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terça-feira, 1 de setembro de 2009

NEGROS HÁBITOS (1983)

PONTUAÇÃO: FRACO
Título Original: Entre Tinieblas
Realização: Pedro Almodóvar
Principais Actores: Cristina Sánchez Pascual, Will More, Laura Cepeda, Miguel Zuñiga, Julieta Serrano, Marisa Paredes, Mary Carrillo, Carmen Maura


Comentário: Jesus não morreu na cruz para salvar os santos, mas para redimir os pecadores. Pois, está bem. Do ridículo ao mais descabido non-sense, passando pela polémica gratuita e ainda pela mediocridade criativa, que Almodóvar seja absolvido por um filme tão... insatisfatório.

domingo, 19 de julho de 2009

PLATOON - OS BRAVOS DO PELOTÃO (1986)

PONTUAÇÃO: BOM
Título Original: Platoon
Realização: Oliver Stone
Principais Actores: Charlie Sheen, Willem Dafoe, Tom Berenger, Forest Whitaker, Johnny Depp

Crítica: É possível que a recriação do Vietname se aproxime muito da realidade sobrevivida pelos soldados americanos, neste Platoon. E, desse prisma, compreendo a importância do filme enquanto fenómeno social e de homenagem. Mas, do ponto de vista artístico - que é aquele que aqui me interessa - o filme não é mais do que um filme acima da média, com uma prestação sentida de Willem Dafoe. É claro que o uso feito ao tema Adagio for Strings é magnífico. Porém, a sua reflexão filosófica restringe-se ao óbvio e peca por superficialidade. Falta-lhe uma profundidade dramática que tanto busca... mas que não chega a atingir em pleno. É bom, mas não é extraordinário.

domingo, 12 de julho de 2009

NASCIDO PARA MATAR (1987)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Full Metal Jacket
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Matthew Modine, Vicent D'Onofrio, R. Lee Ermey, Adam Baldwin

Crítica:

DE HOMENS
A MONSTROS DE GUERRA

Um filme dividido em dois e sobre a dualidade do Homem. A primeira parte do filme passa-se na recruta e trata, satírica, hilariante e delirantemente, a transformação do Homem Comum num Homem-Capaz-de-Guerra. Que é como quem diz: a transformação dos ditos inúteis em monstros, em frios animais de guerra. A segunda parte trata, em tom belicista (os monstros são postos em acção), a dura e absurda realidade da guerra. O Homem é representado tanto como o born to kill, como o ser que, acima de todas as coisas, aspira a paz e não é senão um brinquedo manipulado pela autoridade moral que suplanta Deus com a maior arrogância.

A marcha final para a incerteza, entoando em alta voz a canção do Rato Mickey sobre um pano de fundo em chamas, dá conta dessas jovens e inocentes marionetas, vítimas irredutíveis do absurdo. O Joker de Mattew Modine é a sinédoque máxima desta representação simbólica e dualista - o fuzileiro usa tanto o capacete com a expressão born to kill como o amuleto ao peito com o símbolo da paz.

Assombrosos desempenhos de R. Lee Ermey (o boçal sargento, memorável) e de Vicent D'Onofrio (o recruta Pyle, às tantas tão assustador), excelente e perfeccionista realização de Stanley Kubrick, magnífica fotografia de Douglas Milsome (sobretudo na segunda parte) e destaque ainda para o inspirado argumento escrito a três mãos, a partir da obra de Gustav Hasford; magistral, no retrato.


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Nota especial para a infeliz escolha do título português, que perde tanto significado quando comparado com o título original.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

SHINING (1980)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: The Shining
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers

Crítica:

O LABIRINTO DO MEDO

Uma obra-prima assombrosa e arrepiante. Com uma encenação de génio, uma escolha de planos meticulosa e uma sublime arte de filmar, Shining é uma triunfo absoluto, extremamente bem feito. O elenco é excepcional: Jack Nicholson (impressionante, na sua personagem psicótica e de outro mundo), Shelley Duvall (transfigura-se sob a direcção obsessiva e opressiva de Stanley Kubrick) e o pequeno e bem escolhido Danny Lloyd. A banda sonora (Wendy Carlos) desempenha um papel fulcral na criação do suspense crescente e os criativos cenários e iluminação para todo aquele ambiente hipnótico e assustador. Detentor ainda de um magnífico trabalho de montagem, repleto de cenas marcantes e de uma imagística poderosíssima, eis, intenso, transcendente e iluminado pelo éter, um dos melhores filmes de sempre.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

CINEMA PARAÍSO (1988)

PONTUAÇÃO: EXCELENTE
★★★★★
Título Original: Nuovo Cinema Paradiso
Realização: Giuseppe Tornatore
Principais Actores: Philippe Noiret, Jacques Perrin, Salvatore Cascio, Mario Leonardi, Agnese Nano

Versão do Realizador

Crítica:

UMA OBRA-PRIMA EM TRÊS ACTOS

Eis uma das obras maiores do cinema, sobre o cinema. Uma das obras mais «deliciosas» de que há e haverá memória.

A infância de Totó é a descoberta e o fascínio pelo cinema. A sua adolescência é a tentativa de fazer o seu próprio filme. Mas... «A vida não é como no cinema... é bem pior», diz-lhe Alfredo, numa das muitas cenas inesquecíveis. E esta é a frase-chave para entender as opções futuras de Totó, aconselhado pelo velho projeccionista do Cinema Paraíso: partir da cidade sem pensar voltar um dia, esquecer o amor por Elena, e seguir os seus sonhos, o seu dom especial para conceber cinema, fazendo assim sonhar um mundo inteiro, inspirando gerações inteiras, com os seus filmes. «A vida não é como no cinema... é bem pior». Se tivesse ficado na cidade em que nada acontece, jamais o teria feito, teria provavelmente lutado e sofrido a dureza de um amor impossível, trabalhando como projeccionista num cinema que um dia cairia sob o domínio da caixa mágica, do televisor, e da era do cinema em casa.

A minha dúvida é a de todos. Até que ponto é que Alfredo, «o velho maluco», não acabou também por provocar a infelicidade pessoal de Totó? «Nunca concordarei com ele, nunca», diz Totó, perto do final. Afinal, o protagonista nunca viveu o seu próprio filme em detrimento dos muitos outros que fez. Uma coisa é certa: graças a Alfredo, Totó saltou da plateia para a tela do cinema e eternizou-se.

CINEMA PARAÍSO
é, por tudo isto, um hino e uma homenagem à arte maior do cinema. Um filme excelente, de muito bom humor, com uma realização inspiradíssima de Giuseppe Tornatore. Espontanea e perfeitamente protagonizado pelo pequeno Salvatore Cascio e depois por Marco Leonardi e por Jacques Perrin e sem esquecer o grande nome de Philippe Noiret. O elenco é maravilhoso. Destaques especiais para a montagem do filme e para uma das suas almas maiores... a banda sonora composta pelo génio imenso de Ennio Morricone. Em suma, um dos melhores filmes de sempre.

CINEROAD ©2020 de Roberto Simões