PONTUAÇÃO: MUITO BOM
Título Original: Full Metal Jacket
Realização: Stanley Kubrick
Principais Actores: Matthew Modine, Vicent D'Onofrio, R. Lee Ermey, Adam Baldwin
Crítica:
DE HOMENS
A MONSTROS DE GUERRA
Um filme dividido em dois e sobre a dualidade do Homem. A primeira parte do filme passa-se na recruta e trata, satírica, hilariante e delirantemente, a transformação do Homem Comum num Homem-Capaz-de-Guerra. Que é como quem diz: a transformação dos ditos
inúteis em monstros, em frios animais de guerra. A segunda parte trata, em tom belicista (os monstros são postos em acção), a dura e absurda realidade da guerra. O Homem é representado tanto como o
born to kill, como o ser que, acima de todas as coisas, aspira a paz e não é senão um brinquedo manipulado pela autoridade moral que suplanta Deus com a maior arrogância.
A marcha final para a incerteza, entoando em alta voz a canção do Rato Mickey sobre um pano de fundo em chamas, dá conta dessas jovens e inocentes marionetas, vítimas irredutíveis do absurdo. O
Joker de Mattew Modine é a sinédoque máxima desta representação simbólica e dualista - o fuzileiro usa tanto o capacete com a expressão
born to kill como o amuleto ao peito com o símbolo da paz.
Assombrosos desempenhos de R. Lee Ermey (o boçal sargento, memorável) e de Vicent D'Onofrio (o recruta Pyle, às tantas tão assustador), excelente e perfeccionista realização de Stanley Kubrick, magnífica fotografia de Douglas Milsome (sobretudo na segunda parte) e destaque ainda para o inspirado argumento escrito a três mãos, a partir da obra de Gustav Hasford; magistral, no retrato.
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Nota especial para a infeliz escolha do título português, que perde tanto significado quando comparado com o título original.