Crítica:
O ÊXITO DO ÊXODO
With this staff, you shall do my wonders.
O Príncipe do Egipto é a concretização triunfal de uma visão extraordinária, de contornos épicos e de dimensões faraónicas. É uma obra poderosíssima, emocionalmente arrebatadora - um espectáculo sem precedentes e que constitui, tão somente, um dos melhores filmes de animação de todos os tempos.
O argumento (Philip LaZebnik) condensa de forma sublime (num equilíbrio muito próprio entre a fácil compreensão do público infantil e a exigência da audiência mais adulta) os episódios bíblicos do Êxodo, porventura uma das histórias mais conhecidas das sagradas escrituras.
O Príncipe do Egipto não é senão a história de Moisés, orfão de um passado secreto, agora irmão de Ramsés, sucessor do faraó Seti. O jovem vive uma existência extramemente facilitada e luxuosa enquanto, ao sol de Rá, crescem pirâmides e construções colossais, à custa do sangue e do suor dos escravos. Os condenados não são senão os hebreus, o povo a quem Deus prometera a Terra onde não faltaria o leite e o mel. Quando Moisés é confrontado com as suas origens e se apercebe daquilo que desde sempre aprendeu a ignorar, a terrível verdade, foge para o deserto de forma a encontrar o novo "eu". É lá, nos confins das areias e das gentes livres, que ouvirá a voz de Deus, que o incumbirá da libertação do seu povo. De volta ao Egipto, Deus revelar-se-á uma entidade autoritária, castigadora e implacável, transformando a água em sangue e lançando as pragas, as epidemias e o flagelo da maldição dos primogénitos - que atingirá, especialmente, Ramsés feito faraó, que só face à desgraça cederá finalmente aos desígnios de Deus.
With the sting of the whip on my shoulder, with the salt of my sweat on my brow... Elohim, God on high, can you hear your people cry? Help us now, this dark hour... Deliver us, hear our call, deliver us, Lord of all! Remember us, here in this burning sand! Deliver us, there's a land you promised us! Deliver us to the promised land!
A beleza das maravilhas de Deus transcendem-nos em absoluto. Tudo graças a uma audaciosa equipa técnica, capaz de empreender uma autêntica epopeia na concepção do desenho manual, de traço limpo e excelsa pintura e com
backgrounds deslumbrantes, imponentes e ricos em detalhe. A ambiciosa combinação com os efeitos digitais resultou magistralmente: há um maior dinamismo da imagem, uma maior realismo, nomeadamente perante as grandes multidões, a sucessão das pragas ou a tão impressionante quanto desarmante travessia do Mar Vermelho. A banda sonora de Hans Zimmer enche o filme de alma e coração, transcendendo as emoções num plano divino. As canções são encantadoras, comoventes e, às tantas, mesmo arrepiantes.
When You Believe faz, por exemplo, a sinédoque perfeita a toda a mensagem de beleza, fé e entrega que o filme representa.
Há magia inesgotável, neste clássico instantâneo da DreamWorks. Uma obra absolutamente apaixonante e memorável. De valores eternos.
