Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Debate: INDIANA JONES

A saga criada por Steven Spielberg e George Lucas revolucionou o cinema do entretenimento e redimensionou o género de Acção/Aventura. Tem milhares e milhares de fãs em todo o mundo e os filmes constam de inúmeras listas como constituindo alguns dos melhores filmes de sempre.
Na minha opinião, não exageremos. Valem pelo entretenimento, mas por pouco mais. A mediania rege os argumentos, as interpretações e mesmo as realizações. Da mesma forma que há uma ou outra cena, neste e naquele, que são dignas de memória, também há tantas outras que são absolutamente incipientes e, até, inconsequentes.
Felizmente, Spielberg deu-nos tanto mais do que Indiana Jones.

Quatro títulos:

Os Salteadores da Arca Perdida

Indiana Jones e O Templo Perdido

Indiana Jones e A Grande Cruzada

Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal

Todos diferentes, mas, no fim, o meu saldo é para todos igual:

PONTUAÇÃO:
RAZOÁVEL
***
» Qual é a sua opinião a respeito da saga? «

Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

MYSTERIOUS SKIN - PELE MISTERIOSA (2004)

PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL
***
Título Original: Mysterious Skin
Realização: Gregg Araki
Principais Actores: Joseph Gordon-Levitt, Brady Corbet, Elisabeth Shue, Michelle Trachtenberg, Bill Sage, Mary Lynn Rajskub

+
- A interpretação de Joseph Gordon-Levitt.
- O argumento bem construído, intenso e perturbante.

-
- A ausência evidente de preocupações estéticas maiores - tanto na fotografia e mise-en-scène como nas técnicas narrativas a que Araki recorre para filmar a história - o que, de forma clara, me faz pensar no pouco cinema-arte que há em Mysterious Skin.

Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

SIN CITY - A CIDADE DO PECADO (2005)

A Violência segundo Michael Haneke

Seguem os excertos de uma entrevista a Michael Haneke, realizador do mês no CINEROAD - A Estrada do Cinema, O Sétimo Continente, Split Screen e no Literatura e Cinema, onde o aclamado realizador disserta um pouco acerca do seu tema de eleição - a violência.



Clique AQUI e consulte as críticas às três obras aqui analisadas, durante este mês.

Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

10 Breves Perguntas (9)

Flávio Gonçalves, autor do blogue O Sétimo Continente, aceitou o convite do CINEROAD para responder a mais um questionário desta 2ª Edição do 10 Breves Perguntas.

Eis as respostas:
1. O Melhor Filme desde 2000:
Elephant
2. A Banda-Sonora da Minha Vida:
Atonement
3. Um Amor de Infância:

Harry Potter and the Sorcerer's Stone
4. Um Filme de Animação:
The Lion King
5. Uma Comédia:
Love and Death
6. Filme-Fenómeno cujo Mediatismo não compreendo:
Twilight
7. Tantos detestam. Eu adoro:
The Holiday
8. Um elenco: Raging Bull
9. A Melhor Fotografia que conheço:

Days of Heaven / Gerry [ex aequo]
10. Já mudei de ideias sobre este filme:
2001: A Space Odyssey


Um muito obrigado, Flávio Gonçalves.

Compare as respostas dadas por todos os convidados até ao momento: AQUI

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

ESTADO DE GUERRA (2009)

PONTUAÇÃO: BOM
****
Título Original: The Hurt Locker
Realização: Kathryne Bingelow
Principais Actores: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse, Christian Camargo


+
- A competência com que é filmado.
- O slow motion, responsável por alguns dos takes mais memoráveis do filme.
- Outras cenas nucleares e magistrais como a do tiroteio e espera no deserto, sensivelmente a meio do filme.

-
- O facto de não possuir uma história capaz de catapultar o filme para os lugares cimeiros dos maiores filmes de guerra.

UMA FAMÍLIA À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS (2006)

PONTUAÇÃO: BOM
****
Título Original: Little Miss Sunshine
Realização: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Principais Actores: Greg Kinnear, Toni Collette, Steve Carell, Abigail Breslin, Paul Dano, Alan Arkin


+
- Um elenco de grandes interpretações: Abigail Breslin, Alan Arkin, Steve Carell ou Toni Collette, em destaque.
- A espirituosa Banda Sonora.

-
- Nada a destacar.

Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

DISTRITO 9 (2009)

PONTUAÇÃO: BOM
****
Título Original: District 9
Realização: Neill Blomkamp
Principais Actores: Sharlto Copley, Jason Cope, John Sumner, Vanessa Haywood, Marian Hooman, David James, Robert Hobbs


+
- O argumento sobre temática extraterrestre:
bem construído e com a originalidade q.b., capaz de revigorar o género.
- A ousadia e competência da realização de Neill Blomkamp.
- A qualidade inegável dos efeitos especiais e das sequências de acção.
- A sensacional performance de Sharlto Copley.

-
- Talvez a ausência de personagens secundárias marcantes.
- De resto, nada a destacar.

Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

CÓDIGO DESCONHECIDO (2000)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
*****
Título Original: Code inconnu: Récit incomplet de divers voyages
Realização
: Michael Haneke
Principais Actores: Juliette Binoche, Luminita Gheorghiu, Helene Diarra, Sepp Bierbichler

Crítica:

UM MUNDO FRAGMENTADO

Sozinha? Lugar secreto? Bandido? Má consciência? Triste? Aprisionada? Quem quebra o enigma? Quem sabe, ao certo, por que caminhos avança a nossa civilização? Se a primeira cena deixa o mote, a última esbofeteia-nos com a sua frontalidade e simplicidade: uma criança deixa a sua mensagem, em linguagem gestual, e não entendemos nada. Nem um único gesto. É um código desconhecido para a maioria das pessoas, um pouco como aquele que se impôs na vida e no dia-a-dia das sociedades modernas. O mundo conhece a globalização e, quando estaríamos num momento histórico de união, erguem-se entre nós barreiras que, misteriosamente, nos separam. Estaremos condenados à incomunicabilidade?

Código Desconhecido, de Michael Haneke, confronta-nos com o nosso reflexo. E o resultado abala-nos a consciência. A Humanidade avança para a desumanização. É desse modo que estamos e é desse modo que somos. Não é perturbante? É claro que tudo aquilo é representação, é ficção. Aliás, Haneke não perde a oportunidade - uma vez mais - para desenvolver aquela que é uma das suas temáticas predilectas: a auto-consciência da ficção enquanto artifício. Neste filme, o cineasta serve-se mesmo da mise en abyme: note-se a cena em que a personagem Anne está perante a câmera e o realizador lhe exige que seja verdadeira - há um paralelo imediato com a relação Binoche-Haneke. A cena da piscina e do miúdo no 20º andar, por exemplo, é-nos apresentada como se fizesse parte da diegese do filme. Às tantas, todavia, percebemos que é uma cena de um filme dentro do filme de Haneke. O que é interessante perceber é como o filme é tão real, mesmo com ficção dentro da ficção e sabendo nós perfeitamente o domínio que pisamos.

O argumento desenvolve-se em fragmentos, separados entre si por cortes bruscos e inesperados. Um pouco como as relações que as pessoas desenvolvem no dia-a-dia, se é que lhes podemos chamar relações. Talvez contactos seja a palavra mais apropriada. Sobretudo nos meios urbanos, o que as pessoas têm entre si são contactos. Meros contactos de ocasião, fugazes e superficiais. Aliás, as pessoas evitam o contacto umas com as outras, mesmo sem saberem bem porquê. Falemos, a propósito, das cenas que se passam no metro, que sinedoquizam tão bem isto de que estou a falar. E todos sabem do que estou a falar. Todos nós já entrámos num metro. As regras de existência dentro de um desses fatídicos meios de transporte são ainda mais exigentes. Damos por elas implicitamente e seguimo-las escrupulosamente. Não podemos tocar em ninguém. Não podemos olhar directamente para ninguém. Temos que ignorar os cheiros. E os mendigos. Não podemos ceder o nosso lugar à velhinha que está ali em pé, porque nem sequer a vimos ainda. Temos que segurar firmemente a mala e proteger a carteira. Sabemos que podemos ser assaltados a qualquer momento. Não são estas as regras de existência dentro de um metro? São. Mas porque é que somos assim? Porque é que aceitamos estes códigos como se fossem princípios inquestionáveis? Porque é que não dizemos mais um bom dia, um boa tarde ou um boa noite, um obrigado ou um desculpe, porque é que não somos delicados com as pessoas? Que monstros estamos nós a ser - todos os dias - sem querer admitir que o somos? Os monstros são os outros? Tão depressa são os outros como somos nós! A cena da mendiga, logo a princípio, dá alento a esta tese. O preto repreende o miúdo porque foi mal-educado para a mendiga. O preto acaba na esquadra, a mendiga deportada para o seu país de origem e o miúdo acaba impune. Efeito borboleta, efeito caos, efeito perdição. Estamos todos interligados, mas ignoramo-lo. Constantemente. E, à medida que o tempo passa, entendemo-nos cada vez menos. Somos intolerantes aos costumes, tradições, religiões e atitudes. E, por fim, somos intolerantes connosco mesmos. Nem o simples, necessário e tão humano acto de chorar toleramos mais. Estaremos condenados à incomunicabilidade? Estamos, parece-me, condenados ao assumir de uma nova identidade. Mesmo que não nos identifiquemos mais com ela.

Sublimemente interpretado e orquestrado, eis, pois, um filme magnífico que é, em simultâneo, um ensaio sociológico e antropológico extremamente importante e absolutamente memorável.

__________________________________________
Nota especial para o subtítulo, em português Relato Incompleto de Diversas Viagens, que acaba por justificar e enquadrar o tema e o modelo narrativo do filme.

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
*****
Título Original: Brokeback Mountain
Realização: Ang Lee
Principais Actores: Heath Ledger, Jake Gyllenhaal, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Linda Cardellini, Roberta Maxwell, Anna Faris, Kate Mara, Peter McRobbie, Scott Michael Campbell


Crítica:


A FORÇA DO AMOR

I wish I knew how to quit you.

Um filme deslumbrante, apaixonante e profundamente belo.
Magnificamente fotografado (Rodrigo Prie
to), musicalmente orquestrado (Gustavo Santaolalla) e com uma mise-en-scène simples, mas perfeita, O Segredo de Brokeback Mountain é um diamante bruto - na subtileza e na sensibilidade de cada cena, no sentimento que emana de cada olhar e de cada gesto (afinal, os estados mais primitivos da palavra e da linguagem).

O argumento, de uma enorme dimensão trágica e melodramática, embora organicamente simples, exalta as emoções humanas, a tensão sexual e o genuíno poder do amor. O amor é uma força da natureza. Até ao final, verdadeiramente comovente e desolador, é interessantíssimo perceber como evolui o retrato e o significado da montanha na relação de Ennis e Jack. Primeiramente, Brokeback é o lugar imaculado onde tudo acontece e onde tudo é possível. Depois, surge-nos apenas como paisagem, que assiste, impotente, ao desmoronamento da relação dos dois pelas demais pressões e preconceitos sociais. Por fim, aparece-nos apenas num postal, afixado e arrumado num armário como a mais inesquecível das memórias.

Heath Ledger entrega-se a um extraordinário trabalho de composição e cria Ennis Del Mar, uma personagem silenciosamente introvertida e intensa em toda a sua complexidade, completamente inesquecível.
Jake Gyllenhaal e Michelle Williams abalam-nos igualmente com o poder das suas interpretações.

O Segredo de Brokeback Mountain impõe-se, pois, como um clássico instantâneo e absoluto.

_______________________________________
Nota especial para a infeliz escolha do título português.

Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

TRANSAMERICA (2005)

PONTUAÇÃO: BOM
****
Título Original: Transamerica
Realização: Duncan Tucker
Principais Actores: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Elizabeth Peña, Fionnula Flanagan, Burt Young, Carrie Preston, Graham Greene


+
A fabulosa interpretação de Felicity Huffman.

O argumento: põe-nos face à questão da transsexualidade com toda a naturalidade, recorrendo a um humor genuíno.

-
O talento de Kevin Zegers, apesar de nunca prejudicar o todo, também nunca o beneficia, propriamente.
CINEROAD ©2011 de Roberto Simões