Domingo, 27 de Setembro de 2009

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

VOLVER - VOLTAR (2006)

PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL
***
Título Original: Volver
Realização: Pedro Almodóvar
Principais Actores: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Chus Lampreave

Crítica:

UMA QUESTÃO DE MULHERES

Volver - Voltar por pouco se distancia do universo telenovelesco; todavia, fá-lo com competência e grande actualidade. Aliás, a vida doméstica e pessoal de Raimunda (magnífico desempenho de Penélope Cruz) facilmente ecoará na vida de muitos espectadores, com rara pertinência.

Voltar ao passado pode ser um processo difícil, uma invocação de memória que poderá revelar segredos dolorosos, os quais tentámos esquecer a todo o custo. Lola Dueñas e Carmen Maura tornam à filmografia do realizador, em sólidos desempenhos, nesta viagem de regresso à verdade: o incesto que, na sombra e no silêncio, não só existe como prolifera nas aparências do mundo rural. Alcanfor de las Infantas simboliza, pois, tantas vilas e localidades que tão bem conhecemos.

Volver - Voltar
não é cinema na sua melhor forma, mas é entretenimento puro, que camufla o trágico no hilariante com um à-vontade fora do comum.

10 Breves Perguntas (4)

Continua a nossa iniciativa.
Fernando Ribeiro, director e editor do site Ante-Cinema (uma reconhecida referência em Portugal), aceitou o convite do CINEROAD - A Estrada do Cinema para responder a 10 breves questões com 10 breves respostas.

1. Um realizador: Woody Allen
2. Um argumento: 12 Angry Men
3. Um actor: Robert de Niro
4. Uma actriz: Cate Blanchett
5. Um filme-desilusão: Sin City
6. Um filme-surpresa: Dark City
7. Um filme sobrevalorizado: The Shawshank Redemption
8. Um filme subvalorizado: The Last Samurai
9. Um filme em que chorei: Moulin Rouge!
10. Último DVD: Home - O Mundo É A Nossa Casa

Um muito obrigado, Fernando Ribeiro.
As mesmas 10 questões serão respondidas por um novo convidado especial, muito em breve! Até lá.

SLIPSTREAM - A VIDA COMO UM FILME (2007)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
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Título Original: Slipstream
Realização: Anthony Hopkins
Principais Actores: Anthony Hopkins, Christian Slater, John Turturro, Fionnula Flanagan, Michael Clarke Duncan

Crítica:

UM SONHO CRIATIVO

A verdade é que encontrei, inesperadamente, um filme magnífico. Algures entre o espectro criativo de Spike Jonze e o pesadelo confuso de David Lynch, Slipstream - A Vida Como Um Filme revela um original, fresco e jovial (eu diria mesmo psicadélico) trabalho de realização, por parte do actor Anthony Hopkins, que protagoniza e assina, também, a composição musical da fita.

Detentora de uma prodigiosa cinematografia (Dante Spinotti) e de um dos mais estimulantes exercícios de montagem a que tive o prazer de assistir (Michael R. Miller), a obra faz um desvio radical na linearidade narrativa e conflui universos distintos numa dimensão única, quase onírica, dando-nos a conhecer a magia do caos criativo, no qual nascem personagens, situações e histórias. O argumento brinca com a mise en abyme, suscitando e estabelecendo, a um nível metadiegético, um claro e intencional paralelo entre Felix e o próprio Anthony Hopkins. Ambos são a criação e um é a criação do outro. A aparente naturalidade com que brotam a espontaneidade e a capacidade de encenação faz pensar na grande carreira de realizador que Hopkins poderia ter concretizado.

Sliptstream - A Vida Como Um Filme é, pois, uma irreverente e triunfal experiência em cinema, de difícil leitura e de incomensurável poder criativo, que merece ser descoberta.

Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

10 Breves Perguntas (3)

Continua a nossa iniciativa.
Hélder Almeida, autor do blogue Movie Wagon aceitou o convite do CINEROAD - A Estrada do Cinema para responder a 10 breves questões com 10 breves respostas.

1. Um realizador: Quentin Tarantino
2. Um argumento: Wall-e
3. Um actor: Johnny Depp
4. Uma actriz: Meryl Streep
5. Um filme-desilusão: Austrália
6. Um filme-surpresa: Frost/Nixon
7. Um filme sobrevalorizado: O Estranho Caso de Benjamin Button
8. Um filme subvalorizado: Death Proof - À Prova de Morte
9. Um filme em que chorei: The Fountain - O Último Capítulo
10. Último Blu-Ray Disc: Gran Torino

Um muito obrigado, Hélder Almeida.
As mesmas 10 questões serão respondidas por um novo convidado especial, muito em breve! Até lá.

THE SHIPPING NEWS (2001)


PONTUAÇÃO: RAZOÁVEL
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Título Original: The Shipping News
Realização: Lasse Hallström
Principais Actores: Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench, Rhys Ifans, Cate Blanchett, Scott Glenn

Uma verdade necessária: a versão cinematográfica do romance de Annie Proulx merecia uma adaptação mais cuidada, com um melhor aproveitamento dos seus riquíssimos recursos. O elenco é de luxo: isso é indesmentível. Raramente encontramos reunidos num só filme nomes como Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench ou mesmo Cate Blanchett, cujos talentos estão mais do que comprovados. A banda sonora é magnífica. O restante trabalho da equipa, não sendo excepcional, servia perfeitamente os propósitos essenciais para a adaptação. Mas o argumento, para além de não primar pela clareza, está mal estruturado, com falhas essenciais à compreensão da história. Para além disso, outro factor determinante: Lasse Hallström (Chocolate) não foi o realizador certo para o projecto. Faltou-lhe inspiração para fazer um filme muito bom e punho suficiente para dirigir um bom filme. Foi pena.

Quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

10 Breves Perguntas (2)

Continua a nossa iniciativa.
João Bizarro, autor do blogue Cantinho das Artes aceitou o convite do CINEROAD - A Estrada do Cinema para responder a 10 breves questões com 10 breves respostas.

1. Um realizador: Martin Scorsese
2. Um argumento: Inglorious Basterds
3. Um actor: Marlon Brando
4. Uma actriz: Naomi Watts
5. Um filme-desilusão: Swept Away, Guy Richie (É mais o realizador mas foi com este filme)
6. Um filme-surpresa: Let the Right One In, de Thomas Alfredson
7. Um filme sobrevalorizado: Titanic, de James Cameron
8. Um filme subvalorizado: Public Enemies, de Michael Mann
9. Um filme em que chorei: Brokeback Mountain, de Ang Lee
10. Último DVD: Gran Torino, de Clint Eastwood

Um muito obrigado, João Bizarro.
As mesmas 10 questões serão respondidas por um novo convidado especial, muito em breve! Até lá.

TUDO SOBRE A MINHA MÃE (1999)

PONTUAÇÃO: BOM
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Título Original: Todo Sobre Mi Madre
Realização: Pedro Almodóvar
Principais Actores: Cecilia Roth, Marisa Paredes, Candela Peña, Antonia San Juan, Penélope Cruz

Crítica: Falar do universo de Tudo Sobre a Minha Mãe é falar do típico, rico, polémico e colorido universo de Almodóvar. Que é como quem diz: o universo do feminino e dos temas fracturantes das sociedades ocidentais. Em Tudo Sobre a Minha Mãe dá-se, pois, o encontro e cruzamento, a jeito de corso carnavalesco, de prostitutas, toxicodependentes, travestis e transsexuais, seropositivos e doentes com Sida, freiras pecadoras, mães solteiras e doentes de Alzheimer. E, provavelmente, outras tantas personagens nada convencionais. Desta amálgama exótica, sai um filme de humor rasgado e lágrima sincera. Com uma mise-en-scène cuidada e um argumento imprevisível, eis uma homenagem maior à mulher, à mãe e à figura e representação de ambas.

Grandes Cenas (30) - Pearl Harbor (2001)








Comente o filme Pearl Harbor, aqui!

Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

10 Breves Perguntas (1)

Inicia-se aqui uma nova série de iniciativas.
Flávio Gonçalves, autor do blogue Flavio's World aceitou o convite do CINEROAD - A Estrada do Cinema para responder a 10 breves questões com 10 breves respostas.

1. Um realizador: Gus Van Sant
2. Um argumento: Lost in Translation
3. Um actor: Gael García Bernal
4. Uma actriz: Kate Winslet
5. Um filme-desilusão: O Wrestler
6. Um filme-surpresa: Dogville
7. Um filme sobrevalorizado: Os Condenados de Shawshank
8. Um filme subvalorizado: Ensaio sobre a Cegueira
9. Um filme em que chorei: Expiação
10. Último DVD: O Senhor dos Anéis - O Regresso do Rei

Um muito obrigado, Flávio Gonçalves.
As mesmas 10 questões serão respondidas por um novo convidado especial, muito em breve! Até lá.

Grandes Cenas (29) - O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford (2007)






Domingo, 13 de Setembro de 2009

O Prazer da Redescoberta

É por demais prazeroso quando redescobrimos uma obra. Aconteceu-me recentemente com duas: O Segredo de Brokeback Mountain (2005) de Ang Lee e O Paciente Inglês (1996) de Anthonny Minghella.
É certo que a nossa maturidade evolui, assim como os nossos gostos e percursos pessoais. Mas no caso destes dois filmes, todavia, creio poder destacar um outro elemento, para mim verdadeiramente determinante na sua avaliação: a expectativa. Refiro-me claramente ao jogo de expectativas que exercemos sobre uma obra antes de a vermos. E nem sempre as expectativas se superam - nestes casos, em que a expectativa parece ter tanto peso, vemos o filme não como ele é (na sua essência e autêntica natureza), mas sim em comparação com o filme que idealizámos. Aí, na maior parte das vezes, o filme sai a perder.

Felizmente, as segundas - às vezes, terceiras - oportunidades vêm reposicionar-nos e fazer finalmente com que encaremos o filme desprovidos de preconceitos... entramos pois no espírito do filme e compreendemos a sua fórmula. É por isso que O Segredo de Brokeback Mountain e O Paciente Inglês são agora dois novos filmes para mim, duas redescobertas extraordinárias.

Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Frases (28) - O PACIENTE INGLÊS (1996)

Katharine Clifton: My darling. I'm waiting for you. How long is the day in the dark? Or a week? The fire is gone, and I'm horribly cold. I really should drag myself outside but then there'd be the sun. I'm afraid I waste the light on the paintings, not writing these words. We die. We die rich with lovers and tribes, tastes we have swallowed, bodies we've entered and swum up like rivers. Fears we've hidden in - like this wretched cave. I want all this marked on my body. Where the real countries are. Not boundaries drawn on mapswith the names of powerful men. I know you'll come carry me out to the Palace of Winds. That's what I've wanted: to walk in such a place with you. With friends, on an earth without maps. The lamp has gone out and I'm writing in the darkness.
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Almásy: It is a very plum plum.

Comente o filme O Paciente Inglês, aqui!

Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Grandes Cenas (26) - O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005)




EM CARNE VIVA (1997)

PONTUAÇÃO: MUITO BOM
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Título Original: Carne Trémula
Realização: Pedro Almodóvar
Principais Actores: Liberto Rabal, Javier Bardem, Francesca Neri, Penélope Cruz, Ángela Molina, José Sancho

Crítica:

A LEI DO DESEJO

Magistral e profundamente inspirado na encenação, Em Carne Viva respira uma cadência sensual, por vezes até erótica, e revela-se irrepreensível na orquestração dos recursos artísticos. Por isso mesmo se poderá dizer que, com este filme, Almodóvar consolidou a sua qualidade criativa: enquanto argumentista e enquanto realizador. Com este brilhante Em Carne Viva consagrou-se, pois, como um dos mais singulares e talentosos realizadores europeus.

Essa evolução manifesta-se e comprova-se nos planos meticulosos, devidamente enquadrados e previamente ensaiados, na assombrosa mise-en-scène, cheia de cores gritantes e de corpos nus, nas sentidas composições musicais de Alberto Iglesias ou nas vibrantes canções que, como Somos, enfatizam a sedução dos corpos, intensificam o dramatismo das situações e ajudam no processo do storytelling, quase que dando ao filme uma alma que reclama transcendência. O argumento, de construção imprevisível e circunstancialmente pontuado por tiradas geniais de puro e autêntico humor, consiste num trabalho de muito boa escrita, devidamente estruturado e consistente. Ensaia de forma sublime, com raras inteligência e pertinência, temas fracturantes como a traição (amorosa ou entre amigos) ou a deficiência física (e as suas consequências directas e difíceis nas relações das pessoas). Note-se, a propósito deste caso último, o excepcional desempenho de Javier Bardem, à frente de um elenco de prestações, todas elas, formidáveis: Liberto Rabal, Francesca Neri, Ángela Molina ou José Sancho.

Todavia, Em Carne Viva transcende ainda o próprio drama, melodrama e policial quando, num segundo plano, retrata toda uma Espanha em evolução, do Franquismo aos tempos de liberdade. A epígrafe, as datas, algumas passagens do argumento ou a recriação histórica, assegurada pelo cuidado trabalho de cenografia, dão-nos conta, desde logo, dessa evolução. Não é por acaso que o filme acaba de forma circular. Pelo duplo nascimento em tempos distintos se marca o contraponto: a última cena mostra-nos a mesma rua onde outrora se nascia com medo e agora se nasce com esperança em liberdade... Liberdade, essa, essencial para amar, viver e criar... E como Almodóvar percebe dessa liberdade.

CINEROAD ©2011 de Roberto Simões