★★★★
Título Original: Rio Bravo
Realização: Howard Hawks
Principais Actores: John Wayne, Walter Brennan, Ward Bond, Dean Martin, Ricky Nelson, Angie Dickinson
Crítica:
Em poucos minutos e com uma acção bem humurada, conhecemos o xerife John T. Chance, um àspero mas correcto homem-da-lei (John Wayne, numa performance repleta de nuances expressivas; sejam elas gestos, olhares ou significativos silêncios). Ao contrário do marshall de O Comboio Apitou Três Vezes - filme que motivou Hawks a realizar este Rio Bravo, em jeito de contra-resposta - em que Will Kane (Gary Cooper) passava a maior parte do filme a pedir ajuda aos habitantes da cidade, aqui John T. Chance passa o filme a rejeitar as ajudas que os mais próximos lhe teimam em oferecer. Afinal, Chance está consciente do seu papel na sociedade e, em concreto, na sua cidade. Ele é o xerife, é a autoridade e, por isso, deve proteger os seus conterrâneos, zelando sempre e acima de tudo pela ordem e pela lei. É esse o seu papel, não o de mais ninguém, e deve entregar a sua vida à sua causa.
A LEI DO XERIFE
Em Rio Bravo, essencialmente, é tudo uma questão de diálogos e de actores. A câmera revela uma presença subtil e discreta e o espectador entra na esquadra, no saloon, no Hotel Alamo e em todas as ruas empoeiradas da cidade, sentindo-se como um dos seus passivos e atemorizados habitantes, familiarizado com todas as suas extraordinárias personagens.Em poucos minutos e com uma acção bem humurada, conhecemos o xerife John T. Chance, um àspero mas correcto homem-da-lei (John Wayne, numa performance repleta de nuances expressivas; sejam elas gestos, olhares ou significativos silêncios). Ao contrário do marshall de O Comboio Apitou Três Vezes - filme que motivou Hawks a realizar este Rio Bravo, em jeito de contra-resposta - em que Will Kane (Gary Cooper) passava a maior parte do filme a pedir ajuda aos habitantes da cidade, aqui John T. Chance passa o filme a rejeitar as ajudas que os mais próximos lhe teimam em oferecer. Afinal, Chance está consciente do seu papel na sociedade e, em concreto, na sua cidade. Ele é o xerife, é a autoridade e, por isso, deve proteger os seus conterrâneos, zelando sempre e acima de tudo pela ordem e pela lei. É esse o seu papel, não o de mais ninguém, e deve entregar a sua vida à sua causa.
Feathers: How does a man get to be a sheriff?
John T. Chance: Gets lazy. Gets tired of selling his gun all over. Decides to sell it in one place.
John T. Chance: Gets lazy. Gets tired of selling his gun all over. Decides to sell it in one place.
Como parceiros da sua trupe justiceira, tem, de estrela ao peito, o velho e aleijado Stumpy (genial e hilariante Walter Brennan), um cowboy de coração ferido e perdido no álcool, Dude Borachón (Dean Martin, estupendo no acting e na canção My Rifle, My Pony, and Me). Mais tarde, junta-se-lhes o jovem e destemido Colorado (Ricky Nelson), a cumplicidade-extra de Carlos, o latino-fala-barato-dono-do-hotel que vive sempre amedrontado pela sua esposa Consuela e o vaso oportuno da insolente, vigarista, forasteira, procurada, sensual e deslumbrante Feathers (Angie Dickinson, numa performance memorável, que viverá com o protagonista um verdadeiro romance à moda antiga). Por todo o mérito alcançado pelas interpretações, há a salientar a magistral direcção de actores.
A narrativa avança a um ritmo lento; para o espectador, revela-se um exercício extremamente prazeroso de se acompanhar. Num compasso de espera repleto de improvisos, aguardamos a chegada do marshall que decidirá o que fazer com o assassino Joe Burdette, aprisionado com empenho. Até lá, seguimos com tensão e suspense as sucessivas tentativas dos malfeitores para resgatarem o malfeitor. A notável competência do guarda-roupa e da direcção artística compõe a moldura, perfeitamente iluminada e enquadrada (fotografia de Russell Harlan).
Grande western de Hawks. Uma lição de amizade, liderança, respeito e redenção.



















