, o jogo de sons e com essa arte de filmar extremamente subtil. O final, fálica e sexualmente tão explícito, é absolutamente intenso, dilacerante e desolador... Deixou-me sem palavras.

Vincent Gallo é o actor, o realizador, o argumentista, o editor, o director de fotografia, o produtor... Vincent Gallo é o filme. É a prova de que tanto se pode fazer com tão pouco. Há quem mate um filme pelo preconceito... Quanto a mim, e sem sombra de qualquer dúvida, estamos perante um filme belíssimo e absolutamente magistral, pessoal e intimista, cujos principais recursos são o talento e a autenticidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

GERRY (2002)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Gerry
Realização: Gus Van Sant

Principais Actores: Matt Damon, Casey Affleck

Crítica

Numa palavra: sublime. No início, aparentemente ao acaso, e depois absolutamente perdidos no deserto, quiçá à procura deles próprios, acabam numa busca incessante de vida e de sentido. Gerry é uma experiência metafísica tão impressionante quanto incisiva... sobre a morte, sobre o sofrimento e sobre a agonia da sobrevivência numa situação-limite. Neste caso, a derradeira sobrevivência de dois jovens num deserto visualmente arrebatador. Muitas são as ambiciosas cenas, memoráveis, desta meticulosa e assombrosa obra de Gus Van Sant, cuja a magnífica fotografia de Harris Savides é um verdadeiro oásis cristalino. E da imagem e dos sons vive esta obra deveras fascinante, minimizando a importância dos diálogos face à dureza da existência. Os lúgubres e escassos temas de Arvo Pärt ressoam-nos na memória até às últimas cenas; cenas sofridas, que dão conta de uma realidade humana angustiante, nua e desoladora. A paisagem natural, essa, mantém-se eterna e fatalmente encantadora.

CINEROAD ©2020 de Roberto Simões